Sérvio Sulpício Galba (cônsul 144 a.C.)

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Sérvio Sulpício Galba (em latim, Servius Sulpicius Ser.f. P.n. Galba;[1] c. 190 a.C.-135 a.C.) foi um general e político romano. Foi o pai de Sérvio Sulpício Galba, cônsul em 108 a.C.[1]

Tribuno na Macedônia[editar | editar código-fonte]

Tribuno militar em 167 a.C. comandando a segunda legião romana na Macedônia, sob as ordens de Emílio Paulo, a quem era hostil. Depois da derrota de Perseu da Macedônia, quando Emílio regressou a Roma, Galba tratou de impedir que lhe fosse concedido o triunfo, mas sem sucesso.

Pretor na Hispânia[editar | editar código-fonte]

Em 151 a.C. foi-lhe entregue o governo da Hispânia Ulterior como pretor, em substituição do pretor Marco Atílio Serrano (conquistador de Oxthracae[2] ), onde continuou a guerra contra os celtiberos. Para retaliar as incursões dos rebeldes lusitanos às cidades submetidas a Roma, atacou-os nos confins das atuais Andaluzia e Estremadura. Os lusitanos causaram a Galba enormes perdas, e teve de retirar-se aos seus quartéis de Inverno em Conistorgis.

Na primavera de 150 a.C. entrou novamente na Lusitânia e assolou o território. Quando os lusitanos enviaram uma embaixada reclamando pela violação do tratado que tinham feito com Atílio, e pela sua vez prometiam observar os termos do acordo com fidelidade.

Galba recebeu os embaixadores lusos amavelmente, e lamentou que as circunstâncias, especialmente a pobreza do seu país, os induzisse à rebelião contra os romanos. Prometeu-lhes terras férteis onde se poderiam estabelecer com as suas famílias, sob a proteção de Roma, se permaneciam leais. Acudiram cerca de 30 000 lusitanos solicitando o cumprimento desta promessa. Galba repartiu-os em três acampamentos e exigiu-lhes que entregassem as suas armas em sinal de amizade; então rodeou-os com todo o seu exército e ordenou atacá-los; cerca de 9000 foram afaqueados e 20 000 prisioneiros foram vendidos como escravos nas Gálias (150 a.C.). Somente uns poucos puderam escapar, mas entre eles estava Viriato, que anos depois tomaria vingança desta traição romana.

Juízo em Roma[editar | editar código-fonte]

Esta conduta foi denunciada pelo tribuno da plebe Lúcio Escribônio Libão, que o acusou quando ao término do seu mandato como pretor voltou a Roma (149 a.C.). Também recebeu críticas pela sua conduta em nome de Catão.

Foi-lhe instruído um processo, acusado de pactuar ilegalmente, de atraiçoar o pactuado e de reter pessoalmente a maior parte da pilhagem. No entanto, graças à sua aristocrática origem, ao suborno e à sua eloquência, conseguiu a absolução. Porém, o tribuno da plebe Lúcio Escribônio Libão conseguiu que se aprovasse uma lei que ordenava o resgate dos lusitanos vendidos por Galba, e pouco depois o Senado romano aprovou a lex Calpúrnia, que ia especialmente dirigida contra os governadores culpáveis de concussão.

Cônsul de Roma[editar | editar código-fonte]

Em 144 a.C. Galba foi eleito cônsul, com Lúcio Aurélio Cota.[1] Os dois cônsules disputaram o comando da Hispânia onde Viriato, à frente dos lusitanos, se tinha sublevado.

A discórdia chegou ao Senado, mas resolveu-se ao final, que ninguém devia ser enviado à península Ibérica, e que Quinto Fábio Máximo Emiliano, o cônsul do ano anterior, seguisse no comando do exército na Hispânia.

Ainda vivia em 138 a.C., quando falou pelos publicani.[3]

Apiano afirma que Galba, apesar de ser muito rico, era extremamente tacanho, e que não tinha escrúpulo em mentir ou cometer perjúrio, se assim podia obter benefícios econômicos.

Cícero fala do seu talento como orador com elogio. A sua oratória tinha grande poder, incrementada pelo uso de uma gesticulação apaixonada.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Apiano, Hispan. 58, 59, 60; Liv xlv 35, 36, Epit. 49; Suet. Galb. 3; Oros. iv. 20; Val. Máx. viii. 1. § 2, 7. § 1; Plut. Cat. Maj. 15; Nepote, Cat. 3; Gell. i. 12, 23, xiii. 24; Cic. de Orat. i. 10, 13, 53, 60, ii. 2, 65, iii. 7, Brut. 22, 23, 24, 33, 86, 97, Orat. 30, ad Att. xii. 5, pro Muren. 28, Tuscul. i. 3, Acad. ii. 16, de Re Publ. iii. 30, ad Herenn. iv. 5; Front., Epist. p. 85, ed. Rom.; Meyer, Fragm. Orat. Rom. pp. 120, & c., 164, & c.

Referências

  1. a b c Fasti Capitolini [em linha]
  2. Apiano, Hispanica 58.
  3. Cic. Brut. 22
Precedido por:
Quinto Fábio Máximo Emiliano e
Lúcio Hostílio Mancino
Cônsul da República Romana junto
com Lúcio Aurélio Cota

144 a.C.
Sucedido por:
Ápio Cláudio Pulcro e
Quinto Cecílio Metelo Macedônico

Ligações externas[editar | editar código-fonte]