Sunrise: A Song of Two Humans

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Sunrise ― a song of two humans
Aurora (PT/BR)
 Estados Unidos
1927 • P&B • 95 min 
Direção F. W. Murnau
Produção Fox Film Corporation
Roteiro Carl Mayer
Elenco Janet Gaynor
George O'Brien
Margaret Livingston
Gênero drama romântico
Idioma filme mudo com legendas em inglês
Música Hugo Riesenfeld
Cinematografia Charles Rosher
Karl Struss
Lançamento 4 de novembro de 1927

Sunrise ― a song of two humans (br/pt:Aurora) é um filme mudo de 1927, o primeiro dirigido por F. W. Murnau em Hollywood.1 Seu roteiro foi adaptado a partir do conto Viagem a Tilsit, do escritor alemão Herrman Suderman, embora nele possam ser inegavelmente encontrados vários elementos do romance Uma história americana, de Theodore Dreiser, lançado dois anos antes e o sucesso comercial literário daquela época nos Estados Unidos.

Um dos mais importantes filmes da cinematografia mundial, e o até então mais caro lançado pela Fox Film Corporation, Aurora foi laureado com três Oscar em 1929. Recebeu, em 1989, a classificação de significância histórica, estética e cultural pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos2 e foi selecionado para preservação pelo British Film Institute.3 Numa pesquisa feita entre críticos para este mesmo instituto, Aurora foi considerado o sétimo maior filme da história do cinema, ao lado de O encouraçado Potemkin, do cineasta soviético Sergei Eisenstein.4 Em 1967, a revista Cahiers du Cinéma escolheu Aurora como "a maior obra-prima da história do cinema".5

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Durante as férias de verão, uma excursão vinda da cidade chega a um bucólico vilarejo situado às margens de um lago. Fazia parte dessa excursão uma mulher que, semanas após todos regressarem à cidade, permaneceu no vilarejo porque havia se tornado amante de um fazendeiro.

Numa noite, a mulher da cidade se encontra com o fazendeiro. Em meio a beijos, ela pede a seu amante que venda a fazenda e que venha a viver com ela na cidade. Eles, então, tramam matar a esposa dele afogada, simulando um acidente.

Na manhã seguinte, o fazendeiro convida sua esposa para um passeio de barco. Durante o passeio, ele parte, ameaçadoramente, em direção a ela. A esposa, percebendo a real intenção de seu marido, se coloca em posição de clemência. Ele, então, desiste de matá-la e rema até a margem.

Em terra, a esposa foge e entra num bonde, seguida pelo marido. Chegam à cidade e logo entram em uma igreja onde está sendo celebrada uma cerimônia de casamento. As palavras do padre parecem dirigidas a eles, o que os leva à reconciliação.

Saem para passear. Primeiro chegam a um salão de beleza, depois tiram uma fotografia e, por fim, entram em um parque de diversões.

Enquanto isso, a mulher da cidade, que ficou no vilarejo, marca, na seção de classificados de um jornal, uma nota de alguém que anuncia interesse em comprar fazendas à vista.

O casal, ainda no parque de diversões, após capturar um porquinho fugitivo, baila Dança Camponesa, um dos nove movimentos compostos por Felix Mendelssohn como música incidental para a peça teatral Sonhos de uma noite de verão, do dramaturgo William Shakespeare.

O casal toma um bonde até o lago e inicia o regresso a casa em um barco.

Uma forte tempestade cai e agita as águas do lago. Quando o barco começa a balançar violentamente, o marido amarra no corpo de sua esposa dois feixes de seixos, para que, no caso de ela ser lançada na água, possa usá-los como boia.

A tempestade aumenta e o barco vira. Ao cessar a chuva, o marido consegue atingir a terra firme, ileso, mas não encontra sua esposa. Todos do vilarejo saem em seus barcos para auxiliar o fazendeiro desesperado na busca pela esposa, porém tudo com o que se deparam são os seixos espalhados, boiando sozinhos na superfície do lago.

Toda essa tentativa de resgate é assistida de longe pela mulher da cidade, que pensa tratar-se da concretização do plano que ela tramou em conjunto com o fazendeiro.

O fazendeiro chega amargurado em casa, onde é chamado pela mulher da cidade. Ele a persegue e, alcançando-a, começa a agredi-la. É interrompido pelos gritos de uma empregada que lhe avisa que sua esposa fora encontrada viva, boiando agarrada a um dos feixes de seixos.

Na aurora do dia seguinte, a mulher da cidade vai embora do vilarejo, enquanto o casal, ao lado de seu filho lactente, se beija apaixonadamente.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • George O'Brien - fazendeiro
  • Janet Gaynor - esposa
  • Margaret Livingston – mulher da cidade
  • Bodil Rosing – empregada do fazendeiro
  • Gibson Gowland – motorista raivoso que retira o casal da rua
  • Gino Corrado – gerente do salão de beleza
  • Ralph Sipperly - barbeiro
  • Jane Winton - manicure
  • Arthur Housman – homem importuno no salão de beleza
  • J. Farrell MacDonald - fotógrafo
  • Barry Norton - dançarino
  • Sidney Bracey – diretor do salão de baile
  • Sally Eilers – mulher no salão de baile
  • Phillips Smalley – garçom
  • Fletcher Henderson – músico
  • Eddie Boland
  • Clarence Wilson
  • Bob Kortman
  • Harry Semels

Estilo[editar | editar código-fonte]

Depois do grande sucesso comercial e artístico de A última gargalhada, o diretor alemão F. W. Murnau foi convidado para trabalhar em Hollywood pelo produtor William Fox, sob contrato com a Fox Film Corporation. O produtor da Fox pretendia colocar à disposição de Murnau todos os melhores recursos humanos, técnicos e financeiros do estúdio para que ele rodasse um filme americano com a estética do cinema expressionista alemão, que usava uma direção de arte distorcida como efeito simbólico.

O roteiro de Carl Mayer foi desenvolvido com base nos romances de formação, gênero tipicamente alemão em que o protagonista, por meio da análise das consequências de uma série de erros por ele cometidos, atinge a maturidade de sua personalidade humana.

O resultado foi um filme que trata da infidelidade, do arrependimento e do progressivo retorno à realidade que o personagem havia abandonado, tudo conduzido por um do jogo sublime de imagens gravadas em enormes e exagerados cenários estilizados, brilhantemente trabalhado por Rochus Gliese. Essa nova perspectiva estética da cinematografia muda, executada primorosamente por Charles Rosher e Karl Struss, dispensava o uso de intertítulos, os quais eram substituídos por poderosas imagens que despertavam ideias e sensações no espectador, tornando a história intelingível, mesmo sem som. Para ampliação da realização artística, também foi utilizada uma trilha sonora revolucionária para a época.

Dados de produção[editar | editar código-fonte]

  • direção – F. W. Murnau
  • produção – William Fox, da Fox Film Corporation
  • roteiro – Carl Mayer
  • cinematografia – Charles Rosher, Karl Struss
  • música – Hugo Riesenfeld
  • edição – Harold D. Schuster
  • direção de arte – Rochus Gliese
  • assistente de direção – Hermann Bing
  • assistente de direção de arte – Alfred Metscher, Edgar G. Ulmer
  • efeitos especiais – Frank Williams
  • assistente de câmera – Hal Carney, Stuart Thompson, Frank Powolny
  • gênero – drama romântico
  • duração – 95 minutos
  • país de origem – Estados Unidos
  • formato – preto e branco, mudo com sons ambientes, tamanho 1,20:1

Locações[editar | editar código-fonte]

O vilarejo foi construído às margens do lago Arrowhead, localizado na Floresta Nacional de San Bernadino, a cerca de 160 km de Los Angeles. As tomadas do barco foram feitas no lago Big Bear.

A praça da cidade foi montada em um terreno da Fox Film Corporation, em Beverly Hills.

Os ambientes internos foram rodados no estúdio endereçado a 1401 N. Western Avenue, Hollywood, Los Angeles.6

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • George O'Brien - fazendeiro
  • Janet Gaynor - esposa
  • Margaret Livingston – mulher da cidade
  • Bodil Rosing – empregada do fazendeiro
  • Gibson Gowland – motorista raivoso que retira o casal da rua
  • Gino Corrado – gerente do salão de beleza
  • Ralph Sipperly - barbeiro
  • Jane Winton - manicure
  • Arthur Housman – homem importuno no salão de beleza
  • J. Farrell MacDonald - fotógrafo
  • Barry Norton - dançarino
  • Sidney Bracey – diretor do salão de baile
  • Sally Eilers – mulher no salão de baile
  • Phillips Smalley – garçom
  • Fletcher Henderson – músico
  • Eddie Boland
  • Clarence Wilson
  • Bob Kortman
  • Harry Semels

Premiações[editar | editar código-fonte]

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas[editar | editar código-fonte]

Kinema Junpo Awards[editar | editar código-fonte]

Legado[editar | editar código-fonte]

Aurora é uma das obras-primas cinematográficas mais admiradas e influentes de todos os tempos. Quatro grandes mestres do cinema mundial o têm como seu filme favorito. O cineasta estado-unidense John Ford o considerou "o maior filme jamais produzido". Já o cineasta francês François Truffaut o elegeu o "filme mais belo do mundo". Para João César Monteiro, cineasta português, entre os dez filmes de sua vida, Aurora ocupa todas as dez posições.7 E Martin Scorsese, cineasta estado-unidense, classifica Aurora não como um filme, e sim como um "poema visual".8

Sua influência se estende por um sem-número de filmes. A cena do beijo do casal que interrompe o trânsito foi copiada à exaustão, com muitas variações.

Outra passagem marcante é a que ocorre na igreja, quando o casal, ao presenciar uma cerimônia de casamento alheia, recupera sua identidade matrimonial. Esse mesmo trecho existe em Assim caminha a humanidade, filme estado-unidense de 1956, dirigido por George Stevens.

Seus efeitos especiais eram inovadores para a época. A reexposição do filme a novos takes, com o objetivo de formar imagens soprepostas, e o efeito Schüfftan, que emprega espelhos para inserir a imagem de atores em cenários em miniatura, ambos também utilizados no ano anterior por Fritz Lang em sua obra-prima Metrópolis, abriram muitas possibilidades para o cinema mundial, permitindo a exploração de temas antes inalcançáveis.

A iluminação contrastante, técnica trazida do cinema expressionista alemão, enfatizando a distinção claro-escuro, foi usada para destacar as diferenças entre a vida no vilarejo e na cidade e a dicotomia entre a amorosa esposa e a tentadora amante. Esse refinamento proporcionado pela técnica de iluminação e a personagem femme fatale, encarnada pela diabólica mulher da cidade, foram características presentes em quase todas as obras cinematográficas do gênero film noir, cujo protótipo é O falcão maltês, dirigido em 1941 por John Huston.

Talvez sua maior herança artística sejam seus avançados movimentos de câmera, cuja elaboração começou na rodagem de A última gargalhada, três anos antes. A sofisticada fluidez da sucessão de imagens cria uma inusual sensação de vastidão e profundidade.

Filmes notáveis sofreram forte influência dessa técnica cinematográfica primorosa, como O delator, rodado em 1935 por John Ford, e Cidadão Kane, filmado em 1941 por Orson Welles.

Aurora foi a primeira grande produção cinematográfica com som ambiente sincronizado, captado pelo sistema Fox Movietone, o qual já havia sido testado naquele mesmo ano no curta-metragem They're coming to get me. Também foi o primeiro a ter trilha musical incorporada, composta por Hugo Riesenfeld. Essas novidades sonoras de Aurora teriam igualmente feito escola, não tivesse seu lançamento ocorrido poucos dias antes de O cantor de jazz, do estúdio Warner Bros., o primeiro filme da história que, graças ao sistema Vitaphone, possuía todas as falas e cantos sincronizados, os quais eram gravados separadamente das imagens em um disco de acetato.

Exibições comerciais[editar | editar código-fonte]

A première de Aurora ocorreu em Nova Iorque no dia 23 de setembro de 1927. Sua estreia se deu em 04 de novembro de 1927, na cidade de Los Angeles. Ainda em 1927, em 17 de novembro, o filme chegaria a Berlim. Nos dois anos seguintes, cópias de Aurora seriam distribuídas por vários países europeus.

Em Portugal, o filme entrou em cartaz no dia 14 de fevereiro de 1929, na cidade de Lisboa, e foi relançado em 30 de outubro de 2005, também em Lisboa, e em 20 de janeiro de 2008, em Leiria.

O filme somente teve sua primeira exibição pública em cinema brasileiro no dia 19 de outubro de 2008, por ocasião da Programação Poemas Visionários: O Cinema de F. W. Murnau, ocorrida no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro em homenagem aos 120 anos de nascimento do diretor alemão.9

DVD[editar | editar código-fonte]

Em 2008, a Versátil Home Video lançou no Brasil o DVD de Aurora, contendo a versão integral do filme com legendas opcionais em português. Entre os extras, incluem-se o trailer de cinema, cenas alternativas, fotos dos bastidores, um resumo biográfico de F. W. Murnau e a listagem de sua filmografia completa.

Referências

  1. LLOYD, Ann. 70 years at the movies: from silent films to today’s screen hits. Nova Iorque, EUA: Crescent Books, 1988.
  2. Lista de filmes selecionados pelo National Film Registry, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
  3. Lista dos filmes preservados pelo British Film Institute.
  4. Resultado da votação dos críticos de cinema no saite Sight and Sound.
  5. Artigo do roteirista R. Dixon Smith.
  6. EISNER, Lotte. Murnau: shadows book. S.I., EUA: University of California Press, 1973.
  7. Artigo no jornal A Página da Educação.
  8. SCORSESE, Martin; WILSON, Michael Henry. A personal journey with Martin Scorsese through American movies, documentário. S.I., Reino Unido / EUA: British Film Institute / Miramax Films, 1995, 225min.
  9. Programação Poemas Visionários: O Cinema de F. W. Murnau.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]