Temperamento igual

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O temperamento igual é um esquema de afinação musical adoptado actualmente no ocidente, em que a oitava é dividida em 12 semitons exactamente iguais, ou seja, cada semi-tom corresponde a um intervalo de 21/12, ou seja, 100 cent.

Neste esquema de afinação, apenas as oitavas são perfeitamente afinadas; cada quinta é encurtada da mesma quantidade de modo a dispersar uniformemente a coma pitagórica, deixando as terceiras ainda um tanto vibrantes (400 cent, em vez de 386 cent). Mas o ouvido contemporâneo já se habituou a estes intervalos. As quintas, terças e quartas não são naturais, embora sejam iguais entre si, mas desviam-se suficientemente pouco do ideal e por isso são perfeitamente «suportáveis».

A grande vantagem do temperamento igual em relação a outros temperamentos, é que todas as tonalidades se podem usar sem preferência porque cada tonalidade está tão «afinada» ou desafinada como qualquer outra e a modulação total enarmónica é possível. Permite uma muito maior facilidade nas transposições e modulação já que é um temperamento «isocromático» - o tamanho dos intervalos e a «cor tonal» são consistentes, independentemente da localização no sistema tonal. A diferença entre as tonalidades, que os compositores da época assumiam quando escreviam música para teclado, desapareceu por completo - e, por essa razão - o temperamento igual não era considerado «bem temperado». Não foi adoptado por se entender que soava melhor mas porque permitiu aos compositores dos séculos XVIII e XIX explorarem harmonias e modulações mais complexas.

Foi só por volta de 1850, 27 anos depois da morte de Beethoven, e em conjunção com a evolução do piano moderno, que a utilização do temperamento igual começou a ser mais generalizada (e no mundo inglês-falante, só uns 50 anos mais tarde). No início, vários músicos ficavam pouco contentes com as quintas, «demasiado bemolizadas», e achavam as terceiras demasiado ásperas, dando à música tocada por um órgão um efeito «repulsivo e cacofónico». Os amantes do «bom temperamento» não gostavam das propriedades «isocromáticas» do temperamento igual: havia uma só cor tonal para todas as tonalidades e nem sequer era a «cor» mais bonita que se podia escolher entre as que o bom temperamento tinha.

Embora o temperamento igual seja o adoptado hoje no mundo ocidental, numa orquestra há instrumentos que são «justos» por natureza e não usam um temperamento igual - tocam os bemóis ligeiramente mais graves do que os sustenidos enarmónicos. Os instrumentos da família dos violinos, os trombones e a voz humana não estão também confinados ao temperamento igual e os intérpretes têm tendência para, em certas circunstâncias, usarem os intervalos naturais. Como os cantores num coro a cappella ajustam a sua voz pelas outras vozes, têm tendência para entoar alguns intervalos como naturais. E é isso que faz com que seja usual que coro a cappella tenha a tendência para ir baixando ligeiramente de altura, ficando um bocado bemolizado.