Tomás Dias Batista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Thomaz Dias Baptista)
Ir para: navegação, pesquisa

Tomás Dias Batista (Iguape, 7 de novembro de 1738  — Iporanga, em 23 de dezembro de 1802) foi um sertanista brasileiro. Foi um grande explorador de ouro nas minas do Iporanga e Apiaí, tornando-se um abastado proprietário e capitão comandante da Segunda Companhia da Província de São Paulo.

Por de ser tronco de antiga e tradicional família paulista, e, através de casamentos, a estirpe dos Dias Batista se entroncarem nas mais antigas famílias de São Paulo, muitos genealogistas e historiadores publicaram extensas pesquisas sobre a família de Tomás Dias Batista.

Entre as inúmeras publicações inclui-se a do cônexo Luís Castanho de Almeida, que num exaustivo trabalho que fez publicar no Volume IX da Revista do Instituto Heráldico-Genealógico referente anos 1942-1943, pode elucidar a origem da família Dias Batista, também outro grande genealogista Carlos da Silveira pesquisou os Dias Batista, no qual cônego Luís Castanho faz menção de seu trabalho. Outra publicação feita na Revista Genealógica Latina, Salvador de Moya, Instituto Genealógico Brasileiro feita pelo genealogista Jair de Toledo Veiga, ano 1956, além de inúmeros outros pesquisadores paulistas e não-paulistas, como o historiador paranaense Pedro Novais Rosas, ex-prefeito da histórica cidade de Castro, por onde Saint Hilaire deixou suas recordações sobre as antigas famílias. Além destes tem-se o fato que o presidente decano do Instituto Genealógico Brasileiro, com sede na capital paulista, foi Israel Dias Novais, integrante do ramo Dias Batista de Águas de Santa Bárbara, e trineto do célebre capitão Apiai Inácio Dias Batista, cargo que ocupou até sua morte em 2009.

Mais recentemente apareceram alguns pesquisadores em genealogia desta família, que ainda não tinham nascido, quando publicadas as obras acima citadas, que portanto, utilizaram as obras já publicadas como referências bibliográficas, principalmente pelo peso de historiadores e genealogistas como cônego Luíz Castanho de Almeida, conhecedor da alma paulista e de espírito aguçado para melhor interpretar documentos da antiga São Paulo, e também Carlos da Silveira um dos mais renomados genealogistas paulistas.

Segundo extenso trabalho genealógico de Cláudio Dias Batista, ainda inédito. Sua ascendência vem do famoso "Solar dos Batistas", localizado na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, Porto da Cruz, na Ilha da Madeira.

Segundo outros historiadores da Madeira, como engenheiro Luís Peter Clode, o Morgado Batista ou Solar Batista, era vinculado a aristocrática família Batista de Porto da Cruz, descendente do cavaleiro da Casa Real Micer Batista, ou Misser Batista Spinola.

A própria história de Porto da Cruz faz menção a família Batista conforme informa o site da Câmara Municipal do Machico, freguesia de Porto da Cruz, ao dizer "nesta freguesia viveram importantes famílias aristocráticas como os Batistas, Leais e Monizes".

Através obra clássica de genealogia "Familias da Madeira e Porto Santo, Volume 1, Titulo Batista, do autor conego Fernando de Menezes Vaz, podemos conhecer a origem dos Batistas. Conforme texto abre o título, "Micer Batista, cavaleiro genoves era da família dos Spínola. Recebeu de Lancerote Teixeira em 1470, muitas terras no Porto da Cruz, Faial e [[Santa Cruz]], onde teve casas na primeira e na última. Ainda hoje há no Porto da Cruz o sítio da Terra Batista e em Santa Cruz o pomar do Baptista". Diz ainda que o nobre genovês era conhecido na linguagem cotidiana da ilha como Micer Baptista.

Mais a frente explica melhor a sua chegada à Madeira. Conforme texto "Micer Baptista Spínola, cavaleiro genovês, foi um dos pimeiros que povoaram esta ilha.......recebeu terras nas freguesias... Porto da Cruz, onde a um sítio que dele tomou o nome de Terra do Baptista. Esta Data (terras) foi confirmada por carta da Infanta D. Beatriz da qual (carta) ele requer huma publica Forma que lhe foi dada 1486 por mandado de Gonçalo Arraes, cavaleiro da Casa do Duque por ter ardido a casa com todos os seus titulos e papeis".

"Veio Micier Baptista, no seu destino de ligure, amigo do mistério e foi envolvido pelo destino da ilha......., lançou ramadas de gerações...".

Até hoje, temos no Porto da Cruz, a chamada Terra do Baptista, remanescente do Morgadio hereditário instituído pelo cavaleiro da Casa Real Micer Baptista, ou Micer Baptista Spínola, conforme publicação de outro genealogista engenheiro Luís Peter Clode, na obra "Familias de Passaram à Madeira".

Sabe-se que os Spínola eram uma das quatro famílias mais importantes da nobreza feudal de Genova, originários do nobre cavaleiro germânico Ido, que em 951 veio da Germânia no séquito de seu primo Otão I, que o fez Visconde de Gênova, um seu neto de nome Guido, ou Guidone foi em uma cruzada à Jerusalém na Terra Santa e trouxe um espinho da coroa de nosso senhor Jesus Cristo, e devido a isto, a família de Guido passou a ter o cognome de Spinola, e usar escudo heráldico uma "spínula", ou seja um espinho.

Obviamente foi uma família muito ligada à Igreja Católica, e o fato de usar o nome Baptista, foi homenagem ao apóstolo São João Baptista, então, nome muito usado pela família Spínola foi nome composto Baptista Spinola, ou Battista Spínola, como de alguns doges e cardeais etc.

Conforme apurou o historiador e genealogista Cláudio Dias Batista, o pai de Tomás, João Batista de Sousa, aportou em Iguape por volta de 1730, casando-se com Ana Dias Pereira, alguns anos depois. Ela era filha de Antonio Pereira Nunes e Isabel de Pontes Furão. O termo original de casamento, levantado pelo citado genealogista, diz:

Aos 4 dias do mês de ... 737 nesta matriz de Nossa senhora das Neves da Villa de Iguape...vigário desta Comarca Cristovão da Costa e não havendo impedimento João Batista natural da ilha da Madeira, cidade do Funchal da Vila do Porto freguesia de Santa Cruz, filho legítimo de Manuel Batista e de Filipa da Silva, naturais e moradores da ditta vila e frequesia com Ana Dias Pereira, filha legítima de António Pereira Nunes, já defunto e de Isabel de Pontes Furão, todos naturais e moradores desta villa de iguape... Testemunha: João Pereira Nunes, casado.

Tomás é pai de dezesseis filhos que, constituindo famílias, fundaram e desenvolveram inúmeras cidades no interior de São Paulo e Paraná. Iniciou sua vida comercializando produtos pelo Rio Ribeira, através de navegação em canoas, tornando-se mais tarde explorador de ouro das minas de Iporanga e Apiaí.

Iguape então se chamava "Nossa Senhora das Neves de Iguape". Animado do intrépido espírito bandeirante, Tomás deixa Iguape no litoral paulista e adentra o sertão à procura de ouro, subindo o Ribeira de Iguape. Em 1784 era alferes e tinha 22 escravos. Assentou a tenda em Iporanga, já casado com numerosa escravaria explorou as minas do Iporanga e Apiaí.

De acordo com o censo de 1794, Tomás consta como capitão comandante da Segunda Companhia de tropas da província de São Paulo sediada em Apiaí, minerador de ouro e proeminente produtor de cereais, dono de 48 escravos. É considerado um dos fundadores de Iporanga. [1]

Tomás casou-se com Rita de Oliveira Rosa, de rica família escravocrata. Filha de Manuel Rosa Luís e dona Maria da Anunciação de Oliveira. Os Rosas eram exploradores de minas de ouro, tinham propriedades no Córrego dos Monos, Dourada, Anta Gorda, Porto Velho e Mamonas etc, e detinham o maior plantel de escravos do Alto Ribeira (Rose Leine Bertaco Giacomini-USP, 2010). Rita era irmã de Ana de Oliveira Rosa, a mais rica proprietária de o todo Ribeira, sendo que em seu domicilio, no censo de 1816, constava 43 agregados e 154 escravos. Sua mãe, chefe do clã, a matrona, dona Maria da Anunciação de Oliveira Rosa, viúva, detinha em 1784, o segundo maior plantel de Apiaí (cf. Motta, Valentim, 2000, USP). Rita era irmã do sargento-mor Antônio de Oliveira Rosa e do capitão Antonio de Oliveira Rosa, todos grandes proprietários.

De seu casamento com Rita de Oliveira Rosa, deixou numerosa descendência (dezesseis filhos), formando um clã de homens destemidos, onde falava mais alto o sangue bandeirante proveniente de seus avoengos, conquistadores da capitania São Vicente desde a época Martim Afonso de Sousa aportou em Tumiaru. Entre eles, temos:

Capitão Ignácio Dias Baptista, o célebre Capitão Apiaí, morto pelos índios gentios na conquista do Botucatu, que também já havia sido chamado de Tenente Apiaí. Foi vereador em Sorocaba, casado com Flávia Domitila (Fonseca Teles) Monteiro, oriunda de velhos troncos paulistas (Almeida do Prado e Cunha Gago), e da nobreza portuguesa, os Teles de Menezes de Vilar Maior (Genealogia Paulistana, título Prados, V-3, pg 265) dando origem ao ramos Dias Batistas de Sorocaba e Águas de Santa Bárbara, e que teve entre outros, os filhos, Pedro Dias Baptista, sertanista, povoador dos sertões do Botucatu ainda dominado pelos índios; Roberto Dias Baptista, grande capitalista e produtor de algodão em larga escala e empregou sua fortuna na fundação da Companhia Sorocabana de Estrada de Ferro; Francisco Dias Baptista, Coronel da Guarda Nacional, desbravador de Santa Bárbara do Rio Pardo e Lençóis Paulista, juntamente com seus irmãos Coronel Benjamin Dias Baptista e Coronel Pedro Dias Baptista, todos grandes proprietários de terras e figuras atuantes no militarismo e na política.

Tenente Gordiano Dias Batista, manteve-se em Iporanga, onde administrou várias propriedades, entre elas o Sítio Caracol, onde se produzia aguardente e melado. O imóvel passou ao filho de Gordiano, Anacleto Dias Batista (batizado em 16 de maio de 1789 e falecido em 2 de novembro de 1861 em Iporanga) e posteriormente ao neto, José Dias Batista (nascido em 9 de fevereiro de 1865, em Iporanga e falecido em Ribeira em 27 de janeiro de 1945). Claudio Dias Batista nos traz o termo original de casamento de Gordiano, que assim diz: Aos dose de dezembro de mil oitocentos e dose nesta villa de Apiahi, depois de feitas as três canônicas admoestações, sendo dispensados do segundo grau de consanguinidade, e em presença das testemunhas Manuel Joaquim Duarte do Valle, e Lourenço Dias Baptista, pessoas de mim bem conhecidas procedendo o sacramento da penitencia, em minha presença se casaram com (patens) de presente Gordiano Dias Baptista filho do Capitão Tomás Dias Baptista, e de sua mulher d. Rita de Oliveira Rosa com D. Senhorinha, filha de D. Angela de Oliveira Rosa e do Capitão-Mor Antonio Duarte do Valle, já falecido, naturais e todos fregueses desta paroquia e na missa lhes dei as Bençãos nupciais na forma da Igreja e por verdade fiz este assento que assignei. O Vig. Generoso Alexandre Vieira. Gordiano teve 13 filhos, segundo aponta a obra inédita de Claudio Dias Batista: Bento, Claro, Mafalda, Catarina, Gorgônio, Filipa, Gregório, Miguel, Tertuliano, Joana, Joaquina, Anacleto e Salvador.

Bernarda Dias Batista, que casando-se com Salvador Martins Costa deu origem ao sobrenome composto "Martins Dias Baptista", que mantém-se até hoje, na região de ApiaíP e Sorocaba.

Maria Dias Batista (nascida em 1796, em Apiaí. De seu casamento com Joaquim José Gomes Prestes Surgiu o sobrenome composto "Dias Baptista Prestes".

Antônio Dias Batista, que morou na Vila do Príncipe (atual Lapa (Paraná)) e posteriormente em Castro (Paraná) na fazenda Carambeí. Teve, entre outros, o filho Bonifácio José Dias Baptista ou Bonifácio José Batista, Barão de Monte Carmelo, proprietário do maior latifúndio do Paraná e homem de prestígio na província. Proprietário da Fazenda Capão Alto, onde, na casa sede, mantinha grande biblioteca. Hoje a casa sede está tombada pelo Patrimônio Histórico Paranaense. Bonifácio foi casado com Ana Luísa, filha do comendador Manuel Inácio do Canto e Silva. Teve um filho, comendador Manuel Bonifácio da Silva Baptista, casado com Júlia Prates filha do Conde Prates e de Ana da Silva Machado filha de João da Silva Machado, Barão de Antonina. O filho Firmino Teixeira Baptista, o "afamado" Coronel Vivida, grande proprietário nos Campos de Palmas no Sul do Paraná, que antes havia se estabelecido e casado no Rio Grande do Sul, e, do qual descendem ilustres famílias paranaenses. Teve Antônio Dias Baptista o também filho, Francisco Antônio Baptista Rosas que se estabeleceu no Rio Grande do Sul, onde casou-se, e um de seus filhos (Pedro) casou com uma jovem da família de sua tia Ana Luísa do Canto e Silva esposa de seu tio Bonifácio Dias Baptista, barão de Monte Carmelo.

Lourenço Dias Batista, que tornou-se muito rico e constituiu extensa geração, ainda na região de ApiaíP.

Da estirpe Dias Baptista ainda aparecem vários outros audazes sertanistas como Antônio Dias Baptista Prestes, que para o Barão de Antonina João da Silva Machado, foi quem ligou o Paraná a Cuiabá pelo sul de Mato Grosso, Lourenço Dias Baptista (filho de Lourenço Dias Batista, neto de Tomás Dias Baptista), sertanizou pelas bandas de Itararé, onde foi um dos seus fundadores.

Alguns outros ramos de Tomás Dias Batista foram povoadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (Curitiba, Palmas, Castro, Ponta Grossa etc.).

Tomás é considerado o tronco da numerosa família "Dias Batista". Como exemplos de descendentes temos: membros dos Os Mutantes, Israel Dias Novais, Paulo Dias Novais e muitos outros.

Referências

  1. Claudio Dias Batista - Enciclopédia Sorocabana - Verbete Tomás Dias Baptista
  • "Revista do Instituo Heráldico-Genealógico, anos 1942-1943, volume 9, Cônego Luís Castanho de Almeida.
  • "Genealogia das Famílias Dias Baptista e Martins Dias Baptista", Ruzens Calazans Luz
  • "Genealogia Paulistana", Luís Gonzaga da Silva Leme
  • "Ouro Paulista:Estrutura Domiciliar e Posse de Escravos em Apiaí´". A.Valentin-USP.
  • "Santo Antônio das Minas de Apiaí", Rubenz Calazans Luz.
  • "Curitibanos dos Campos Gerais", Vera Maria Biscaia Vianna Baptista, Curitiba Fundação Cultural 2000.
  • "Os curitibanos e a formação da sociedade campeira do Brasil Meridional(séculos XVI-XIX), Roselys Vellozo Roderjan. Curitiba IHGEP, Estante Paranista (36) 1992.
  • "Encyclopedia Britannica, Spinola Family".

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.