Trióxido de arsênio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Trióxido de arsênio
Alerta sobre risco à saúde
Arsenic trioxide.jpg
Arsenic-trioxide-3D-balls.png
Outros nomes Óxido de arsênio (III),
Sesquióxido de arsênio,
Arsenicum album,
Óxido arsenioso,
Anidrido arsenioso
Identificadores
Número CAS 1327-53-3
PubChem 518740
Número EINECS 215-481-4
Propriedades
Fórmula molecular As2O3
Massa molar 197.841 g/mol
Aparência Sólido branco
Densidade 3.86 g/cm³, sólido
Ponto de fusão

274°C

Ponto de ebulição

460°C

Solubilidade em água 2 g/100 ml (25°C)
ver texto
Acidez (pKa) 9.2
Estrutura
Estrutura cristalina cúbico (α)<180°C
monoclínico (β) >180°C
Forma molecular ver texto
Momento dipolar Zero
Termoquímica
Entalpia padrão
de formação
ΔfHo298
−657.4 kJ/mol
Entropia molar
padrão
So298
 ? J.K–1.mol–1
Riscos associados
Classificação UE Muito tóxico (T+)
Carc. Cat. 1
Perigoso para o
ambiente (N)
NFPA 704
NFPA 704.svg
0
3
2
 
Frases R R45, R28, R34,
R35
Frases S S53, S45, S60,
S61
Compostos relacionados
Outros aniões/ânions Trissulfeto de arsênio
Outros catiões/cátions Trióxido de fósforo
Trióxido de antimônio
Compostos relacionados Pentóxido de arsênio
Ácido arsenoso
Excepto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições PTN

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.
Trióxido de arsênio
Star of life caution.svg Aviso médico
Nome IUPAC (sistemática)
 ?
Identificadores
CAS  ?
ATC  ?
PubChem  ?
DrugBank APRD00171
Informação química
Fórmula molecular  ?
Massa molar  ?
Farmacocinética
Biodisponibilidade  ?
Metabolismo  ?
Meia-vida  ?
Excreção  ?
Considerações terapêuticas
Administração  ?
DL50  ?

Trióxido de arsênio é o mais importante composto comercializado do arsênio, e o principal material primário para a química do arsênio. É um subproduto altamente tóxico de determinados tipos de processamento de minério, como por exemplo a mineração de ouro.[1]

Preparação[editar | editar código-fonte]

  • Queimando arsênio ao ar.
4 As +3 O2 → 2 As2O3

Propriedades químicas[editar | editar código-fonte]

O trióxido de arsênio é um óxido anfótero o qual apresenta uma marcante preponderância para suas propriedades ácidas. Ele dissolve-se rapidamente em soluções alcalinas dando arsenitos. É muito menos solúvel em ácidos, mas irá dissolver-se em ácido clorídrico dando tricloreto de arsênio ou compostos relacionados. Reage com agentes oxidantes tais como o ozônio, o peróxido de hidrogênio e ácido nítrico dando pentóxido de arsênio, As2O5: a reação com peróxido de hidrogênio pode ser explosiva. E é também rapidamente reduzido a arsênio, e arsina (AsH3) pode também ser formada.

Estrutura molecular[editar | editar código-fonte]

Moléculas tetraédricas, As4O6, na forma α e nos estados líquido e gasoso.

Usos[editar | editar código-fonte]

Aplicações médicas[editar | editar código-fonte]

Já no século XVII, o chinês Chung Szi-Sung, no livro "A terapêutica secreta para o tratamento de doenças venéreas", indica o uso de substâncias a base de arsênio que, até a descoberta da penicilina, era o tratamento recomendado para sífilis, ministrado, por exemplo, na forma do fármaco Salvarsan, sintetizado por Paul Erlich.[2]

Modernamente, o arsênio e seus compostos, em especial o trióxido, encontram aplicação na medicina.

  • Uso como um citostático no tratamento no subtipo de leucemia mielóide aguda, a promielocítica refratária (M3). A droga está disponível como ampolas de Trisenox®; cada uma contém 10 mg a ser diluída por infusão intravenosa.[3]
  • Trióxido de arsênio é também usado para tratar leucemia em pacientes que não tenham reposta a outras medicações[4]

Trióxido de arsênio sob o nome Trisenox (fabricante: Cephalon) é um agente quimioterápico de função idiopática, usado para tratar leucemia que não apresente resposta as primeiros agentes da linha de tratamento. Suspeita-se que o trissulfeto de arsênio induza células cancerígenas a passar por apoptose. Devido à natureza tóxica do arsênico, esta droga carrega riscos significativos.

A enzima tioredoxina redutase tem recentemente sido identificada como o alvo para o trióxido de arsênio.[5]

Trióxido de arsênio é também muito comumente usado em medicina homeopática. Chamado por seu nome em latim, Arsenicum album, existem numerosas experimentações clínicas, animais e humanas, que mostram efeitos terapêuticos de doses homeopáticas.[6] [7] [8] [9]

Um uso médico alternativo, pseudo-científico, muitas vezes invadido pelo charlatanismo, foi o de trióxido de arsênio e outros compostos de arsênio e ainda outras substâncias tóxicas nas pessoas acometidas de AIDS, inclusive por iniciativa própria, em especial nos anos 1980, como forma de eliminar a presença do vírus.

Toxicologia[editar | editar código-fonte]

Ver também: arsenicose.

Trióxido de arsênio é facilmente absorvido pelo sistema digestivo: efeitos tóxico são também conhecidos após inalaçãoda poeira ou fumaça e após contato com a pele. A eliminação é rápida a princípio (meia vida de 1–2 dias), por metilação a ácido cacodílico e excreção na urina, ma uma certa quantidade (30–40% no caso de repedida exposição) é incorporado aos ossos, músculos, pele, cabelo e unhas (todos os tecidos ricos em queratina) e eliminado após um período de semanas ou meses.

Os primeiros sintomas de envenenamento agudo por arsênio por digestão são problemas digestivos: vômito, dores abdominais, diarréia frequentemente acompanhada por sangramento. Doses sub-letais podem conduzir a convulsões, problemas cardiovasculares, inflamação do fígado e rins e anormalidades na coagulação do sangue. Estes são seguidos pela aparição de linhas brancas características (listras de Mees) sobre as unhas e por perda de cabelo. Doses mais baixas conduzem a problemas de fígado e rins e a mudanças na pigmentação da pele.

Casos de envenenamento agudo são frequentemente após inalação e após contato com a pele com trióxido de arsênio. Os primeiros sinais são irritação severa do trato respiratório ou da pele exposta, seguido por problemas neurológicos em mais longo prazo. Mesmo as soluções diluídas de trióxido de arsênio são perigosas no contato com os olhos.

O envenenamento crônico por arsênio é conhecido como arsenicose: encontra-se depois que exposição profissional (para o exemplo, no esmaltar de metal), nas populações cujas águas potáveis contém níveis elevados de arsênico (0.3–0.4.ppm) e nos pacientes tratados por períodos longos com os fármacos baseados em arsênio.

O trióxido de arsênio tem sido apresentado como sendo um carcinogênico para humanos. Estudos em trabalhadores expostos em fundições de cobre nos EUA, Japão e Suécia indicam um risco de câncer de pulmão 6–10 vezes mais alto para os trabalhadores mais expostos comparados a população geral. A ingestão de longo prazo de trióxido de arsênio na água potável ou como um tratamento médico pode conduzir a câncer de pele. Os problemas reprodutivos (incidência elevada de parto prematuro, de peso baixo no nascimento, de deformações congênitas) têm sido relacionados também em um estudo das mulheres expostas à poeira de trióxido de arsênio em empregados ou vizinhos de fundições de cobre.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Institut national de recherche et de sécurité (INRS), Fiche toxicologique nº 89 : Trioxyde de diarsenic, 1989. (em francês)
  • AFHS Database on use as a cytostatic (em inglês)

Referências

  1. Giant Mine - Northwest Territories Region - Indian and Northern Affairs Canada (em inglês)
  2. ARTIGOS DE SEXUALIDADE - www.terapiadosexo.med.br
  3. .Steven L. Soignet et al.. (2001). "United States Multicenter Study of Arsenic Trioxide in Relapsed Acute Promyelocytic Leukemia". Journal of Clinical Oncology 19 (18): 3852-3860.
  4. .Antman, K. H.. (2001). "Introduction: The history of arsenic trioxide in cancer therapy". Oncologist 6(Suppl. 2) (1–2): 2006.
  5. Lu J, Chew EH, Holmgren A. (2007). "Targeting thioredoxin reductase is a basis for cancer therapy by arsenic trioxide". Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 104 (30): 12288-93. DOI:10.1073/pnas.0701549104. PMID 17640917.
  6. Khuda-Bukhsh, AR, Pathak, S, Guha, B. Can Homeopathic Arsenic Remedy Combat Arsenic Poisoning in Humans Exposed to Groundwater Arsenic Contamination?: A Preliminary Report on First Human Trial, eCAM, doi:10.1093/ecam/neh124
  7. Belon P, Banerjee A, Karmakar SR, Biswas SJ, Choudhury SC, Banerjee P, Das JK, Pathak S, Guha B, Paul S, Bhattacharjee N, Khuda-Bukhsh AR. Homeopathic remedy for arsenic toxicity?: Evidence-based findings from a randomized placebo-controlled double blind human trial. Sci Total Environ. 2007 Jul 10. PMID 17628642
  8. Mallick, P, Chakrabarti (Mallick), J, Bibhas, G, Khuda-Bukhsh, AR. Ameliorating Effect of Microdoses of a Potentized Homeopathic Durg, Arsencium Album, on Arsenic-Induced Toxicity in Mice. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2003,3:7.
  9. Arsenic(III) oxide-Guidechem.com

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Translation Latin Alphabet.svg
Este artigo ou secção está a ser traduzido (desde janeiro de 2008). Ajude e colabore com a tradução.
Ícone de esboço Este artigo sobre um composto inorgânico é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.