Vigia (Pará)

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Município de Vigia
"Pérola do Salgado"
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 6 de janeiro de 1616
Fundação 6 de janeiro de 1616
Gentílico vigiense
Prefeito(a) Mauro Alexandre (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Vigia
Localização de Vigia no Pará
Vigia está localizado em: Brasil
Vigia
Localização de Vigia no Brasil
00° 51' 28" S 48° 08' 31" O00° 51' 28" S 48° 08' 31" O
Unidade federativa  Pará
Mesorregião Nordeste Paraense IBGE/2008 [1]
Microrregião Salgado IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Norte: Atlântico e São Caetano de Odivelas Leste: São Caetano de Odivelas e Castanhal Sul:Santo Antônio do Tauá Oeste: Colares e Baía do Marajó.
Distância até a capital 77 km
Características geográficas
Área 533,855 km² [2]
População 47 902 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 89,73 hab./km²
Altitude 6 m
Clima equatorial Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,617 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 137 973,708 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 020,44 IBGE/2008[5]
Página oficial

Vigia é um município brasileiro do estado do Pará. Localizado na Mesorregião do Nordeste Paraense e na Microrregião do Salgado.

Hino:

HINO DA VIGIA

(Letra: José Ildone Favacho Soeiro)

Vejo o sol brilhar no teu destino,

Iluminando a história do Pará.

No civismo, na crença, nas artes,

Outra rival não te suplantará.

I

Ó Vigia, vigilenga de herois,

Dom secular do Guajará-miri,

És a herança de cultura e fé

Que os jesuítas plantaram aqui.

II

Um filho teu, para o nosso Brasil,

Trouxe de longe, o ouro do café.

E do oriente, nós todos herdamos

A tradição já nascida em Nazaré.

III

Se a cabanagem à vila feriu,

A gratidão platina te ergueria,

E a inteligência, triunfante na vida,

A nossa Atenas do Pará consagrará.

IV

Tu és, Vigia, guardiã do norte,

Um município – de outros, matriz

E novo lar para tantos que chegam.

Possuis amor e progresso. És feliz.

História[editar | editar código-fonte]

O município foi criado em 6 de janeiro de 1616, seis dias antes da fundação da também paraense Belém do Pará poe Francisco Caldeira Castelo Branco durante sua expedição de conquista do Grão-Pará. Os primitivos habitantes da região foram os índios Tupinambá. Viviam na aldeia Uruitá. Neste aldeamento, os colonizadores construíram um posto fiscal para fiscalizar as embarcações que abasteciam Belém. Esta é a origem do nome do local.

O atual município, situado na zona fisiográfica do salgado, fora primitivamente uma aldeia de índios, criada pelos tupinambás, que deram o nome de Uruitá.

Por sua localidade, o governo colonial transformou-a em um posto alfandegário guarnecido, denominado Vigia, para fiscalizar e proteger, de contrabandistas as embarcações que demandavam Belém. Essa iniciativa fora a causa da formação do povoado, que se elevou à Vila, em 1693. Assim, permaneceu até a Independência do Brasil.

Mais tarde em 1698, Vigia obteve categoria de município. Entretanto, o seu patrimônio territorial só veio a se formar em 1734, com a concessão da carta de data e sesmaria.

Com o advento da Lei Pombalina, expedida em 1761, os jesuítas foram expulsos do Brasil e Vigia foi elevada a Paróquia secular, sendo também criado, ali, um colégio secular. Nessa época, a localidade já contava com uma casa que fora transformada em templo, em 1732, pelo padre José Lopes, provincial da Companhia de Jesus e com o Colégio Mãe de Deus, construído pelos jesuítas.

Por ocasião da Revolução da Cabanagem, ocorrida em 1833, na Província do Grão-Pará, o município de Vigia sofreu depredações. Esse movimento foi suprimido em 1836, com a chegada do Major Francisco Sérgio de Oliveira, por ordem do Marechal Soares de Andréa.

Anos depois, em 1854, Vigia recebeu foros de Cidade.

O topônimo do município, de origem portuguesa, adveio da criação do posto fiscal da aldeia de ''Uruitá'' que, por sua vez, significa "pedra de galinhas"

Localização[editar | editar código-fonte]

Localiza-se na Zona do Salgado. Possui uma área de 533,855 km².

Patrimônio Histórico[editar | editar código-fonte]

Capela do senhor dos passos ou igreja de pedra[editar | editar código-fonte]

A Capela do Senhor dos Passos (Igreja de Pedras) datada do século XVIII, é um templo construído pelos Jesuítas toda em pedras sobrepostas e sem reboco. Conhecida, hoje, como Igreja do Bom Jesus, porque lhe guardava a imagem. Nessa época foi transferida para a igreja Madre de Deus a imagem do Bom Jesus, para que a Igreja de Pedras fosse concluída, mas com a expulsão dos jesuítas de Portugal e das províncias do Brasil, em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, a construção da capela ficou inacabada e abandonada, sofrendo demolições e transformações. Na década de 30, um intendente local mandou demolir o que restava das paredes laterais e, com as pedras, mandou construir o cais de arrimo da cidade. A Igreja revela estrutura de pedras lavradas, peças de mármore e imagens antigas. A técnica construtiva é pedra com agregado de uma mistura de massa de argila crua e cal que era obtida de materiais tirados dos sambaquis, ou depósitos pré-históricos de conchas, comuns no litoral brasileiro.

Igreja da madre de deus[editar | editar código-fonte]

Em 28 de fevereiro de 1733, o padre provincial da Companhia de Jesus, José Lopes, superior do Colégio da Mãe de Deus, com despacho do Senado da Câmara da Vila da Vigia de Nazaré, iniciou a edificação da Igreja da Madre de Deus. A expansão e ocupação territorial implementada por Portugal, em parceria com a Companhia de Jesus e as formas de representação do catolicismo popular incorporado ao culto à Virgem de Nazaré, ligam a Madre de Deus com a História da Humanidade. O templo construído em estilo barroco, com elevados campanários, com varandas sustentadas por colunas, salões, sacristia adornada de painéis com rico altar e retábulos dourados, perpetuaria a memória da Companhia de Jesus na Vigia de Nazaré. Por volta de 1930, o Padre Alcides Paranhos e o prefeito da cidade resolveram demolir parte do prédio, usando as pedras retiradas para a construção da primeira usina de luz de Vigia. Com a demolição foram encontrados esqueletos humanos entre as pedras, o que comprovou uma antiga lenda local de que algumas pessoas condenadas pelas Ordenações do rei de Portugal foram empaladas nas paredes da Igreja. A Igreja da Mãe de Deus, dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, é a única no norte do Brasil, munida de 22 colunas laterais de origem toscana. O templo apresenta alvenaria de pedra, estrutura do telhado em madeira de lei, cobertura com telha de barro, frontispício formado por um corpo central e duas torres com campanários compostos por três janelões sineiros de arco de meio ponto, encimadas por cornijas em que se destacam elementos decorativos. Em sua parte interna, há peças em ouro e prata, crucifixos e imagens originais de Rocca. O forro da sacristia é todo ornado com belíssimas pinturas. O corpo central é marcado pelo frontão que é composto de volutas simétricas. É considerada Patrimônio da Cultura Nacional, tendo sido tombada com a denominação de Igreja de Nossa Senhora da Madre de Deus, em 14 de dezembro de 1954, inscrita no Livro de Belas Artes, folha 80, número 424.

Mercado de peixe[editar | editar código-fonte]

Antigamente, em função da técnica utilizada para a conservação do pescado que era comercializado no município, existia o velho mercado de peixe, conhecido pela população como a Salgadeira, na esquina da Boulevard melo Palheta com a travessa Vilhena Alves. O constante crescimento da atividade pesqueira transformou o velho mercado de peixe num lugar antiquado para o povo vigiense. Impróprio para as atividades pesqueiras e com instalações precárias, fatos que inspiraram o prefeito Manoel de Souza Leal a iniciar a construção de um logradouro mais adequado para a comercialização do pescado na Vigia de Nazaré. No período compreendido entre os anos de 1943 e 1945, na administração de Jorge Corrêa, com o apoio do interventor do Pará , Joaquim de Magalhães Cardoso Barata e com acompanhamento do engenheiro vigiense Jonas Brito, foi construído o novo Mercado Municipal, mais tarde conhecido como Mercado de Peixe. Escolha do local tinha a intenção de modificar e sanear a frente da cidade, na época, ocupada pelos quintais das casas que deveria ter suas edificações com portas e janelas voltadas para o rio Guajará – Mirim. O prédio possui implantação, obedecendo ao alinhamento da via pública, técnica construtiva em alvenaria de tijolo, vãos com vergas retas e cobertura com telha de barro tipo francesa.

Trem de guerra[editar | editar código-fonte]

No início do século XX existia na Vigia, um casarão que era moradia e local de trabalho do Juiz de Paz do município, João de Sousa Ataíde, e armazenava as armas e munições da Guarda Municipal da Vigia. Este foi denominado Trem de Guerra. No período da Cabanagem, quando o movimento se espalhou pelo interior do Estado do Pará, a então Vila de Vigia, foi invadida pelos revoltosos em 1835. Durante o primeiro assalto à Vila da Vigia, os cabanos dominaram o Paço Municipal, onde funcionava o Senado da Câmara, obrigando as autoridades legalistas vigienses a se refugiarem-se no Trem de Guerra, também conhecido como Casa-Quartel. Esse prédio foi onde o movimento cabano operou o mais violento e sangrento episódio da Cabanagem na Vila da Vigia, quando foram assassinados todos os moradores e os militares vigienses que se encontravam aquartelados no Trem de Guerra. Construído em taipa e cobertura em telha de barro, o prédio, com acesso pela rua de Nazaré e pela rua Visconde de Souza Franco, atual Rua Noêmia Belém, pertenceu anteriormente a Inocêncio Holanda. Mais tarde foi vendido a Jerônimo Magno Monteiro que o desmembrou em duas edificações. A parte localizada à rua de Nazaré foi vendida à Prefeitura. Na década de 90, do século XX, em razão do alto grau de deterioração, foi totalmente demolido e reconstruído com materiais contemporâneos, em alvenaria e tijolo, mantendo, parcialmente, as características arquitetônicas externas originais do Antigo Trem de Guerra.

Religião[editar | editar código-fonte]

A história da Vigia de Nazaré, em parte, está circunscrita à ação religiosa dos jesuítas que vieram junto aos portugueses para a região da zona fisiográfica do salgado, onde está localizada Vigía. Como representantes da Ordem na colônia portuguesa, os padres capitaneando as populações indígenas, foram desbravando a floresta e penetrando-nos mais recônditos lugares, imbuídos do fiel propósito de converter almas e espalhar a fé cristã catequizando os habitantes que naquele tempo era a aldeias de índios criados pelos tupinambás, que deram o nome de Uruitá. Os jesuítas,assim como em muitas outras regiões, influenciaram nas devoções de santos como nossa senhora de Nazaré e utilizaram a mão de obra indígena e dos negros escravos para ajudar a construir monumentos para ajudar a transmitir a evangelização como a igrejas de pedra, e a igreja matriz ou também chamada igreja dos romeiros, que contribuíram para transmiti-la a evangelização por meio dessas construções. Com o advento da Lei Pombalina, expedida em 1761, os jesuítas foram expulsos do Brasil e Vigia foi elevada a Paróquia secular, sendo também criado, ali, um colégio secular. Nessa época, a localidade já contava com uma casa que fora transformada em templo, em 1732, pelo padre José Lopes, provincial da Companhia de Jesus e com o Colégio Mãe de Deus, construído pelos jesuítas.

Círio de Vigia[editar | editar código-fonte]

É o Círio mais antigo do Pará. Acontece há mais de 300 anos, sempre no segundo domingo do mês de setembro. Contam os moradores que a história do Círio de Vigia é anterior a chegada dos jesuítas naquele município, em 1730. Registros do Padre José Ferreira relatam que já em 1697 havia grande devoção, com romaria e novena por aquela região.

A procissão de Vigia possui os mesmos símbolos da festa que acontece em Belém, com carros, berlinda, fogos de artifício e até mesmo a corda. Na programação, a Missa do Mandato, procissão rodoviária, romaria fluvial, Trasladação e Círio das Crianças, dentro da quadra nazarena que dura 15 dias.

Operação Prato[editar | editar código-fonte]

Nos anos de 1977 e 1978 foram registrados nos municipios de Colares e Vigia. O ataque de estranhas luzes a população dos municipios. Resultando em uma operação da FAB, de reconhecimento e documentação dos fatos ocorridos, a qual foi nomeada Operação Prato pelo então capitão Uyrangê de Hollanda Lima. [6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 21 de setembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. | UFO Brasil: Novas informações sobre a operação prato

Ligações externas[editar | editar código-fonte]