Adolfo Ferreira Loureiro

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Adolfo Ferreira Loureiro
Deputado do Reino de Portugal
Período 1890, 1890 a 1892 e 1900
Dados pessoais
Nascimento 12 de dezembro de 1836
São Bartolomeu, Coimbra,  Portugal Portugal
Morte 22 de novembro de 1911
Lisboa, Portugal Portugal
Nacionalidade português
Alma mater Universidade de Coimbra, Escola do Exército
Religião Catolicismo
Profissão Militar, Engenheiro, Escritor, Poeta
Serviço militar
Graduação General de Divisão
Condecorações CvAComAGOAOSEComNSC

Adolfo Ferreira Loureiro CvAComAGOAOSEComNSC (Coimbra, São Bartolomeu, 12 de Dezembro de 1836 – Lisboa, 22 de Novembro de 1911) foi um militar, engenheiro, escritor, poeta e político português.[1][2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filho de Felisberto de Sousa Ferreira[2] (Coimbra, São Bartolomeu, 9 de Novembro de 1804 - 15 de Outubro de 1862) e de sua mulher Ana Augusta de Sequeira (Coimbra, São Bartolomeu, bap. 19 de Janeiro de 1809 - ?).

Primeiros Estudos[editar | editar código-fonte]

Frequentou o Liceu de Coimbra e a Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, a partir de 1851.[3]

Percurso Militar[editar | editar código-fonte]

Assentou Praça a 5 de Abril de 1854 e alistou-se como Voluntário no Batalhão de Caçadores N.º 8, tendo obtido licença para continuar os estudos na Universidade. Em Julho de 1856, recebeu o grau de Bacharel em Matemática, passando, pouco depois, a frequentar o curso do Estado-Maior na Escola do Exército. Fez, ainda, o curso de Engenharia desta mesma Escola, que completou a 20 de Julho de 1858, ano em que foi promovido a Alferes em 1858.[1][4]

Foi, sucessivamente, promovido a vários postos do Exército: a Tenente em 1860, a Capitão em 1865, a Major em 1874, a Tenente-Coronel em 1884, a Coronel em 1893 ou 1894 e a General de Brigada em 1899. No mês de Abril de 1902, por determinação da Junta Médica do Hospital Militar de Lisboa, Adolfo Ferreira Loureiro passou à reserva como General de Divisão, reformando-se ao fim de cinco anos, em 1907.[1][4]

Carreira de Engenheiro[editar | editar código-fonte]

Elaborou vários projectos de Engenharia, que contribuíram para ser nomeado Engenheiro Director da 1.ª Secção Hidráulica do Ministério das Obras Públicas, Director das 1.ª, 2.ª e 3.ª Circunscrições Hidráulicas do Ministério das Obras Públicas, Vogal da Comissão Central Permanente de Piscicultura, Diretor-Geral das Obras Públicas e Minas, e, posteriormente, Presidente do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas, etc.[4][1]

Entre os projectos e estudos e Engenharia que fez, destacam-se o projecto de melhoramento dos Portos de Leixões e de Lisboa, os estudos sobre os Portos de Macau, Funchal, Horta, Ponta Delgada e São Vicente de Cabo Verde, e os projectos que elaborou sobre e para várias estradas, cais e saneamento de pântanos, melhoramento de portos, etc. Dirigiu as obras do Rio Mondego, da Barra da Figueira da Foz, do Porto de Lisboa como Director-Geral e Director-Fiscal das Obras, de todas as bacias hidráulicas entre os Rios Lis e Guadiana, e as obras da Penitenciária de Lisboa e da Escola Agrícola de Coimbra, tendo sido Director Interino das Obras Públicas do Distrito de Coimbra, etc.[4][5]

Em 1883, foi em Comissão à Índia Britânica, a Ceilão, Singapura, China e Macau. Entre 1894 e 1896, teve o cargo de Vice-Presidente da Real Sociedade de Geografia de Lisboa, da qual era Membro, e presidiu à Secção de Geografia da mesma Sociedade. Foi Presidente da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e à Associação dos Arqueólogos Portugueses.[4][5]

Publicou diversas obras sobre os seus estudos e trabalhos de Engenharia, tendo, também, redigido alguns elogios históricos. Colaborou nos jornais "Literatura Ilustrada" e "Arquivo Universal" e na "Revista de Obras Públicas e Minas".[4]

Percurso Político[editar | editar código-fonte]

Apoiado pelo Partido Progressista, foi eleito Deputado para Legislatura de 1890, pelo 1.° Círculo Eleitoral de Macau, de que prestou juramento a 15 de Janeiro de 1890, e, na Legislatura de 1890-1892, representou o referido Círculo Eleitoral como Deputado da Legislatura anterior, até ao dia 27 de Maio de 1890. Foi eleito para a Legislatura de 1900, pelo Círculo Eleitoral de São Tomé, de que prestou juramento a 18 de Janeiro de 1900, durante a qual fez parte de duas Comissões em datas desconhecidas de 1900[6][7] e teve quatro Intervenções, a 1,[8] 9[9] e 26[10] de Março e a 18 de Maio de 1900[11].[12] Em 1900, fez parte das Comissões Parlamentares de Obras Públicas e do Ultramar. As suas intervenções parlamentares foram muito escassas. No primeiro dia de Março de 1900, em conjunto com José António de Almada, Salvador Gamito de Oliveira e outros Deputados, renovou a iniciativa dum Projecto de Lei assinado pelo 1.° Visconde da Ribeira Brava, a 27 de Abril de 1898, relativo às levadas da Ilha da Madeira. A 9 de Março de 1900, subscreveu, com Augusto José da Cunha, José Joaquim da Silva Amado e outros, um Projecto de Lei para ser concedido, à Associação Científica e de Instrução Gratuita Instituto 19 de Setembro, um subsídio anual permanente de 600$000 réis. A 18 de Maio de 1890, interveio na discussão do Parecer da Comissão do Ultramar, de que era Membro, sobre a Proposta de Lei do Ministro do Ultramar Eduardo Vilaça, relativa à exploração e construção de caminhos-de-ferro nas Províncias Ultramarinas, por conta do Governo. Defendeu o Projecto de Lei, considerando o caminho-de-ferro como um meio de organização política e administrativa e um pólo de difusão da Instrução e de desenvolvimento das Colónias.[13]

Títulos e Condecorações[editar | editar código-fonte]

Tinha e possuía a Carta de Conselho ou de Conselheiro e foi do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima.[14][4]

Obras[editar | editar código-fonte]

Escreveu[14] e, da sua vasta obra, destacam-se[15]:

  • Espinhos e Amores, versos, Coimbra, 1859[14]
  • Estudos dos Portos Comerciais, Coimbra, 1885[15]
  • Breves Notícias sobre os arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias, Lisboa, 1898[15][14]
  • No Oriente, de Nápoles à China, 2 volumes para a Exposição do Centenário da Índia, em 1898, s. l., 1898[15][14]
  • Os Portos Marítimos de Portugal e ilhas adjacentes, II Volumes, Lisboa, 1904-1910[15]
  • Elogio Histórico de Bento Fortunato de Moura Coutinho de Almeida de Eça, Lisboa, 1906[15]
  • Sobre o Mondego e a Barra da Figueira, sob o ponto de vista da navegação, da agricultura e da saúde pública[14]
  • Sobre a navegação do Alto Mondego[14]
  • Sobre os melhoramentos do campo de Lis[14]
  • Sobre diversos assuntos hidráulicos[14]
  • Sobre o melhoramento do Tibre e defesa de Roma contra inundações[14]
  • Sobre diversos portos marítimos e comerciais da Europa, Ásia, África e Oceânia[14]
  • Descrição dos portos marítimos de Portugal e Ilhas[14]

Morte[editar | editar código-fonte]

Quando faleceu, várias individualidades assistiram ao seu funeral, no Cemitério dos Prazeres, entre as quais o Ministro das Colónias.[4]

Referências

  1. a b c d Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 15. 490 
  2. a b Maria Filomena Mónica (coordenadora) (Lisboa, 2006). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). [S.l.]: Assembleia da República (ISBN 972-671-167-3). pp. Vol. II. 628  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  3. Maria Filomena Mónica (coordenadora) (Lisboa, 2006). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). [S.l.]: Assembleia da República (ISBN 972-671-167-3). pp. Vol. II. 628-9  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p Maria Filomena Mónica (coordenadora) (Lisboa, 2006). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). [S.l.]: Assembleia da República (ISBN 972-671-167-3). pp. Vol. II. 629  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  5. a b Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 15. 490-1 
  6. D/85; Diário da Câmara dos Deputados
  7. D/14; Diário da Câmara dos Deputados
  8. Diário da B. P.
  9. Diário da B. P.
  10. Diário da Câmara dos Deputados
  11. Diário da Câmara dos Deputados
  12. (PDF). Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa http://www.ics.ul.pt/ahsocial/list_dp/letra-l.pdf  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. Maria Filomena Mónica (coordenadora) (Lisboa, 2006). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). [S.l.]: Assembleia da República (ISBN 972-671-167-3). pp. Vol. II. 629-30  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  14. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 15. 491 
  15. a b c d e f Maria Filomena Mónica (coordenadora) (Lisboa, 2006). Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910). [S.l.]: Assembleia da República (ISBN 972-671-167-3). pp. Vol. II. 630  Verifique data em: |ano= (ajuda)