Almutâmide

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Al-Mu'tamid)
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o rei-poeta de Sevilha. Para o califa abássida, veja Almutâmide (califa).
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde novembro de 2011)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Maomé ibne Abade Almutâmide
Rei abádida de Sevilha
Túmulo de Almutâmide em Aghmat
Reinado 1069-1095
Predecessor Almutadide
Sucessor Iúçufe ibne Taxufine (almorávida)
Nome completo
محمد ن عباد المعت
Casa Abádida
Pai Taxufine
Nascimento 1040
Beja
Morte 1095
Aghmat
Enterro Aghmat
Religião Islamismo

Maomé ibne Abade Almutâmide (em árabe: محمد بن عباد المعت; transl.: Muhammad ibn 'Abbad al-Mu'tamid; 10401095), Abu Alcacim Maomé Almutâmide ibne Abade ou Abade III (em árabe: محمد بن عباد بن محمد بن إسماعيل بن عباد المعتمد), melhor conhecido como Almutâmide[1] [2] ou Almutamide[3] (em árabe: المعتمد; transl.: al-Muʿtamid), foi o terceiro e último dos reis Abádidas que governaram a Taifa de Sevilha no século XI e um dos poetas mais importantes do al-Andalus. Na corte de Almutâmide reuniram-se alguns dos maiores estudiosos e homens das artes da época, como o astrónomo al-Zarqali (Arzaquel), o geógrafo al-Bakri ou os poetas ibne Hamdis, ibne al-Labbana e ibne Zaydun.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido em Beja, Almutâmide era filho do rei Almutadide, conhecido pelo seu carácter cruel. Aos treze anos comandou uma expedição militar que esmagou uma revolta em Silves e o seu pai nomeou-o governador dessa região. Em Silves, Almutâmide conheceu ibne Amar, um poeta nascido em Xanabo (Shannabus), localidade que talvez corresponda à actual Estômbar. Entre os dois estabeleceu-se uma profunda relação, que se especula ter tido uma natureza homossexual. Almutâmide escreveria mesmo um poema ("Evocação a Silves") sobre a sua juventude com o seu amigo naquela cidade. O pai de Almutâmide sempre viu com maus olhos esta relação e enquanto foi vivo procurou afastar o filho de ibne Amar.[carece de fontes?]

Em 1069, Almutâmide sucedeu ao pai e uma das primeiras coisas que fez foi nomear o seu antigo amigo vizir do reino. Ibne Amar ajudou-o na expansão do reino com a conquista de Múrcia e Almutâmide nomeou-o governador daquela região. Ibne Amar era profundamente ambicioso e por diversas vezes conspirou contra Almutâmide. Ibne Amar usaria mesmo as suas habilidades poéticas para escrever uma série de versos que ridicularizavam Almutâmide e a sua amada, Itímada. Almutâmide acabaria por prender ibne Amar e durante um ataque de fúria entrou na cela onde aquele se achava e matou-o com um machado.

Dirrã de bilhão de Almutâmide

Em 1085, o rei Afonso VI de Leão e Castela conquista a cidade de Toledo, o que representou um duro golpe para o Islão peninsular. Almutâmide pediu então, relutantemente, a Iúçufe ibne Taxufine, emir dos Almorávidas do norte de África, ajuda na luta contra os cristãos. O emir aceitou e enviou as suas tropas, que derrotaram os cristãos em 1086 na batalha de Zalaca. Contudo, quatro anos depois os cristãos voltaram a ser uma ameaça e Almutâmide renovou o apelo; desta feita, ibne Taxufine não se limitaria a repelir os cristãos, mas também a conquistar os reinos de taifas que existiam na península. Almutâmide foi feito prisioneiro e desterrado para Aghmat, perto de Marraquexe, onde passaria o resto da sua vida dedicando-se à actividade poética.

Foi enterrado no cemitério local de Aghmat e a sua campa se tornaria local de peregrinação de poetas, bem como das massas populares que o viam como um marabuto. Em 1967 a família real de Marrocos mandou construir no local onde Almutâmide foi enterrado um mausoléu, que foi visitado pelo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio em 1998.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Almutadide
Governante abádida de Sevilha
1069–1091
Sucedido por
Conquista almorávida
Iúçufe ibne Taxufine

Referências

  1. Krus 2007, p. 422
  2. Almeida 2007, p. 235
  3. Alves 2014, p. 61

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Almeida, Álvaro Duarte de; Belo, Duarte (2007). Portugal património: Beja, Faro Círculo de Leitores [S.l.] 
  • Alves, Adalberto (2014). Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa Leya [S.l.] ISBN 9722721798. 
  • Krus, Luís; Oliveira, Luís Filipe; Fontes, João Luís Inglês (2007). Lisboa medieval: os rostos da cidade Livros Horizonte [S.l.] ISBN 9722415638. 
  • Alves, Adalberto - Portugal - Ecos de Um Passado Árabe. Instituto Camões, 1999. ISBN 9725662024. Disponível on-line na página do Instituto Camões [1].
  • Alves, Adalberto - Al-Mu'tamid: Poeta do Destino. Lisboa: Assirio & Alvim, 2004. ISBN 9723703890.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Almutâmide