Alexandre Escobar Ferreira

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Alexandre
Informações pessoais
Nome completo Alexandre Escobar Ferreira
Data de nasc. 02 de janeiro de 1972
Local de nasc. Sorocaba, SP,  Brasil
Falecido em 18 de julho de 1992 (20 anos)
Local da morte São Paulo,  Brasil
Altura 1,90m
Canhoto
Apelido Alexandre
Informações profissionais
Posição Goleiro
Clubes de juventude
São Paulo São Paulo
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1992 Brasil São Paulo 0007 0000(0)

Alexandre Escobar Ferreira, mais conhecido como Alexandre (Sorocaba, 2 de janeiro de 1972 - São Paulo, 18 de julho de 1992), foi um goleiro do São Paulo, tendo participação no time campeão Paulista e da Libertadores de 1992.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Foi goleiro titular do time vice-campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1992, tendo Rogério Ceni como seu reserva, numa decisão perdida nos pênaltis para o Vasco da Gama de Valdir Bigode.

Era o goleiro apontado como sucessor de Zetti, tinha um grande potencial, inclusive com habilidade com os pés, e morreu num acidente automobilístico, quando começava a ter suas principais oportunidades na equipe. Sua tragédia acabou abrindo espaço para Rogério Ceni.

Melhor que Rogério?[editar | editar código-fonte]

A morte de Alexandre não mudou apenas a vida de seus familiares, mas também a dos goleiros do clube. Segundo o ex-ponta-esquerda do São Paulo Paraná, Zetti estava sendo negociado com um clube da Alemanha e, Alexandre (seu reserva direto) assumiria o posto. Porém, o acidente fez com que a diretoria do São Paulo recuasse e interrompesse a transferência do titular. Assim Rogério Ceni assumiria a vaga de reserva imediato de Zetti. É importante lembrar que foi o próprio Paraná que descobriu Alexandre como jogador, pois antes trabalhava como olheiro e afirmava[1] que:

"Se não fosse aquele acidente, talvez ninguém soubesse quem é Rogério Ceni, o Alexandre era muito melhor que ele. Mas não era só no gol que ele era bom, não. Ele era muito bom com os pés. Esse negócio de bater faltas que o Rogério faz, o Alexandre já fazia. O Alexandre jogava como meia também e jogava bem. Melhor que muito meia que está jogando em alguns times aí (risos)..."

O próprio Rogério Ceni reconhece[2] humildemente em seu livro "Maioridade Penal – 18 anos de histórias inéditas da marca da cal":

"Alexandre era muito melhor do que eu. Velocidade incrível de movimentos, excelente chute, bonito de ver jogar. Telê Santana adorava! (…) Minha carreira, com certeza, seria completamente diferente caso Alexandre não tivesse partido. Ele era apenas um ano mais velho do que eu. Ocuparia a sua posição por muito tempo. Quem sabe até hoje."

Acidente[editar | editar código-fonte]

Quando tudo parece dar certo na vida, surge um guard-rail. A aliança no bolso, o carro com cheirinho de novo, o título de Libertadores aos 20 anos, a camiseta número 1, a passagem para Tóquio. A euforia, a ansiedade, a curva malfeita. Alexandre Escobar Ferreira era filho de goleiro. Nasceu em Sorocaba no segundo dia de 1972. Com 14 anos, 1,80 metro de altura e a bênção do pai, já estava no campinho do Grêmio Esportivo Sorocabano.

No Morumbi, entrou nos times de base. Seu talento ficou evidente. Era um dos raríssimos goleiros que sabiam chutar uma bola a gol. Nos treinos, quando faltava jogador no ataque, às vezes Alexandre era chamado para trocar de camisa.

Em 1990, o goleiro titular do São Paulo, Gilmar, estava a caminho do Flamengo. No seu lugar entrou Zetti. O reserva de Zetti era um garoto de pouca expressão chamado Marquinhos. Alexandre estava atrás de Marquinhos na fila. E atrás de Alexandre estava um rapaz de Pato Branco (PR) chamado Rogério Ceni.

O técnico era “apenas” Telê Santana. Como reserva, Alexandre ganhou seu primeiro campeonato, o Paulista de 1991. Conheceu sua prova de fogo na Libertadores do ano seguinte. Durante as oitavas, contra o Nacional do Uruguai, Zetti foi expulso no segundo tempo. Lá foi Alexandre para o gol, na panela de pressão do estádio Centenário. Segurou a vitória por 1 x 0, com um a menos. E foi o titular na volta, no Morumbi, que o São Paulo ganhou por 2 x 0. Estava pronto para ser o camisa 1. No total, Alexandre fez apenas sete jogos pelo São Paulo como titular. Não levou nenhum gol. Veio então a notícia que faltava: Zetti estava sendo transferido para um time na Alemanha. Com mais talento que Marquinhos, Alexandre viu aberto o caminho para assumir o posto. Como conseguia ser bom goleiro e ainda marcar gols, era um caso raro.

A euforia era grande e a ansiedade fervia. No dia 18 de julho, um sábado, Alexandre escapou com alguns colegas para um churrasco em São Roque. Voltou sozinho para São Paulo, pisando fundo no acelerador do seu Kadett branco novinho. No seu bolso, um anel. Ele queria pedir Ana Maria Lopes em casamento.

Numa curva da rodovia Castelo Branco, o Kadett fugiu ao controle. Se arrebentou na mureta de proteção. Virou uma massa de aço retorcido e fios soltos. Alexandre tinha 20 anos, uma carreira pela frente e um anel no bolso. Sua vida coube numa caixa de papelão guardada com todo carinho pela mãe Marilene Escobar: fitas de jogos, faixas, flâmulas, agenda, documentos, brinquedos, fotos, recortes, a camisa tricolor. Mas nada parece ser mais valioso que o depoimento de seu substituto. Rogério Ceni escreveu assim no seu livro de memórias, Maioridade Penal: “Alexandre era muito melhor do que eu. (...) Minha carreira, com certeza, seria diferente caso Alexandre não tivesse partido”.

Dados[editar | editar código-fonte]

  • Apelido: Alexandre
  • Jogos disputados pelo SPFC: 7
  • Ano de entrada no clube: 1991
  • Data de saída: 1992
  • Gols sofridos no SPFC: 0
  • Data de nascimento: 2 de janeiro de 1972
  • Títulos conquistados no SPFC: Campeão Paulista e da Libertadores de 1992

Referências

  1. Rafaela Gonçalves (15 de junho de 2012). «Mãe de Alexandre recorda carreira do reserva tricolor na Libertadores de 92». Globoesporte.globo.com. Consultado em 2 de abril de 2013 
  2. Rafaela Gonçalves (15 de junho de 2012). «Mãe de Alexandre recorda carreira do reserva tricolor na Libertadores de 92». Globoesporte.globo.com. Consultado em 2 de abril de 2013 
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