Batalha de Berna

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Batalha de Berna
Evento Quartas-de-final da Copa do Mundo FIFA de 1954
Data 27 de junho de 1954
Local Wankdorf Stadium, Suíça Berne
Árbitro Arthur Ellis Inglaterra
Público 60.000

A Batalha de Berna foi como ficou conhecida a partida de futebol Hungria 4 x 2 Brasil válida pelas quartas-de-finais da Copa do Mundo FIFA de 1954.[1]

Cenário Pré-Jogo[editar | editar código-fonte]

O cenário pré-jogo deixava claro que aquela seria uma partida história. O Brasil era o atual vice-campeão do mundo. E a Hungria era a grande seleção do momento. Enquanto se preparava para a Copa, venceu a Inglaterra em Wembley por 6 a 3. Nos dois jogos da primeira fase, aplicou duas goleadas históricas: 9 a 0 na Coréia do Sul e 8 a 3 na Alemanha Ocidental, com o time reserva.[2]

Além disso, segundo o Ranking Mundial Elo, esta foi uma das 10 partidas na história (atualizado até a Copa do mundo de 2010) em que se reuniu, num ranking agregado, duas seleções mais bem rankeadas na história do Ranking

Rank Pontuação
Combinada
Seleção 1 Pontuação
Equipe 1
Seleção 2 Pontuação
Equipe 2
Placar Data Evento Local
1 4211

 Países Baixos

2100

Flag of Spain.svg Espanha

2111 0 : 1 2010-07-11 Final da Copa do Mundo FIFA de 2010 África do Sul Johannesburg
2 4161

 Alemanha Ocidental

1995

 Hungria

2166 3 : 2 1954-07-04 Final da Copa do Mundo FIFA de 1954 Suíça Bern
3 4157

 Países Baixos

2050

 Brasil

2107 2 : 1 2010-07-02 Copa do Mundo FIFA de 2010 África do Sul Cape Town
4 4148

 Alemanha Ocidental

2068

 Brasil

2080 0 : 1 1973-06-16 Amistoso Alemanha Ocidental Berlin
5 4129

Flag of Spain.svg Espanha

2085

 Alemanha

2044 1 : 0 2010-07-07 Semi-Final da Copa do Mundo FIFA de 2010 África do Sul Durban
6 4119

 Brasil

2050

 Alemanha Ocidental

2069 1 : 0 1982-03-21 Amistoso Brasil Rio de Janeiro
7 4118 Flag of Hungary.svg Hungria 2108 Brasil Brasil 2010 4 : 2 1954-06-27 Copa do Mundo FIFA de 1954 Suíça Bern
8 4116

 Hungria

2141

Uruguai

1975 4 : 2 1954-06-30 Copa do Mundo FIFA de 1954 Suíça Lausanne
9 4113

 Alemanha Ocidental

2079

 Países Baixos

2034 2 : 1 1974-07-07 Copa do Mundo FIFA de 1974 Alemanha Ocidental Munich
10 4108

 Brasil

1715

 Alemanha Ocidental

1993 1 : 1 1977-06-12 Amistoso Brasil Rio de Janeiro

A Partida[editar | editar código-fonte]

Antes do início da partida, o vestiário do Brasil foi invadido por dirigentes dispostos a estimular o time a um milagre com exortações patrioticas. João Lira Filho fez um discurso exaltado, obrigou os jogadores a beijarem a bandeira e, aos prantos, declarou que naquele jogo contra os húngaros os canarinhos deveriam se empenhar para vingar os mortos de Pistóia - cemitério italiano onde foram enterrados os pracinhas que morreram na guerra. Segundo o testemunho de Nilton Santos, o time brasileiro já entrou em campo com os nervos em frangalhos.

A partida iniciou com uma chuva torrencial, e logo aos sete minutos de jogo, os húngaros já ganhavam por 2 x 0, gols de Hidegkuti e Kocsis. Djalma Santos descontou, de pênalti, ainda no primeiro tempo. No segundo, Lantos, também de pênalti fez 3 x 1. O Brasil não se abateu, e Julinho Botelho (O melhor do Brasil naquela copa) diminuiu para 3 x 2, depois de uma grande jogada pela direita. O Brasil mandou ainda duas bolas na trave. O árbitro inglês Arthur Ellis expulsou Nílton Santos e Bozsik aos 26 minutos da segunda etapa, depois dos dois trocarem socos. Aos 43 da etapa final, Kocsis, novamente, fez o 4o gol húngaro, dando números finais a partida. Um minuto após o gol húngaro, o centroavante brasileiro Humberto Tozzi, deixou a bola de lado para chutar Gyula Lóránt, e também foi expulso.

Detalhes[editar | editar código-fonte]

27 de Junho 1954  Hungria 4–2 Brasil Brasil Wankdorf Stadium, Berne
17:00 CET
Hidegkuti Gol marcado aos 4 minutos de jogo 4'
Kocsis Gol marcado aos 7 minutos de jogo 7'
Lantos Gol marcado aos 60 minutos de jogo 60' (pen.)
Kocsis Gol marcado aos 88 minutos de jogo 88'
Relatório Santos Gol marcado aos 18 minutos de jogo 18' (pen.)
Julinho Gol marcado aos 65 minutos de jogo 65'
Público: 60,000
Árbitro: Arthur Ellis (England)
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Flag of Hungary.svg Hungria
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Brasil Brasil
GK 1 Gyula Grosics
DF 2 Jenő Buzánszky
MF 3 Gyula Lóránt
DF 4 Mihály Lantos
DF 5 József Bozsik Capitão Expulso a 71 minutos 71'
MF 6 József Zakariás
FW 7 József Tóth
FW 8 Sándor Kocsis
FW 9 Nándor Hidegkuti
FW 11 Zoltán Czibor
FW 20 Mihály Tóth
Técnico:
Hungria Gusztáv Sebes
GK 1 Castilho
DF 2 Djalma Santos
DF 3 Nílton Santos Expulso a 71 minutos 71'
DF 4 Brandãozinho
MF 5 Pinheiro
MF 6 Bauer Capitão
FW 7 Júlio Botelho
FW 8 Didi
FW 9 Baltazar
FW 17 Maurinho
FW 18 Humberto Expulso a 79 minutos 79'
Técnico:
Brasil Zezé Moreira

Árbitros Assistentes:
Inglaterra William Ling
Suíça Raymon Wyssling

Pós-Jogo[editar | editar código-fonte]

Mal o árbitro Arthur Ellis apitou o final da partida e a pancadaria começou. Todos os 22 jogadores se envolveram na briga. A polícia tentou apartar a briga, mas jornalistas e dirigentes acabaram se envolvendo também.

Cquote1.svg "A confusão aconteceu por conta de um mal entendido. As entradas pros dois vestiários ficavam uma do lado da outra. Os dois times estavam deixando o campo após o jogo e o Newton Paes, médico do Brasil, pegou uma garrafa de água. Naquele tempo era garrafa de vidro, não de plástico, como as de hoje. Aí ele pegou a garrafa e jogou no Puskas. Só que ele errou e acertou o (zagueiro) Pinheiro. Pegou na testa dele e, quando o Pinheiro se virou para ver quem havia arremessado, alguém gritou: "foi o Puskas!". Aí começou a confusão."[2] Cquote2.svg

O radialista Mário Vianna inflou os animos dos torcedores brasileiros ao gritar nos microfones impropérios contra o árbitro inglês. A população brasileira, insuflada pelas declarações de Mário Vianna no rádio, resolveu agir. No Rio de Janeiro, então capital federal, várias pessoas partiram para a vingança e depredaram a embaixada da Suécia.[3]

Referências

  1. pt.fifa.com/ Futebol Clássico: A Batalha de Berna
  2. a b esporte.uol.com.br/ Para Djalma Santos, a seleção tinha atletas, mas não dirigentes
  3. futebolecialtda.com.br/ Túnel do Tempo - A inacreditável Batalha de Berna