Final do torneio de futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016

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Final do torneio olímpico de futebol masculino - Rio 2016
Brasil conquista primeiro ouro olímpico nos penaltis 1039264-20082016- mg 4348.jpg
Brasil celebra a conquista no topo do pódio.
Evento Jogos Olímpicos de Verão de 2016
Data 20 de agosto de 2016
Local Maracanã, Rio de Janeiro,
 Brasil

A final do torneio de futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 foi realizada no dia 20 de agosto de 2016. O jogo foi disputado no estádio do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro. O duelo ocorreu entre o anfitrião Brasil e a Alemanha, duas das maiores potências da modalidade, porém até então jamais campeãs olímpicas.[1] Foi a quarta decisão disputada em Jogos Olímpicos pela Seleção Brasileira, que havia sido derrotada nas edições de Los Angeles 1984, Seul 1988 e Londres 2012. A medalha marcou o 17º pódio confirmado do Time Brasil nos Jogos do Rio, sendo a sexta conquista de ouro. O país totalizou as competições com 19 medalhas, incluindo 7 douradas, sendo até então a melhor participação brasileira na história olímpica. Antes, apenas o voleibol de praia e o de quadra já haviam levado o país ao lugar mais alto do pódio em modalidades coletivas masculinas.

A partida[editar | editar código-fonte]

O jogo foi iniciado às 17h30, no horário de Brasília. O Maracanã recebeu um público oficial de 63 707 torcedores reportado pelo Comitê Olímpico Internacional, porém diversos veículos de mídia presentes atribuem uma lotação acima de 70 mil espectadores.[2] A divergência ocorre pelo grande comparecimento de profissionais credenciados, como jornalistas, outros colaboradores e inclusive atletas que já haviam encerrado suas participações no penúltimo dia de competições dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. O velocista jamaicano Usain Bolt, por exemplo, esteve presente.[3]

O duelo foi extremamente acirrado e elogiado pela imprensa especializada internacionalmente pela qualidade das equipes. O Brasil abriu o marcador com um gol de falta de Neymar, coroando o primeiro tempo de domínio anfitrião. A Alemanha, contudo, assustou o goleiro Weverton, conseguindo disparar bolas no travessão. Logo no início da segunda etapa, Meyer empatou o duelo, que permaneceu igualado em 1 a 1 mesmo após os 30 minutos da prorrogação.

Nos pênaltis, Ginter, Renato Augusto, Gnabry, Marquinhos, Brandt, Rafinha, Süle e Luan, respectivamente, converteram as primeiras tentativas de Alemanha e Brasil. Na quinta cobrança da Alemanha, o goleiro Weverton defendeu o chute de Petersen. Na sequência, Neymar converteu a sua tentativa diante do gol de Timo Horn, garantindo a entrada do Brasil no seleto grupo de países que venceram o torneio olímpico de futebol masculino nas edições em que sediaram o evento, composto também por Grã-Bretanha, Bélgica e Espanha.

Detalhes[editar | editar código-fonte]

20 de agosto Medalha de ouro Brasil Brasil 1 – 1 (pro) Bandeira da Alemanha Alemanha Medalha de prata Estádio Maracanã, Rio de Janeiro
17:30
Neymar Gol marcado aos 26 minutos de jogo 26' FIFA
RIO2016
Meyer Gol marcado aos 59 minutos de jogo 59' Público: 63 707
Árbitro: IrãIRI Alireza Faghani
Assistente1: IrãIRI Reza Sokhandan
Assistente2: IrãIRI Mohammadreza Mansouri
4º Árbitro: SenegalSEN Malang Diedhiou
5º Árbitro: SenegalSEN Djibril Camara
    Penalidades  
Renato Augusto Convertido
Marquinhos Convertido
Rafinha Convertido
Luan Convertido
Neymar Convertido
5 – 4 Convertido Ginter
Convertido Gnabry
Convertido Brandt
Convertido Süle
Erro (defesa) Petersen
 
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Brasil
Cores do Time Cores do Time Cores do Time
Cores do Time
Cores do Time
Alemanha
G 1 Weverton
LD 2 Zeca Penalizado com cartão amarelo após 30 minutos 30'
Z 3 Rodrigo Caio
Z 4 Marquinhos
LE 6 Douglas Santos
V 12 Walace
V 5 Renato Augusto
M 7 Luan
A 10 Neymar Capitão
A 9 Gabigol Penalizado com cartão amarelo após 44 minutos 44' Substituído após 70 minutos de jogo 70'
A 11 Gabriel Jesus Substituído após 95 minutos de jogo 95'
Substituições:
V 8 Rafael Alcântara Entrou em campo após 95 minutos 95'
M 17 Felipe Anderson Entrou em campo após 70 minutos 70'
Treinador:
Brasil Rogério Micale
G 1 Timo Horn
LD 2 Jeremy Toljan
Z 3 Lukas Klostermann
Z 4 Matthias Ginter
LE 6 Sven Bender Penalizado com cartão amarelo após 81 minutos 81'
V 5 Niklas Süle Penalizado com cartão amarelo após 89 minutos 89'
V 7 Max Meyer Capitão
M 8 Lars Bender Substituído após 67 minutos de jogo 67'
M 9 Davie Selke Penalizado com cartão amarelo após 49 minutos 49' Substituído após 76 minutos de jogo 76'
A 11 Julian Brandt
A 17 Serge Gnabry
Substituições:
M 16 Grischa Prömel Penalizado com cartão amarelo após 78 minutos 78' Entrou em campo após 67 minutos 67'
A 18 Nils Petersen Entrou em campo após 76 minutos 76'
Treinador:
Alemanha Horst Hrubesch

Caminho até a final[editar | editar código-fonte]

A Seleção Brasileira estreou nos Jogos Olímpicos antes mesmo da cerimônia de abertura, como é de praxe no evento. Outro expediente recorrente que se repetiu no torneio olímpico de futebol foi a realização de partidas fora da cidade-sede. A estreia brasileira diante da África do Sul, por exemplo, ocorreu no Estádio Nacional de Brasília. O placar foi de 0 a 0. O empate sem gols se repetiu na mesma arena no segundo jogo, este enfrentando o Iraque. O começo preocupante, que chegou a colocar a classificação para as quartas de final em risco, gerou críticas fortes da imprensa e dos torcedores, rebatidas pelos atletas em entrevistas e nas redes sociais após a decisão.[4] A equipe feminina, que depois ficaria de fora do pódio, se mostrava mais eficiente na fase de grupos, elevando a pressão.

O rumo da equipe começou a virar no terceiro jogo, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Diante da seca de gols, o técnico Rogério Micale optou por uma escalação ofensiva contra a Dinamarca. O resultado foi uma goleada por 4 a 0, que garantiu o Brasil como primeiro colocado do Grupo A.[5]

Nas quartas de final, repetiu-se o confronto da Copa do Mundo FIFA de 2014, opondo Brasil e Colômbia em campo. A Seleção Brasileira venceu por 2 a 0, em jogo realizado na Arena Corinthians, em São Paulo. A semifinal foi a primeira partida da equipe realizada propriamente na cidade olímpica. No Maracanã, estádio em que não atuou nenhuma vez durante o Mundial de 2014, o time brasileiro aplicou 6 a 0 em Honduras.

A Alemanha também teve uma primeira fase complicada, empatando com o México e a Coreia do Sul, que foi a líder do Grupo C. No terceiro jogo, contudo, a classificação foi selada com a maior goleada da competição, com o placar de 10 a 0 diante de Fiji. No mata-mata, as vitórias foram por 4 a 0 sobre Portugal e 2 a 0 sobre a Nigéria, que ficaria com a medalha de bronze.

Histórico do estádio[editar | editar código-fonte]

O Maracanã já havia sido até então palco de diversas outras decisões da Seleção Brasileira. No local, o país sofreu o Maracanaço, como ficou conhecida a derrota na Copa do Mundo de 1950 diante do Uruguai. O mais relevante palco do futebol nacional, contudo, também já havia sediado diversas glórias da principal modalidade do país, com o Brasil tendo triunfado nas decisões da Copa América de 1989 e da Copa das Confederações FIFA de 2013. Nele, o Brasil conquistou ainda o ouro no torneio feminino dos Jogos Pan-Americanos de 2007. A final feminina dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 igualmente ocorreu no espaço, com a vitória sendo da Alemanha exatamente no dia anterior ao confronto masculino.[6] Os germânicos também conquistaram a Copa do Mundo FIFA masculina de 2014 no palco carioca.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Todas as principais emissoras de televisão do Brasil detentoras dos direitos de exibição transmitiram a partida ao vivo. Entre os grandes canais abertos, as narrações foram de Galvão Bueno na Rede Globo, Téo José na Rede Bandeirantes e Lucas Pereira na RecordTV. Milton Leite no SporTV e Gustavo Villani no Fox Sports também estiveram entre as vozes que transmitiram o confronto, exibido em todos os continentes.

Os números de audiência na soma das exibidoras foram superiores inclusive aos da Copa do Mundo FIFA de 2014,[7] transformando o evento no mais assistido dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 pelos brasileiros entre os duelos esportivos.[8] Na Rede Globo, a transmissão da partida foi sucedida pela mais longa edição da história do Jornal Nacional, principal noticiário televisivo do país, que se dedicou em boa parte do tempo a repercutir a conquista brasileira. Além da narração de Galvão Bueno, a emissora contou com a presença dos ex-jogadores Ronaldo, Júnior e Walter Casagrande, do ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho e do ex-tenista Gustavo Kuerten nas cabines do estádio. Guga, como é mais conhecido, havia sido um dos condutores finais da chama olímpica no revezamento durante a cerimônia de abertura, antecedendo apenas a ex-jogadora de basquete Hortência e o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, que acendeu a pira olímpica.[9] Vários repórteres acompanharam a partida tanto no Maracanã quanto em outros pontos da cidade que reuniram grandes aglomerações de torcedores assistindo ao confronto em telões, como o Boulevard Olímpico e o próprio Parque Olímpico.[10] No final do ano, a rede exibiu um especial em horário nobre intitulado de Um Sonho de Ouro, mostrando os bastidores da conquista.[11]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Os principais jornais do país trouxeram capas majoritariamente dedicadas ao título inédito da Seleção Brasileira. O Correio Braziliense adjetivou os integrantes do elenco vencedor como "meninos de ouro", o Estado de Minas classificou a conquista como "para lavar a alma" e o diário esportivo Lance! trouxe na manchete um dos gritos mais recorrentes entre a torcida no Maracanã, o de "o campeão voltou". Os torcedores também fizeram diversas referências ao pentacampeonato conquistado pelo país na Copa do Mundo, condição que deixa o Brasil isolado como maior vencedor do torneio, superando as tetracampeãs Alemanha e Itália. A partida também se tornou tema de uma monografia do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.[12]

Alguns atletas campeões, como Neymar, Luan, Gabriel Jesus e Weverton eternizaram a conquista na pele, fazendo tatuagens com referências ao título olímpico. A Confederação Brasileira de Futebol permaneceu por vários meses com uma réplica gigante da medalha de ouro dos Jogos do Rio na fachada do seu prédio, localizado na Barra da Tijuca.[13] A Seleção Brasileira ainda foi indicada ao Prêmio Laureus do Esporte Mundial de melhor equipe.[14]

Referências

  1. «Olimpíadas: Brasil e Alemanha brigam por ouro inédito no futebol». Torcedores.com. Consultado em 22 de julho de 2019 
  2. «Brasil é medalha de ouro no futebol pela primeira vez na história». A Crítica. Consultado em 22 de julho de 2019 
  3. «De camarote: Bolt assiste à final e vê Neymar homenageá-lo após gol». globoesporte.com. Consultado em 22 de julho de 2019 
  4. «Galvão Bueno mandou um textão ao vivo e a galera foi ao delírio». BuzzFeed. Consultado em 22 de julho de 2019 
  5. «Luan e Wallace deram o equilíbrio que Micale tanto procurava na Seleção». Goal. Consultado em 22 de julho de 2019 
  6. «Alemanha supera Suécia, encerra jejum e conquista 1º ouro no futebol feminino». iG. Consultado em 22 de julho de 2019 
  7. «Final do futebol olímpico tem mais audiência do que os 7 x 1 da Copa». Notícias da TV. Consultado em 22 de julho de 2019 
  8. «Cerimônia de abertura foi evento mais visto da Olimpíada na TV, diz Ibope». G1. Consultado em 22 de julho de 2019 
  9. «Em momento emocionante, Vanderlei Cordeiro de Lima acende a pira olímpica». Zero Hora. Consultado em 22 de julho de 2019 
  10. «Boulevard Olímpico reúne 1 milhão de pessoas no sábado». O Paraná. Consultado em 22 de julho de 2019 
  11. «Um Sonho de Ouro traz os bastidores da conquista olímpica no futebol». Rede Globo. Consultado em 22 de julho de 2019 
  12. «Futebol na Olimpíada Rio 2016: história e comunicabilidade no Jornal Nacional». Brasil Escola. Consultado em 22 de julho de 2019 
  13. «Sede da CBF recebe medalha de ouro gigante». CBF. Consultado em 22 de julho de 2019 
  14. «Seleção campeã olímpica é indicada ao Oscar do esporte». O Globo. Consultado em 22 de julho de 2019