Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919

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III Campeonato Sul-Americano
Brasil 1919
Dados
Participantes 4
Organização CONMEBOL
Anfitrião Brasil
Período 11 – 29 de maio
Gol(o)s 27
Partidas 7
Média 3,86 gol(o)s por partida
Campeão Brasil (1º título)
Vice-campeão Uruguai
3.º colocado Argentina
4.º colocado Chile
Melhor marcador 4 gols:
Melhor ataque (fase inicial) Brasil – 11 gols
Melhor defesa (fase inicial) Brasil – 3 gols
Maior goleada
(diferença)
Brasil 6–0 Chile
Estádio das LaranjeirasRio de Janeiro
11 de maio
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O Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1919 foi a terceira edição da competição. Foi disputada por quatro seleções: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. A sede da disputa foi no Brasil. Todos jogaram entre si em turno único. A Seleção Brasileira foi a campeã, garantindo seu primeiro título inédito na competição.

História[editar | editar código-fonte]

O ano de 1919 foi memorável na história do futebol brasileiro. Pela primeira vez, o país organizaria um torneio da modalidade esportiva de nível internacional. Nem a epidemia de gripe espanhola tirou a felicidade dos brasileiros, em especial os cariocas. A cidade do Rio de Janeiro abrigou o 3º Campeonato Sul-Americano de Seleções de Futebol e para isso foi construído o Estádio de Laranjeiras do Fluminense.

As delegações de Argentina, Chile e Uruguai desembarcaram no cais da Praça Mauá, seriam recepcionados no Clube São Cristóvão e hospedados no Hotel dos Estrangeiros. A festa teve seus contratempos, o Uruguai teve a infelicidade de presenciar o falecimento do seu goleiro reserva Roberto Chery, vitima de uma apendicite aguda.

A realização do III Campeonato Sul-Americano de Futebol, na cidade do Rio de Janeiro, foi coroada de êxito: a convocação dos jogadores, horários de treinos marcados com antecedência, tudo correu dentro da melhor organização. A comissão técnica escolhida pela CBD era formada por Amílcar Barbuy, Arnaldo Silveira, Mario Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Por pouco uma entrevista bombástica de Sylvio Lagreca ao jornal A Gazeta não cria um clima de desunião. Nesta entrevista, Lagreca afirmava que a comissão técnica não escalava os melhores jogadores, por interesses políticos. Pior do que isso, dizia que determinados companheiros não tinham qualquer condição técnica de estar na Seleção Brasileira. Dois dias depois, em entrevista ao mesmo jornal, membros da comissão técnica e outros jogadores desmentiam Lagreca; com isso, o caso não alcançou grandes proporções. [1].

Cerimônia de inauguração[editar | editar código-fonte]

A cerimonia de inauguração do Estádio de Laranjeiras – na época, o maior da América Latina, com capacidade para 25 mil espectadores – aconteceu no dia 11 de maio de 1919, com a presença de personalidades da política – entre elas o presidente Delfim Moreira, das artes e do esporte –.[2]

Brasil no Sul-Americano[editar | editar código-fonte]

Em sua estreia, o Brasil venceu o Chile pelo placar de 6 a 0. O estádio, que segundo os cálculos dos seus arquitetos só atingiria a lotação de 25 mil espectadores dentro de algumas décadas, ficou pequeno. Além da lotação esgotada, quase 10 mil espectadores assistiram a partida em cima de uma pedreira ou em árvores e muros, ou seja, de qualquer lugar em que pudessem observar os movimentos dos jogadores. Contra os argentinos, a seleção deu um verdadeiro show de bola. O destaque da partida ficou por conta de Amílcar Barbuy. Aos 13 minutos do segundo tempo, ele recebeu a bola na intermediária; percebendo que o goleiro Isola se encontrava adiantado, bateu com inteligência por cobertura, e a bola entrou no ângulo esquerdo do goleiro, para delírio dos torcedores. [3].

Veio a partida contra os uruguaios, que jogam de luto pelo falecimento do seu goleiro Roberto Chery, durante procedimento cirúrgico após um choque com um atacante chileno durante a competição. A partida terminou empatada em 2 a 2. O destaque da partida foi o atacante Neco, que levou a Seleção Brasileira ao empate após estar perdendo por 2 a 0.

Os uruguaios venceram os chilenos por 2 a 0, sendo necessária a realização de uma partida de desempate contra os brasileiros para definir o campeão. O jogo aconteceu no dia 29 de maio e tornou-se um marco na história do futebol brasileiro. O governo decretou ponto facultativo nas repartições públicas. Os bancos e as principais casas comerciais ficaram fechados. Para se ter uma ideia, o jogo estava marcado para as 14 horas, mas as 9 horas já tinha gente chegando às Laranjeiras. [4].

A partida terminou empatada em 0 a 0 em seu tempo normal. Veio a disputa da prorrogação. A partida continuava equilibrada, com lances de perigo acontecendo a todo instante. Fim da prorrogação e o placar não se alterou.

Por mais incrível que possa parecer, houve necessidade da segunda prorrogação de 30 minutos. Os jogadores, extenuados pelo desgaste físico e emocional, se arrastavam em campo.

Aos 3 minutos, Neco invade pelo lado direito perseguido por Foglino. Já quase na linha de fundo cruza para Heitor, que chuta para o gol. Saporiti defende parcialmente, a bola cai nos pés de Friedenreich, que fuzila a meia altura e a bola morre no fundo das redes.

No segundo tempo, as equipes se arrastaram sem nada produzir. O Brasil sagrou-se campeão sul-americano pela primeira vez, e Friedenreich foi transformado em herói nacional. Ganhou o apelido de “El Tigre” por parte dos uruguaios. [5].

Resumo[editar | editar código-fonte]

Classificação final[editar | editar código-fonte]

Pos. Seleção Pts. J V E D GP GC SG
1 Brasil Brasil 5 3 2 1 0 11 3 +8
2 Flag of Uruguay.svg Uruguai 5 3 2 1 0 7 4 +3
3 Flag of Argentina.svg Argentina 2 3 1 0 2 7 7 0
4 Flag of Chile.svg Chile 0 3 0 0 3 1 12 –11

Jogos[editar | editar código-fonte]

11 de maio Brasil Brasil 6 – 0 Flag of Chile.svg Chile Estádio das Laranjeiras, Rio de Janeiro

Friedenreich Gol marcado aos 19 minutos de jogo 19', Gol marcado aos 38 minutos de jogo 38', Gol marcado aos 76 minutos de jogo 76'
Neco Gol marcado aos 21 minutos de jogo 21', Gol marcado aos 83 minutos de jogo 83'
Haroldo Gol marcado aos 79 minutos de jogo 79'
Árbitro: ArgentinaARG Juan Pedro Barbera
13 de maio Argentina Flag of Argentina.svg 2 – 3 Flag of Uruguay.svg Uruguai Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

Izaguirre Gol marcado aos 34 minutos de jogo 34'
Varela Gol contra marcado aos 55 minutos de jogo 55' (g.c.)
C. Scarone Gol marcado aos 19 minutos de jogo 19'
H. Scarone Gol marcado aos 23 minutos de jogo 23'
Gradín Gol marcado aos 85 minutos de jogo 85'
Árbitro: InglaterraENG Robert Todd

17 de maio Uruguai Flag of Uruguay.svg 2 – 0 Flag of Chile.svg Chile Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

C. Scarone Gol marcado aos 31 minutos de jogo 31'
J. Pérez Gol marcado aos 43 minutos de jogo 43'
Árbitro: BrasilBRA Adilton Ponteado
18 de maio Brasil Brasil 3 – 1 Flag of Argentina.svg Argentina Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

Heitor Gol marcado aos 22 minutos de jogo 22'
Amílcar Gol marcado aos 57 minutos de jogo 57'
Millon Gol marcado aos 77 minutos de jogo 77'
Izaguirre Gol marcado aos 65 minutos de jogo 65' Árbitro: InglaterraENG Robert Todd

22 de maio Argentina Flag of Argentina.svg 4 – 1 Flag of Chile.svg Chile Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

Clarcke Gol marcado aos 10 minutos de jogo 10', Gol marcado aos 23 minutos de jogo 23', Gol marcado aos 62 minutos de jogo 62'
Izaguirre Gol marcado aos 13 minutos de jogo 13'
France Gol marcado aos 33 minutos de jogo 33' Árbitro: BrasilBRA Joaquim de Castro
26 de maio Uruguai Flag of Uruguay.svg 2 – 2 Brasil Brasil Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

Gradín Gol marcado aos 13 minutos de jogo 13'
C. Scarone Gol marcado aos 17 minutos de jogo 17'
Neco Gol marcado aos 29 minutos de jogo 29', Gol marcado aos 63 minutos de jogo 63' Árbitro: InglaterraENG Robert Todd

Jogo de desempate[editar | editar código-fonte]

29 de maio Brasil Brasil 1 – 0 (pro) Flag of Uruguay.svg Uruguai Estádio de Laranjeiras, Rio de Janeiro

Friedenreich Gol marcado aos 122 minutos de jogo 122' Público: 20 000
Árbitro: ArgentinaARG Juan Pedro Barbera

Campeão[editar | editar código-fonte]

Campeonato Sul-Americano de 1919
Flag of Brazil.svg
BRASIL
Campeão
(1º título)

Artilharia[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sul-Americano de 1919 - Quando o Brasil descobriu o futebol, por SANDER, Roberto, Maquinária Editora (2009) [6]

Referências

  1. «Seleção Brasileiras 90 anos» (em portugues). Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  2. «Seleção Brasileiras 90 anos». Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  3. «Seleção Brasileiras 90 anos» (em portugues). Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  4. «Seleção Brasileiras 90 anos» (em portugues). Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  5. «Seleção Brasileiras 90 anos» (em portugues). Consultado em 14 de fevereiro de 2012 
  6. CARDOSO, Rafael - Site Globoesporte.com - Livro retrata momento em que surgiu a grande paixão do brasileiro pelo futebol, página editada em 28 de maio de 2009 e disponível em 17 de março de 2016

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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