Célula-tronco

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Células-tronco de um rato.

Definição[editar | editar código-fonte]

As células-tronco, células-mães ou células estaminais são células que ainda não passaram pelo processo de diferenciação celular, possuem a capacidade de se dividir, dando origem a duas células semelhantes às originais, e podem se diferenciar e especializar em diversos tipos celulares. Isto é, as células-tronco são um conjunto embrionário de células que se mantém mesmo em organismos adultos.[1]

Tipos[editar | editar código-fonte]

As células-tronco podem ser de quatro tipos:

  • Totipotentes: são àquelas capazes de originar um organismo completo, já que possuem a capacidade de gerar todos os tipos de células e tecidos do corpo, incluindo os tecidos embrionários e os extraembrionários (como a placenta, por exemplo). As células-tronco totipotentes podem ser exemplificadas pelo óvulo fecundado (zigoto) e pelas primeiras células provenientes do zigoto.
  • Pluripotentes: apesar de não poderem originar um indivíduo completo, porque não são capazes de gerar tecidos extraembrionários, as células-tronco pluripotentes possuem a capacidade de gerar células dos três folhetos embrionários (ectoderma, mesoderma e endoderma). Um dos principais exemplos de célula-tronco pluripotentes naturais são as células-tronco embrionárias.
  • Multipotentes: possuem a capacidade de gerar um número limitado de células especializadas, as quais podem ser encontradas em quase todo o corpo e são capazes de originar células dos tecidos de que são provenientes. Exemplos de células-tronco multipotentes são as células da medula óssea, as células neurais do cérebro, as células do sangue presente no cordão umbilical e as células mesenquimais.
  • Unipotentes: dado que são os tipos mais diferenciados de células-tronco, as células-tronco unipotentes são capazes de se diferenciar ao longo de apenas uma linhagem e são encontradas em tecidos adultos.

Uso terapêutico[editar | editar código-fonte]

As células-tronco de embriões têm ainda a capacidade de se transformar, num processo também conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue. Devido a essa característica, as células-tronco são importantes, principalmente na aplicação terapêutica, sendo potencialmente úteis em terapias de combate a doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, Diabetes mellitus tipo 1, acidentes vasculares cerebrais, doenças hematológicas, traumas na medula espinhal e nefropatias.

O principal objetivo das pesquisas com células-tronco é usá-las para recuperar tecidos danificados por essas doenças e traumas. No Zoológico de Brasília (Brasil), uma fêmea de lobo-guará, vítima de atropelamento, recebeu tratamento com células-tronco. [2] Este foi o primeiro registro do uso de células-tronco para curar lesões num animal selvagem. [3]

São encontradas em células embrionárias e em vários locais do corpo, como no cordão umbilical, na medula óssea, no sangue, no fígado, na placenta e no líquido amniótico, conforme descoberta de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, no estado norte-americano da Carolina do Norte, noticiada pela imprensa mundial nos primeiros dias de 2007.[4]

Há três possibilidades de extração das células-tronco. Podem ser adultas, mesenquimais ou embrionárias:

  • Embrionárias – São encontradas no embrião humano e são classificadas como totipotentes ou pluripotentes, devido ao seu poder de diferenciação celular de outros tecidos. A utilização de células estaminais embrionárias para fins de investigação e tratamentos médicos varia de país para país, em que alguns a sua investigação e utilização é permitida, enquanto em outros países é ilegal. O STF autorizou as pesquisas no Brasil.[5]
  • Adultas – São encontradas em diversos tecidos, como a medula óssea, sangue, fígado, cordão umbilical, placenta, e outros. Estudos recentes mostram que estas células-tronco têm uma limitação na sua capacidade de diferenciação, o que dá uma limitação de obtenção de tecidos a partir delas.[6]
  • Mesenquimais – Células-tronco mesenquimais, uma população de células do estroma do tecido (parte que dá sustentação às células), têm a capacidade de se diferenciar em diversos tecidos. Por conta desta plasticidade, essas células têm sido utilizadas para reparar ou regenerar tecidos danificados como ósseo, cartilaginoso, hepático, cardíaco e neural. Além disso, essas células apresentam uma poderosa atividade imunossupressora, o que abre a possibilidade de sua aplicação clínica em doenças imunomediadas, como as autoimunes e também nas rejeições aos transplantes. Em adultos, residem principalmente na medula óssea e no tecido adiposo (hipoderme).

Legislação sobre a sua utilização[editar | editar código-fonte]

Segue-se uma lista das leis em vigor sobre a clonagem de células-tronco em alguns países:

  • África do Sul - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica. É o único país africano com legislação a respeito.
  • Alemanha - permite a pesquisa com linhagens de células-tronco existentes e sua importação, mas proíbe a destruição de embriões.
  • Brasil - permite a utilização de células-tronco produzidas a partir de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia, desde que sejam embriões inviáveis ou estejam congelados por mais de três anos.[7] Em todos os casos, é necessário o consentimento dos doadores. A comercialização do material biológico é crime. Em 29 de maio de 2008 o Supremo Tribunal Federal confirmou que a lei em questão é constitucional, ratificando assim o posicionamento normativo dessa nação.
  • China - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Coreia do Sul - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Estados Unidos - proíbe a aplicação de verbas do governo federal a qualquer pesquisa envolvendo embriões humanos (a exceção é feita para 19 linhagens de células-tronco derivadas antes da aprovação da lei norte-americana). Entretanto, estados como a Califórnia permitem e patrocinam esse tipo de pesquisa (inclusive a clonagem terapêutica).
  • França - não tem legislação específica, mas permite a pesquisa com linhagens existentes de células-tronco embrionárias e com embriões de descarte.
  • Índia - proíbe a clonagem terapêutica, mas permite as outras pesquisas.
  • Israel - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Itália - proíbe totalmente qualquer tipo de pesquisa com células-tronco embrionárias humanas e sua importação.
  • Japão - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Reino Unido - tem uma das legislações mais liberais do mundo e permite a clonagem terapêutica.
  • Rússia - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Singapura - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
  • Turquia - permite pesquisas e uso de embriões de descarte, todavia, proíbe a clonagem terapêutica das células tronco.

Reações religiosas[editar | editar código-fonte]

A doutrina da Igreja Católica condena o uso das células-tronco embrionárias porque essas técnicas muitas vezes envolvem a destruição de embriões humanos, o que é considerado uma forma de assassinato pela Igreja.[8] Investigações científicas com células-tronco embrionárias são chamadas de "um meio imoral para um bom fim" e "moralmente inaceitável."[8] A Igreja apoia o uso de células-tronco adultas, que são células obtidas com o consentimento de alguém e sem pôr em causa a vida do doador, afirmando que se trata de um campo promissor de pesquisa e moralmente aceitável.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gilbert, S. F. Biologia do Desenvolvimento. Ribeirão Preto, SP: FUNPEC Editora, 5 ed., 2003.
  2. Ambientebrasil - Lobo-guará atropelado por caminhão faz tratamento com células-tronco
  3. G1 - Lobo-guará sobrevive a atropelamento graças a tratamento com células-tronco
  4. (BBC Brasil Notícia da BBC em português)
  5. (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL583338-5598,00.html)
  6. (http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI472268-EI1434,00.html)
  7. conforme determina o art. 5º da Lei Federal Brasileira nº 11.105 de 24 de março de 2005
  8. a b c USCCB (United States Conference of Catholic Bishops) (2008). United States Catechism for Adults USCCB Publishing [S.l.] ISBN 978-1-57455-450-2. ; págs. 392–393

Ligações externas[editar | editar código-fonte]