Carlotta Joaquina Maury

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Carlotta Joaquina Maury
Conhecido(a) por especialista em moluscos do Terciário, uma das primeiras mulheres a obter um doutorado em Geologia nos Estados Unidos
Nascimento 6 de janeiro de 1874
Hastings-on-Hudson, Nova York, EUA
Morte 3 de janeiro de 1938 (63 anos)
Yonkers, Nova Iorque, EUA
Residência Estados Unidos
Nacionalidade norte-americana
Alma mater Radcliffe College
Orientador(es) Gilbert Dennison Harris
Campo(s) Paleontologia, geologia e estratigrafia
Tese A Comparison of the Oligocene of Western Europe and the Southern United States Universidade Cornell (1902)

Carlotta Joaquina Maury (Hastings-on-Hudson, 6 de janeiro de 1874 - Yonkers, 3 de janeiro de 1938) foi uma geóloga, paleontóloga e uma das primeiras mulheres a seguir carreira científica na indústria de petróleo e gás.[1] Sofreu bastante preconceito por ser uma mulher na área das ciências.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida em Hastings-on-Hudson, uma vila no Condado de Westchester, em Nova Iorque em 1874; era a quarta filha do reverendo e geógrafo amador, Mytton Maury (filho de Sarah Mytton Maury) e de Virginia Draper, admiradora das artes e da ciência, que teve forte influência nos filhos.[3] Seu nome foi uma homenagem à sua avó materna, Carlota Joaquina de Paiva Ferreira, uma dama da corte portuguesa, que se casou no Rio de Janeiro com o médico britânico Daniel Gardner.[4] Havia vários cientistas na família, como seu primo, o geógrafo Matthew Fontaine Maury. John William Draper (1811-1882), seu avô, foi físico, cientista, filósofo e um dos grandes contribuidores para os primórdios da fotografia. Antônia Caetana Maury (1866-1952), irmã mais velha de Carlotta, foi astrônoma,[5] tendo trabalhado com Henry Pickering no grupo de mulheres que identificou cerca de 10.000 estrelas, do Observatório do Colégio de Harvard.[2][4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Carlotta ingressou no Radcliffe College em 1891, formando-se em 1894, estudando em seguida na Universidade Columbia e na Universidade de Paris, onde fez pós-graduação. Seu doutorado foi pela Universidade Cornell, na área de paleontologia, estudando o fósseis do período Terciário. Isso a tornou uma das primeiras mulheres a obter um doutorado em geologia e paleontologia.[2][4]

Após terminar os estudos, Carlotta conseguiu um cargo docente no Colégio Erasmus, no Brooklyn, em 1900. Tornaria-se paleontóloga assistente na Universidade Columbia em 1904 e depois lecionaria geologia no Columbia College e no Barnard College até 1912.[3][2][4] Ela voltou ao campo para se juntar à equipe de G. D. Harris, seu orientador em Cornell, para investigar áreas ricas em petróleo e gás na costa do Texas e da Louisiana, no Golfo do México.[1][3][4]

Os dados conseguidos pela equipe trouxeram importantes informações geológicas para a extração de petróleo e gás e para a indústria ainda nos dias de hoje. A contribuição específica de Carlotta para a equipe foi a de reunir dados baseados em descobertas paleontológicas a fim de criar um mapa estrutural e estratigráfico da região. As análises realizadas pela equipe foram publicadas em 1910.[2][6]

Em 1910, Carlotta começou a trabalhar para a Royal Dutch Shell como consultora em geologia e estratigrafia. Depois trabalhou para a General Asphalt Co. como parte da equipe que explorou regiões em Trinidad e Venezuela em camadas do eoceno. Seus achados em fósseis e fauna nativa fora as primeiras a serem catalogadas e estudadas no Caribe e na América do Sul. Carlotta lecionou na África do Sul, no Huguenot College, e retornou para o Caribe em 1916 como líder da "Expediçao Maury", na República Dominicana. Apesar da instabilidade política na ilha naquele momento, seu objetivo era o de determinar as camadas estratigráficas do Mioceno e do Oligoceno na região, compostas basicamente por rochas sedimentares repletas de depósitos fossilíferos. Como resultado, a expedição encontrou 400 novas espécies. Seu trabalho criou uma fundação, presente ainda hoje a República Dominicana, cuja pesquisa tenta estudar as mudanças evolutivas no Caribe durante o Mioceno até os dias atuais.[4][7]

Carlotta também era conhecida pela precisão e detalhamento de seus artigos científicos, além de escrevê-los bem rápido, dando atenção aos detalhes. Era bastante elogiada pelos colegas por seu conhecimento e capacidade, tanto que ela se tornou a paleontóloga oficial do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. Enquanto paleontóloga oficial, ela publicou diversos artigos nos boletins do serviço geológico, entre 1919 e até depois de sua morte.[2][4]

Apesar do conhecimento, do esforço em campo, da atenção aos detalhes e da admiração dos colegas, Carlotta nunca conseguiu posição de chefia nos Estados Unidos nem pelas universidades por onde passou.[4] Foi apenas na África do Sul que conseguiu a licenciatura plena, sem ser considerada assistente.[7] Ainda assim conseguiu manter uma independência financeira devido ao trabalho intenso.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Carlotta, assim como muitas mulheres que optavam pela carreira científica na época, não se casou nem teve filhos. Era comum que mulheres precisassem optar entre um e outro, sem poder ter os dois ao mesmo tempo. A paleobotânica Winifred Goldring também optou pela carreira e a própria irmã de Carlotta, a astrônoma Antônia Caetana Maury, também não se casou.[4][7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Carlotta faleceu em 3 de janeiro de 1939, em Yonkers, Nova York, aos 63 anos, após um longo tempo doente.[2][4][7]

Referências

  1. a b «Carlotta Joaquina Maury, Ph.D., Delta Gamma». Fraternity History & More. Consultado em 3 de março de 2018 
  2. a b c d e f g Burek, C. V.; Higgs, B. (2007). The role of women in the history of geology 3ª ed. Londres: Geological Society of London. 352 páginas. ISBN 978-1862392274 
  3. a b c Peed, Dorothy Myers (1966). America is People and Ideas. Berlim: Exposition Press 
  4. a b c d e f g h i j «Carlotta Joaquina Maury, Princesa dos fósseis do Brazil». Blog da UNICAMP. Consultado em 3 de março de 2018 
  5. «Antonia Maury». Vassar Encyclopedia. 2008. Consultado em 12 de janeiro de 2013 
  6. Burek, Cynthia V.; Higgs, Bettie (Janeiro de 2007). The Role of Women in the History of Geology (em inglês). [S.l.]: Geological Society of London. ISBN 9781862392274 
  7. a b c d «Carlotta Maury». Revolvy. Consultado em 3 de março de 2018 
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