Cneu Domício Enobarbo (cônsul em 96 a.C.)

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Cneu Domício Enobarbo
Cônsul da República Romana
Reinado 96 a.C.
Morte 88 a.C.

Cneu Domício Enobarbo (m. 88 a.C.; em latim: Gnaeus Domitius Aenobarbus) foi um político da gente Domícia da República Romana eleito cônsul em 96 a.C. com Caio Cássio Longino. Foi pontífice máximo a partir de 103 a.C. até sua morte. Era filho de Cneu Domício Enobarbo, cônsul em 122 a.C., irmão de Lúcio Domício Enobarbo, cônsul em 94 a.C., e pai de Lúcio Domício Enobarbo, cônsul em 54 a.C., e de Lúcio Domício Enobarbo, morto em 81 a.C.[1].

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 104 a.C, foi eleito tribuno da plebe[1][2] e, no ano seguinte, tornou-se pontífice máximo[3][4][5], mantendo, em paralelo, o cargo de tribuno[5][6][7]. Como o Colégio de Pontífices não o elegeram como membro depois da morte de seu pai, aprovou uma a Lex Domitia de sacerdotiis, que obrigava que os pontífices dos colégios superiores deveriam ser eleitos pelo povo nas comitia tributa e não cooptados, como era o costume. Esta lei foi abolida por Sula e reposta por Caio Júlio César através do tribuno Tito Labieno. Ele ainda processou em seu tribunal, vários de seus inimigos particulares, como Marco Emílio Escauro, a quem culpou por não ter sido eleito para o pontificado na primeira vez, e Marco Júnio Silano[5][8][9].

Em 96 a.C., foi eleito cônsul com Caio Cássio Longino e, quatro anos depois, censor romano, desta vez com Lúcio Licínio Crasso, com quem estava frequentemente em conflito. Juntos, os dois suprimindo as recém-criadas escolas latinas de retórica, que consideraram prejudiciais à moralidade pública[10][11].

Seu mandato como censor foi muito ativo e, ao mesmo tempo, muito conflitivo: Domício era favorável à manutenção dos antigos costumes romanos, principalmente o rigor e a simplicidade, enquanto Crasso amava a arte grega e seus luxos, chegando a afirmar que Enobarbo "tinha a barba de cobre, um boca de ferro e um coração de chumbo"[12][13][14][15]. Cícero afirma que Domício não foi um grande orador, mas que foi suficiente hábil para manter uma boa fama[16].

Enobarbo aparentemente morreu em 88 a.C., durante o consulado de Lúcio Cornélio Sula, e foi sucedido como pontífice por Quinto Múcio Cévola. Lex Domitia de sacerdotiis, segundo a qual os pontífices mais importantes deveriam ser eleitos pelo povo, mas ela foi revogada por Sula.

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
Cneu Cornélio Lêntulo
com Públio Licínio Crasso



Caio Cássio Longino
96 a.C.

com Cneu Domício Enobarbo





Sucedido por:
Lúcio Licínio Crasso
com Quinto Múcio Cévola




Referências

  1. a b Smith.
  2. Ascônio, In Cornel. p. 81, ed. Orelli
  3. Lívio, Ab Urbe Condita Epit. LVII.
  4. Cícero, Pro rege Deiotaro 11
  5. a b c Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis VI, 5. § 5
  6. Dião Cásso, Fragm. 100
  7. Cícero, Divinatio in Caecilio 20; Verre II.47; Cornelio 2; Pro Scauro 1
  8. Dião Cássio, Fr. 100
  9. Cícero, Div. in Caecil. 20; Verr. ii.47; Cornel. 2; pro Scaur. 1.
  10. Aulo Gélio XV, 11
  11. Cicerone, De Oratora III, 24
  12. Plínio, o Velho, Naturalis Historia XVIII, 1
  13. Suetônio, Nero, 2
  14. Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis IX, 1. § 4
  15. Macróbio, Saturnália II, 11
  16. Cicerone, Brutus 44

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (em alemão) Cneu Domício Enobarbo (cônsul em 96 a.C.). In: Der Neue Pauly (DNP). Volume 3, Metzler, Stuttgart 1997, ISBN 3-476-01473-8, Pg. [I 34] C. Lentulus, Cn.–Carolus-Ludovicus Elvers.