Diferenças entre edições de "Língua ge'ez"

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{{Sem notas|data=maio de 2018}}
{{Info língua
| nome = GueêsGe'ez, gueês
| nomenativo = <font size="+1">{{Unicode|ግዕዝ}}</font> ''{{Semxlit|gəʿəz}}''
| corfamília = Afro-asiática
| iso3 = gez
}}
O '''Gueêsge'ez'''<ref>{{citar web|url=http://www.barsa.planetasaber.com/brasil/asp/Preview3.asp?IdPack=3&IdPildora=9411709|publicado=[[Enciclopédia Barsa]]|título="Amárico"}}</ref><ref>{{citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=AgsYMv2OXzkC&q=%22l%C3%ADngua+ge%27ez%22&dq=%22l%C3%ADngua+ge%27ez%22&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwj288XL547pAhX3GbkGHfGnCvYQ6AEIUjAE|título=Boletim da Academia de Ciências de Lisboa|data=1914|editora=[[Academia de Ciências de Lisboa]]}}</ref><ref>{{citar livro|título=Revista Brasileira de Filologia|url=https://books.google.com.br/books?id=b19fAAAAMAAJ&q=%22ge%27ez%22+%22lingu%C3%ADstica%22&dq=%22ge%27ez%22+%22lingu%C3%ADstica%22&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwjK9qvU547pAhWNIbkGHdPiDp8Q6AEIKDAA|autor=Serafim da Silva Neto|editora=Livraria Acadêmica|data=1957}}</ref> ou '''gueês'''<ref>Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira</ref><ref>{{Citar web|url=https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/etiope|título=Etíope|publicado=Infopédia}}</ref> (ግዕዝ, [[Transliteração|transl.]] ''{{Semxlit|gəʿəz}}'', [[Alfabeto fonético internacional|AFI]] [''ɡɨʕɨz'']), também chamado de '''etíope''', é uma antiga [[língua semítica]] que se desenvolveu na atual região da [[Eritreia]] e norte da [[Etiópia]] no [[Chifre da África]], como a língua dos camponeses. Posteriormente a língua gueês veio a se tornar a língua oficial do Reino de [[Axum]] e da [[Negus|corte imperial da Etiópia]].
 
Hoje o gueêsge'ez permanece como [[língua litúrgica]] da [[Igreja Ortodoxa Tewahido da Etiópia]], da [[Igreja Ortodoxa Tewahido da Eritreia]], da [[Igreja Católica Etíope]], da [[Igreja Católica Eritreia]] e também da [[Beta Israel]] (judeus etíopes). No entanto, na Etiópia o [[amárico]] (a principal língua franca nesse país) ou outras línguas locais, na Eritreia e [[Tigré (região)|região de Tigré]] na Etiópia o [[língua tigrínia|tigrínia]] pode ser usado em [[sermão|sermões]].
 
== Fonologia ==
 
=== Consoantes ===
As consoantes gueêsesdo ge'ez possuem uma tríplice entre, muda, sonora, e ejetiva (ou enfática) obstruentes. A ênfase [[proto-semítico|proto semítica]] no gueêsge'ez têm sido generalizada para incluir a consoante enfática {{Unicode|p̣}}. O gueês possui consoantes labiovelares derivadas dos bifonemas do proto-semítico. As consoantes gueêsesdo ge'ez {{Unicode|ś}} {{unicode|ሠ}} ''sawt'' (em amárico, também chamada ''{{Unicode|śe-nigūś}}'', i.e. a letra ''se'' usada para escrever a palavra ''{{Unicode|nigūś}}'' "rei") foi reconstruída como derivada da letra proto-semítica muda lateral fricativa {{IPA|[ɬ]}}, mantida como um fonema distinto em outras línguas semíticas. Tal como o árabe, o gueêsge'ez fundiu as letras semíticas ''š'' e ''s'' na {{unicode|ሰ}} (também chamada ''{{Unicode|se-isat}}'': a letra ''se'' usada para se escrever a palavra ''isāt'' "fogo"). De forma geral, a fonologia gueêsge'ez é comparativamente conservadora, os únicos outros contrastes fonológicos perdidos podem ser as consoantes interdentais fricativas e a consoante gaim (ﻍ).
 
No quadro abaixo, são mostrados os valores do [[Alfabeto fonético internacional|IPA]]. Quando a transcrição é diferente do IPA, o caractere é mostrado em parênteses.
 
== Sistema de escrita ==
[[Ficheiro:Ethiopic genesis (ch. 29, v. 11-16), 15th century (The S.S. Teacher's Edition-The Holy Bible - Plate XII, 1).jpg|right|thumb|{{citar bíblia|Gênesis|29|11|16}} em gueêsge'ez]]
 
{{AP|Alfabeto gueês}}
 
A língua gueêsge'ez é escrita com o [[alfabeto gueêsge'ez|alfabeto etíope]], um [[abugida]], esse sistema de escrita foi originariamente desenvolvido para escrever a línguao gueêsge'ez. Em outras línguas que também usam esse alfabeto, como amárico e tigrina, essa escrita é chamada ''{{Semxlit|Fidäl}}'', que significa justamente escrita ou alfabeto.
 
Diferente das outras escritas semíticas, o gueêsge'ez é escrito da esquerda para a direita.
 
A escrita gueêsge'ez tem sido adaptada para escrever outras línguas, geralmente semíticas. A mais difundida a usar essa escrita é o [[amárico]] na [[Etiópia]] e o [[Língua tigrínia|tigrínia]] na [[Eritreia]] e Etiópia. A escrita gueêsge'ez também tem sido usada para se escrever as sebatbeit, me'en, agew e muitas outras línguas na Etiópia. Na Eritreia é usado para escrever a [[língua tigre]], e a [[língua blin]], uma [[línguas cuchíticas|língua cuchítica]]. Algumas outras línguas do Chifre da África como o [[língua oromo|oromo]], usaram o gueêsge'ez mas mudaram para ortografias baseadas no [[alfabeto latino]].
 
Essa escrita possui 26 consoantes básicas usadas para se escrever ao língua gueêsge'ez:
 
<div style="float:left">
|{{Semxlit|ʾ}}
|-style="font-size:2em"
!style="font-size:0.5em"|GueêsGe'ez
|ሀ||ለ||ሐ||መ
|ሠ||ረ||ሰ||ቀ
|{{Semxlit|f}}||{{Semxlit|p}}
|-style="font-size:2em"
!style="font-size:0.5em"|GueêsGe'ez
|ከ||ወ||ዐ
|ዘ||የ||ደ||ገ
<div style="clear:both"></div>
 
AO língua gueêsge'ez também usa 4 caracteres para as consoantes lábio-velares, que são variantes de consoantes velares não labializadas.
{| class="wikitable" style="text-align:center"
|-
 
== História e literatura ==
A literatura gueêsge'ez é dominada pela [[Bíblia]], incluindo o [[Livros deuterocanônicos|Deuterocânon]]. Muitos dos importantes trabalhos são trabalhos da [[Igreja Ortodoxa Tewahido da Etiópia]], que incluem a liturgia cristã (orações, hinos), história e vida dos santos, e literatura [[padre|patriarcal]]. Essa orientação religiosa da literatura gueêsge'ez foi resultado do fato de a educação tradicional ser responsabilidade dos padres e monges. "A igreja assim constituiu a custódia da cultura da nação", nota Richard Pankhurst, que assim descreve a educação tradicional:
 
: A educação tradicional é largamente baseada na bíblia. Isso começou com o aprendizado do alfabeto, ou melhor, silabário... Um estudante do segundo grau teria de memorizar o primeiro capítulo da [[Primeira Epístola de João]] em gueêsge'ez. O estudo da escrita também poderia começar nesse estágio, com a adição da aritmética. No terceiro estágio os [[Atos dos apóstolos]] eram estudados, enquanto certos fiéis também haviam aprendido, a escrita e aritmética continuavam... O quarto estágio começava com o estudo dos [[salmos|Salmos de Davi]] e era considerado um importante marco na educação infantil, sendo celebrado pelos parentes com um banquete no qual eram convidados o professor, parentes, vizinhos e amigos. Um garoto que alcança esse estágio poderia além do mais ser capaz de escrever e ocasionalmente atuar como escritor de cartas. <ref name=PAN>[PAN], pp. 666f.; cf. the EOTC's own account at [http://www.eotc-patriarch.org/teachings.htm#read its official website] {{Wayback|url=http://www.eotc-patriarch.org/teachings.htm#read |date=20100625174828 }}</ref>
 
Trabalhos em história e cronografia, leis civis e eclesiásticas, filologia, medicina, e correspondências eram escritas em gueêsge'ez.
 
A coleção etíope da [[Biblioteca britânica]] compreende a mais de 800 manuscritos datando do {{séc|XV}} ao XX, notavelmente incluindo rolos mágicos e divinatórios, e manuscritos iluminados dos séculos 16 e 17. A coleção foi iniciada com a doação de 74 [[códice]]s pela Sociedade Eclesiástica Missionária Inglesa nos anos de 1830 a 1840, e substancialmente expandida para 349 códices, levados para os britânicos da capital de Tewodros II em Magdala na expedição de 1868 na [[Abissínia]].
 
=== Origens ===
AO língua gueêsge'ez é classificadaclassificado como uma [[língua semítica]] meridional. Essa língua evoluiu do antigo ancestral proto-[[línguas semíticas etiópicas|etio-semítico]] usado para escrever inscrições [[monarquia|reais]] do reino de {{Unicode|[[D'mt]]}} em epigráfico árabe meridional. Como membro da família arábica meridional, o gueêsge'ez está intimamente relacionada à língua sabeana, e o alfabeto gueêsge'ez posteriormente substituiu o epigráfico árabe meridional no Reino de [[Axum]] (o epigráfico árabe meridional foi usado em poucas inscrições até o {{séc|XVIII}}) mas não foi usada em nenhuma outra língua árabe meridional desde o reinado de {{Unicode|Dʿmt}}). Antigas inscrições em gueêsge'ez e no alfabeto gueêsge'ez tem sido datadas <ref name=MAT>[MAT]</ref> do {{-séc|V}}, e uma variedade de escritas proto-gueêsge'ez escritas em ESA desde o {{séc|XVIII}}. A literatura gueêsge'ez propriamente dita começou com a cristianização da Etiópia (e da civilização de Axum) no {{séc|IV}}, durante o reinado de [[Ezana]].
 
=== Séculos V ao VII ===
 
=== Séculos XIII XIV ===
Após o declínio dos axumitas, um período de decadência se iniciou; nenhum trabalho sobreviveu que pudesse ser datado do período do {{séc|VIII}} até o {{séc|XII}}. Apenas com a ascensão da [[Salomão|dinastia salomônica]] por volta de [[1270]] podemos encontrar evidências de autores escrevendo seus trabalhos. Alguns escritores consideram esse período do {{séc|XIV}} como a "Eraera douradade ouro" da literatura gueêsge'ez – apesar de a essa altura o gueêsge'ez não ser mais uma língua viva. Enquanto há uma ampla evidência de uma substituição pela [[língua amárica]] no sul e pelas línguas [[língua tigrínia|tigrínia]] e [[língua tigre|tigre]] no norte, o gueêsge'ez permaneceu como a língua oficial na escrita até o {{séc|XIX}}, um status comparável ao do [[Latim|latim medieval]] na Europa.
 
Importantes [[hagiografia]]s desse período incluem:
* As vidas de [[Santo Antônio]], [[São Jorge]], São [[Tacla Haimanote]], Santo Gabra Manfas Qeddus.
 
Também nessa época foram traduzidas para o gueêsge'ez as ''constituições apostólicas'' que deram um novo conjunto de leis para a Igreja Etíope. Uma outra tradução desse período é ''Zena 'Ayhud'', uma tradução (provavelmente do árabe) da ''História dos judeus'' (''Sefer Yosephon'') José bem Guriom escrita no {{séc|X}}, que relata o período do cativeiro até a captura de [[Jerusalém]] por Tito.
 
A parte desses trabalhos teológicos, as mais antigas crônicas reais da Etiópia são datadas do reinado de {{lknb|Ámeda-Sion|I}} {{nwrap|r.|1314|44}}. Com o aparecimento dos "Cânticos Vitorianos" de Ámeda-Sion, esse período também marca o início da literatura [[amárico|amárica]].
No início do {{séc|XVI}}, as invasões islâmicas puseram um fim na evolução da literatura etíope.
 
Uma carta de Aba Embacom (ou "Habacuque") ao imame Amade ibne Ibraim, intitulada ''Anqasa Amin'' ("Porta da Fé"), dando suas razões para o abandono do Islãislã, no entanto é provável que tenha sido escrita primeiro em árabe e mais tarde reescrita e expandida em uma versão gueêsge'ez por volta de [[Década de 1530|1532]], é considerada um dos clássicos da literatura gueêsge'ez.<ref name=PUN03>[PAN03]</ref> Durante esse período, escritores etíopes começaram a fazer uma distinção entre a Igreja Etíope e a Igreja Católica Romana em trabalhos como ''As confissões'' do imperador Cláudio, ''Sawana Nafs'' ("Refúgio da Alma"), ''Fekkare Malakot'' ("Exposição da Cabeça de Deus") e ''Haymanote Abaw'' ("A Fé dos Pais"). Por volta do ano 1600, um grande número de obras foram traduzidas do árabe para o gueêsge'ez pela primeira vez, incluindo a ''crônica'' de [[João de Niquiu]] e a ''História Universal'' de Jirjis ibne Alamide Abil Uacir (também conhecido como [[al-Makin]]).
 
== Exemplo ==

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