Filippo Artico

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Filippo Artico
Bispo da Igreja Católica
Hierarquia
Papa Francisco
Ordenação e nomeação
Ordenação episcopal 27 de dezembro de 1840
Lema episcopal Respice stellam voca Mariam
Brasão episcopal
Artico-stemma.jpg
Dados pessoais
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo
Brasão Artico de Ceneda.

Filippo Artico (Ceneda, 16 de fevereiro de 1798 — Roma, 21 de dezembro de 1859) foi um nobre, intelectual e prelado católico italiano, bispo e príncipe de Asti.

Nasceu em uma antiga e nobre família italiana[1][2] atestada em Ceneda desde o século XIV,[3] onde produziram uma série de notários[4] e personalidades como como Alessandro, arquiteto militar,[5] Michele, fundador de uma grande serraria que hoje é o Grupo Pianca,[6] Valentino, franciscano admirado pelo seu zelo e virtudes, e Angelo, também franciscano, custódio do Capítulo de Feltre, místico a quem se atribuem milagres, declarado venerável.[7]

Órfão de pai muito cedo, foi protegido pelo bispo de Ceneda Giambenedetto Falier, que providenciou sua educação. Estudou os Clássicos e Humanidades e ingressou nas fileiras da Igreja Católica, ordenando-se padre. Personalidade brilhante, logo se destacou e acumulou títulos e funções de prestígio e influência. Tornou-se cônego da Catedral de Ceneda, doutor em Teologia, inspetor pró-teologal do Capítulo da Catedral, professor de Grego, Retórica, Filologia Latina e Humanidades do Seminário Episcopal, prelado doméstico e conselheiro de Gregório XVI, e cavaleiro de São Maurício e São Lázaro. Foi homenageado pela cidade de Bassano del Grappa com um retrato.[8][9][10] Ordenou a construção do Tempietto di San Rocco, um elegante edifício neoclássico, e anexou-lhe um orfanato.[11][12]

Foi louvado como ilustrado classicista e poeta de valor. Fundou uma Academia Literária no Seminário de Ceneda, editou e mandou publicar às suas custas um comentário sobre a Eneida de Virgilio do humanista Pietro Leoni, do qual também foi biógrafo.[13][14] Publicou uma versão em italiano da fábula de Orfeu e Eurídice retirada da Geórgicas de Virgílio;[15] editou um volume de comentários de famosos latinistas; um volume de salmos e hinos latinos para as festas do calendário religioso acompanhados de uma tradução para o italiano em versos de mesma rima e métrica, precedidos de comentários sobre aspectos históricos, teológicos, litúrgicos, linguísticos, literários e musicais,[16] além de publicar sermões, discursos e cartas pastorais. Defendeu o vernáculo recomendando seu temperamento com elementos antigos e modernos, e enfatizava a utilidade do conhecimento do latim para um bom uso da língua italiana.[15]

Segundo Claudio Bermond, era "homem de grande cultura e dotado de grandes capacidades de oratória". Pregou em Viena e nas principais cidades italianas.[17] Sua "retórica triunfante” atraiu a flor da sociedade milanesa, comovendo-a às lágrimas, sendo depois homenageado com uma coletânea de poemas a ele dedicados. Seus sermões em Roma diante de cardeais, nobres e intelectuais lhe valeram a admissão na prestigiada Accademia dell'Arcadia, que reunia a elite literária italiana.[18]

Quando pregava em Turim chamou a atenção de Carlos Alberto de Savoia, rei da Sardenha, que sustentou sua indicação para a Diocese de Asti.[17] Ao ser sagrado bispo, em 27 de dezembro de 1840, também foi investido do título secular de Príncipe da Igreja de Asti, que desde o século XVIII era concedido aos bispos locais pelos reis da Sardenha como compensação pelo confisco dos antigos feudos episcopais. Quando assumiu sua cátedra recebeu louvores arrebatados em dezenas de poemas que assinalam suas distintas qualidades pessoais e a antiguidade e nobreza de sua família.[10][2][1]

Bermond acrescenta que era “intransigente do ponto de vista teológico e conservador moderado no âmbito político, tornou-se amigo de Cesare Balbo e Silvio Pellico. Aberto aos problemas sociais, promoveu em 1843 a fundação da Caixa de Poupança de Asti [para proteção das economias dos pobres] e de escolas populares noturnas em todas as paróquias da Diocese". Também incentivou um bom preparo dos sacerdotes, criando um seminário episcopal instalado no Castelo de Camerano, que comprara da família Balbo.[17]

Porém, suas posições políticas e o protesto que manteve contra a expropriação de bens eclesiásticos instituída pelas leis Siccardi despertaram a oposição de liberais radicais, que passaram a organizar uma campanha de difamação contra ele. Foi acusado de vários crimes morais e sacrilégio e caiu em desgraça. Foi julgado pelo Senado e absolvido, mas a pressão continuou e em fevereiro de 1858 Filippo renunciou. Refugiou-se em Roma, onde passou os últimos anos de vida em um convento.[17][19][20]

Referências

  1. a b Nel solenne ingresso di S.E.R. Monsignore Filippo Artico da Ceneda vescovo d'Asti ... in espressione della pubblica rispettosa esultanza la civica amministrazione. Garbiglia, 1841
  2. a b Carme al Novello Pontefice, Oratore Eloquente, Instancabile Ministro Evangelico, Sua Eccellenza Monsignore D. Filippo Artico da Ceneda... ecc. Mussano, 1841
  3. Scarabel, Giovanna. Documenti, scritture e notai di Ceneda, Serravalle e Conegliano nella busta 158 dell'Archivio Diocesano di Vittorio Veneto. Università Ca’ Foscari di Venezia, 2016
  4. Ministero per i Beni e le Attività Culturali di Stato di Treviso. Inventario della Sezione Notarile: rubrica alfabetica, 20/11/2004
  5. Cagnani, Domenico (ed). La civica aula Cenedese con li suoi dipinti gli storici monumenti e la serie illustrata de'vescovi. Cagnani, 1845
  6. Archiproducts. Pianca.
  7. Venezia, Pietro-Antonio di. Historia serafica, overo cronica della provincia di S. Antonio, detta anco di Venezia, de Min. Oss. Riformati. Valuasense, 1688
  8. Almanacco della Regia Città e Provincia di Treviso, Volume 5. Andreola, 1827
  9. Almanacco della Regia Città e Provincia di Treviso, Volume 12. Andreola, 1836
  10. a b A sua eccellenza reverendissima monsignor Filippo Artico, vescovo d'Asti nel suo solenne ingresso, i chierici esterni in tributo di filiale reverenza ed esultanza questi carmi offeriscono. Fontana, 1841
  11. Battaglini, Alessandro. Da Serravalle a Ceneda tra i sentirei del Monte Altare: valorizzazione delle terme di Vitorio Veneto. Università IUAV di Venezia, 2010-2011
  12. Romano, Gaetano Moroni. Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica da S. Pietro sino ai nostri giorni, vol. XI. Tipografia Emiliana, 1841
  13. Leoni, Pietro [(Fillipo Artico (ed.)]. Cynthii Cenetensis in Virgilium Arneidem Commentarium e Codice Ambrosianae Bibliothecae adiectis variorum notis. Ronchetti e Ferreri, 1845
  14. “Cynthius Cenetensis”. In: Giornale arcadico di scienze, lettere ed arti, 1845; 104 (CIV):238-240
  15. a b "Versione della Favola d’Orfeo e d’Euridice cavata dal Lib. IV delle Georgiche di Virgilio. Treviso, Francesco Andreola tip. ed. 1826". In: Giornale sulle Scienze e Lettere delle Provincie Venete, 1826, X: 40-41
  16. Artico, Filippo. Salmi ed inni pei vesperi delle domeniche e feste di tutto l'anno colla traduzione letterale in versi rimati e collo stesso metro del testo latino posto a lato. Aureli, 1859
  17. a b c d Bermond, Claudio. “Le casse di risparmio subalpine dalle origini alla riforma Amato, 1827-1990”. In: Zuccaro, Cristina (ed.). L'Archivio storico della Cassa di Risparmio di Asti e fondi aggregati (1730-1988). Fondazione Giovanni Goria, 2015
  18. Martinelli, Arcangelo. Sonetti del ch. sig. professore d. Arcangelo Martinelli dedicati dal rev. sig. proposto d. Cesare Cesana a monsignore Filippo Artico. Visaj, 1836
  19. Pirri, Pietro. La questione romana: 1856-1864. Parte prima, Volume 1. Gregorian Biblical BookShop, 1951
  20. Carpenè, Camillo. “Varietà, Rassegne e Discussioni: uma lettera inedita di Silvio Pellico”. In: Rassegna Storica del Risorgimento, 1942