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Grande Prêmio da Itália de 1971

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Grande Prêmio da Itália
de Fórmula 1 de 1971

37º GP da Itália em Monza
Detalhes da corrida
Categoria Fórmula 1
Data 5 de setembro de 1971
Nome oficial XLII Gran Premio d'Italia[1][nota 1]
Local Autódromo Nacional de Monza, Monza, Monza e Brianza, Lombardia, Itália
Percurso 5.750 km
Total 55 voltas / 316.250 km
Pole
Piloto
Nova Zelândia Chris Amon Matra
Tempo 1:22.4
Volta mais rápida
Piloto
França Henri Pescarolo March-Ford
Tempo 1:23.8 (na volta 9)
Pódio
Primeiro
Reino Unido Peter Gethin BRM
Segundo
Suécia Ronnie Peterson March-Ford
Terceiro
França François Cevert Tyrrell-Ford

Resultados do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1 realizado em Monza em 5 de setembro de 1971.[2] Nona etapa do campeonato, entrou para a história graças ao britânico Peter Gethin, da BRM, que vivenciou a chegada mais apertada da história e obteve sua única vitória na categoria, com Ronnie Peterson em segundo pela March-Ford e François Cevert em terceiro pela Tyrrell-Ford.[3][4][5] Graças a este resultado, a Tyrrell conquistou seu único mundial de construtores.[6]

World Wide Racing na Itália

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Investigado por homicídio culposo após a morte de Jochen Rindt nos treinos para o Grande Prêmio da Itália de 1970,[7] Colin Chapman fez a Lotus retornar ao país como World Wide Racing de modo a atenuar as implicações legais do caso e quando Emerson Fittipaldi foi à pista, seu carro ostentava as cores preta e dourada e o motor turbina de avião a gás da Pratt & Whitney.[8][9] Note-se que a equipe britânica inscreveu somente um carro para a disputa, assim como a Matra por causa da suspensão de Jean-Pierre Beltoise e a McLaren, pois Denny Hulme viajou para os Estados Unidos a fim de disputar as 500 Milhas da Califórnia no calendário do United States Auto Club, onde estava Mario Andretti. Quanto ao neozelandês, ele cancelou sua participação para disputar as etapas da Can-Am em Road America (Elkhart Lake) e Donnybrooke.

Enquanto a Lotus inscreveu o seu modelo 56B sob um nome fantasia, a Surtees reforça o grid ao entregar um terceiro carro para Mike Hailwood, ausente da Fórmula 1 desde o Grande Prêmio de Mônaco de 1965, sendo que, em 22 de agosto, a equipe venceu a International Gold Cup de 1971 em Oulton Park com John Surtees ao volante. Bem mais discreto foi o retorno de Andrea de Adamich para a March, afinal o italiano não esteve no Grande Prêmio da Áustria.[10][8]

Monza e a força dos motores

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Tomando por base a relação dos melhores colocados no grid de largada em Monza, vê-se o quão fortes os motores V12 empurraram seus usuários, pois Chris Amon fez a pole position tendo Jacky Ickx ao seu lado, enquanto Jo Siffert e Howden Ganley capturaram a segunda fila para a BRM, enquanto o melhor dentre os motores V8 foi a Tyrrell de François Cevert, quinto colocado entre os habilitados a correr no domingo. A seguir vieram a March de Ronnie Peterson, a Tyrrell de Jackie Stewart e a Ferrari de Clay Regazzoni, sendo que o time vermelho precisa descontar pelo menos dois pontos dos carros azuis de Ken Tyrrell para, ao menos, adiar o desfecho do mundial de construtores.[8][nota 2]

Vencedores do Grande Prêmio da Itália em anos anteriores, Graham Hill e John Surtees ficaram longe das primeiras posições, assim como Emerson Fittipaldi terminou em décimo oitavo lugar com a Lotus da World Wide Racing, equipe cuja proprietário formal é Peter Warr. Cinco britânicos enfileiraram-se adiante do brasileiro e atrás deste ficaram os italianos Nanni Galli e Andrea de Adamich, enquanto o estreante Jean-Pierre Jarier obteve o último lugar no treino, com uma March 701 alugada pelo empresário francês Marcel Arnold e dentre os que não participaram dos treinos estava José Carlos Pace, inscrito pela Frank Williams Racing Cars.[2][11]

Peter Gethin faz história

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Como era usual naqueles tempos, o diretor de prova não esperou que todos os carros estivessem parados no grid e quando largaram, a Ferrari de Regazzoni estava em movimento e graças a esse impulso inicial, o suíço valeu-se da potência do motor e de uma boa tração para ultrapassar Siffert, assumir a liderança e pontear a corrida por três voltas, enquanto Peterson e Stewart dividiam roda pela terceira posição, afinal obtida pelo sueco da March, enquanto Ickx e Ganley caíam para o quinto e sexto lugares, respectivamente.[11] Neste momento, convém lembrar as longas retas e poucas curvas de baixa velocidade em Monza, fatores cruciais para o desenrolar da corrida, pois a todo momento um competidor era favorecido pelo vácuo do carro à sua frente, motivo pelo qual Peterson liderou entre as voltas quatro e sete com Stewart a persegui-lo, tomando a liderança no oitavo giro e com Regazzoni fazendo o mesmo na volta seguinte, com o sueco da March reassumindo a ponta na décima passagem, quando cinco pilotos já estavam fora de combate.[12][8]

Tyrrell campeã de construtores

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Os 51 pontos que Jackie Stewart acumulou antes do Grande Prêmio da Itália garantiram-lhe o título mundial de pilotos, assim como puseram a Tyrrell na liderança do mundial de construtores, pois somente o melhor resultado de cada construtor é considerado ao final de uma corrida, tal como ocorre desde 1958, quando a Vanwall sagrou-se campeã.[13] Graças à sua regularidade, Stewart sempre terminou à frente de seu companheiro de equipe, ficou em segundo lugar na África do Sul e venceu na Espanha, Mônaco, França, Grã-Bretanha e Alemanha, enquanto Cevert fez dobradinha nas pistas de Monte Carlo e Silverstone, não pontuando nas demais, contudo o terceiro lugar no Grande Prêmio da Itália elevou a liderança da Tyrrell para 55 pontos, o suficiente para Ken Tyrrell comemorar seu único mundial de construtores.[6][14]

Classificação

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Treinos classificatórios

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Pos. N.º Piloto Construtor Tempo Dif.
1 12 Nova Zelândia Chris Amon Matra 1:22.40
2 3 Bélgica Jacky Ickx Ferrari 1:22.82 + 0.42
3 20 Suíça Jo Siffert BRM 1:23.03 + 0.63
4 19 Nova Zelândia Howden Ganley BRM 1:23.15 + 0.75
5 2 França François Cevert Tyrrell-Ford 1:23.41 + 1.01
6 25 Suécia Ronnie Peterson March-Ford 1:23.46 + 1.06
7 30 Reino Unido Jackie Stewart Tyrrell-Ford 1:23.49 + 1.09
8 4 Suíça Clay Regazzoni Ferrari 1:23.69 + 1.29
9 11 Austrália Tim Schenken Brabham-Ford 1:23.73 + 1.33
10 16 França Henri Pescarolo March-Ford 1:23.77 + 1.37
11 18 Reino Unido Peter Gethin BRM 1:23.88 + 1.48
12 21 Áustria Helmut Marko BRM 1:23.96 + 1.56
13 14 Reino Unido Jackie Oliver McLaren-Ford 1:24.09 + 1.69
14 10 Reino Unido Graham Hill Brabham-Ford 1:24.27 + 1.87
15 7 Reino Unido John Surtees Surtees-Ford 1:24.45 + 2.05
16 24 Reino Unido Mike Beuttler March-Ford 1:25.01 + 2.61
17 9 Reino Unido Mike Hailwood Surtees-Ford 1:25.17 + 2.77
18 5 Brasil Emerson Fittipaldi Lotus-Pratt & Whitney 1:25.18 + 2.78
19 22 Itália Nanni Galli March-Ford 1:25.19 + 2.79
20 23 Itália Andrea de Adamich March-Alfa Romeo 1:25.73 + 3.33
21 28 Suécia Jo Bonnier McLaren-Ford 1:26.14 + 3.74
22 27 Suíça Silvio Moser Bellasi-Ford 1:26.54 + 4.14
23 8 Alemanha Rolf Stommelen Surtees-Ford 1:27.92 + 5.52
24 26 França Jean-Pierre Jarier March-Ford 1:28.19 + 5.89
Fontes:[15]
A chegada mais apertada da história da Fórmula 1.
Pos. Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos
1 18 Reino Unido Peter Gethin BRM 55 1:18:12.60 11 9
2 25 Suécia Ronnie Peterson March-Ford 55 + 0.010 6 6
3 2 França François Cevert Tyrrell-Ford 55 + 0.090 5 4
4 9 Reino Unido Mike Hailwood Surtees-Ford 55 + 0.180 17 3
5 19 Nova Zelândia Howden Ganley BRM 55 + 0.610 4 2
6 12 Nova Zelândia Chris Amon Matra 55 + 32.360 1 1
7 14 Reino Unido Jackie Oliver McLaren-Ford 55 + 1:24.830 13
8 5 Brasil Emerson Fittipaldi Lotus-Pratt & Whitney 54 + 1 volta 18
9 20 Suíça Jo Siffert BRM 53 + 2 voltas 3
10 28 Suécia Jo Bonnier McLaren-Ford 51 + 4 voltas 21
Ret 10 Reino Unido Graham Hill Brabham-Ford 47 Câmbio 14
NC 26 França Jean-Pierre Jarier March-Ford 47 + 8 voltas 24
Ret 24 Reino Unido Mike Beuttler March-Ford 41 Motor 16
Ret 16 França Henri Pescarolo March-Ford 40 Suspensão 10
Ret 23 Itália Andrea de Adamich March-Alfa Romeo 33 Motor 20
Ret 4 Suíça Clay Regazzoni Ferrari 17 Motor 8
Ret 3 Bélgica Jacky Ickx Ferrari 15 Motor 2
Ret 30 Reino Unido Jackie Stewart Tyrrell-Ford 15 Motor 7
Ret 22 Itália Nanni Galli March-Ford 11 Pane elétrica 19
Ret 11 Austrália Tim Schenken Brabham-Ford 5 Suspensão 9
Ret 27 Suíça Silvio Moser Bellasi-Ford 5 Suspensão 22
Ret 21 Áustria Helmut Marko BRM 3 Motor 12
Ret 7 Reino Unido John Surtees Surtees-Ford 3 Motor 15
DNS 8 Alemanha Rolf Stommelen Surtees-Ford 0 Acidente 23
Fontes:[2][nota 3]

Tabela do campeonato após a corrida

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  • Nota: Somente as primeiras cinco posições estão listadas, com os campeões do ano destacados em negrito. Em 1971 os pilotos somariam cinco resultados nas seis primeiras corridas do ano e quatro nas últimas cinco. Além disso, considera-se apenas o melhor resultado dentre os carros de um mesmo construtor, embora outras equipes inscritas usassem o mesmo chassi numa corrida.

Notas

  1. Em 1950, seria realizado o vigésimo "Grande Prêmio da Itália", mas o mesmo foi erroneamente creditado como o vigésimo primeiro e por esta razão a numeração oficial do evento contém uma prova a mais que as efetivamente realizadas.
  2. Jackie Stewart marcou as primeiras poles da Matra na Fórmula 1 em 1969, no Grande Prêmio de Mônaco e no Grande Prêmio da França. Na época o construtor francês fornecia chassis à Tyrrell Racing Organisation, em nome de quem os carros eram inscritos para correr, mas nas estatísticas aparece o nome da Matra, que no Grande Prêmio da Itália de 1971 obteve sua primeira pole como equipe e terceira como construtor.
  3. Voltas na liderança: Clay Regazzoni 4 voltas (1-3; 9), Ronnie Peterson 23 voltas (4-7; 10-14; 17-22; 24; 26; 33; 47-50; 54), Jackie Stewart 1 volta (8), François Cevert 7 voltas (15-16; 23; 31-32; 34; 36), Mike Hailwood 5 voltas (25; 27; 35; 42; 51), Jo Siffert 3 voltas (28-30), Chris Amon 9 voltas (37-41; 43-46), Peter Gethin 3 voltas (52-53; 55).

Referências

  1. «1971 Italian GP – championships (em inglês) no Chicane F1». Consultado em 18 de setembro de 2021 
  2. a b c «1971 Italian Grand Prix - race result». Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  3. Fred Sabino (5 de setembro de 2018). «Peter Gethin conseguiu única vitória na F1 em chegada mais apertada da história». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  4. Fred Sabino (21 de fevereiro de 2019). «Peter Gethin venceu corrida mais apertada da história e foi primeiro chefe de Ayrton Senna na F1». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 21 de fevereiro de 2019 
  5. Redação (6 de dezembro de 2011). «Vencedor de GP mais equilibrado da F-1 morre aos 71 anos na Inglaterra». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  6. a b Fred Sabino (3 de maio de 2018). «Ken Tyrrell dominou a F1 e manteve equipe independente por três décadas». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  7. Fred Sabino (5 de setembro de 2020). «Há 50 anos, Jochen Rindt morreu num acidente em Monza; depois, seria campeão póstumo da F1». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 25 de fevereiro de 2025 
  8. a b c d «Italian GP, 1971 (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 25 de fevereiro de 2026 
  9. Douglas Mendonça; Lucca Mendonça (28 de janeiro de 2024). «F1 de 1971 teve carro movido a turbina de avião e bicampeonato de Stewart». autoesporte.globo.com. Auto Esporte. Consultado em 25 de fevereiro de 2026 
  10. Fred Sabino (2 de abril de 2018). «Mike "The Bike" Hailwood fez carreira na Fórmula 1 após títulos nas motos». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 25 de fevereiro de 2025 
  11. a b «Grande Prêmio da Itália de 1971 – Resumo (em francês) no Stats F1». Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  12. «Italy 1971 – Lap by lap (em inglês) no Stats F1». Consultado em 6 de março de 2026 
  13. Fred Sabino (7 de setembro de 2018). «Há 60 anos, Vanwall se tornava primeira campeã de construtores da história». ge.globo.com. Globo Esporte. Consultado em 25 de fevereiro de 2026 
  14. «Tyrrell Racing Organisation (em inglês) no grandprix.com». Consultado em 25 de fevereiro de 2026 
  15. «1971 Italian Grand Prix - starting grid». Consultado em 27 de janeiro de 2026 

Precedido por
Grande Prêmio da Áustria de 1971
FIA Campeonato Mundial de Fórmula 1
Ano de 1971
Sucedido por
Grande Prêmio do Canadá de 1971
Precedido por
Grande Prêmio da Itália de 1970
Grande Prêmio da Itália
41ª edição
Sucedido por
Grande Prêmio da Itália de 1972