Husni al-Za'im

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Husni al-Za'im (1897–1949) (em árabe: حسني الزعيم) foi um militar e político sírio. Husni al-Za'im, cuja família é de ascendência curda, fora um oficial do exército otomano. Depois que a França instituiu o seu mandato colonial sobre a Síria, após a Primeira Guerra Mundial, se tornou um oficial do exército francês. Após a independência da Síria foi feito Chefe de Gabinete, e conduziu o exército sírio em uma guerra com o exército israelense na guerra árabe-israelense de 1948. A derrota das forças árabes na guerra sacudiu a Síria e minou a confiança na caótica democracia parlamentar do país.

Em 11 de abril de 1949, al-Za'im tomou o poder em um golpe de Estado. O golpe, de acordo com registros desclassificados e declarações de ex-agentes da CIA, foi patrocinado pelos Estados Unidos via CIA. [1] [2] [3] [4] O presidente da Síria, Shukri al-Kuwatli, foi brevemente preso, mas, em seguida, liberado para exílio no Egito. Al-Za'im também encarcerou muitos líderes políticos, como Munir al-Ajlani, a quem acusou de conspirar para derrubar a república. O golpe foi realizado com o apoio discreto da embaixada estadunidense, e, possivelmente, auxiliado pelo Partido Social Nacionalista Sírio, embora o próprio al-Za'im não seja conhecido por ter sido membro. Entre os oficiais que prestaram assistência a tomada de poder de al-Za'im estavam Adib al-Shishakli e Sami al-Hinnawi, ambos os quais se tornariam mais tarde líderes militares do país.

A tomada de poder por Al-Za'im, o primeiro golpe militar na história da Síria, teria efeitos duradouros, uma vez que quebrou o frágil e falho regime democrático do país, e desencadeou uma série de revoltas militares cada vez mais violentas. Outros dois seguiriam em 1949.

Embora seu governo foi relativamente ameno, sem execuções de opositores políticos e com poucas prisões de dissidentes, al-Za'im rapidamente fez inimigos. Suas políticas seculares e propostas para a emancipação das mulheres concedendo-lhes o voto e sugerindo que elas deveriam abandonar a prática islâmica do uso do véu, criou uma celeuma entre os líderes religiosos muçulmanos (o sufrágio feminino só foi alcançado durante a terceira administração civil de Hashim al-Atassi, um forte opositor do regime militar). O aumento dos impostos também prejudicou os empresários ​​e os nacionalistas árabes ainda fumegavam sobre sua assinatura de um cessar-fogo com Israel, bem como seus acordos com empresas petrolíferas dos Estados Unidos para a construção do Gasoduto Trans-Arábico. Ele fez uma proposta de paz para Israel oferecendo instalar 300 mil refugiados palestinos na Síria, em troca de modificações de fronteira ao longo da linha de cessar-fogo e metade do Lago de Tiberíades de Israel. [5] O assentamento dos refugiados foi condicionado à assistência externa suficiente para a economia síria. A abertura foi atendida de forma muito lenta por Tel-Aviv e foi não tratada com seriedade. [6]

Sem apoio popular, al-Za'im foi derrubado depois de apenas quatro meses e meio por seus colegas, al-Shishakli e al-Hinnawi. Como al-Hinnawi assumiu o poder como líder de uma junta militar, Husni al-Za'im foi rapidamente enviado a prisão de Mezze em Damasco, e executado junto com o primeiro-ministro Muhsin al-Barazi.

Referências

  1. Douglas Little. (1990). "Cold War and Covert Action: The United States and Syria, 1945-1958". Middle East Journal 44 (1).
  2. 1949-1958, Syria: Early Experiments in Cover Action, Douglas Little, Professor, Department of History, Clark University
  3. Gendzier, Irene L.. Notes from the Minefield: United States Intervention in Lebanon and the Middle East, 1945–1958. [S.l.]: Columbia University Press, 1997. p. 98. Página visitada em February 13, 2012.
  4. Gerolymatos, André. Castles Made of Sand: A Century of Anglo-American Espionage and Intervention in the Middle East.. [S.l.]: Thomas Dunne books (MacMillan), 2010. Página visitada em February 13, 2012.
  5. Jeffrey Sosland, Cooperating Rivals: The Riparian Politics of the Jordan River Basin, SUNY Press, 2007 p.32
  6. Elmer Berger, Peace for Palestine: First Lost Opportunity,University Press of Florida, 1993 p.264 n.7


Precedido por
Shukri al-Kuwatli
Presidente da Síria
1949 (3 meses)
Sucedido por
Hashim al-Atassi (regime militar)