Joelho de Porco

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Joelho de Porco
Informação geral
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) Rock and roll, punk rock, rock psicodélico, hard rock, rock cômico, protopunk
Período em atividade 1972 - 1977, 1983 - 1998, 2008 - presente

Joelho de Porco é uma banda brasileira de rock formada em 1972 em São Paulo. Famosa por seu ecletismo musical e poético, foi "amadrinhada" pela cantora Aracy de Almeida e precursora da atitude punk no Brasil, sendo uma das bandas mais importantes do rock brasileiro na década de 1970.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes e formação[editar | editar código-fonte]

Em 1965 é formado em São Paulo o grupo The Skeletons, que posteriormente se tornaria Os Abrasivos. Com um repertório de rock instrumental, contava com Fábio Gasparini e Eduardo Zocchi nas guitarras e Próspero Albanese na bateria, inicialmente sem baixista. Mais tarde, o baixista Gerson Tatini, futuro integrante do Moto Perpétuo, banda que revelou Guilherme Arantes, se integra ao grupo.[2]

Ainda na década de 1960, é formado o grupo Mona, com Próspero Albanese, Fábio Gasparini e Gerson Tatini entre seus vários integrantes. Passaram pelo Mona o guitarrista André Geraissati, os irmãos Albino e Pedro Infantozzi, João Paulo de Almeida e Conrado Ruiz.[3][2]

Em 1966, João Paulo de Almeida convida alguns de seus ex-companheiros de Mona para uma apresentação em um Festival do tradicional colégio Rio Branco, defendendo uma composição de sua autoria. O grupo que se apresentou consistia de João Paulo de Almeida (teclado e vocais), Fabio Gasparini (guitarra), Gerson Tatini (baixo), Prospero Albanese (bateria) e Celso (sanfona muda). O nome "Joelho de Porco" foi sugerido por Fabio Gasparini para esta apresentação, a partir de uma piada do músico, que tinha comido um "Eisbein" (joelho de porco) em um restaurante de culinária alemã e sugeriu, em tom de deboche, que o grupo adotasse o nome, o que acabou sendo aceito pelos outros integrantes.[2]

A banda Joelho de Porco, no entanto, em seu repertório e integrantes mais conhecidos pelo público, surgiu em maio de 1972, quando tocaram no TUCA e era formado por Tico Terpins (violão, voz e guitarra base; ex-integrante de Os Baobás), Próspero Albanese (bateria e vocais), Gerson Tatini (baixista que tocou guitarra por alguns meses em 1972), Rodolfo Ayres Braga (baixo e vocais; ex-integrante de Terreno Baldio e The Jet Blacks), Walter Baillot (guitarra solo; ex-integrante de Provos e Século XX, substituiu Gerson Tatini após convite de Rodolfo Ayres Braga), Conrado Ruiz (guitarra, piano e vocais; ex-Mona) e Flavio Pimenta (bateria e percussão).[2]

Primeiro compacto e São Paulo 1554/Hoje[editar | editar código-fonte]

Com esta formação, em 1973, gravaram o compacto simples "Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock And Roll/Fly America", produzido pelo ex-Mutantes Arnaldo Baptista, que também participa como músico tocando minimoog.[4]

Três anos depois, o Joelho lançou seu primeiro LP, "São Paulo 1554/Hoje"; um dos mais elogiados discos do pop da época, misturando rock pesado e referências tropicalistas em faixas como "Boeing 723897" e "Mardito Fiapo de Manga". Participaram Tico Terpins , Walter Baillot , Flavio Pimenta , Sergio Sá ,nos arranjos, pianos e órgão .Próspero Albanese (vocal) e Dudy Guper na percussão. Sem grandes recursos financeiros, os integrantes alugaram o horário noturno do estúdio Vice-Versa em São Paulo, que pertencia ao maestro Rogério Duprat, uma vez que à noite era mais barato.[5]

Entra Billy Bond e disco homônimo[editar | editar código-fonte]

Em 1976, Albanese abandona a banda após a gravação do LP para se dedicar ao estudo de Direito e em seu lugar, entrou o vocalista (e, em seguida, ator) Ricardo Petraglia, que participou de alguns shows.[5] Logo após, entra o cantor ítalo-argentino Billy Bond, que havia sido líder do grupo de hard rock Billy Bond y La Pesada del Rock and Roll e vinha de uma carreira de produtor de artistas como Sui Generis, Pappo's Blues e do brasileiro Ney Matogrosso.[6] Com Billy, a banda partiria para uma linha mais agressiva, próxima do punk rock que explodia naquela mesma época na Inglaterra. Nesta fase, começa o desmanche da formação original da banda, com a saída dos músicos Conrado Assis Ruiz, Rodolfo Ayres Braga e Walter Baillot.

Em 1978, o Joelho lançou LP homônimo pela Som Livre. Mesmo com alguma divulgação pela Rede Globo,[6] pouco tempo depois o grupo encerrou suas atividades. Tico Terpins partiu para o mercado dos jingles publicitários, montando o estúdio Audio Patrulha.

Retorno nos anos 80[editar | editar código-fonte]

Em 1983, Terpins – juntamente com Próspero Albanese e o cantor e compositor Zé Rodrix (ex-Sá, Rodrix e Guarabyra) – remontaram o Joelho, que voltou com o LP duplo Saqueando a Cidade, cujos sucessos são: "Vigilante Rodoviário", "Vai Fundo" e "Funiculi, Funiculá" (versão roqueira da tradicional canção italiana).[1]

Com a participação do vocalista e fotógrafo David Drew Zingg, que se tornaria conhecido na década de 1990 pela coluna que escrevia em inglês e que era publicada na Folha de S.Paulo, sob tradução de Clara Allain, a banda participou do Festival dos Festivais da TV Globo, em 1985 com a canção "A Última Voz do Brasil", se classificando para as finais e tendo ganhado o prêmio de melhor letra do festival.[1]

Em 1988, o Joelho de Porco lançou o LP 18 Anos Sem Sucesso, com repertório do pop americano pré-rock.[1]

Fim das atividades do grupo[editar | editar código-fonte]

O grupo mantem-se semi-ativo até 1998, quando Tico Terpins morreu em ocorrência de um infarto.[1] Em 2000, David Drew faleceu devido à falência múltipla de órgãos. Em 22 de maio de 2009 cantor e compositor Zé Rodrix morreu em São Paulo, aos 61 anos de idade. [7]

Reunião em 2009[editar | editar código-fonte]

A banda Joelho de Porco reuniu três músicos em sua formação original: Conrado Assis Ruiz (vocalista, guitarrista e pianista); Prospero Albanese (bateria e vocal) e Rodolfo Ayres Braga (baixo e vocal), ambos para um show na Virada Cultural em São Paulo em maio de 2009, para milhares de fãs na Praça da República. Participaram também Franklin Paollilo (bateria) e João Paulo Almeida (piano e vocal).

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Compactos[editar | editar código-fonte]

  • Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock'n'Roll/Fly America (1973)
  • La lampara de Edison/Ruiseñor brasilero/Mexico lindo/Boeing 723897 (1977)
  • Outra Volta/O Rapé (1978)
  • O Rapé/Feijão Com Arroz (1978)
  • Supermen/Otravolta (1979)

Outras gravações[editar | editar código-fonte]

Aparições notáveis na Televisão[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e «Joelho de Porco - Dados artísticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 26 de abril de 2020 
  2. a b c d «História - Próspero Albanese». bandajoelhodeporco.com.br. Consultado em 26 de abril de 2020 
  3. Maior, Leandro Souto; Schott, Ricardo (2014). HERÓIS DA GUITARRA BRASILEIRA: Literatura musical. [S.l.]: Irmãos Vitale. ISBN 9788574074283 
  4. «Joelho De Porco ‎– Se Você Vai de Xaxado, Eu Vou de Rock And Roll». Discogs. Consultado em 26 de abril de 2020 
  5. a b Leonardo Rodrigues (28 de outubro de 2017). «Joelho de Porco, a melhor banda que "ninguém" ouviu, vira documentário». Uol Música. Consultado em 26 de abril de 2020 
  6. a b Filipe Albuquerque (17 de março de 2018). «40 anos da loucura do Joelho de Porco com Os Trapalhões». Terra. Consultado em 12 de abril de 2020 
  7. «Morre o músico Zé Rodrix, aos 61 anos, em São Paulo». Folha Online. 22 de fevereiro de 2019. Consultado em 26 de abril de 2020 

Ver também[editar | editar código-fonte]