Quiva

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Bandeira do Uzbequistão Quiva

Khiva • Carizim • Xiva • Хиваخیوه‎ • Xīveh

 
  Cidade  
Itchan Kala, a cidade muralhada interior de Quiva, vista desde as muralhas
Itchan Kala, a cidade muralhada interior de Quiva, vista desde as muralhas
Localização
Quiva está localizado em: Uzbequistão
Quiva
Localização de Quiva no Uzbequistão
Coordenadas 41° 23' N 60° 22' E
País Uzbequistão
Província Corásmia
Características geográficas
 • Área do município 457.73 km²
 • População do município 116 000
 • Densidade população do município 253,4 hab./km²
 • População da cidade 89 500
Altitude 90 m
Vista parcial do lado ocidental da muralha de Itchan Kala

Quiva ou Carizim[1] (em uzbeque: Xiva / Хива; em persa: خیوه; transl.: Xīveh) também grafado Khiva e Khrarizim e, no passado, Khwarezm) é uma cidade do Uzbequistão, situada num oásis junto à fronteira com o Turquemenistão, que faz parte do viloyat (província) da Corásmia (Xorazm). No passado chamou-se Khwarezm ou Khorezm, como a região histórica de que foi a capital, a Corásmia mencionada pelo geógrafo grego do século V a.C. Heródoto.[2] Entre o século XVI e o início do século XX foi a capital do Canato de Quiva.

Graças aos seus monumentos, a cidade é um dos destinos turísticos mais visitados do país. Itchan Kala, uma cidade muralhada no seu interior, onde estava instalada a corte do canato, foi o primeiro sítio do Uzbequistão a ser classificado como Património Mundial, em 1991. Em 2017, a cidade tinha aproximadamente 89 500 habitantes em 2017. A região (ou município) de Quiva tem, além da cidade, mais nove localidades, ocupa 457,73 km², dos quais 143,2km² são terrenos agrícolas e em 2017 tinha cerca de 116 000 habitantes.

Nomes e etimologia[editar | editar código-fonte]

O topónimo tem numerosas variantes históricas e atuais, desde Chorasmia em latim até Xīveh do persa, passando por Carizim, Chorezm, Harezm, Horezm, Kharazm, Khaurism, Kheeva, Khorasam, Khoresm, Khrarizim, Khorezm, Khwarazm, Khwarazm, Khwarazm, Khwarezm, Khwarezmia, Khwarizm, Xwarezm. À exceção dos nomes mais recentes, semelhantes a Quiva, Xiva, Chiwa ou Chiva, quase todos se confundem com os nomes ou grafias da Corásmia, a região histórica onde se situa a cidade.

A origem do nome Quiva é desconhecida, havendo várias teorias ou histórias contraditórias para o explicar. Há uma lenda que atribui o nome a Sem, um dos filhos de Noé. Sem, de cujo nome deriva a palavra "semita", deu consigo a deambular sozinho no deserto depois do Dilúvio. Tendo adormecido, sonhou com 300 tochas a arder e ao acordar ficou satisfeito com o presságio e fundou a cidade com os limites em forma de navio, de acordo com a disposição das tochas com que tinha sonhado. Seguidamente, Sem escavou o poço Kheyvak, cuja água tinha um sabor que foi uma agradável supresa. Esse poço está atualmente em Itchan Kala, a cidade interior de Quiva.[3][4]

Outra história relata que viajantes que passavam pela cidade, depois de beberem a excelente água, exclamaram "Khey vakh!" ("que prazer!") e desde então a cidade passou a ser conhecida como Kheyvakh, que deu origem a Khiva. Outra teoria é que o nome provém do nome em persa ou árabe da Corásmia (Khwarezm ou algo semelhante), que passou para o turcomano com Khivarezem, que foi abreviado para Khiva.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Quiva situa-se algumas dezenas de quilómetros a sul e sudoeste do rio Amu Dária (antigo Oxo), a sudoeste do deserto de Kyzyl Kum e a norte do deserto de Karakum, cujo limite é na parte sul da cidade. Confina a noroeste com o município de Qoʻshkoʻpir, a norte com o de Urgench, a capital provincial, a nordeste com o de Yanguiarik e a sul com o Turquemenistão. Os canais de Palvan-Yap e Sertchali atravessam a cidade. Urgench fica menos de 30 km a nordeste, Nukus 180 km a noroeste, Bucara 440 km a sudeste, Samarcanda 685 km a sudeste e Tasquente, a capital nacional, 980 km a leste (distâncias por estrada).

O clima é do tipo continental, com verões longos e quentes, invernos curtos e precipitação escassa (média anual de 90 a 100 mm). A temperatura média é 4,5 °C em janeiro e 27,4 °C em junho, mas pode chegar aos 44 °C.

História[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns autores, há dados arqueológicos que apontam para que a cidade tenha sido estabelecida c.século XIII a.C..[5][6][7] Outras fontes referem que os vestíguos arqueológicos mais antigo datam do século VI d.C.. Os primeiros registos históricos são de dois viajantes árabes do século X.[8]

Maomé Raxim II, cã de Quiva entre 1864 e 1910, numa ilustração do livro “Russian Central Asia ...” de 1885 [9]

Na região, muito árida, foi desenvolvido um sistema de irrigação complexo a partir do 2.º Milénio a.C. e ao longo da história foi invadida por diversos conquistadores, nomeadamente persas, gregos (Alexandre, o Grande e os seus sucessores), árabes, mongóis, uzbeques e outros povos turcomanos.[10] A cidade era o último local de paragem das caravanas, nomeadamente da Rota da Seda, antes da travessia do deserto em direção ao mar Cáspio, situado cerca de 200 km a ocidente em linha reta, e da Pérsia.[4]

Nos primeiros séculos da sua história, os habitantes da região eram sobretudo de origem ariana e falavam um idioma do línguas iranianas orientais, o corásmio. A partir do século X, as classes governantes persas da Corásmia, uma região que durante muitos séculos foi cultural e politicamente persa, foram gradualmente substituídos por dinastias turcomanas e a maior parte dos habitantes da região passaram a falar línguas turcomanas.[carece de fontes?] A situação política e militar da região nos séculos X e XI foi conturbada, com conflitos permanentes entre as dinastias de origem persa e as de origem turca, com frequentes trocas e quedas de cidades e capitais.[11]

No início do século XVI, uma dinastia uzbeque tornou-se independente dos xaibânidas, que tinham a sua capital em Bucara e fundou um canato que ficaria conhecido como Canato de Quiva, um dos três estados turcomanos uzbeques sucessores do Canato de Chagatai e do Império Timúrida (outros dois foram os canatos de Bucara, que incluía Samarcanda e o de Kokand, no vale de Fergana). No final do capital do Canato de Quiva, que duraria até à segunda década do século XX. Quiva fez parte do canato desde o seu início e em 1598 a capital foi trasladada de Gurganj ("Velha Urgench", atual Köneürgenç no Turquemenistão) para Quiva.[12]

No século XVII começou a desenvolveu-se como um centro de comércio de escravos. Na primeira metade do século XIX, cerca de um milhão de persas e um número desconhecido de russos foram escravizados e vendidos em Quiva. Uma grande parte deles estiveram envolvidos na construção de edifícios de Itchan Kala.[8]

Durante a conquista russa do Turquestão, o general russo Konstantin von Kaufman atacou a cidade, que caiu a 28 de maio de 1873.[8] Embora a Rússia passasse a controlar de facto o canato, este manteve alguma independência como protetorado, que foi formalizado pelo Tratado de Guendeman, de 1873.[10] Na sequência da tomada do poder na Rússia pelos bolcheviques depois da Revolução de Outubro de 1917, em 1920 o Canato de Quiva foi extinto e no seu lugar foi criada a República Popular Soviética da Corásmia, com capital em Quiva, que duraria até 1924, quando foi incorporada na República Socialista Soviética Uzbeque, parte da União Soviética. Desde então a cidade perdeu a sua anterior importância política.[8]

Eruditos ligados à cidade[editar | editar código-fonte]

Estátua de Alcuarismi em Quiva

Quiva é a cidade natal de Alcuarismi (Muhammad Ibn Mūsā al-Khuwārizmī; 780–c. 850), um matemático, astrónomo, astrólogo, geógrafo e autor persa que trabalhou na Casa da Sabedoria de Bagdade, então a capital abássida. Segundo algumas fontes, o polímata persa Albiruni (973–1048), que se distinguiu em várias áreas do conhecimento, nomeadamente a astronomia, também nasceu em Quiva,[13] embora o seu nome e a maior parte dos historiadores apontem para que tenha nascido em Kath (atual Beruniy), situada pouco mais de 50 km a nordeste de Quiva.

Segundo alguns autores, nos primeiros anos do século XI, o médico e filósofo persa Avicena (ibn Sīnā) abandonou Bucara, onde tinha nascido, e residiu nove anos em Quiva, que desde 994 era a capital dum principado independente cujo soberano era amante das ciências e rodeou-se de numerosos sábios. Foi em Quiva que Avicena começou a escrever os seus primeiros livros, quando tinha 21 anos de idade. Devido à instabilidade política da região e ao facto de não querer servir governantes turcomanos, inimigos dos persas, Avicena abandonou a cidade.[11]

Descrição e atrações turísticas[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter poucos monumentos muito antigos, a cidade interior, chamada Itchan Kala (também grafado Ichan Qalʼа; em uzbeque: Ichan qalʼa) constitui um exemplo coerente e bem preservado da arquitetura islâmica da Ásia Central, com algumas construções notáveis, como a Mesquita Juma, vários mausoléus e madraças, bem como de dois palácios magníficos construídos no início de século XIX pelo cã Alaculi (Alla Kuli Khan, Allah Quli Bahadur ou Olloquli). Itchan Kala está classificada como Património Mundial desde 1991.

Quiva está dividida em duas partes. A cidade exterior, chamada Dichan Kala, era outrora protegida por uma muralha com onze portas. A cidade interior, Itchan Kala, é rodeada por muralhas de tijolo cujas fundações se acredita serem do século X. As muralhas ameadas existentes atualmente foram construídas no século XVII e têm cerca de dez metros de altura. O centro histórico tem 240 hectares de área e mais de 50 monumentos históricos e 250 casas antigas numa área de 240 hectares,[8] a maior parte datada dos séculos XVIII e XIX. A Mesquita Juma foi construída no século X mas foi reconstruída em 1788-1789, embora conserve 112 colunas da antiga edificação.

Panorâmica de Itchan Kala, a cidade interior

Kunya Ark[editar | editar código-fonte]

O seu nome significa "Velha Fortaleza" e foi usada como uma das residências de verão do cã até 1919. A sua construção foi iniciada em 1686-1688, durante o reinado de Arangue Cã. Adquiriu a sua estrutura atual a partir do reinado de Iltazar, filho de Arangue (r. 1804–1806). Na fortaleza destacam-se os seguintes elementos:

Porta da Kunya Ark

A Mesquita de Verão, datada de 1838, carateriza-se por um imponente ivã (ou iwan)[nt 1] com seis colunas, teto muito colorido e paredes revestidas de azulejos azul com motivos geométricos e vegetais feitos realizados sobretudo por Abdulá Djin. Devido ao ivã estar voltado a norte, para tornar o edifício mais fresco, o mirabe está voltado a sul e não em direção a Meca, como é usual. A mesquita é dedicada a Abu-Becre, segundo califa e companheiro de Maomé.

A Zindan (prisão) situa-se no exterior da entrada principal, à sua esquerda. Atualmente tem duas salas, onde as condições de encarceramento são representadas por manequins. A primeira sala tem em exposição instrumentos de tortura e de execução.

A Kourinich Khana (sala do trono) propriamente dita foi construída em 1804-1806 e é um grande salão que dá para um ivã. Era usada pelo cã para as suas audiências públicas. O trono estava num nicho situado à direita quando se entra. O chão é decorado com motivos geométricos coloridos. O que se vê atualmente é um cópia, pois o original está no Museu Hermitage de São Petersburgo. O governo uzbbeque tem vindo a insistir, sem sucesso, na sua devolução. O ivã é sustentado por duas colunas cujas bases são em mármore gravado. O teto é de madeira pintada, com predominância de tons amarelos e vermelhos. As paredes são decoradas com majólica onde predominam os azuis e o branco. As portas que dão acesso à sala são finamente trabalhadas. O ivã está virado a norte para proteger a sala do trono do calor excessivo durante o verão. No inverno, as audiências também decorriam num yurt instalado na plataforma circular que se encontra no meio do pátio interno. O pátio exterior está rodeado de edifícios, alguns deles com lógias.

O baluarte de Ak Cheikh Bobo (do xeique branco) é o edifício mais antigo de Quiva. Foi construído no século XII e deve o seu nome a um personagem venerado, Moukhtar Vali, o "xeique branco", que ali residiu no século XIV. Foi usado como torre de vigilância e arsenal de munições. No cimo tem-se uma vista panorâmica sobre a cidade e os seu arredores.

Toshhovli[editar | editar código-fonte]

Também grafado Tach Khauli e Tach Khavli, o seu nome significa "palácio de pedra". Foi construído pelo cã Alaculi entre 1830 e 1838 e situa-se na parte oriental de Itchan Kala. Foi a residência dos cãs até 1880, quando Maomé Raxim II mudou a residência real de volta para a Kunya Ark. Tem mais de 260 divisões e a decoração é obra sobretudo de Abdulá Djinn.

Pátio do harém do Toshhovli

As diferentes partes do edifício foram construídas conforme a sua função e constituem um conjunto compacto agrupado em redor de três pátios, cada um dels correspondente a uma das três funções principais: o harém (1830–1832), que cobre a metade norte do palácio, o salão de receções ou Ichrat Khauli (1832–1834), situado no quarto sudeste, e a corte de justiça ou Arz Khauli (1837–1838), que cobre aproximadamente o quarto sudoeste. Estas três unidades são caraterizadas pelos princípios do pátio em ivã com uma coluna, usado isoladamente ou de forma agrupada, como é o caso do pátio do harém.

O harém tem cinco ivãs na parte sul do seu pátio: quatro eram destinados a cada uma das esposas legítimas do cã e a quinta, à esquerda e ligeiramente mais alto, mais largo e decorada de forma mais rica, era o do cã. Cada ivã é separado do que lhe é adjacente por uma parede sólida ou por uma construção que compreende uma entrada encimada por uma janela. Todos os ivãs têm uma coluna em madeira finamente esculpida sobre um pedestal de mármore. Entre o pedestal e a coluna foi colocado um um disco de feltro para preservar os efeitos de sismos. a parte norte do harém estava reservada a criadas e concubinas e no piso superior apresenta uma alternância de lógias e partes maciças. A decoração do conjunto é caraterizada principalmente por ladrilhos de faiança com motivos geométricos e florais em tons de azul e branco. As paredes são incrustadas com pequenos elementos cor de jade que lembram um símbolo zoroastrista.

O Ichrat Khauli (salão de receções) está disposto em volta dum pátio quadrado e tem um ivã no lado sul, decorado com majólica. A parte oriental do pátio tem duas plataformas circulares destinadas à instalação de tendas para receber os convidados que ali ficavam hospedados.

O Arz Khauli (corte de justiça) era o local onde o cã resolvia disputas e aplicava justiça. As paredes também são decoradas com revestimentos de faiança. Duas escadas laterais dão acesso à plataforma elevada do ivã, na parte inferior da qual há três portas. No pátio há uma plataforma destinada à instalação de um yurt, que fica no prolongamento da coluna do ivã, em perfeita simetria.

Madraça de Maomé Raxim[editar | editar código-fonte]

Portal do pátio exterior da Madraça de Maomé Raxim

Construída em 1871 pelo cã Maomé Raxim II (ou Muhammad Rahim), que nela compunha poemas que assinava com o pseudónimo Ferouz. Em frente à fachada principal com dois pisos, há um pátio exterior rodeado de construções com cúpulas de um andar. O acesso ao pátio principal é feito por um peshtoq (portal do ivã) imponente.

O pátio principal tem quatro ivãs com quatro pequenas torres nos ângulos. Os ivãs têm um friso alto com inscrições em nastalique. No meio do pátio principal há um jardim quadrado, perto de uma fonte. A madraça tinha 76 hujras (celas de habitação dos estudantes). Cada um dos quatro cantos do pátio permite o acesso a três celas. A estrutura externa das celas segue um padrão clássico: nicho com porta de madeira esculpida, travessa e em cima uma janela em forma de grade geométrica de cor esbranquiçada. Numa das salas da madraça está instalada uma exposição da história dos cãs de Quiva. É frequente realizarem-se regularmente no pátio principal espetáculos de funâmbulos acompanhados por músicos.

Mausoléu de Pakhlavan Mamude[editar | editar código-fonte]

Mausoléu de Pakhlavan Mamude

Na realidade trata-se dum complexo funerário onde há vários túmulos. Pakhlavan Mahmud (1247–1325) foi um poeta e guerreiro célebre que se tornou o padroeiro de Quiva e que quis ser enterrado no seu atelier, que foi por isso transformado num mausoléu. Mais tarde, os seus discípulos também quiseram ser sepultados perto dele, pelo que com o tempo o cemitério foi crescendo. A construção do complexo durou do século XIV ao século XX. Entre 1810 e 1835, Maomé Raxim I e o seu filho Alaculi mudaram rapidamente o conjunto dando-lhe a sua fisionomia atual.

A entrada do complexo abre-se para um pátio rodeado de por celas à esquerda, um khanaqah e mausoléus em frente, uma mesquita de verão e um poço à direita (onde jovens casais que querem ter filhos vão beber água). O edifício central tem um grande salão quadrado rematado por uma cúpula alta revestida a azulejos azuis esmaltados. O túmulo de Pakhlavan Mamude encontra-se na sala à esquerda do salão. A decoração interior do edifício é da autoria de Abdulá Djinn. Em 1913, foi construído um edifício de um andar no pátio, destinado a albergar os túmulos da mãe e dum filho (Timur), de Isfandiar Cã, e inicialmente também o deste último. Porém, só a mãe está lá sepultada, devido ao facto de haver uma antiga regra que só permitia que fosse enterrado no complexo quem morresse em Itchan Kala, o que não aconteceu com Timur e Isfandiar. Há outros túmulos no interior e nas vizinhanças do complexo.

Outros monumentos[editar | editar código-fonte]

Mesquita Juma

A Mesquita Juma (mesquita de sexta-feira), também grafada Djuma e Djouma, é constituída por uma grande sala com telhado plano, iluminada por duas aberturas retangulares ao nível do telhado. O teto é sustentado por treze fileiras de dezassete colunas de madeira, algumas das quais, as mais antigas, provêm de antigos edifícios destruídos. As colunas são de diferentes períodos (algumas dos séculos X, XI, XIV e XV), pelo que podem ser mais antigas do que a própria mesquita, cuja última reconstrução data de 1789.

A Madraça Maomé Amim Cã foi construída entre 1582 e 1855 por Maomé Amim, um dos cãs mais célebres de Quiva. Era a maior madraça da cidade, com capacidade para cerca de 250 estudantes. Atualmente é um hotel. O pátio interior está rodeado de dois pisos de celas. No exterior, o peshtoq (portal) é impressionante e tem uma varanda de madeira. Em cada um dos quatro cantos da madraça há quatro torres de ângulo (guldastas).

O Kalta Minor ("minarete curto") é um dos monumentos mais conhecidos da cidade. É uma grande torre azul na praça central de Itchan Kala situado junto à Madraça Maomé Amim Cã. Começou a ser construído em 1852 por ordem do de Quiva Maomé Amim Cã, com a intenção de ser o mais alto da Ásia Central, mas quando o cã morreu, em 1855, o seu sucessor não chegou a completá-lo. Em vez dos 70 metros de altura projetados, ficou-se pelos 29 m. Uma escada interior permite subir ao seu topo.

Túmulo de Sayid Alauddine

O Mausoléu de Sayid Alauddine (ou Said Aloviddin) foi erigido pouco depois da sua morte em 1303, o que faz dele um dos monumentos mais antigos de Quiva. Tem duas salas, uma funerária e outra de oração (ziatkhona), construída só no século XIX,. O túmulo está decorado com azulejos de cerâmica esmaltada com motivos vegetais em branco e azul. Foi reconstruído em 1825 por Amir Kulal, um ceramista originário de Bucara, que deveria ter sido enterrado ao lado de Sayid Alauddine mas tal não sucedeu porque, porque morreu em Bucara. Isso explica a existência de duas sepulturas e apenas um corpo. Como noutros locais, a arquitetura combina o cubo e a cúpula, duas formas fundamentais herdadas de Bizâncio, que simbolizam as ligações entre a terra e o céu e traçam o caminho que o mestre sufi segue para se aproximar de Alá.

A Madraça de Islam Khodja (em uzbeque: Islomxoʻja madrasasi) e o seu minarete são de 1908 e 1910, respetivamente. Islam Khodja foi o grão-vizir e sogro do cã Isfandiar. Ambos os monumentos são dos últimos exemplos notáveis da arquitetura islâmica na Ásia Central. O minarete, com 45 metros de altura, é o mais alto de Quiva. É ligeiramente cónico, com o diâmetro superior inferior ao da base. No seu exterior, faixas de cerâmica azul alternam com tijolos de cor ocre. A madraça tem 42 celas e atualmente alberga o Museu de Artes Aplicadas. O lado ocidental (da entrada), tem arcos cegos; a sul da entrada encontra-se a enorme cúpula do salão principal.

A Madraça de Kutlug Murad Inak (ou Qutlugʻmurod) deve o seu nome cã que restaurou que a dinastia da tribo em 1804. Situa-se em frente da Madraça Aliculi Cã e foi construída entre 1804 e 1812. A fachada exterior tem dois pisos de celas em cada um dos lados do portal. O interior é pouco decorado. Foi a primeira madraça de Quiva a ter dois pisos de celas. As fachadas dos pátios têm dois pisos e cada uma delas tem um ivã. Depois do pátio interno, há uma cisterna (sardoba) encimada por uma cúpula visível no pátio.

A Madraça de Alaculi Cã (ou Madraça de Olloquli) é de 1834 e abre-se para um peshtoq alto decorado de forma clássica, com cores dominantes azuis e branco. Era o portal mas alto da cidade. No interior as celas repartem-se por dois pisos num pé de trinta metros que tem quatro ivãs. Os quatro cantos internos são chanfrados e permitem o acesso a três celas em cada andar. A construção da madraça fez parte dum vasto plano de reconstrução desta parte da cidade durante o reinado de Alaculi (ou Olloquli Cã).

A Mesquita Ak ("mesquita branca") é caracterizada principalmente pelas suas portas finamente cinzeladas. Embora a sua construção original tenha sido iniciada no século XVII pelos governantes xaibânidas, o edifício atual foi construído entre 1832 e 1842, durante o reinado de Alaculi Cã. Outra construção deste cã é o Caravançarai de Alaculi Cã, de 1832, situado perto da porta oriental; durante a sua construção foram demolidas parte das muralhas existentes no local.

O Palácio Narallabay (ou Nurullaboy ou Isfandiyar) situa-se na cidade exterior (Dichan Kala) e foi construído em 1912. O seu estilo mistura a arquitetura local com influências russas (por exemplo nos fogões decorados com porcelana vindos de São Petersburgo). Inclui um vasto salão de baile, uma sala de receção, outra de repouso e uma de música.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Um ivã ou iwan é um elemento arquitetónico típico da arquitetura de influência persa que é ou funciona como um pórtico, composto por uma sala abobadada fechada em três dos lados e aberta no outro, que geralmente é delimitada por um grande arco de três pontas, conhecido como arco persa. Ver «Iwan (architecture)» na Wikipédia em francês e «Iwan» na Wikipédia em inglês.

Referências

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  3. Nashriyoti, Davr (2012), Khiva: The City and the Legends, ISBN 9789943339262, Tasquente, p. 2 
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  5. Bulatova, V. A.; Notkin, I. I. (1972), Архитектурные памятники Хивы [Monumentos arquitetónicos de Khiva] (em russo), Guia, Tasquente 
  6. Хива [Khiva] (em russo), Arquitetura e fotos, Tasquente, 1973 
  7. Pugachenkova, G.; Shakhrisyabz, Termez (1976), Хива [Khiva] (em russo) 
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  12. Veselovsky, Nikolai (1877), Visão geral histórico-geográfica do canato de Khiva (em russo), São Petersburgo, p. 244 
  13. «Khiva, a legendary city in the heart of Central Asia», Istambul: www.dailysabah.com, Daily Sabah (em inglês), 29 de dezembro de 2018, consultado em 15 de setembro de 2020 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes relevantes principalmente para as descrições dos monumentos
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Outras fontes
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  • Sourdel, Dominique; Sourdel, Janine (1996), Dictionnaire historique de l'Islam, ISBN 978-2-1304-7320-6 (em francês), Presses Universitaires de France 
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Imagem: Itchan Kala Em Quiva situa-se sítio "Itchan Kala", Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg