Língua aueti
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| Awetý Awytyza | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | [awɨ'tɨʒa] | |
| Outros nomes: | Arauine, Arauite, Aueti, Aueto, Auiti, Awetö, Auetê, Awetí | |
| Falado(a) em: | Mato Grosso[1] | |
| Região: | Parque Indígena do Xingu | |
| Total de falantes: | 40-190[1][2] | |
| Família: | tronco tupi awetý Awetý | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Mato Grosso( | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | --- | |
| ISO 639-3: | awe
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A língua awetý (também arauine, arauite, aueti, aueto, auiti, awetö, auetê, awetí) é uma língua indígena do Brasil pertencente à família linguística awetý, do Tronco tupi. É falada pelo povo Awetý, nativo do Brasil, localizado no Parque Indígena do Xingu,[1] na região do ribeirão Tuatuari, próximo ao rio Kurisevo, no estado de Mato Grosso, sendo a única língua dessa família.[3]
Segundo estimativas da SIL International em 2024, a língua awetý conta com cerca de 170 falantes e encontra-se em perigo de extinção, uma vez que já não é mais a norma que as crianças aprendam e utilizem essa língua.[4]
Do ponto de vista morfológico, o awetý é uma língua aglutinante, moderadamente polissintética, com um elevado uso de prefixos e sufixos.
Etimologia
[editar | editar código]O etnônimo awetý, registrado também na forma awytyza, parece ter origem em um termo da própria língua do grupo. Tudo indica que ele esteja relacionado à palavra ayté, cujo significado é “homem”, acrescida do sufixo -za, elemento morfológico empregado para indicar o plural. Dessa forma, o nome poderia ser interpretado como uma referência coletiva ao grupo, algo como “os homens” ou “o conjunto de pessoas”.[1]
Além dessa autodenominação, há ainda outras formas pelas quais os Awetý são identificados por povos vizinhos. Esses nomes alternativos resultam de adaptações fonéticas e fonológicas feitas por falantes de línguas diferentes, refletindo tanto as particularidades de seus sistemas linguísticos quanto as relações de contato entre os grupos. Entre essas denominações, destacam-se formas como auyty e ahyty, que, embora apresentem variações na pronúncia e na grafia, remetem ao mesmo povo.[1]
Distribuição
[editar | editar código]A língua awetý está presente no Parque Indígena do Xingu, no estado do Mato Grosso, Brasil. Sua aldeia se localiza na região do ribeirão Tuatari, próximo ao rio Kurisevo.[3]
Em 2010, Censo demográfico do Brasil de 2010 do IBGE identificou apenas 49 pessoas que falavam a língua awetý, sendo 47 em terras indígenas e 2 fora. Devido ao baixo número de falantes, não foi possível identificar as regiões brasileiras onde elas residiam.[5]
Segundo estimativas da SIL International, a língua awetý possui cerca de 170 falantes e encontra-se em perigo de extinção, tendo em vista que já não é mais a norma que as crianças aprendam e utilizem essa língua.[4]
Línguas relacionadas
[editar | editar código]O awetý integra o tronco linguístico tupi e mantém relações genéticas com outras línguas desse tronco. Embora apresente semelhanças lexicais com línguas da família Tupi-Guarani, não é classificado nesse grupo, sendo geralmente considerado uma família independente dentro do tronco.[1]
Entre as línguas relacionadas encontra-se o sateré-mawé, falado pelo povo Sateré-Mawé na região do médio rio Amazonas, nos estados do Amazonas e do Pará. O sateré-mawé constitui um ramo distinto dentro do Tronco tupi e não integra a família Tupi-Guarani.[1]
Outra língua relacionada é o kamayurá, falado pelo povo Kamayurá no Alto Xingu. Diferentemente do awetý, o kamayurá pertence à família Tupi-Guarani, compartilhando com esta características fonológicas e morfossintáticas típicas desse grupo.[1]
Apesar da origem comum no Tronco tupi, o awetý, o sateré-mawé e o kamayurá apresentam diferenças significativas em fonologia, morfologia e sintaxe, não sendo mutuamente inteligíveis. As relações entre essas línguas são explicadas por herança histórica remota e não por proximidade genética imediata.[1]
História
[editar | editar código]Não há dados precisos sobre o contingente populacional que chegou à região, nem sobre o número exato de grupos que participaram da formação dos Awetý atuais. Pode-se apenas supor que a aldeia awetý apresentava características demográficas semelhantes às demais aldeias alto-xinguanas, que, à época das primeiras expedições exploratórias, reuniam entre 150 e 300 habitantes.[1]
Os Awetý chegaram ao Alto Xingu provavelmente entre os séculos XVII e XVIII, após a instalação de povos aruak e karib na região, mas antes da fixação definitiva de grupos como os Kamayurá e Yawalapíti. Sua língua, o awetý, pertence à família Tupi apresenta afinidades com o kamayurá, refletindo origens históricas comuns.[1]
Pesquisas etno-arqueológicas indicam que o sistema alto-xinguano se formou inicialmente a partir de uma base aruak-karib, à qual se incorporaram posteriormente contingentes tupi em um processo marcado por conflitos e posterior acomodação. A língua awetý resulta especialmente da incorporação de grupos tupi como os Enumaniá, cuja memória permanece na tradição oral, e sua fixação territorial marca a integração plena ao sistema sociocultural alto-xinguano.[1]
História da documentação
[editar | editar código]As primeiras informações sobre a língua awetý restringiam-se a breves listas de palavras coletadas por exploradores alemães. Com base nesse material limitado, acreditou-se inicialmente que o awetý pertencia à família tupi-guarani, a principal família do tronco tupi, assim como o kamayurá, língua falada por seus vizinhos no Alto Xingu. No entanto, no final da década de 1960, tiveram início estudos linguísticos mais sistemáticos sobre o awetý. Embora essas pesquisas tenham sido interrompidas na década seguinte, os dados obtidos foram suficientes para levar à revisão de sua classificação genética.[1]
A partir de 1998, passou a ser desenvolvido um projeto contínuo de documentação da língua awetý e de aspectos de sua cultura. Esse projeto tem como objetivo a construção de um acervo digital, composto por gravações em áudio e vídeo acompanhadas de transcrições, traduções e anotações linguísticas detalhadas. O trabalho vem sendo realizado em colaboração com iniciativas semelhantes conduzidas junto a outros povos do Alto Xingu, como os Kuikuro e os Trumai.[1]
Fonologia
[editar | editar código]Consoantes
[editar | editar código]O inventário consonantal do awetý é relativamente reduzido e apresenta distribuição simples, característica comum às línguas do tronco tupi. Ele é composto majoritariamente por consoantes pulmônicas, sem contraste fonêmico de sonoridade entre oclusivas. Predominam consoantes nos pontos de articulação bilabial, alveolar e velar, incluindo plosiva, nasais, uma fricativa alveolar, uma vibrante simples e aproximantes.[6] Destaca-se ainda a presença da plosiva glotal /ʔ/ .[7]
| Bilabial | Alveolar | Retroflexo | Palatal | Velar | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p | t | c | k | ʔ | |
| Nasal | m | n | ŋ | |||
| Vibrante | r | |||||
| Fricativa | z | ʐ | ||||
| Aproximante | w | |||||
| Aproximante lateral | l |
Vogais
[editar | editar código]O inventário vocálico do awetý é composto por um conjunto reduzido e simétrico de vogais, organizado segundo os parâmetros de altura e anterioridade da língua. O sistema apresenta vogais fechadas, médias e abertas, incluindo uma vogal central, [9] e distingue fonemicamente vogais orais e nasais, [8] sendo a nasalidade um traço contrastivo relevante.
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Transformações fonológicas
[editar | editar código]As transformações fonológicas do awetý manifestam-se principalmente por meio de processos de assimilação, nos quais um segmento sofre influência articulatória de segmentos adjacentes. Esses processos afetam especialmente consoantes nasais e realizam-se de forma previsível, sem alterar o valor fonêmico dos sons. As transformações descritas são, em sua maioria, alofônicas e condicionadas pelo contexto fonológico [11].
Fonotática
[editar | editar código]A fonotática do awetý caracteriza-se por restrições relativamente simples na combinação de segmentos. A estrutura silábica tende a evitar agrupamentos consonantais complexos, favorecendo sílabas simples. A nasalização se propaga em fala rápida, nasalizando vogais átonas ou prenasalizando consoantes. As possibilidades de ocorrência dos fonemas seguem padrões regulares, refletindo um sistema fonológico estável e bem definido [12].
| Padrão silábico | Exemplo na língua | Transcrição fonética | Tradução para o português |
|---|---|---|---|
| CV | /pé/ | [´pɛ] | fumo |
| CVC | /ʔɨ'p/ | [´ʔɨp] | pau |
| V | /i.tɨ.á/ | [itɨ´a] | minha barriga |
| VC | /ók/ | [´ɔk] | casa |
Ortografia
[editar | editar código]O awetý utiliza atualmente um sistema de escrita fonográfico de base alfabética, empregado sobretudo em materiais linguísticos e educacionais. A escrita é feita horizontalmente, da esquerda para a direita, seguindo a convenção do alfabeto latino. [14]
Os grafemas representam, em geral, os fonemas da língua, incluindo consoantes, vogais orais e vogais nasais. A nasalidade vocálica, que é distintiva no awetý, é indicada pelo uso do til (˜). O grafema y representa a vogal central alta /ɨ/, inexistente no português, e também ocorre como semivogal /j/. A oclusiva glotal /ʔ/ é grafada por meio de apóstrofo (’). Não há marcação gráfica sistemática de acento prosódico. [15]
| Grafema | Fonema | Aproximação |
|---|---|---|
| p | /p/ | pato |
| t | /t/ | teto |
| k | /k/ | casa |
| ' | /ʔ/ | uh-oh, em inglês |
| c | /ts/ | tsunami |
| m | /m/ | mala |
| n | /n/ | nada |
| ng | /ŋ/ | sing, em inglês |
| s | /s/ | sapo |
| r | /ɾ/ | caro |
| w | /w/ | water, em inglês |
| j | /j/ | yes, em inglês |
| i | /i/ | vida |
| e | /e/ | mesa |
| a | /a/ | casa |
| o | /o/ | avô |
| u | /u/ | lulaɨ |
| y | /ɨ/ | se, em português europeu |
| ĩ | /ĩ/ | vim |
| ẽ | /ẽ/ | bem |
| ã | /ã/ | mãe |
| õ | /õ/ | som |
| ũ | /ũ/ | um |
| ỹ | /ɨ̃/ | antes |
Gramática
[editar | editar código]Pronomes
[editar | editar código]A língua awetý apresenta um sistema pronominal complexo, caracterizado pela distinção entre pessoa do discurso, inclusividade, focalidade e, em alguns casos, sexo do falante. Os pronomes podem ocorrer como formas livres ou como prefixos pessoais associados a nomes e verbos. [16]
Pronomes pessoais
[editar | editar código]O awetý possui pronomes pessoais livres organizados em séries, que distinguem falante, ouvinte e terceira pessoa, bem como a oposição entre primeira pessoa inclusiva e exclusiva. Há também distinção entre fala masculina e feminina em algumas formas. [17]
| 1ª | 2ª | 3ª | |
|---|---|---|---|
| Singular | atit / itó | ʔen | nã |
| Plural | ozo(za) / azo(za) / kajã | eʔipe | kujtãza (valor coletivo, uso demonstrativo-pronominal) |
As formas atit e itó, ambas traduzidas como “eu”, distinguem-se conforme o sexo do falante, sendo uma usada na fala masculina e outra na fala feminina. [18]
A primeira pessoa do plural distingue formas inclusivas e exclusivas, uma característica comum em várias línguas indígenas da América do Sul. A forma inclusiva refere-se ao falante e ao interlocutor juntos, ou seja, inclui a pessoa com quem se fala. Já a forma exclusiva refere-se ao falante e a outras pessoas, mas exclui o interlocutor. Em awetý, essa distinção é expressa por formas diferentes, como kajã para a primeira pessoa plural inclusiva (“nós, incluindo você”) e ozo(za) / azo(za) para a primeira pessoa plural exclusiva (“nós, mas não você”). Essa oposição permite indicar com maior precisão quem participa da ação expressa na frase. [18]
Pronomes demonstrativos
[editar | editar código]O sistema demonstrativo do awetý é amplo e semanticamente refinado, expressando categorias como proximidade, visibilidade, distância, referência discursiva e sexo do falante. Os demonstrativos constituem uma subclasse fechada de palavras. [19]
| Forma | Aproximação |
|---|---|
| jatã | este, aqui (visível) |
| akoj | esse / aquele (não visível) |
| kype | aqui (visível) |
| ma’ẽ | este, agora (visível) |
| kujã / kujtã | aquele(s), longe |
| kitã | aquele (não visível) |
| in | lá |
| akỹj | aquele, aquilo (não visível) |
O uso de determinados demonstrativos varia conforme o grau de visibilidade do referente e a posição espacial em relação ao falante e ao ouvinte. [20]
Pronomes interrogativos
[editar | editar código]No awetý, as perguntas de conteúdo são formadas por formas interrogativas que aparecem geralmente no início da frase. Essas formas indicam o elemento sobre o qual se pede informação, como pessoa, coisa, lugar ou causa. Entre os principais pronomes interrogativos estão kojiká (“quem”) e kariká (“o que”). Essas bases interrogativas podem combinar-se com morfemas gramaticais, formando expressões que especificam melhor a pergunta, como lugar, direção, modo ou companhia. Assim, o awetý utiliza uma base interrogativa que pode receber outros elementos para formar diferentes tipos de perguntas. [21]
Verbos
[editar | editar código]A língua awetý apresenta um sistema verbal morfologicamente complexo, no qual as categorias de tempo, modo, aspecto e evidencialidade são expressas principalmente por meio de afixos e partículas. Os verbos flexionam-se por pessoa e número e distinguem subclasses como verbos intransitivos, transitivos e descritivos. [22]
Tempo
[editar | editar código]O awetý não apresenta uma categoria gramatical de tempo estritamente marcada, como passado, presente e futuro morfológicos. As referências temporais são expressas de forma indireta, por meio de: advérbios temporais, marcas aspectuais e contexto discursivo. [23] Assim, a interpretação temporal das orações decorre da combinação entre morfologia verbal e elementos circunstanciais.
Modo
[editar | editar código]O modo verbal em awetý é uma categoria central do sistema verbal e está diretamente relacionado à organização sintática da oração. Os diferentes modos correspondem a temas verbais distintos, definidos pela combinação entre prefixos, sufixos e pela posição dos constituintes na frase . Esses modos expressam valores como declaração, comando, subordinação e dependência sintática. [24]
| Modo | Forma | Valor |
|---|---|---|
| Indicativo I | prefixo pessoal + raiz verbal | declaração simples |
| Indicativo II | prefixo relacional + raiz verbal + -i | declaração com constituinte circunstancial pré-verbal |
| Imperativo | raiz verbal (sem prefixo pessoal) | comando ou ordem |
| Gerúndio | raiz verbal + -wo / -tu | ação em progresso ou subordinada |
| Subjuntivo | raiz verbal + -ramo / -rãmo | finalidade, condição ou sucessão |
Aspecto
[editar | editar código]O aspecto verbal em awetý expressa propriedades internas do evento, como estado, conclusão, intensidade e repetição. Diferentemente do tempo, o aspecto apresenta marcação morfológica explícita, realizada por sufixos e por modificações formais da base verbal. Os valores aspectuais contribuem de forma decisiva para a interpretação semântica do predicado. [25]
| Forma | Valor aspectual |
|---|---|
| -eju/-ju | estativo |
| -wame | ação acabada |
| -e | ação realizada |
| -zoko/-oko | ação em andamento |
Evidencialidade
[editar | editar código]A língua awetý não apresenta um sistema gramatical de evidencialidade propriamente dito. Em vez disso, a atitude do falante em relação à informação pode ser expressa por meio de partículas discursivas ou modais presentes na frase. Entre essas partículas estão aʔyn, [26] com valor assertivo, me, [27] que pode indicar confirmação, e ti, [28] utilizada para marcar foco. Dessa forma, valores próximos aos associados à evidencialidade podem ser expressos por meio desses recursos discursivos da língua.
Sentenças
[editar | editar código]A ordem dos constituintes em awetý é relativamente flexível. Em orações declarativas neutras, observa-se preferência pela ordem sujeito–objeto–verbo (SOV), [29] embora variações ocorram em função de fatores discursivos. A anteposição de constituintes circunstanciais está associada ao uso do Indicativo II, evidenciando a interação entre ordem da frase e morfologia verbal. [30]
O alinhamento morfossintático apresenta características agentivo-ergativas. Nos verbos intransitivos, o sujeito é marcado por prefixos pessoais da série subjetiva. Já nos verbos transitivos, o verbo pode receber prefixos da série agentiva-ergativa, que indicam o agente da ação. [31] A escolha dessas marcas depende da transitividade do verbo e da hierarquia de pessoa existente na língua, que determina como agente e paciente são codificados na estrutura verbal.[32]
| Função sintática | Marcação |
|---|---|
| Sujeito de verbo intransitivo (S) | prefixos pessoais subjetivos |
| Agente de verbo transitivo (A) | prefixos agentivos-ergativos |
A língua awetý apresenta um sistema de hierarquia de pessoa, no qual a marcação verbal depende da relação entre as pessoas do discurso. Nessa hierarquia, as primeiras e segundas pessoas (participantes do discurso) têm prioridade sobre a terceira pessoa. Assim, em construções transitivas, a escolha dos prefixos verbais pode variar de acordo com qual participante da ação ocupa a posição mais alta nessa hierarquia, influenciando a marcação do agente. [32]
Vocabulário
[editar | editar código]Numeração
[editar | editar código]O sistema quantificador do awetý é baseado na contagem corporal, tendo as mãos e os pés como principais referências. Quantificadores básicos como momozotsu (‘uma mão’) e mokoj (‘par, dois’) são combinados para formar outras quantidades, como mojtaryka (‘três’). A partir de cinco, utilizam-se a mão (kaipo) e, para valores maiores, o pé (kaipy), em combinação com verbos que indicam movimento. O sistema inclui ainda quantificadores não exatos para expressar pequenas ou grandes quantidades, refletindo uma forte relação entre quantificação e contagem de dedos.[33]
| Número | awetý | Número | awetý |
|---|---|---|---|
| 1 | Momozotsu | 11 | Momozotsu kaipy ete oto |
| 2 | Mokoj | 12 | Mokoj kaipy ete oto |
| 3 | Mojtaryka | 13 | Mojtaryka kaipy ete oto |
| 4 | Mokoj mokoj | 14 | Mokoj mokoj kaipy ete oto |
| 5 | Momozotsu kaipopap | 15 | Momozotsu kaipy opap |
| 6 | Momozotsu kaipo weizo yta-tap | 16 | Momotsu kaipy weizo ytatap |
| 7 | Mokoj kaipo weizo ytatap | 17 | Mokoj kaipy weizo ytatap |
| 8 | Mojtaryka kaipo weizo yta-tap | 18 | Mojtaryka kaipy weizo yta-tap |
| 9 | Mokoj mokoj kaipo weizoytatap | 19 | Mokoj mokoj kaipy weizoytatap |
| 10 | Kaipopap | 20 | kaipy opap |
Expressões do dia a dia
[editar | editar código]Sensações
[editar | editar código]As sensações em awetý são expressas principalmente por meio de sufixos que se associam a bases verbais ou nominais. Esses sufixos codificam estados físicos e perceptivos, como sensações corporais e estados internos, integrando-se à morfologia do predicado. [34]
| Forma | Valor |
|---|---|
| -akup | ʹquenteʹ |
| -lop | ʹamargoʹ |
| -eloʔytãng | ‘frio’ |
| -eʔẽ | 'doce' |
| -pyw | ‘mole’ |
| -atã | ‘duro’ |
| -jem | ‘fedorento’ |
| -pylem | ‘cheiroso’ |
Cores
[editar | editar código]As cores em awetý também são expressas predominantemente por sufixos, que se unem a bases lexicais para indicar qualidades cromáticas. Esses sufixos funcionam como modificadores derivacionais, permitindo que a noção de cor seja incorporada diretamente à estrutura morfológica da palavra. [35]
| Forma | Valor |
|---|---|
| -kylaw | 'preto' |
| -pilang | 'vermelho' |
| -kyt | 'verde' |
| -ting | 'branco' |
| -tup | 'amarelo' |
Referências
[editar | editar código]- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 ISA - Instituto Socioambiental. «Aweti - Povos Indígenas no Brasil». Povos Indígenas no Brasil. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ Emmerich & Monserrat 1972, pp. 18.
- 1 2 Lewis, M. Paul (ed.), 2009. Language Family Trees. Dallas, Tex.: SIL International. Online version.
- 1 2 Eberhard, David M.; Simons, Gary F.; Fennig, Charles D. (2024). «Ethnologue: Languages of the World. Twenty-seventh edition.». http://www.ethnologue.com. Texas: SIL International
- ↑ IBGE. «Censo 2010». Censo 2010. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Sabino 2016, pp. 48-53.
- ↑ Sabino 2016, pp. 50.
- 1 2 Sabino 2016, pp. 47.
- ↑ Sabino 2016, pp. 53-54.
- ↑ Sabino 2016, pp. 53.
- ↑ Sabino 2016, pp. 45–56.
- ↑ Sabino 2016, pp. 45-47.
- ↑ Sabino 2016, pp. 46.
- ↑ Sabino 2016, pp. 60.
- ↑ Sabino 2016, pp. 61–63.
- ↑ Sabino 2016, pp. 81.
- ↑ Sabino 2016, pp. 81-82.
- 1 2 Sabino 2016, pp. 82.
- ↑ Sabino 2016, pp. 79-81.
- ↑ Sabino 2016, pp. 79-80.
- ↑ Sabino 2016, pp. 194-199.
- ↑ Sabino 2016, pp. 147-170.
- ↑ Sabino 2016, pp. 136-138.
- ↑ Sabino 2016, pp. 83-93.
- ↑ Sabino 2016, pp. 132-135.
- ↑ Sabino 2016, pp. 23.
- ↑ Sabino 2016, pp. 29.
- ↑ Sabino 2016, pp. 19.
- ↑ Sabino 2016, pp. 165.
- ↑ Sabino 2016, pp. 89.
- ↑ Sabino 2016, pp. 147.
- 1 2 Sabino 2016, pp. 151-155.
- 1 2 Sinha, Sabino & Kaxinawa 2016, pp. 33–34.
- 1 2 Sabino 2016, pp. 101.
- 1 2 Sabino 2016, pp. 101–102.
Bibliografia
[editar | editar código]Sabino, Wary Kamaiurá (2016). Awetýza tiʔíngatú : construindo uma gramática da língua Awetý...desenvolvimento histórico (Tese de Doutorado em Linguística). Brasília: Universidade de Brasília
Sinha, Vera da Silva; Sabino, Kamaiurá; Kaxinawa, Paulo de Lima (2024). «A construção social de tempo baseado em eventos nas culturas indígenas Awetý, Kamaiurá e Huni Kuĩ». Revista Brasileira de Linguística Antropológica. 24: 15-47. doi:10.26512/rbla.v16i1.51931
Emmerich, Charlotte; Ruth Maria Fonini, Monserrat (1972). «Sobre a fonologia da língua awetý (Tupi)». Boletim do museu nacional. 25: 1-18
Ligações externas
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