Cândido Rondon

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Marechal do Exército Brasileiro Coat of arms of the Brazilian Army.svg
Cândido Mariano da Silva Rondon
Marechal Rondon, em 1930
Nome completo Cândido Mariano da Silva Rondon
Apelido Marechal Rondon
Dados pessoais
Nascimento 5 de maio de 1865 (153 anos), Santo Antônio do Leverger, MT
Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Morte 19 de janeiro de 1958 (92 anos), Rio de Janeiro, Distrito Federal
 Brasil
Esposa Francisca Xavier
Vida militar
Força Coat of arms of the Brazilian Army.svg Exército Brasileiro
Anos de serviço 1881-1955
Hierarquia Marechal.gif Marechal
Comandos Corpo de Engenheiros Militares
Serviço de Proteção ao Índio
Batalhas Proclamação da República
Revolta da Armada
Revolução de 1930
Honrarias Cruz de Combate
Medalha Centenário de David Livingstone
Ordem de Colombo
Assinatura Marechal rondon signature.jpg

O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, conhecido como Marechal Rondon (Santo Antônio de Leverger, MT, 5 de maio de 1865Rio de Janeiro, Distrito Federal, 19 de janeiro de 1958), foi um militar, sertanista e engenheiro brasileiro, famoso por sua exploração do Mato Grosso e da Bacia Amazônica Ocidental e por seu apoio vitalício às populações indígenas brasileiras. Foi o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e apoiou a criação do Parque Nacional do Xingu. O estado brasileiro de Rondônia recebeu esse nome em sua homenagem.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O estado de Rondônia (vermelho), batizado em homenagem ao Marechal.

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em 5 de maio de 1865 em Mimoso, um distrito localizado no município de Santo Antônio do Leverger, no estado do Mato Grosso. Seu pai, Cândido Mariano da Silva, era de ascendência portuguesa, e sua mãe era uma indígena americana da etnia Terena e Bororo. Seu pai morreu de varíola antes de Cândido nascer e sua mãe morreu quando ele tinha dois anos de idade.[1] Ele foi criado por seus avós até que eles também morreram enquanto ele ainda era uma criança. Depois disso, morou com o irmão de sua mãe, que adotou Cândido e lhe deu o sobrenome da família, Rondon. Seu tio o cuidou até ele chegar aos dezesseis anos.[2]

Em 1881, ele se junta ao Exército Brasileiro ao se matricular no 3º Regimento de Artilharia a Cavalo em 1881. Entre outros estudos, ele estudou Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra. Ao ingressar no exército, ele ingressou na escola oficial e se formou em 1888 como segundo-tenente. De ideias abolicionistas e republicanas, Rondon participou diretamente com Benjamim Constant das articulações do golpe republicano que derrubou Dom Pedro II, o último imperador do Brasil.

O recém-criado governo republicano estava preocupado com o oeste do Brasil, muito isolado dos grandes centros e nas regiões fronteiriças. Em 1890, foi contratado como engenheiro do exército junto à comissão telegráfica e ajudou a construir a primeira linha telegráfica em todo o estado do Mato Grosso. Esta linha telegráfica foi finalmente concluída em 1895 e, posteriormente, Rondon iniciou a construção de uma estrada que ligava o Rio de Janeiro (então capital da república) a Cuiabá, capital do Mato Grosso. Até esta estrada ser concluída, o único caminho entre estas duas cidades era pelo transporte fluvial. Em 1891, Rondon é nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso e pediu exoneração do cargo de professor. Também durante este tempo, ele se casou com sua esposa, Francisca Xavier. Juntos, eles tiveram sete filhos.[3]

De 1900 a 1906, Rondon ficou encarregado de instalar a linha telegráfica do Brasil para a Bolívia e o Peru. Durante esse período ele abriu um novo território e entrou em contato com os indígenas Bororos do oeste do Brasil. Ele foi tão bem sucedido em pacificar os Bororos, que completou a linha telegráfica com a ajuda deles. Ao longo de sua vida, Rondon descobriu e nomeou rios, montanhas, vales e lagos e implantou mais de 5.000 quilômetros de linhas telegráficas nas florestas brasileiras. Em 1906, Rondon foi encarregado pelo então presidente da república, Afonso Pena, de ligar Cuiabá ao recém incorporado território do Acre.

Explorações[editar | editar código-fonte]

Como resultado da competência de Rondon na construção de linhas telegráficas, ele foi encarregado de estender a linha telegráfica de Mato Grosso para a Amazônia. No curso da construção da linha, ele descobriu o rio Juruena, no norte do Mato Grosso, que é um importante afluente do rio Tapajós, junto com a descoberta da tribo Nambiquara, um povo isolado que até então havia matado todos os ocidentais com quem entraram em contato.[4] Ele também descobriu as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia e foi promovido como Major do Corpo de Engenheiros Militares, responsável pela construção da linha telegráfica de Cuiabá para Santo Antônio da Madeira, a primeira a chegar até a região amazônica, que foi chamada de "Comissão Rondon". Seus trabalhos foram desenvolvidos de 1907 a 1915. Ao mesmo tempo, estava sendo construída a Ferrovia Madeira-Mamoré, que, juntamente com a exploração e integração telegráfica de Rondon, ajudou a ocupar a região do atual estado de Rondônia.

Rondon quando jovem, na Amazônia brasileira.

Em maio de 1909, Rondon iniciou sua mais longa expedição. Ele partiu do distrito de Tapirapuã, em Tangará da Serra, rumo ao noroeste até o rio Madeira, um dos principais afluentes do rio Amazonas. Em agosto, todos os seus suprimentos de sua equipe estavam esgotados, necessitando sobreviver do que eles poderiam caçar e colher da floresta. Quando chegaram ao rio Ji-Paraná, não tinham suprimentos. Durante a expedição descobriram um grande rio entre o Juruena e o rio Ji-Paraná, que Rondon chamou de rio da Dúvida. Para chegar ao destino, construíram canoas e com sucesso, a equipe conseguiu chegar ao Rio Madeira no Natal de 1909. Ao regressar ao Rio de Janeiro, o Marechal Rondon foi saudado como herói, porque se acreditava que ele e a expedição haviam morrido na selva. Após a expedição, ele se tornou o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio, criado no governo do presidente Nilo Peçanha.

Em setembro de 1913, Rondon foi atingido por uma flecha envenenada dos índios Nhambiquaras.[carece de fontes?] Foi salvo pela bandoleira de couro de sua espingarda. Porém, ordenou aos seus comandados que não reagissem e batessem em retirada, demonstrando seu princípio de penetrar no sertão somente com a paz. Ele afirmava: "Morrer, se preciso for. Matar, nunca".[5] Em 1914, com a Comissão Rondon, construiu 372 km de linhas e mais cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia e atual Ji-Paraná), Jaru e Ariquemes, na área do atual estado de Rondônia. Em 1º de janeiro de 1915, completou sua missão com a inauguração da estação telegráfica de Santo Antônio do Madeira.

O Meridiano 52 Oeste é também uma referência geográfica para a história das comunicações no Brasil. Rondon foi o segundo ser humano a receber em sua honra um meridiano com seu nome. Ele cumpriu missões abrindo estradas, criando linhas telegráficas, mapeando florestas, rios e montanhas e estabelecendo relações cordiais com os índios. Ele manteve contato com vários povos indígenas do Brasil.

Expedição com Roosevelt[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1914, Rondon partiu com o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt na Expedição Científica Rondon-Roosevelt, cujos objetivos eram explorar o Rio da Dúvida. A expedição deixou Tapiripuã e chegou ao Rio da Dúvida em 27 de fevereiro de 1914. Eles não alcançaram a foz do rio até o final de abril, depois que a expedição sofreu muito. Durante a expedição, o Rio da Dúvida foi renomeado para Rio Roosevelt.

A aventura no rio da Dúvida foi a mais difícil da vida de Roosevelt. Todos os homens, exceto Rondon, sofriam de doenças e enfermidades constantes.

Anos depois[editar | editar código-fonte]

Após a expedição de 1914, Rondon trabalhou até 1919, mapeando o estado de Mato Grosso. Durante esse tempo, ele descobriu mais alguns rios e fez contato com várias tribos indígenas. Em 1919, já como general de brigada, Rondon foi nomeado diretor de Engenharia do Exército, e autorizou a construção de quartéis. Nessa época ele também acumulou os cargos de chefe da corporação brasileira de engenheiros e de chefe da Comissão Telegráfica.

Em 1924 e 1925, ele liderou as forças do exército contra uma revolta no estado de São Paulo. De 1927 a 1930, Rondon foi encarregado de examinar todas as fronteiras entre o Brasil e seus países vizinhos. Durante a Revolução de 1930, Rondon renunciou ao cargo de chefe do SPI. Durante 1934-1938, Rondon foi encarregado de uma missão diplomática, como mediador de uma disputa entre a Colômbia e o Peru sobre a cidade de Leticia. Em 1939, ele voltou à direção do SPI e expandiu o serviço para novos territórios do Brasil.

Na década de 1950, ele apoiou a campanha dos Irmãos Villas-Bôas, que enfrentava forte oposição do governo e dos fazendeiros de Mato Grosso e levou ao estabelecimento da primeira reserva para os povos indígenas: o Parque Nacional do Xingu, criado em 1961.[6]

Em 5 de maio de 1955, data em que completou 90 anos de idade, foi agraciado com o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Em 1957, Rondon foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo Explorers Club de Nova Iorque. Faleceu no dia 19 de janeiro de 1958, aos 92 anos de idade. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

O Aeroporto Internacional Marechal Rondon se encontra em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá.

O marechal Cândido Rondon é considerado um dos principais heróis e patriotas brasileiros e, portanto, tem sido homenageado pela população e pelo governo de várias maneiras. Ele é o "Pai das Telecomunicações Brasileiras" e o dia 5 de maio, data de seu aniversário, é também o Dia Nacional das Telecomunicações, estabelecido em sua homenagem. Teve a glória de ter seu nome escrito em letras de ouro no maciço Livro da Sociedade Geográfica de Nova Iorque.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Logradouros[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lucien Bodard, Green Hell (New York, 1971) p. 10
  2. Donald F. O'Reilly, "Rondon: Biography of a Brazilian Republican Army Commander," New York University, 1969
  3. https://www.ebiografia.com/marechal_rondon/
  4. Baker, Daniel ed. Explorers and Discoverers of the World. Detroit: Gale Research, 1993 Pg 483
  5. https://educacao.uol.com.br/biografias/candido-mariano-da-silva-rondon.htm
  6. http://pib.socioambiental.org/en/povo/xingu/1541
  7. Patrono das Comunicações: Marechal Rondon é lembrado em evento em São Paulo Portal Comunique-se - acessado em 3 de julho de 2015
  8. «RONDONÓPOLIS COMPLETA 96 ANOS DE FUNDAÇÃO». MT Notícias MT, Política, Polícia, Mato Grosso | AGORA MT. 10 de agosto de 2011. Consultado em 18 de janeiro de 2019 
  9. Explorers Club Medal
  10. «[bb.com.br]». www.bb.com.br. Consultado em 18 de janeiro de 2019 
  11. Marechal Rondon foi incluído no Livro dos heróis da Pátria EBC - acessado em 3 de julho de 2015

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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