Macuco

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMacuco
Espécime de macuco avistado em 2015
Espécime de macuco avistado em 2015
Espécime no Parque Estadual Invervales, em São Paulo, Brasil
Estado de conservação
Quase ameaçada
Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
Género: Tinamus
Espécie: T. solitarius
Nome binomial
Tinamus solitarius
(Vieillot, 1819)
Distribuição geográfica
Distribuição do macuco
Distribuição do macuco

Macuco ou macuco-solitário[2] (nome científico: Tinamus solitarius) é uma espécie de ave tinamiforme sul-americana de família dos tinamídeos (Tinamidae).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Macuco" e "macuca" são os nomes populares da espécie.[3][4] Estes termos são oriundos do tupi ma'kuku.[5] Segundo o Dicionário Histórico das Palavras Portuguesas de Origem Tupi (DHPT), pode derivar de makuka'gwa. Foi registrado em 1858 como macucu. No capítulo XIII do Historia Naturalis Brasiliae (1648) de George Marcgrave, foi citado como Macucagua avis.[6]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Todos os tinamiformes são da família dos tinamídeos, e no esquema maior também são ratitas. Ao contrário de outras ratitas, os tinamiformes podem voar, embora em geral não sejam voadores fortes. Todas as ratitas evoluíram de pássaros voadores pré-históricos, e os tinamiformes são os parentes vivos mais próximos desses pássaros.[7] Anteriormente, esta ave era dividida em duas subespécies: T. s. pernambucensis no nordeste do Brasil (Pernambuco e Alagoas), e T. s. solitarius encontrado no sudeste do Paraguai e extremo nordeste da Argentina. O primeiro, no entanto, acabou não sendo distinto do nominal, mas sim de aves individuais que mostraram um morfo de cor particular que agora é conhecido por também ocorrer em outros lugares.[8] Notavelmente, a tonalidade do dorso varia entre azeitona e ferrugem, e a intensidade da cor da plumagem da parte inferior do pescoço também varia. A barra preta nestas áreas é mais ou menos forte. Pernambucensis refere-se a pássaros mais amarelos com muitas barras, especialmente no pescoço.[9]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O macuco é um grande tinamiforme acastanhado fortemente barrado de preto. Seu pescoço, peito e flancos são cinzas e sua barriga é branca. Tem uma coroa marrom escura e uma garganta branca na cabeça e no pescoço amarelados, que contrasta com uma linha amarela distinta na lateral do pescoço. Tem uma média de 45 centímetros (18 polegadas) de comprimento.[10]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

O macuco ocorre no sudeste da Bahia, leste de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, leste de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. Também é encontrado no sudeste do Paraguai e extremo nordeste da Argentina na província de Misiones.[11][12]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Como outros tinamiformes, o macuco põe ovos de formas estranhas com uma casca brilhante e colorida,[9] e come frutas e sementes do chão ou plantas baixas. Os machos incubam os ovos que estão em um ninho no chão e também criam os filhotes por um curto período de tempo antes de serem independentes.[7]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Ninho de macuco com ovos

O macuco é encontrado em florestas tropicais úmidas de planície e florestas montanhosas até 1 200 metros (3 900 pés) acima do nível do mar.[11] Habita prontamente a floresta secundária e pode não ser incomum em parcelas extensivamente usadas, tolerando até certo ponto o corte seletivo. Grandes plantações de espécies exóticas não são muito apreciadas. Mas as aves podem ser abundantes o suficiente para resistir a alguma caça, por exemplo, em um mosaico de plantações de cabruca, intercaladas com crescimento secundário com denso caeté (marantáceas) e sub-bosque de bambu Merostachys, bem como o bambu Guadua mais alto e palmeiras crescidas (Euterpe edulis). No ecótono da Floresta Ombrófila Montana Densa pouco perturbada, populações prósperas podem existir em fragmentos florestais tão pequenos quanto mil acres (400 hectares).[13][14]

Conservação[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o macuco está ameaçado pelo desmatamento em curso causado pela urbanização, industrialização, expansão agrícola e construção de estradas associada. Também é caçado excessivamente. Consequentemente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) classifica-o como uma espécie quase ameaçada em sua Lista Vermelha,[1] mas pode em breve tornar-se vulnerável[11] com uma ocorrência de 900 mil quilômetros quadrados (380 mil milhas quadradas). A população que se acreditava anteriormente ser referida por pernambucensis é muito rara ou já extirpada. Essas aves do norte sempre foram bastante raras em tempos históricos, com possivelmente não mais de seis espécimes em museus.[11][9][8] Observou-se que esta espécie não é difícil de introduzir em habitat adequado. Descobriu-se que macucos persistem em números em um fragmento de floresta de 1 500 acres (610 hectares), onde não foram originalmente encontrados.[15]

Em 2005, foi classificado como criticamente em perigo na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo;[16] em 2010, como em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais[17] e quase ameaçado no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná;[18] em 2011, como vulnerável na Lista das Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção em Santa Catarina;[19] em 2014, como vulnerável na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul[20][21] e como em perigo no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo;[22] em 2017, como em perigo na Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia;[23] e em 2018, como quase ameaçado na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)[24] e em perigo na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado do Rio de Janeiro.[25] Por fim, consta no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES).[26]

Referências

  1. a b BirdLife International (2019). «Tinamus solitarius». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T22678139A136639334. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T22678139A136639334.enAcessível livremente. Consultado em 24 de abril de 2022 
  2. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. p. 94. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 23 de abril de 2022 
  3. Gomes, Wagner (7 de fevereiro de 2013). «Lista das espécies de aves brasileiras com tamanhos de anilha recomendados». Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) 
  4. «Lista das espécies de aves brasileiras com tamanhos de anilha recomendados - Ordem sistemática e taxonômica segundo lista primária do CBRO». DOU (249): 121. 24 de dezembro de 2013. ISSN 1677-7042 
  5. Ferreira, A. B. H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 1061 
  6. Grande Dicionário Houaiss, verbete macuco
  7. a b Davies, S.J.J.F. (2003). «Tinamous». In: Hutchins, Michael. Grzimek's Animal Life Encyclopedia. 8 Birds I Tinamous and Ratites to Hoatzins 2.ª ed. Farmington Hills, MI: Gale Group. pp. 57–59. ISBN 0-7876-5784-0 
  8. a b Amaral, Fábio Sarubbi Raposo do; Silveira, Luís Fábio (2004). «Tinamus solitarius pernambucensis Berla, 1946 é sinônimo de Tinamus solitarius (Vieillot, 1819)» (PDF). Ararajuba. 12 (1): 33–41. Consultado em 24 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 27 de setembro de 2007 
  9. a b c Cabot, José (1992). «2. Solitary Tinamou». In: del Hoyo, Josep; Elliott, Andrew; Sargatal, Jordi. Handbook of Birds of the World. 1: Ostrich to Ducks. Barcelona: Lynx Edicions, Barcelona. p. 127, Plate 6. ISBN 84-87334-10-5 
  10. Harrison, Colin; Greensmith, Alan (1993). «Non-asserines». In: Bunting, Edward. Birds of the World First ed. Nova Iorque: Dorling Kindersley. p. 42. ISBN 1-56458-295-7 
  11. a b c d BirdLife International (2008). «Solitary Tinamou - BirdLife Species Factsheet». Data Zone. Consultado em 6 de fevereiro de 2009 
  12. Clements, James (2007). The Clements Checklist of the Birds of the World 6.ª ed. Ítaca, Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Cornell. ISBN 978-0-8014-4501-9 
  13. Silveira, Luís Fábio; Develey, Pedro Ferreira; Pacheco, José Fernando; Whitney, Bret M. (2005). «Avifauna of the Serra das Lontras–Javi montane complex, Bahia, Brazil» (PDF). Cotinga. 24: 45–54. Consultado em 24 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 24 de janeiro de 2009 
  14. Simon, José Eduardo (2000). «Composição da Avifauna da Estação Biológica de Santa Lúcia, Santa Teresa - ES [Birds of the Estação Biológica de Santa Lúcia, Santa Teresa, ES]» (PDF). Boletim do Museu de Biologia Mello Leitão N.S. 11-12: 149-170. Consultado em 24 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 30 de julho de 2007 
  15. Faria, Christiana M. A.; Rodrigues, Marcos; do Amaral, Frederico Q.; Módena, Érica; Fernandes, Alexandre M. (2006). «Aves de um fragmento de Mata Atlântica no alto Rio Doce, Minas Gerais: colonização e extinção [The birds of an Atlantic Forest fragment at upper Rio Doce valley, Minas Gerais, southeastern Brazil: colonization and extinction]» (PDF). Revista Brasileira de Zoologia. 23 (4): 1217-1230. doi:10.1590/S0101-81752006000400032. Consultado em 24 de abril de 2022 
  16. «Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo». Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Governo do Estado do Espírito Santo. Consultado em 7 de julho de 2022. Cópia arquivada em 24 de junho de 2022 
  17. «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022 
  18. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada. Curitiba: Governo do Estado do Paraná, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná. 2010. Consultado em 2 de abril de 2022 
  19. Lista das Espécies da Fauna Ameaçada de Extinção em Santa Catarina - Relatório Técnico Final. Florianópolis: Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Fundação do Meio Ambiente (FATMA). 2010 
  20. de Marques, Ana Alice Biedzicki; Fontana, Carla Suertegaray; Vélez, Eduardo; Bencke, Glayson Ariel; Schneider, Maurício; Reis, Roberto Esser dos (2002). Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul - Decreto Nº 41.672, de 11 de junho de 2002 (PDF). Porto Alegre: Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; PANGEA - Associação Ambientalista Internacional; Fundação Zoo-Botânica do Rio Grande do Sul; Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA); Governo do Rio Grande do Sul. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 31 de janeiro de 2022 
  21. «Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014» (PDF). Porto Alegre: Estado do Rio Grande do Sul Assembleia Legislativa Gabinete de Consultoria Legislativa. 2014. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 16 de março de 2022 
  22. Bressan, Paulo Magalhães; Kierulff, Maria Cecília Martins; Sugleda, Angélica Midori (2009). Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo - Vertebrados (PDF). São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA - SP), Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2022 
  23. «Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia.» (PDF). Secretaria do Meio Ambiente. Agosto de 2017. Consultado em 1 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de abril de 2022 
  24. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  25. «Texto publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro contendo a listagem das 257 espécies» (PDF). Rio de Janeiro: Governo do Estado do Rio de Janeiro. 2018. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de maio de 2022 
  26. «Tinamus solitarius (Vieillot, 1860)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 24 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de julho de 2022 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bokermann, W. C. A. (1991). Observações sobre a Biologia do Macuco. São Paulo: Universidade de São Paulo 
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