Nicolas-Antoine Taunay

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Nicolas-Antoine Taunay
Nascimento 11 de fevereiro de 1755
Paris
Morte 20 de março de 1830
Paris
Cidadania França
Alma mater École nationale supérieure des Beaux-Arts
Ocupação pintor
Magnum opus Entry of the French army in Munich

Nicolas-Antoine Taunay (Paris10 de fevereiro de 1755 — Paris, 20 de março de 1830), 1º barão de Taunay, foi um pintor francês que fez parte da Missão Artística Francesa, chegando ao Brasil em 1816. Reconhecido por sua contribuição ao movimento que trouxe a arte europeia para terras brasileiras, ao lado de pintores como Jean-Baptiste Debret .

O desenvolvimento de sua carreira profissional e formação se deu durante a crise do Antigo Regime, período de hegemonia dos ideais iluministas e da ascensão do neoclassicismo na arte. Esse estilo que se caracteriza pela utilização de formas simples, linhas geométricas, valorização da natureza e poucas figuras, o neoclassicismo ressalta na arte modelos de virtude e patriotismo, inspirando-se em passagens históricas de temas da antiguidade clássica da arte, da literatura e da história. Taunay, ficou conhecido como um pintor de paisagens brasileiras, que servia para a corte de Dom Joao VI.[1]

Taunay foi um artista de uma técnica exultante tanto na luminosidade do uso das cores como na dimensão sentimental com que ele retratou a cidade fluminense nos anos de sua permanência no Rio de Janeiro 

Biografia[editar | editar código-fonte]

Taunay iniciou estudos de pintura em 1768, com François Bernard Lépicié, e depois estudou com Nicolas Guy Brenet e Francisco Casanova. Em 1773 é aluno de Louis David na Escola de Belas Artes de Paris. No período de 1784 a 1787 permaneceu estudando em Roma como pensionista da Academia Real de Pintura. Em 1805 foi escolhido, com outros pintores, para retratar as campanhas de Napoleão na Alemanha.

Em 1789, em meio a Revolução Francesa, Taunay disputou de novo ao Salon de la Correspondance (aberto após a queda da Bastilha), onde os próprios temas das suas obras demonstram uma mudança temática em parte das suas produções artísticas, além de continuar pintando paisagens. Ele apresentou as seguintes pinturas com temas mais próximos do neoclassicismo: Encontro com Henrique IV e Sully após a batalha de Ivry; Vista de fábrica em Roma; Um porto de Mar; Paisagem italiana; Paisagem da Suíça. E, mais uma vez, seus trabalhos foram elogiados pelo Année Littéraire, o Mercure de France e o Journal Géneral de France. Com os sucessos obtidos, começaram a surgir encomendas, passando o artista a viver numa certa riqueza. Estava o artista devidamente consagrado. Recebeu do governo encomendas que evocassem os fatos heróicos de Napoleão Bonaparte na Espanha. Então, na Exposição de 1812, participa com os seguintes quadros: A travessia da Serra Guadarrana; Combate à baioneta; Vista de um pequeno porto marítimo.

Os acontecimentos históricos que determinaram a queda de Napoleão Bonaparte, a tomada da corte pelos Bourbons, abateram o pintor, que havia consumido grande parte de suas atividades artísticas na Corte da família de Bonaparte. Além disto, a situação financeira da França era bastante penosa, sem falar ainda na perda dos seus clientes imperiais. Impulsionado pelos acontecimentos, Nicolas Antoine decide aceitar o convite de Lebreton para vir ao Brasil.  

Com a queda de Napoleão, Taunay escreve à rainha de Portugal solicitando-lhe o apoio, com o objetivo de serem contratados ele e seus colegas, por não se sentirem seguros na França devido as perseguições políticas, e viaja com sua família para o Brasil como integrante da Missão Artística Francesa.

Chega ao Rio de Janeiro em 1816 e torna-se pintor pensionista do Reino. Integra o grupo de pintores fundadores da Academia Imperial de Belas Artes - AIBA, e em 1820 é nomeado professor da cadeira de pintura de paisagem da Academia. No ano seguinte, após desentendimentos surgidos pela nomeação do pintor português Henrique José da Silva para a direção da AIBA, retorna à França, levando o título de barão de Taunay, concedido pelo rei.

Seu filho Felix-Emile Taunay torna-se professor de pintura de paisagem e posteriormente diretor da AIBA, e Aimé-Adrien Taunay, o mais novo, acompanha como desenhista as expedições de Freycinet e Langsdorff.

Segundo o historiador Afonso D’E. Taunay (bisneto do pintor), a respeito da chegada da família Taunay ao Rio de Janeiro, que: “Desde o dia do desembarque, fascinado pela beleza da paisagem fluminense, apaixonado pelo sol glorioso das terras da Guanabara, tratou Nicolas de instalar-se em algum recanto das cercanias da cidade, onde estivesse em íntimo contacto com a natureza estupenda. Não tardou em descobrir delicioso retiro de edênica beleza, a ‘Cascatinha Taunay’, na Tijuca; adquiriu alguns alqueires de floresta em torno da cachoeira e ali edificou pequena mas confortável casa.[2]” Ainda de acordo com Afonso D’Escragnolle Taunay, historiador e estudioso da Missão Francesa, Nicolas Antoine, ao chegar no Rio de Janeiro, possuiu a possibilidade de conhecer novos aspectos da natureza, que era o seu mestre, conforme afirmara quando jovem e posteriormente não se recorda, para dedicar-se à pintura com temática figurativa nos moldes do Neoclassicismo, podendo assim assegurar igualdade com os artistas mais famosos.  

Nicolas Antoine Taunay resistiu muito em acompanhar cegamente a nova tendência, mas não podia deixar de dar-lhe atenção para não desagradar os adeptos da pintura neoclássica encabeçada por David. Em 1787, porém, os amantes e simpatizantes da pintura paisagística eram considerados como uma minoria sem expressão e peso; em relação a Taunay explica-se a diminuição com que o começavam a considerar os críticos de arte. Então, mesmo habituado por paisagens ele viu-se persuadido a inserir também nas suas pinturas a figura humana de cunho histórico ou mitológico.[3]

Assim, Taunay deixa de seguir o seu impulso natural de pintar paisagens para dedicar-se também à representação de temas históricos e mitológicos (da antiguidade clássica). 

Mudança para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Contexto historico[editar | editar código-fonte]

As políticas culturais empreendidas pelo monarca D. João VI para o Brasil incluem a contratação de um célebre grupo de artistas franceses que estiveram na América Portuguesa neste mesmo período. Com o fito de ensejar o gosto pelas Belas-Artes no Rio de Janeiro, D. João foi responsável pela vinda de uma Missão Artística Francesa em 1816, que marcou o início formal das artes plásticas no Brasil. Escolheu, para essa missão, um grupo de artistas franceses já conhecidos na França. A missão contaria com o arquiteto Grandjean de Montigny, um escultor chamado Auguste Taunay, e dois pintores, atualmente reconhecidos no Brasil, autor do livro Viagem Pitoresca ao Brasil, Jean Baptiste Debret (contratado para a lente de pintor de história), e o brilhante pintor de paisagens naturais Nicolas Antoine Taunay. Portanto, a expedição artística francesa deve ser considerada como uma extensão das iniciativas tomadas por D. João VI no campo cultural.

O estilo artístico vigente na arte europeia estava entre o Neoclassicismo e Romantismo que são na verdade duas opções estilísticas – sendo assim, formas ideológicas e filosóficas – surgidas numa mesma época. O primeiro foi influenciado pelos ideais de Winckelmann, enquanto já o espírito Romântico pode ser bem representado por Friedrich Schlegel, cada qual propondo uma via de caminho para a arte.

Desde 1808, quando a Corte Portuguesa de D. João chegou ao Brasil fugida das tropas Napoleônicas, quando ainda ainda não era VI, era tão somente D. João príncipe regente, sentiu o desejo de fomentar na cidade do Rio de Janeiro a criação de instituições científicas e culturais. Essa medida atenderia às necessidades culturais e sociais da corte Portuguesa, pois em Portugal existiam instituições científicas e culturais atuantes em vários campos, as quais esta corte estava habituada a freqüentar. Assim, a vida social da corte dependia, também deste tipo de atividade. Com a invasão de Portugal por tropas francesas, o príncipe regente João, acompanhado de sua corte e sob proteção de barcos ingleses, deixou Lisboa em novembro de 1807, chegando a Bahia em 22 de janeiro 1808 e ao Rio de Janeiro, onde se instalaria.[4]

Considerando as proposições teóricas de Norbert Elias, compreendendo a existência, por parte da Coroa Portuguesa, de um projeto civilizador para o Brasil. A Missão Artística Francesa estaria fortemente amparada por esta tomada de expectativas e pela concretização, na América Portuguesa, de um padrão cultural com referência no europeu. A permanência e a viabilidade da corte portuguesa e do príncipe no país, neste sentido, só foi possível graças aos seus atos político-culturais, agindo diretamente na cultura, promovendo-a, estimulando-a, e até criando o que não existia. Essas ações sustentaram a ideia de que o Monarca tinha um “projeto civilizador” para transformar o Rio de Janeiro, impondo padrões civilizatórios relacionados ao modelo europeu. Afora todas os progressos de D. João, propomos uma avaliação das atitudes políticas e econômicas como também geradoras de desdobramentos culturais. Com as novas medidas, propiciava-se indiretamente a divulgação do país na Europa e a sua abertura para o exterior, proporcionando o rompimento das amarras do isolamento em que o Brasil estivera colocado durante anos. 

Ao decidir-se pela permanência no Brasil, o governo Português trouxe a Antônio Araújo Azevedo (Conde da Barca) a iniciativa da organização daquela que seria chamada mais tarde de “Missão Artística Francesa de 1816”. O novo governo Português no Brasil desejava levar ao Rio de Janeiro o gosto por uma nova cultura, incluindo, mais especificamente, o gosto pelas Belas-Artes. A iniciativa principal era fundar uma Academia ou Escola de Ciências e Artes segundo os modelos franceses. Com este objetivo, em 1815, o Conde da Barca encomendou ao Marquês de Marialva, representante do governo Português em Paris, a contratação de um grupo de artistas e artífices na França. Foi através de Alexandre Humboldt (já um bom conhecedor da América) que o Marquês de Marialva foi apresentado ao francês Joaquim Lebreton, secretário recém-demitido da Academia de Belas-Artes do Instituto da França. Lebreton se tornaria o homem responsável pela organização e arregimentação dos artistas franceses que partiram para o território brasileiro.

Há registros de que Taunay teria se comunicado com D. João VI antes da formação da Missão Artística Francesa. Desta maneira, embora Le Breton tenha sido de fato o organizador da Missão Artística Francesa, a idéia de vir ao Brasil já fazia parte dos planos de Taunay anteriormente. Com relação a este aspecto, o pesquisador Donato Mello Junior encontrou no arquivo do Museu Imperial um esclarecedor documento assinado pelo punho do próprio Taunay, embora sem data. Nesta carta enviada ao Brasil, o pintor Francês oferece os seus serviços ao Príncipe Regente de Portugal e do Brasil, propondo-se a atuar como preceptor dos seus filhos e/ou conservador da coleção de artes de D. João.  

Baseando-se em uma série de decretos declarados no Brasil neste período, nos relatos de viajantes e nos documentos que tecem a história da Academia Imperial de Belas Artes, alguns estudiosos analisaram a trama que compõe esta passagem, fundamental ao entendimento da história da arte brasileira do século XIX.

Contribuição[editar | editar código-fonte]

As iniciativas tomadas pela corte ao vir para o Brasil, no âmbito das artes visuais, é evidente a importância da Real Academia de Belas-Artes, que coincide atualmente o Museu Nacional de Belas-Artes – notando-se que para administrar aulas e dirigir esta Academia D. João contrataria precisamente artistas franceses como Nicolas Taunay.[5]

Antes da chegada da Corte no centro do Rio, esta cidade tropical e as suas adjacências era um simples povoado insalubre de ruas apertadas e desalinhadas. Como se sabe, foi com D. João que surgiram alguns bairros do Rio que conhecemos e que configuram até hoje, as ruas foram abertas ou ampliadas; os pântanos e os charcos foram drenados, o Rio se expandiu para Botafogo, São Cristóvão, Laranjeiras, Glória, Catete, Estácio, Quinta da Boa Vista, Tijuca e Engenho de Dentro – na sua grande maioria, estes bairros foram retratados pictoricamente pelo pincel de Nicolas Antoine Taunay.[6]Nicolas Antoine Taunay ocuparia a função de pintor de paisagem, conforme decreto real, consignando pensão vitalícia aos artistas franceses, assinado em 1816, com a rubrica de el-rei e do Marquês de Marialva

Sobre as paisagens pintadas por Taunay, está clara a sua preferência pela natureza como temática, visto que os pintores Holandeses vindos com Maurício de Nassau já retratavam paisagens brasileiras, como por exemplo, o fez Frans Post, ou ainda o português Leandro Joaquim, contudo, foi com Taunay que se vincula o início e a fase da eclosão do paisagismo pictorial brasileiro. Mesmo no Brasil, Taunay pintou algumas cenas históricas para a Corte Portuguesa segundo o espírito do Neoclassicismo. Mas a maioria das pinturas a óleo de autoria deste pintor, enquanto esteve no Brasil (participando da Missão Artística Francesa) era na temática paisagem natural, inspirada nos recantos do Rio de Janeiro, mostrando um outro estilo do século XIX, contemporânea ao Neoclassicismo: o Romantismo. Apesar de ambas as correntes serem oriundas de uma mesma época histórica, Taunay, com os seus óleos na temática paisagem natural, deu uma abordagem diferente das opções temáticas Neoclássicas habituais.

Obras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Bertonha, Ivone (9 de setembro de 2009). «A ARTE DE NICOLAS-ANTOINE TAUNAY: UM DIÁLOGO COM O ILUMINISMO» (PDF). "Congresso Internacional de História". Consultado em 21 de novembro de 2017 
  2. TAUNAY, Afonso D'E. A Missão Artística de 1816. [S.l.: s.n.] 
  3. Bertonha, Ivone (9 de setembro de 2009). «A ARTE DE NICOLAS-ANTOINE TAUNAY: UM DIÁLOGO COM O ILUMINISMO» (PDF). "Congresso Internacional de História". Consultado em 21 de novembro de 2017 
  4. Garcia Ribeiro, Monike (1 de março de 2008). «O PINTOR NICOLAS ANTOINE TAUNAY E A REPRESENTAÇÃO DA NATUREZA FLUMINENSE NO PERÍODO JOANINO». "Revista IHGB". Consultado em 21 de novembro de 2017 
  5. Oliveira Santiago, Bruna (2013). «O Sol do Brasil: Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na corte de D. João». "Revista Arquivo Brasileiro de Educação". Consultado em 21 de novembro de 2017 
  6. Diener, Pablo (2013). [file:///C:/Users/15000267/Downloads/perspective-5542.pdf «Reflexões sobre a pintura de paisagem no Brasil no século XIX»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). "Perspective Actualité en histoire de l’art". Consultado em 21 de novembro de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SCHWARCZ, Lilia Katri Moritz. O sol do Brasil: Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na Corte de D. João (1816-1821). São Paulo: Companhia das Letras, 2008. ISBN 9788535911855
  • TAUNAY, Afonso de Escragnolle. A missão artística de 1816. Brasília: Edit.Universidade de Brasília, 1983.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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