Otosclerose

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Otosclerose é uma doença da orelha média, em que acontece proliferação anormal do tecido ósseo, com aumento da espessura óssea, celularidade e vascularização. Este crescimento anormal do tecido prejudica a passagem da onda sonora da orelha média para orelha interna, já que imobiliza progressivamente o estribo (ossículo mais interno da orelha média).

A otosclerose pode apresentar-se clinicamente de diversas formas de perda auditiva, dependendo do local onde está localizado o foco esclerótico.  

No início, a perda auditiva do tipo condutiva é a forma mais comum. É quando esse foco esclerótico localiza-se na platina do estribo e causa sua fixação na janela oval (membrana de transição para a orelha interna), impactando no movimento do ossículo durante a condução da onda sonora e, assim, gerando a perda auditiva condutiva.

Com a evolução da doença, o foco esclerótico pode avançar para a cóclea e gerar a perda auditiva mista. No agravamento do caso pode haver evolução para a perda auditiva neurossensorial, atingindo o endósteo da cóclea.

Causas e incidência[editar | editar código-fonte]

A etiologia da otosclerose ainda é desconhecida, mas pode ser correlacionada principalmente a hereditariedade, bem como a distúrbios vasculares, metabólicos, hormonais e autoimunes, infecções por vírus e traumatismos[1].

Geralmente, a perda auditiva por otosclerose se inicia por volta dos 20 anos de idade, podendo ter evolução conforme o envelhecimento, quando ela se torna mais perceptível. A otosclerose tem predominância no sexo feminino, na proporção de 2:1, e pode ser agravada durante a gravidez e menopausa. Além de ser frequentemente encontrados em indianos, caucasianos e da região do Mediterrâneo, sendo raro em negros e asiáticos.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

O principal sintoma é a perda auditiva progressiva, podendo ser uni ou bilateral. Tem início precoce, podendo ser agravada após os 50 anos de idade e pode evoluir para completa surdez. Zumbido, vertigens e problemas de equilíbrio são outros possíveis sinais da doença. Durante a gravidez, a evolução pode ser mais rápida e a perda auditiva mais grave[1].

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico baseia-se no exame clínico e nos testes auditivos, realizado por meio de anamnese e exames como a audiometria tonal, vocal e imitanciometria. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada, também podem fornecer informações diagnósticas relevantes.[2]

Geralmente, em cerca de 70% dos pacientes com otosclerose, a perda é bilateral e costuma haver um componente condutivo. Os pacientes se queixam de uma dificuldade de ouvir conversas quando estão mastigando e até mesmo uma melhor percepção sonora em ambientes ruidosos, fenômeno conhecido como paracusia de Willis.

Quando o caso da perda auditiva por otosclerose for unilateral, a detecção da perda é mais difícil e o diagnóstico mais tardio. Nesses casos, os pacientes relatam dificuldade de localizar o som, fato característico de perdas unilaterais.  

Alguns pacientes podem apresentar uma pequena mancha avermelhada retrotimpânica, conhecida como sinal de Schwartz. Essa mancha indica aumento da atividade osteoclástica com formação de pequenos vasos sanguíneos nessa região.

No exame da audiometria, o paciente com a perda auditiva do tipo condutiva por otosclerose pode apresentar perda mais evidente nas frequências baixas, e geralmente exibe um pequeno entalhe na via óssea, na frequência de 2KHz, conhecido como entalhe de Cahart.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Como ainda não há cura definitiva para a otosclerose[1], os tratamentos que existem e ajudam a retardar a evolução da doença e aliviar os sintomas são: a prescrição de medicamentos específicos; a realização de cirurgia, como estapedotomia ou estapedectomia; e o uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), principalmente em pacientes com contra-indicação cirúrgica[2].

Quanto antes for diagnosticada a perda auditiva, melhor será a resposta ao tratamento.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Varella, Drauzio (sem data). «Otosclerose». Drauzio Varella. Consultado em 26 de Março de 2020  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b Salomone, Raquel; Riskalla, Paulo Emmanuel; Vicente, Andy de Oliveira; Boccalini, Maria Carmela Cundari; Chaves, Adriana Gonzaga; Lopes, Renata; Felin Filho, Gilberto Bolivar (2008-04). «Otosclerose infantil: relato de caso e revisão da literatura». Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 74 (2): 303–306. ISSN 0034-7299. doi:10.1590/S0034-72992008000200024  Verifique data em: |data= (ajuda)