Paio Soares da Maia

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Paio Soares da Maia
Rico-homem/Senhor
Senhor da Casa da Maia
Reinado 1094-1129
Predecessor Soeiro Mendes
Sucessor Pedro Pais
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Mordomo-mor do Condado Portucalense
Reinado 1097
Predecessor Nenhum
Sucessor Pedro Pais da Silva
PortugueseFlag1185.svg
Alferes-mor do Condado Portucalense
Reinado 1112
Predecessor Nuno Pais de Azevedo
Sucessor Nuno Soares Velho
Tenente condal
Reinado
Cônjuge Châmoa Gomes
Descendência Pedro Pais, Senhor da Maia
Paio Pais Zapata
Ximena Pais da Maia
Dinastia Maia
Nascimento Antes de 1097
  Condado Portucalense
Morte 1129
  Condado Portucalense
Pai Soeiro Mendes da Maia
Mãe Gontrodo Moniz
Religião Catolicismo romano
Brasão

Paio Soares da Maia, (fl. 1129}}), foi um dos filhos de Soeiro Mendes da Maia o Bom e de Gontrodo Moniz.[a] Rico-homem do Reino de Portugal, foi um personagem importante na corte do conde Henrique de Borgonha,[1] mordomo-mor em 1097, alcaide de Montemor em 1099 e da Maia em 1110–1128. Também foi o alferes de Teresa de Leão, condessa de Portugal, em 1124.[2] Foi erradamente apelidado Zapata.[a]

Primeiros anos e entrada na corte[editar | editar código-fonte]

Paio era filho do magnate Soeiro Mendes da Maia e de sua esposa Gontrode Moniz.[3] Pouco se sabe sobre os seus primeiros anos. A grande confiança que os condes Henrique de Borgonha e Teresa de Leão (pais de Afonso Henriques), depositavam no seu pai,[2] tendo-lhe inclusive deixado a administração do condado em algumas das suas ausências,[4] fez com que Paio fosse cedo nomeado para um alto cargoː ainda em vida do seu pai, exerceu o importante cargo de primeiro Mordomo-mor em 1097,[2][5] imediatamente após a instituição do Condado Portucalense, em 1096.[5]

A mordomia e a alferesia[editar | editar código-fonte]

Em 1097, Paio inaugura, de facto, o cargo de mordomo, pois é o primeiro documentado com essa nomeação. Contudo, apenas se documenta com essa posição em 1097, pelo que, se não o abandonou nesse mesmo ano, pouco tempo terá ficado, pois em 1105 o mordomo era já outroː Pedro Pais da Silva.[5]

Apesar de abandonar o cargo, não deixou a corteː participou em várias ações guerreiras dos condes portucalenses, e confirmou os forais de Sátão e Soure, em 1111. Morto o conde Henrique no ano seguinte, o prestígio alcançado no seu governo não decresce, muito pelo contrário: Paio recupera a sua proeminência quando foi nomeado, pela condessa viúva Teresa, como Alferes-mor em 1122.[2][5] Uma vez mais, apenas se documenta com o cargo nesse ano,[5] mas sabe-se que não abandonou a corte.

A chefia da família[editar | editar código-fonte]

Entre a assunção de ambos os cargos, em 1108, faleceu o seu pai, Soeiro Mendes da Maia. Paio, como filho primogénito, sucedeu ao pai na chefia da família da Maia e no governo da terra homónima, que se estendia sensivelmente entre os rios Douro ao Ave.[6] Terá sido também conde em Santarém.[6]

O governo de Teresa e as vésperas de São Mamede[editar | editar código-fonte]

Na questão suscitada entre os bispos do Porto e de Coimbra sobre a Diocese de Lamego, que se unira ao Porto, embora sob jurisdição de Coimbra, e que foi levada ao Papa Pascoal II, a notoriedade de Paio está patente, pois ajudou à concórdia das partes,[6] o que pode significar que, como Egas Gondesendes II de Baião, terá sido possivelmente um dos três aristocratas da corte condal que então receberam carta papal, para além da própria condessa. A contenda resolveu-se parcialmente, a favor de Coimbra, graças à intervenção dos três nobres.[7]

Contudo, não foi uma solução definitiva, até porque, em 1122, o conflito renasce entre os bispos do Porto e Coimbra, e Egas Gondesendes interfere novamente, junto à condessa e outros aristocratas portucalenses.[7]

Na corte, Teresa enfrentava uma discórdia com a irmã, a rainha Urraca de Leão e Castela, pelas tentativas que a condessa fazia para duplicar os seus territórios para leste, confirmadas por um tratado entre ambas, em 1123. Alguns nobres partilhavam terras reconhecidas por esse tratado à que desde 1116 se intitulava rainha dos portugalenses.[7]

A ascensão de Afonso VII de Leão e o enfraquecimento de Teresa[editar | editar código-fonte]

Porém, por morte de Urraca de Leão em 1126, sucede-lhe no trono Afonso VII, o qual readopta o título de imperador de toda a Hispânia do avô, procurando a vassalagem dos demais reinos, incluindo entre eles também o Condado Portucalense, que há muito demonstrava tendências autonomistas.

Bermudo Peres de Trava

Tudo mudaria em Portugal com a entrada de dois magnates galegos, irmãos: Bermudo Peres de Trava e Fernão Peres de Trava. A influência que passaram a exercer na rainha de Portugal foi forte o suficiente para, no caso de Bermudo, desposar uma das infantas, Urraca Henriques, e no caso de Fernão, manter uma proximidade maior com a condessa, de quem terá tido inclusive descendência.

Ambos pareciam ser interventores dos dirigentes galegos Pedro Froilaz de Trava (pai dos dois magnates) e Diego Gelmírez, Arcebispo de Santiago, interessados em travar a marcha da libertação portuguesa pela qual a rainha, que até então se batera ferozmente, se deixava enredar neste ardil.[8] A influência que passaram a exercer na rainha de Portugal foi de facto forte o suficiente para afastar magnates de confiança de então, como Egas Moniz, o Aio, dos seus cargos, afastamento provado pelo facto de Egas Moniz, importante homem de confiança de Teresa e do seu então falecido esposo, o conde Henrique de Borgonha, passara a estar submetido em termos governativos, a Fernão Peres, que o substituíra na tenência de Coimbra, e o mesmo com Bermudo Peres, que assumira as de Viseu e Seia.[8]

O confronto de São Mamede e consequências[editar | editar código-fonte]

A educação do herdeiro Afonso e as primeiras revoltas[editar | editar código-fonte]

Egas Moniz, o Aio era o magnate que por vontade dos condes, se encarregava da educação do então herdeiro, o infante Afonso. O infante crescia “em idade e boa índole” por educação do seu Aio, que amiúde lhe deve ter pintado a sujeição em que Portugal ia recuando no caminho da libertação quase conseguida, a dependência cada vez maior dos galegos a que Portugal se sujeitava na pessoa da sua rainha. O infante que Egas criara e agora incitava à revolta, apesar da ainda curta idade, era, desta forma, também afetado pela vinda dos magnates galegos, que lhe passaram a ser apresentados como os seus inimigos e os que mais ameaçavam a sua herança.

Com efeito, Afonso Henriques mostra a sua rebeldia contra a mãe nos inícios de dezembro de 1127, na carta de couto à ermida de S. Vicente de Fragoso; no próprio documento surge como “conde de Neiva” (ou “tenente de S. Martinho”) e surgem a apoiá-lo: o conde Afonso (que seria provavelmente sogro de Egas Moniz), Lourenço (que poderia já ser o seu filho mais velho) e outros. Em maio do ano seguinte, Egas Moniz volta a apoiar novas rebeldias do seu pupilo (como o foral a Constantim de Panoias, e talvez a doação de Dornelas à Ordem do Hospital), tendo anteriormente, por exigência de situações delicadas dos rebeldes, levado o pupilo a reconciliações fingidas com a mãe.[8]

Por ideais da estirpe, tão agitadas no seu sobrinho, o arcebispo bracarense Paio Mendes da Maia, seguiu naturalmente o partido de Afonso Henriques contra Teresa e os galegos.

A luta pela independência[editar | editar código-fonte]

O Castelo de Guimarães, junto ao qual se travou uma das mais importantes batalhas da resistência portuguesa.

A mais flagrante das investidas contra a suserania leonesa dá-se em março (ou inícios de abril) de 1128, forçada pela vinda a Portugal do Imperador Afonso VII em pessoa. Este havia preparado a sua viagem pré-nupcial a Barcelona por mar, para se casar, e desejara uma solução pacífica para o conflito português. Partiu, assim, para o seu destino, do qual não regressaria antes de novembro de 1128, uma vez que entre Barcelona e Leão-Castela se encontrava Aragão, governado pelo padrasto e um dos seus maiores adversários, Afonso O Batalhador.[8]

Os rebeldes aproveitam a ocasião: em maio, estão com Egas Moniz em rebeldia definitiva contra a rainha Teresa. Egas Moniz retirara-se para reunir um exército nas suas terras, com o qual interviria na batalha, que se trava junto ao Castelo de Guimarães, o foco dos revoltosos, no dia de S. João de 1128, batalha que ficaria conhecida como a célebre Batalha de São Mamede. Diz-se que o infante fora batido, e ia fugindo dos campos quando encontra Egas Moniz à testa das suas gentes de armas: ambos vão sobre os “estrangeiros”, que dizem “indignos”, e “esmagam-nos”.[8]

Apesar de lidar com Aragão, nada impediu Afonso VII de combater Portugal: protegendo-se de Aragão, mas pretendendo uma ofensiva na frente ocidental de guerra, trava a “batalha” de Arcos de Valdevez (ou da Veiga da Matança, nome que ainda perdura), provavelmente no final de 1128 ou no início de 1129. Infelizmente, Afonso Henriques e Egas Moniz não conseguiram conter o avanço do Imperador e retiraram-se para Guimarães com a grande nobreza: os irmãos Gonçalo Mendes de Sousa e Soeiro Mendes de Sousa; Garcia, Gonçalo, Henrique e Oveco Cendones; Mem Moniz de Riba Douro e Ermígio Moniz de Riba Douro, irmãos de Egas; Egas Gosendes de Baião; o conde Afonso; os filhos mais velhos do Aio (Lourenço, Ermígio e Rodrigo Viegas), e outros, como Garcia Soares, Sancho Nunes, Nuno Guterres, Nuno Soares, Mem Fernandes, Paio Pinhões, Pero Gomes, Mem Pais, Romão Romanes, Paio Ramires, Mem Viegas, e Gueda Mendes.

A situação dos sitiados é precária, mas Afonso Henriques atua com os seus nobres: Paio é um deles e está ao lado dos sobrinhos, Soeiro Mendes e Gonçalo Mendes da Maia, além do irmão destes, Paio Mendes, arcebispo de Braga.

Mas contrariamente ao que se costuma relatar, apesar de, Afonso Henriques nunca foi pressionado para cumprir a palavra dada ao Imperador; aliás essa promessa dos nobres é imediatamente quebrada em 1130 com a invasão da Galiza, travando-se a Batalha de Cerneja (1137), da qual saem vitoriosos os portucalenses. Afonso VII não pôde conter as invasões dadas as querelas com o padrasto em Aragão.[8]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Também imediatamente após o prélio acompanha o infante nas suas lutas e dá confirmação aos atos do seu governo, entre estes, em setembro de 1128, a doação do couto de Coja ao bispo de Coimbra, e em dezembro de 1128 nova doação ao mesmo bispo de bens em São Pedro do Sul.

Logo em 1128, quando Afonso Henriques confirma o foral dado a Guimarães pelos pais, Paio era, na verdade, um dos burgueses que comigo suportaram o mal e o sacrifício em Guimarães, cujos privilégios incluíamː nunca dêem fossadeira das suas herdades e o seu haver onde quer que seja esteja a salvo e quem o tomar por mal pague-me 60 soldos e dê, além disso, o haver em dobro ao seu dono.[9]

Paio desaparece da documentação curial e na geral em 1129,[2] podendo ter falecido pouco depois.

Morte[editar | editar código-fonte]

Paio terá falecido relativamente cedo, uma vez que à data da sua morte, em 1129, os seus filhos seriam provavelmente ainda novos, e só começam a entrar na cena política muito depois: é o caso do seu filho Pedro Pais, que só surge por volta de 1147, isto é, quase vinte anos depois da morte do pai.[1].

Matrimónio e descendência[editar | editar código-fonte]

Paio desposou, por volta de 1120, com Châmoa Gomes,[b] filha do importante magnate galego Gomes Nunes de Pombeiro,[10] de quem teve:

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ "O sobrenome Zapata que lhe é atribuído pelo LL t. 16 (Livro de linhagens) provém, sem dúvida, de confusão com seu filho Paio Pais."[2]
[b] ^ Segundo o Livro Velho de Linhagens, fora do casamento, Châmoa Gomes teve um filho natural com o rei Afonso I e também teve um filho, Soeiro Mendes Facha, com Mem Rodrigues de Tougues.[11]

Referências

  1. a b c d Carvalho Correia 2008, p. 153.
  2. a b c d e f Mattoso 1981, p. 215.
  3. Mattoso 1981, pp. 212-215.
  4. Mattoso 1981, p. 212.
  5. a b c d e Ventura 1992, p. 432.
  6. a b c GEPB 1935-57, p. 340, vol. 29.
  7. a b c GEPB 1935-57, p. 504, vol. 25.
  8. a b c d e f GEPB 1935-57, pp. 624-629, vol. 17.
  9. Foral de Guimarães: O primeiro foral português
  10. a b c d Mattoso 1981, p. 216.
  11. Carvalho Correia 2008, p. 153.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Paio Soares da Maia
Casa da Maia
Precedido por
Soeiro Mendes
Coat of arms of Maia.svg
Senhor da Casa da Maia
1108-1129

Sucedido por
Pedro Pais
Ofícios políticos
Precedido por
Nenhum
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Mordomo-mor do Condado Portucalense
1097

Sucedido por
Pedro Pais da Silva
Precedido por
Nuno Pais de Azevedo
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Alferes-mor do Condado Portucalense
1112

Sucedido por
Nuno Soares Velho
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