Praia do Cassino

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Parte Riograndina da praia

A Praia do Cassino é uma praia localizada no município de Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Seu início fica a 22 quilômetros do centro da cidade do Rio Grande , nos Molhes da Barra, onde a Lagoa dos Patos encontra o mar. É famosa por seu tamanho, já tendo sido considerada a maior praia do mundo.

História[editar | editar código-fonte]

Passarela na praia do Cassino

O balneário foi criado para ser um centro de turismo pela Companhia de Bondes Suburbanos da Mangueira, subsidiária da Companhia Carris Urbanos, tomando vantagem da linha férrea entre Bagé e Rio Grande que foi depois expandida até a então Costa da Mangueira[1].

O diretor da companhia, Antônio Cândido Sequeira, buscou investidores entre os membros da sociedade do Rio Grande e com apoio do governo estadual, conseguiu desapropriar as terras do local, visando a criar um balneário nos moldes dos que existiam na Europa e no Uruguai dentro do município do Rio Grande. Ao ser inaugurado em 26 de janeiro de 1890, abrangia três quilômetros ao longo da costa por dois quilômetros de largura, cortados ao meio por uma linha férrea que levava ao Centro do Rio Grande. Mais tarde, recebeu a denominação de Villa Sequeira em homenagem ao seu idealizador.

O bairro-balneário tornou-se o centro de lazer de grandes empresários; em geral descendentes de alemães, portugueses, ingleses e italianos que vinham com muito dinheiro para o Hotel Atlântico.

Cerca de dois quilômetros passando o navio encalhado, existem ruínas do Hotel El Aduar, construído para ser um ponto de parada para os ônibus e carros que iam na direção do Chui (Sta. Vitória do Palmar surgiu apenas em 1920), pela praia que na época era a melhor forma. Também tinha como ideia a construção de quartos para serem usados por veranistas. Tinha o formato em "V" na parte principal.

Infelizmente, quando o hotel foi inaugurado, a estrada para o Chui também foi terminada, assim, em 1960, o Hotel El Aduar foi abandonado. Nunca teve como função a de ser um casino como alegam pessoas que repetem lendas urbanas do município do Rio Grande.

Existem também as ruínas do antigo Terminal Turístico, localizadas entre os molhes da Barra e a entrada do bairro-balneário. Neste local havia terminal de ônibus de turismo, com estrutura de camping, vestiários e restaurantes.

Ainda é possível localizar as ruínas ao visualizar uma caixa d'água abandonada a caminho dos molhes, sendo ponto de referência entre os veranistas que, fora das grandes cidades, buscam paz e tranquilidade à beira da praia. Atualmente, ambas as ruínas estão semi-cobertas pela areia, quase desaparecidas.

Há muitos anos, o bairro-balneário conseguiu reverter a má situação com uma série de atrações e curiosidades turísticas.

Em 12 de novembro de 1966, foi cenário de lançamentos de foguetes da NASA[2], durante um eclipse total do Sol, reunindo cientistas e populares[3]. Dezenas de técnicos e cientistas norte-americanos, japoneses e europeus desembarcaram no município do Rio Grande, transformando-o no primeiro município brasileiro usado para o lançamento de foguetes da agência espacial norte-americana.

A notoriedade da praia do Cassino se dá pela razão de ter sido listada no Guiness Book, o Livro dos Recordes, em 1994, como a maior praia do mundo. No entanto, o livro ignorou o fato da dita "maior praia" abranger as praias do Hermenegildo e da Barra do Chuí, pertencentes ao município vizinho de Santa Vitória do Palmar. Nas edições posteriores, o Guinness Book se limitou a retirar a praia do livro, mas não se retratou. Desde então, existe uma rixa entre os moradores mais bairristas das duas praias, Cassino e Hermenegildo, sobre qual seria a maior do mundo, considerando o farol Sarita como limite físico entre elas. O fato temos é que o bairro-balneário foi o primeiro construído nesta praia em 1989, e o Hermenegildo surgiu apenas em 1920. Desde a época, a praia é considerada como sendo do município do Rio Grande e o seu bairro-balneário por autoridades federais e geográficas justamente pelo fato que não existem limitações territoriais em faixas contínuas de areia.

Temos então a maior extensão de faixa de areia (ou praia) ininterrupta (sem acidentes geográficos) do Brasil, com 254Km de extensão em balneabilidade.[4]

A praia do Cassino também dá nome ao bairro-balneário pertencente ao Município do Rio Grande, contando com uma autarquia[5], que foi extinta e reestruturada em 25 de novembro de 2003 recebendo o nome SEC (Secretaria Especial do Cassino), que é uma extensão da Prefeitura do Município do Rio Grande. Por ser dependente financeiramente do Centro do município do Rio Grande e por não possuir uma prefeitura própria, a nomenclatura correta a ser usada é bairro-balneário e não apenas balneário, fora o fato que, por lei federal bairros não podem ser emancipados, apenas distritos.

Navio Altair, encalhado na praia do Cassino.

Locais turísticos[editar | editar código-fonte]

Molhe oeste[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Molhes da Barra
Navio Altair em fevereiro de 2016

No ponto extremo da praia, foi construído um molhe com toneladas de pedras que invadem o mar aberto. Sua formação, junto com o Molhe Leste, do outro lado do canal de navegação, protege a entrada e saída de navios para o Rio Grande. No Molhe Oeste é possível pegar uma vagoneta, movida a vela, que desliza lentamente pelos trilhos oceano adentro até chegar na torre do farol. A viagem leva cerca de 20 minutos e percorre uma extensão de 4,3 quilômetros. No trajeto pode-se ainda ter a sorte de ver golfinhos e mergulhões.

O balneário tem um carnaval que reúne centenas de pessoas, com diversos blocos carnavalescos abrilhantando mais este bairro-balneário.

Navio encalhado[editar | editar código-fonte]

A dezesseis quilômetros do centro do Cassino em sentido ao Chuí, encontra-se encalhado, na beira da praia, o navio Altair desde junho de 1976, após enfrentar uma forte tempestade.[6][7]

Estátua de Iemanjá[editar | editar código-fonte]

Cartão postal do balneário, está localizada no inicio da Av. Rio Grande de costas para o mar. Foi esculpida pelo artista rio-grandino Érico Gobbi, toda em cimento. [8]

Referências

  1. Enke, Rebecca Guimarães (19 de abril de 2005). «Balneário Villa Sequeira: a invenção de um novo lazer (1890-1905) Rio Grande, RS, Brasil» 
  2. «SP-4401 - NASA SOUNDING ROCKETS, 1958-1968: A Historical Summary». history.nasa.gov. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  3. «Projeto Eclipse: os 50 anos do dia em que a Nasa lançou foguetes da praia do Cassino». GaúchaZH. 11 de novembro de 2016. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  4. «The Longest Beaches In The World». WorldAtlas (em inglês). 19 de fevereiro de 2020. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  5. Lei 5830/03 | Lei nº 5830 de 25 de novembro de 2003 - CRIA A SECRETARIA ESPECIAL DO CASSINO - SEC, E EXTINGUE A AUTARQUIA DO BALNEÁRIO CASSINO - ABCl
  6. «Prefeitura do Rio Grande > Atrativos Turísticos - Navio Altair». www.riogrande.rs.gov.br. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  7. House, W. D. «Navio Altair: guardiões preservam a história do cargueiro». Grupo Oceano. Consultado em 19 de fevereiro de 2020 
  8. «Atrativos turísticos: Estátua de Iemanjá.». Consultado em 20 de outubro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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