Primo e Feliciano

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Santos Primo e Feliciano
Imagem no Códice Bodmer, com São Feliciano pregado num árvore e São Primo engolindo chumbo derretido.
Mártires
Nascimento Início do século III em Nomento, Império Romano
Morte 297 em Via Nomentana, Roma
Veneração por Igreja Católica
Principal templo Santo Stefano Rotondo, Roma
Festa litúrgica 9 de junho
Atribuições Retratados em seu martírio: São Feliciano pregado numa árvore e São Primo, forçado a beber chumbo derretido.
Gloriole.svg Portal dos Santos

Primo e Feliciano (em latim: Primus et Felicianus) foram irmãos martirizados em 297 durante a perseguição de Diocleciano. Segundo o "Martyrologium Hieronymianum"[1], os dois foram enterrados no décimo-quarto marco quilométrico da Via Nomentana.

Aparentemente, os dois parecem ter sido os primeiros mártires cujos corpos foram posteriormente realocados para uma sepultura no interior das muralhas de Roma. Em 648, o papa Teodoro I transladou os ossos dos dois santos (e do pai deles) para Santo Stefano Rotondo e os depositou abaixo de um altar erigido em homenagem a eles (Livro Pontifical, I, 332), onde permanecem até hoje. A "Capela dos Santos Primo e Feliciano" ostenta mosaicos do século VII e foi construída por Teodoro I. Num deles, os irmãos estão flanqueando uma cruz gemada.

Outras representações dos dois santos podem ser vistas em Veneza, na Basílica de São Marcos (século XIII), e em Palermo, na Capela Palatina (século XII).

Devoção[editar | editar código-fonte]

A festa litúrgica dos irmãos é no dia 9 de junho. No passado, eles estavam também incluídos no Calendário Geral Romano, mas, por conta do limitado interesse mundial, decidiu-se em 1969 deixar a cargo de cada diocese a decisão de incluí-los ou não em seus calendários locais[2].

Veneração na Baviera[editar | editar código-fonte]

Uma tradição bávara defende que os Santos Primo e Feliciano eram legionários romanos que se tornaram missionários na região de Chiemgau, onde Primo encontrou uma fonte com propriedades milagrosas. Os dois pregaram o Evangelho no local e curaram com base em suas orações e nas virtudes da fonte. Quando eles retornaram para Itália, acabaram mortos por Diocleciano. A fonte, conhecida até hoje como "Fonte de São Primo", ainda pode ser visitada em Adelholzen, uma região famosa por suas fontes termais onde uma capela dedicada aos dois santos, de 1615, ainda existe[3].

Veneração em Agen[editar | editar código-fonte]

No século IX, o culto a Santa Fé foi fundido com o de Caprásio (Caprais) e Alberta de Agen, ambos ligados a Agen[4]. O culto de São Caprásio foi, por sua vez, fundido com o dos Santos Primo e Feliciano, chamados na região de "irmãos de Caprásio"[5].

Uma lenda afirma que, durante as perseguições aos cristãos pelo presidente Públio Daciano, Caprásio fugiu para Mont-Saint-Vincent, perto de Agen. Lá, ele presenciou a execução de Santa Fé do alto de uma montanha. Caprásio foi condenado à morte e a ele se juntou, no caminho da execução, Alberta, irma de Fé (por vezes identificada também como mãe de Caprásio[5]), e dois irmãos dele, Primo e Feliciano. Segundo esta tradição, os quatro foram decapitados.

Atos[editar | editar código-fonte]

Os "Atos" dos dois relatam que os Santos Feliciano e Primo eram irmãos e patrícios que se converteram ao cristianismo e, depois disso, se dedicaram ao cuidado dos pobres e dos prisioneiros.

Presos, ambos se recusaram a realizar sacrifícios aos deuses romanos. Foram presos e flagelados. Foram depois levados separadamente a julgamento perante o juiz Promoto, que os torturou em conjunto e tentou convencê-los, separadamente, que um ou outro havia renegado a fé realizando o sacrifício. Porém, nada funcionou com os irmãos e ambos foram em seguida decapitados por ordem de Diocleciano[6]. Segundo a tradição, São Primo tinha oitenta anos na data de sua morte e uma igreja foi construída na Via Nomentana no lugar de sua morte.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ed. G. B. de Rossi-L. Duchesne, 77
  2. Calendarium Romanum (Libreria Editrice Vaticana 1969), p. 125
  3. «Cópia arquivada». Consultado em 18 de junho de 2015. Arquivado do original em 10 de maio de 2006 
  4. Alban Butler, David Hugh Farmer, Paul Burns, Butler's Lives of the Saints (Liturgical Press, 2000), 139.
  5. a b St. Caprasius - Saints & Angels - Catholic Online
  6. "Lives of the Saints, For Every Day of the Year," ed. Rev. Hugo Hoever, S.O.Cist., Ph.D., New York: Catholic Book Publishing Co., 1955, p. 220

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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