Scanimate

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Scanimate é o nome de um sistema analógico de animação por computador (sintetizador de vídeo) desenvolvido em 1968 e muito utilizado até o fim da década de 1980 para produzir animação digital, vinhetas e efeitos visuais.

Os sistemas Scanimate foram usados para produzir grande parte da animação baseada em vídeo que eram vistas na televisão entre a maioria dos anos 1970 e 1980 em comerciais, vinhetas e aberturas. Uma das maiores vantagens que o sistema Scanimate teve sobre a animação baseada em filmes e a animação por computador foi a capacidade de criar animações em tempo real. A velocidade com que a animação poderia ser produzida no sistema devido a isso, bem como a sua gama de possíveis efeitos, ajudou a superar as técnicas de animação cinematográficas para os gráficos exibidos na televisão. Em meados da década de 1980, foi superado pela animação digital por computador, que produziu imagens mais nítidas e imagens 3D mais sofisticadas.

As animações criadas em Scanimate e sistemas analógicos similares possuem uma série de características que os distinguem da animação baseada em filmes: o movimento é extremamente fluido, usando todos os 60 fotogramas por segundo (em sistema NTSC) ou 50 fotogramas (em sistema PAL) em vez dos 24 quadros por segundo que o filme usa; As cores são muito mais brilhantes e mais saturadas; E as imagens têm um aspecto muito "eletrônico" que resulta da manipulação direta de sinais de vídeo através dos quais o Scanimate produz as imagens.

Utilização[editar | editar código-fonte]

Uma câmera em preto e branco especial de alta resolução (cerca de 800 linhas de resolução) grava a logomarca ou um texto qualquer em alto contraste. A imagem é então exibida em uma tela de alta resolução. Ao contrário de um monitor normal, seus sinais de deflexão são passados ​​através de um computador analógico especial que permite ao operador dobrar a imagem de diversas maneiras.

A imagem é então tirada da tela por uma câmera de filme ou uma câmera de vídeo. No caso de uma câmera de vídeo, esse sinal é alimentado em um colorizador, um dispositivo que leva certos tons de cinza e o transforma em cor e transparência. A ideia por trás disso é que a saída do Scanimate em si é sempre monocromática. Outra vantagem do colorizador é que dá ao operador a capacidade de adicionar continuamente camadas, possibilitando a criação de gráficos muito complexos. Isso é feito usando dois gravadores de vídeo. O fundo é reproduzido por um gravador e depois gravado por outro. Este processo é repetido para cada camada.

Para fazer esses gráficos, eram exigidos gravadores de vídeo de muito alta qualidade (como o IVc-9000 da Ampex VR-2000 ou IVC. Da era do Scanimate, o IVC-9000 sendo usado bastante freqüentemente para a composição do Scanimate devido à sua alta qualidade geracional entre re-gravações). As vinhetas eram renderizadas em filmes de 8 mm ou fitas U-Matic ou Quadruplex.

Scanimate no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, muitas emissoras usaram o Scanimate, entre elas, a TVS (atual SBT), a extinta TV Tupi, a Rede Record e a Rede Globo.

As animações por esse sistema custavam um luxo na época. Até 1979, criar uma animação para a televisão em Scanimate custava aproximadamente US$ 2.500 (que em valores de 2008, equivaleria a cerca de US$ 12.000). Apenas 16 computadores desse tipo foram feitos. As empresas que foram conhecidas por realizar animações desse tipo foram a Image West, de Los Ángeles, Califórnia, e a Dolphin Productions, de Nova York, ambas nos Estados Unidos. Essas duas empresas estadunidenses ficaram conhecidas por terem feito a maior parte das vinhetas do SBT, Record, Globo e Rede Tupi.

Na América Latina, teve somente 2 proprietários desse sistema: a Telerey (atual Multivisión), que nos anos 1970 e 1980, era uma divisão da Televisa, sediada na Cidade do México; e a TVN do Chile, que anos mais tarde, complementou o Scanimate com um gravador de vídeo Ampex AVA-1 em 1982 até trocar por um Quantel Paintbox e um Ampex ADO, já no fim da década de 1980. As demais produtoras, emissoras, e redes de televisão, mandavam fazer suas animações e gráficos no exterior, que chegavam ao país de transmissão por via aérea.

O Scanimate parou de ser usado em 1987, quando algumas empresas começaram a usar computadores Macintosh da Apple Inc. para fazer vinhetas mais modernas. Algumas empresas ainda usam o Scanimate para estudos.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Dos 8 Scanimates fabricados entre 1968 e 1972, somente 3 estão funcionando. Os demais estão quebrados e foram para alguns museus. Um deles está no Museu da TV, em Brasília, DF.
  • Há uma técnica de animação, usada em um livro de Rufus Butler Seder, intitulada Scanimation Picture Book, que funciona assim: 3 figuras sequenciais são especialmente superpostas em uma, e sobre esta desliza-se um filme transparente com linhas verticais pretas. Estas linhas são 3 vezes mais grossas que o espaço transparente entre elas. Quando a "grade" desliza sobre a figura, apenas uma das figuras superpostas aparece de cada vez, criando a ilusão de movimento.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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