Tatiana Belinky

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Tatiana Belinky
Nascimento 18 de março de 1919
Petrogrado, Rússia
Morte 15 de junho de 2013 (94 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade Rússia Russa
Ocupação Escritora

Tatiana Belinky (Petrogrado, 18 de março de 1919São Paulo, 15 de junho de 2013)[1] foi uma escritora infanto-juvenil contemporânea. É autora, tradutora e adaptadora[2] de mais de 250 livros voltados para este público. Nascida na Rússia, chegou ao Brasil com dez anos de idade. Recebeu a cidadania brasileira e foi radicada em São Paulo há mais de oitenta anos.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Tatiana Belinky nasceu em Petrogrado, atual São Petersburgo, na Rússia, no dia 18 de março de 1919. Seus avós eram madeireiros, exportavam pinho-de-riga, madeira vendida para o mundo inteiro.[4] Quando tinha pouco mais de um ano, os pais, "filhos de gente abastada", segundo a própria autora diria décadas mais tarde,[4] voltaram para Riga, capital da Letônia, terra natal da família. Tatiana Belinky conta:

"Nasci em 1919 na Rússia, meus pais eram da Letônia. Minha mãe era feminista e comunista. Aliás, ela pensava que era comunista. Todo mundo queria que ninguém fosse pobre... Ela era cirurgiã-dentista e trabalhava na Rússia na época da Revolução de 1917. O clima estava ruim em São Petesburgo, e fomos para a Letônia. Meu pai ainda estava estudando psicologia. Fiquei até os 10 anos lá."[5]

Em setembro de 1929, em parte por conta das dificuldades socioeconômicas da crise de 1929, ela, então com 10 anos (sendo a irmã mais velha), os dois irmãos e os pais radicaram-se no Brasil, fixando residência na cidade de São Paulo. Nessa altura, já era fluente em russo, alemão e letão. A viagem foi de navio, e fixaram-se numa pensão. Dois meses depois, sua mãe conseguiu um consultório no Largo do Arouche, enquanto o pai, poliglota, representava grandes firmas de celulose no Canadá, Estados Unidos, Suécia, mas morreu aos 45 anos num acidente de avião, fazendo com que a família passasse por dificuldades econômicas.

No início, Tatiana Belinky estudou numa escola alemã na Praça Roosevelt, mas, segundo ela própria conta,[5] o clima do nazismo da Segunda Guerra Mundial fez com que a garota fosse transferida para uma escola americana no bairro de Higienópolis, passando a infância no Mackenzie.

Aos dezoito anos, após concluir um curso pela faculdade Mackenzie, Tatiana Belinky começou a trabalhar como secretária-correspondente bilíngue, nos idiomas português e inglês. Aos vinte ingressou no curso de Filosofia da Faculdade São Bento, mas abandonou em seguida, quando se casou com o médico e educador Júlio Gouveia, em 1940. O casal teve dois filhos.

No ano de 1948, começa a trabalhar em adaptações, traduções e criações de peças infantis para a prefeitura de São Paulo em parceria com o marido. Em 1952 encenam "Os Três Ursos" em pedido da TV Tupi, que atinge grande sucesso. O êxito deste trabalho foi definitivo para a carreira da escritora iniciante: o casal é convidado a ter um programa fixo.

Dentro da casa, Tatiana e Júlio fazem a primeira adaptação de o Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. O trabalho do casal na Tupi seguiria até 1966. Nesse tempo Tatiana Belinky recebe seus primeiros prêmios como escritora, além de se tornar presidente da CET.

Em 1972 passou a trabalhar na TV Cultura e em grandes jornais do estado de São Paulo, como a Folha de S.Paulo e o Jornal da Tarde, escrevendo artigos, crônicas e crítica

Finalmente, em 1985, ela desponta como escritora de livros, colaborando em uma série infanto-juvenil. Em 1987 o primeiro livro, Limeriques, pela editora FTD, baseando-se nos limericks irlandeses. A partir dessa publicação, Tatiana passa a trabalhar fervorosamente sobre novas criações, chegando a escrever mais de cem obras. Suas publicações são acompanhadas por vários prêmios literários, entre eles o célebre Prêmio Jabuti, recebido em 1989.

De sua vasta obra, destacam-se Coral dos Bichos, Limeriques, O Grande Rabanete, Diversos russos, Limerique das Coisas Boas, entre outros. No final da vida, publicava livros de crônicas e memórias.

Em 25 de outubro de 2010, foi agraciada com a comenda da Ordem do Ipiranga pelo Governo do Estado de São Paulo.[6]

Belinky morreu aos 94 anos, após 11 dias de internação no Hospital Alvorada, em São Paulo.[1]

Referências

  1. a b estadão.com.br (16 de junho de 2013). «Tatiana Belinky, autora de livros infanto-juvenis, morre aos 94 anos». Consultado em 16 de junho de 2013 
  2. Gleiton Lentz e Andréia Guerini (26 de maio de 2005). «Tatiana Belinky». DITRA - Dicionário de tradutores literários no Brasil, UFSC. Consultado em 1 de setembro de 2016 
  3. Julia Priolli (16 de março de 2012). «O livro é um objeto mágico». Revista Educar para Crescer, Ed. Abril. Consultado em 14 de fevereiro de 2013. Arquivado do original em 14 de outubro de 2012 
  4. a b "Entrevista: Tatiana Belinky". Escrevendo o Futuro. Revista Na Ponta do Lápis: Ano V, Número 12, dezembro de 2009. Acesso: 25/10/2020.
  5. a b "Entrevista com Tatiana Belinky". Pais e Filhos (17 de junho de 2013). Acesso: 25/10/2020.
  6. «A artista plástica Maria Bonomi é homenageada no Palácio dos Bandeirantes». Memorial da América Latina. 4 de novembro de 2010. Consultado em 12 de março de 2018. Arquivado do original em 12 de junho de 2018 
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