Torneio do Povo

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O Torneio do Povo, cujo nome oficial era Torneio General Emílio Garrastazu Médici, foi uma competição brasileira de futebol realizada no início dos anos 70. Foram realizadas três edições, entre 1971 e 1973.

O Torneio reunia os clubes com as maiores torcidas de seus respectivos estados no País. Em sua primeira edição, o Torneio do Povo contou com o Flamengo, Corinthians, Atlético-MG e Internacional. Na segunda, o Bahia foi incluso no Torneio, e na terceira edição (1973), o Coritiba se juntou aos cinco participantes de 1972. O aumento do número de participantes foi proposto pelo Atlético Mineiro em dezembro de 1972, e aprovado pelos organizadores do torneio, que eram os clubes originalmente participantes.[1] O torneio não foi um torneio oficial da CBD, foi idealizado pelo Atlético-MG e organizado pelos próprios clubes participantes.[2][3][4][5] Segundo a Folha de S.Paulo de 1 de janeiro de 1971, o Torneio do Povo foi criado por Atlético-MG e Flamengo, sobretudo através do presidente do Flamengo, André Richter, e a primeira reunião de organização do mesmo ocorreu na sede do Flamengo. Segundo o mesmo jornal de 7 de janeiro de 1971, foram os próprios clubes participantes que decidiram dar-lhe o nome de Torneio Emílio Garrastazu Médici.

As fontes da época divergem se o Torneio (ou uma de suas edições) foi oficial.

O jornal O Estado de São Paulo sustenta em 1973 que, segundo o assessor jurídico Valed Perry, da CBD,[6] o Torneio do Povo era oficial porque seu regulamento foi aprovado pela CBD.[7] O mesmo jornal diz em  2 de janeiro de 1973 que, desde o ano anterior (1972), a CBD endossava o torneio como programação oficial, chamando para si o seu patrocínio. Porém, não deixa claro se a CBD endossou o Torneio ao longo de 1972 (com vistas à edição de 1973), ou se o endosso ocorreu também em referência à edição de 1972, ocorrida bem no início do ano.[8] No caso do jornal Folha de S.Paulo, a edição de 14 de novembro de 1972 (posterior à edição de 1972) é a mais antiga em que ambos (CBD e Torneio do Povo) são relacionados. O jornal diz que a CBD se reuniu com os clubes participantes do torneio, e que a CBD queria 8 participantes no Torneio de 1973, pois a CBD queria que as partidas da próxima edição do mesmo (a de 1973) passassem a fazer parte da Loteria Esportiva. Segundo o Jornal, os 8 participantes seriam provavelmente Flamengo, Corinthians, Coritiba, Internacional, Atlético-MG, Bahia, Santa Cruz e Ceará.[9]

Segundo os jornais Correio da Manhã e Tribuna de Imprensa, de 19 de dezembro de 1972, o Torneio do Povo era organizado pelo Flamengo, e a partir da próxima edição (1973) seria patrocinado pela Loteria Esportiva, com este último jornal informando que em 1973 ele seria disputado por Flamengo, Atlético-MG, Corinthians, Internacional, Bahia e Coritiba.[10][11]

O jornal O Estado de S. Paulo de 3 de fevereiro de 1972 diz que o Flamengo poderia perder pontos, além de outras sanções da CBD, por ter escalado jogador que havia sido suspenso por duas partidas.[12] Porém, tal punição não ocorreu e o Flamengo foi campeão. O Jornal do Brasil indica que o Torneio do Povo de 1972 fazia parte do calendário da CBD (jornal de 28 de dezembro de 1971), na mesma data afirmando que o Atlético-MG convidou o Bahia para participar, e afirma que, em 1972 "na fase de amistosos, o Flamengo conquistou o Torneio do Povo" (jornal de 20 de agosto de 1972).

As edições do Jornal no Brasil e do jornal O Estado de São Paulo do início de 1973 dão conta que, não só nas edições de 1971 e 1972 mas também na edição de 1973, os clubes participantes eram os organizadores do Torneio, no que diz respeito aos convites a outros possíveis participantes e a elaboração da tabela.[13] 

O torneio não foi criado pela CBD. Em 16 de janeiro de 1971, o jornal O Estado de São Paulo publicou que os diretores do Atlético-MG ficaram preocupados ao saberem de Ofício enviado pela CBD à Federação Mineira de Futebol dizendo que todo o torneio com clubes de mais de uma Federação Estadual terá de ser supervisionado por ela ou pela entidade estadual mediante licença prévia, o que colocava em risco o Torneio do Povo, mas que os dirigentes atleticanos ficaram tranquilos ao serem informados que tinham apenas que enviar o regulamento do torneio para que a CBD não interviesse ou o cancelasse.[4]

Os jornais Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, Diário de Notícias e Correio da Manhã sustentam que o Torneio do Povo foi oficialmente reconhecido pela CBD durante a edição de 1973. O Correio da Manhã publicou em 3 de março de 1973 que, após o empate entre Flamengo e Bahia pelo Torneio do Povo de 1973, o Flamengo ficou esperançoso de levar os pontos da partida, pelo Bahia ter escalado o jogador Washington,[14] e dez dias depois publicou que os dirigentes do Flamengo ainda não haviam recebido uma resposta positiva do CND sobre a oficialidade do Torneio.[15] Em 26 de fevereiro de 1973, o jornal Tribuna da Imprensa publicou: "a CBD decidirá hoje, com o parecer do Departamento de Futebol, se o Torneio do Povo é ou não oficial. Se for considerado oficial, o Flamengo deverá ganhar os pontos do jogo contra o Bahia, mas se não for, o seu recurso não deverá ser aceito pelo Tribunal Especial. Segundo Valed Perry, assessor jurídico da CBD, hoje ele dará seu parecer favorável ao Flamengo, entendendo que o Torneio do Povo, de acordo com o regulamento, tem a participação de mais de duas federações, e portanto a CBD deve patrociná-lo. Mas o presidente João Havelange sábado, disse no coquetel do Hall dos elevadores do Maracanã, que este ano a CBD não deverá reconhecer o Torneio do Povo como oficial, mas no futuro sim."[16] A edição do mesmo jornal do dia seguinte afirma que o Flamengo foi desclassificado do torneio (ou seja, não levou os pontos da partida contra o Bahia), com Coritiba e Bahia indo à final do torneio de 1973.[17] A edição de 12 de março de 1973 do mesmo jornal afirma, sobre a suspensão a ser cumprida pelo jogador Paulo César do Flamengo: "agora descobrem que o Torneio do Povo não era oficial. e que mesmo não jogando contra o Coritiba, Paulo César ainda não cumpriu a suspensão automática. E por causa disso não vai poder jogar contra o Olaria, quando o Flamengo estreia no Campeonato (Estadual)."[18] Em 14 de março de 1973 publicou, falando do desempenho do Flamengo no ano: "Mas eram partidas amistosas e mesmo as do Torneio do Povo não foram disputadas com aquele entusiasmo".[19] Segundo o Jornal do Brasil de 8 de março de 1973, o Torneio do Povo não era considerado oficial pelo CND.[20]  Em 13 de março de 1973 o mesmo jornal publicou: "Existem duas opiniões neste caso. O consultor jurídico da CBD, Sr. Valed Perry, afirrna que o Torneio do Povo é oficial. O presidente da CBD João Havelange diz que não. O CND é quem vai explicar e o Tribunal decidirá".[21] Em 14 de março de 1973, o mesmo jornal publicou que a CBD considerou o Torneio do Povo como sendo oficial, o que poderia dar ao Flamengo os pontos da partida contra o Bahia. Porém, o Flamengo não recebeu os pontos, e Bahia e Coritiba decidiram o Torneio do Povo de 1973.[22] Segundo o jornal Diário de Notícias, a questão sobre se o Torneio do Povo era ou não oficial surgiu mediante a expulsão de Paulo César, do Flamengo, no jogo contra o Bahia, pelo torneio de 1973. O jogador havia cumprido "suspensão automática" contra o Coritiba, também pelo Torneio do Povo de 1973, mas quando se colocou em dúvida se o Torneio do Povo era oficial, surgiu a dúvida se esta "suspensão" automática era válida, ou se o jogador teria que cumprir "suspensão automática"  no jogo seguinte, contra o Olaria, pelo Campeonato Carioca. Segundo publicou o jornal: "Paulo César é presença certa na equipe do Flamengo para o jogo de hoje à noite contra o Olaria. A escalação do jogador foi baseada em uma resolução da CBD que considera o Torneio do Povo uma competição oficial daquela entidade. Esta resolução é de 23 de fevereiro, data essa posterior ao jogo do Flamengo contra o Bahia, quando Paulo César foi expulso. Sendo o Torneio do Povo considerado oficial, ele tem condições de jogar, pois já cumpriu um jogo de suspensão contra o Coritiba."[23] Segundo o jornal Diário de Notícias de 21 de março de 1973, sobre o julgamento de 2 jogadores por confusões ocorridas na partida Bahia X Flamengo pelo Torneio do Povo de 1973: "o Tribunal Especial da CBD não julgou Paulo César e Moreira, porque um dos seus juízes levantou a questão se o Torneo do Povo era ou não oficial Agora, mais um tempo vai passar até que a CBD informe ao Tribunal sobre a oficialidade ou não da disputa".[24] Posteriormente, o jogador Paulo César foi julgado e multado.

As fontes não afirmam se o reconhecimento da CBD à oficialidade do Torneio em 1973 foi ou não retroativa às edições de 1971 e 1972.

O Coritiba Foot Ball Club, campeão da edição de 1973, anunciou em 2010 querer o reconhecimento do Torneio do Povo como torneio nacional pela CBF.[25]

Campeões[editar | editar código-fonte]

Ano Campeão Vice
1971
Detalhes
São Paulo
Corinthians
Rio Grande do Sul
Internacional
1972
Detalhes
Rio de Janeiro
Flamengo[26]
Minas Gerais
Atlético Mineiro
1973
Detalhes
Paraná
Coritiba
Bahia
Bahia

Títulos por equipe[editar | editar código-fonte]

Clube Estado Títulos Vices
Corinthians São Paulo São Paulo 1 (1971) 0
Coritiba Paraná Paraná 1 (1973) 0
Flamengo Rio de Janeiro Rio de Janeiro 1 (1972) 0
Atlético Mineiro Minas Gerais Minas Gerais 0 1 (1972)
Bahia Bahia Bahia 0 1 (1973)
Internacional Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul 0 1 (1971)

Títulos por estado[editar | editar código-fonte]

Estado Títulos Vices
 Paraná 1 0
 Rio de Janeiro 1 0
 São Paulo 1 0
Bahia Bahia 0 1
 Minas Gerais 0 1
 Rio Grande do Sul 0 1

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Jornal O Estado de S. Paulo, 27/12/1972, pág.28
  2. Jornal O Estado de S. Paulo, 03/Janeiro/1971, página 30
  3. Jornal O Estado de S. Paulo, 06/Janeiro/1971, página 18
  4. a b Jornal O Estado de S. Paulo, 16/Janeiro/1971, página 16
  5. Jornal O Estado de S. Paulo, 05/Janeiro/1972, página 20
  6. Revista Placar, 19 mar. 1971, informando que Valed Perry era em 1971 assessor jurídico da CBD.
  7. Jornal O Estado de S. Paulo, 23/Fevereiro/1973, página 21
  8. Jornal O Estado de S. Paulo, 02/Janeiro/1973, página 18.
  9. Folha de S.Paulo de 14/11/1972.
  10. Jornal Correio da Manhã, 19/12/1972, página 24, edição 24446.
  11. Jornal Tribuna de Imprensa, 19/12/1972, página 12, edição 6880.
  12. Jornal O Estado de S. Paulo de 03/Fevereiro/1972, página 30.
  13. Acervo do Jornal do Brasil no site Memoria BN, da Biblioteca Nacional.
  14. Jornal Correio da Manhã, 03/03/1973, página 8, edição 24510.
  15. Jornal Correio da Manhã, 13/03/1973, página 8, edição 24516.
  16. Jornal Tribuna da Imprensa, 26/02/1973, página 12, edição 6936.
  17. Jornal Tribuna da Imprensa, 27/02/1973, página 12, edição 6937.
  18. Jornal Tribuna da Imprensa, 12/03/1973, página 3, edição 6946.
  19. Jornal Tribuna da Imprensa, 14/03/1973, página 12, edição 6948.
  20. Jornal do Brasil,  08/03/1973, catalogado como edição 317 de 1973.
  21. Jornal do Brasil,  13/03/1973.
  22. Jornal do Brasil,  14/03/1973, catalogado como edição 322 de 1973.
  23. Diário de Notícias, edição 15455, pág. 12,  de 14/03/1973.
  24. Jornal Diário de Notícias, 21/03/1973, edição 15461, capa, páginas 11 e 12
  25. Globo Esporte 16/12/2010 22h29 - Atualizado em 16/12/2010 22h57 Coxa quer Torneio do Povo de 1973 reconhecido como título brasileiro.
  26. Azeredo, Paulo (7 de novembro de 2000). «Torneio do Povo 1972» (em inglês). RSSSF. Consultado em 24 de novembro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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