Viperinae

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Como ler uma infocaixa de taxonomiaViperinae
Víbora-de-russell, Daboia russelii, um viperino
Víbora-de-russell, Daboia russelii, um viperino
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Subfamília: Viperinae
Oppel, 1811
Sinónimos

Viperinae, ou viperinos, é uma subfamília de víboras venenosas endémicas da Europa, Ásia e África. Distinguem-se por não possuírem as fossetas características do seu grupo-irmão, a subfamília Crotalinae. Actualmente são reconhecidos 12 géneros e 66 espécies.[2] Na sua maioria são animais tropicais e subtropicais, embora uma espécie, Vipera berus, ocorra no interior no Círculo Polar Ártico.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os membros desta subfamília variam em tamanho desde Bitis schneideri, que atinge um comprimento total máximo de apenas 71 cm, até Bitis gabonica, que pode atingir os 2 m de comprimento total máximo. A maioria das espécies são terrestres, mas algumas, como as do género Atheris, são totalmente arborícolas.[3]

Embora as fossetas detectoras de calor que caracterizam Crotalinae estejam claramente ausentes nos viperinos, foi descrita uma bolsa supranasal com função sensorial em várias espécies. Esta bolsa é uma invaginação de pele entre as escamas supranasal e nasal e está ligada ao ramo oftálmico do nervo trigémeo. As terminações nervosas assemelham-se às das fossetas labiais das boas. O saco supranasal está presente nos géneros Daboia, Pseudocerastes e Causus, mas é particularmente bem desenvolvido no género Bitis. Experiências demonstraram que as investidas são guiadas não só por pistas visuais e químicas, mas também pelo calor, com alvos mais quentes a serem atacados mais frequentemente que os mais frios.[3]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Os viperinos podem ser encontrados na Europa, Ásia e África,[1] (excepto em Madagáscar).[4]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Geralmente, os membros desta subfamília são ovovivíparos, embora algumas espécies, incluindo os géneros Pseudocerastes, Cerastes, e algumas de Echis sejam ovíparas.[3]

Géneros[editar | editar código-fonte]

Género[2] Autoridade[5] Espécie[2] Subsp.*[2] Nome-comum[3][6] Distribuição geográfica[1]
Atheris Cope, 1862 8 1 Víboras-dos-arbustos África subsariana tropical, excluindo África Austral.
Bitis Gray, 1842 14 2 Víboras-sopradoras África e sul da Península Arábica.
Causus Wagler, 1830 7 África subsariana.
Cerastes Laurenti, 1768 3 0 Víboras-cornudas Norte da África para leste passando pela Península Arábica e Irão.
Daboia Gray, 1842 2 0 Víbora-de-russell Paquistão, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Nepal, Mianmar, Tailândia, Camboja, China (Guangxi e Guangdong), Taiwan e Indonésia (Endeh, Flores, Java oriental, ilhas de Komodo e Lomblen).
Echis Merrem, 1820 8 6 Víboras-escama-de-serra Índia e Sri Lanka, partes do Médio Oriente e África a norte do equador.
Eristicophis Alcock e Finn, 1897 1 0 Víbora-de-McMahon Região desértica do Baluchistão, próximo da fronteira Irão-Afeganistão-Paquistão.
Macrovipera A.F. Reuss, 1927 4 4 Semidesertos e estepes do Norte de África, Próximo e Médio Oriente, e arquipélago de Milos no Mar Egeu.
Montatheris Broadley, 1996 1 0 Víbora-de-montanha-do-quénia Quénia: charnecas dos Montes Aberdare e Monte Quénia acima dos 3000 m.
Montivipera Nilson, Tuniyev, Andrén, Orlov, Joger & Herrmann, 1999 8 0 Médio Oriente, Cáucaso e Grécia
Proatheris Broadley, 1996 1 0 Víbora-dos-pântanos Planícies de inundação desde o sul da Tanzânia (parte norte do lago Malawi) passando pelo Malawi até próximo de Beira, no centro de Moçambique.
Pseudocerastes Boulenger, 1896 1 1 Falsa-víbora-cornuda Desde o Sinai do Egipto para leste até ao Paquistão.
ViperaT Laurenti, 1768 23 12 Víboras-paleárticas Grã-Bretanha e quase toda a Europa Continental atravessando o Círculo Polar Ártico e algumas ilhas do Mediterrâneo (Elba, Montecristo, Sicília) e Mar Egeu para leste através do norte da Ásia até à ilha Sacalina e Coreia do Norte. Também encontradas no Norte de África, em Marrocos, Argélia e Tunísia.

*) Sem incluir a subespécie nominativa.
T) Género-tipo.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Até há pouco tempo, incluíam-se nesta subfamília outros dois géneros. Contudo, eventualmente foram considerados tão distintos entre os membros de Viperidae que se criaram subfamílias separadas para eles:[1]

No entanto, estes grupos, juntamente com os géneros actualmente reconhecidos como fazendo parte de Viperinae, ainda são colectivamente referidos como víboras verdadeiras.[3]

Broadley (1996) reconheceu uma nova tribo, Atherini, para os géneros Atheris, Adenorhinos, Montatheris e Proatheris, cujo género-tipo é Atheris.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T. 1999. Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, Volume 1. Washington, District of Columbia: Herpetologists' League. 511 pp. ISBN 1-893777-00-6 (series). ISBN 1-893777-01-4 (volume).
  2. a b c d Viperinae (TSN 563898) (em inglês) . Integrated Taxonomic Information System (www.itis.gov)
  3. a b c d e f Mallow D, Ludwig D, Nilson G. 2003. True Vipers: Natural History and Toxinology of Old World Vipers. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company, Malabar. 359 pp. ISBN 0-89464-877-2.
  4. Stidworthy J. 1974. Snakes of the World. New York: Grosset & Dunlap Inc. 160 pp. ISBN 0-448-11856-4.
  5. «The Reptile Database» 
  6. Spawls S, Branch B. 1995. The Dangerous Snakes of Africa. Ralph Curtis Books. Dubai: Oriental Press. 192 pp. ISBN 0-88359-029-8.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Viperinae
  • Breidenbach CH. 1990. Thermal Cues Influence Strikes in Pitless Vipers. Journal of Herpetology 4: 448-450.
  • Broadley DG. 1996. A review of the tribe Atherini (Serpentes: Viperidae), with the descriptions of two new genera. African Journal of Herpetology 45 (2): 40-48.
  • Cantor TE. 1847. Catalogue of Reptiles Inhabiting the Malayan Peninsula and Islands. Journal of the Asiatic Society of Bengal, Calcutta 16 (2): 607-656, 897-952, 1026-1078 [1040].
  • Cuvier G. 1817. Le règne animal distribué d'après son organisation, pour servir de base à l'histoire naturelle des animaux det d'introduction à l'anatomie comparée. Tome II, contenant les reptiles, les poissons, les mollusques et les annélidés. Paris: Déterville. xviii + 532 pp. [80].
  • Eichwald, E. 1831. Zoologia specialis, quam expositis animalibus tum vivis, tum fossilibus potissimuni rossiae in universum, et poloniae in specie, in usum lectionum publicarum in Universitate Caesarea Vilnensi. Vilnius: Zawadski. 3: 404 pp. [371].
  • Fitzinger LJFJ. 1826. Neue classification der reptilien nach ihren natürlichen verwandtschaften. Nebst einer verwandtschafts-tafel und einem verzeichnisse der reptilien-sammlung des K. K. zoologischen museum's zu Wien. Vienna: J.G. Hübner. vii + 66 pp. [11].
  • Gray JE. 1825. A Synopsis of the Genera of Reptiles and Amphibia, with a Description of some New Species. Annals of Philosophy, New Series, 10: 193-217 [205].
  • Günther ACLG. 1864. The Reptiles of British India. London: Ray Society. xxvii + 452 pp. [383].
  • Latreille PA. 1825. Familles naturelles du règne animal, exposés succinctement et dans un ordre analytique, avec l'indication de leurs genres. Paris: Baillière. 570 pp. [102].
  • Lynn WG. 1931. The Structure and Function of the Facial Pit of the Pit Vipers. American Journal of Anatomy 49: 97.
  • Oppel M. 1811. Mémoire sur la classification des reptiles. Ordre II. Reptiles à écailles. Section II. Ophidiens. Annales du Musée National d'Histoire Naturelle, Paris 16: 254-295, 376-393. [376, 378, 389].