Antão de Almada, 7.º conde de Avranches

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Dom Antão de Almada ( 1573 - 17 de Dezembro de 1644), 7.º conde de Avranches, 10.º senhor dos Lagares d´El-Rei, 5.º senhor de Pombalinho, comendador de dois terços de São Vicente de Vimioso na Ordem de Cristo e senhor de reguengos de Aguiar1 .

A 13 de Fevereiro de 1597 recebe, de El-Rei D. Filipe I, uma Carta de mercê do Reguengo de Carnaxide que está no termo da Cidade de Lisboa2 .

Em Portugal é aceite como herói, tido como o grande impulsionador da Restauração da sua independência3 , foi o principal ou um dos principais "Quarenta Conjurados4 " ou "conjuradores" da nobreza que deram início a esse golpe de estado. E o seu nome e do seu filho varão constam, com ambas as presenças, no primeiro "Auto do Levantamento e Juramento d' El-Rei Dom João IV" (de fidelidade) realizado no dia 15 de Dezembro de 16405 e assim como no segundo, confirmando o anterior de forma mais solene , em 28 de Janeiro de 16416 .

Depois foi designado para desempenhar uma das mais difíceis missões no estrangeiro, como embaixador a Inglaterra para que aceitassem o Reino de Portugal como independente. Conseguindo-o em 29 de Janeiro de 1642

Em Portugal fez parte do Conselho de Estado e da Guerra7 e teve como missão ser Governador das armas da Estremadura, em 1643, incluindo de Lisboa. Foi deputado à Junta dos Três Estados representando a nobreza8 .

Índice

Dados históricos [editar]

Foi lider do golpe de estado bem sucedido em 1 de Dezembro de 1640 que contra o governo castelhano, dito espanhol. Foram várias as reuniões secretas de apoio ao futuro D. João IV de Portugal, duque de Bragança, nomeadamente a última quatro dias antes dessa data, que se fizeram no seu palácio de S. Domingos, hoje conhecido precisamente por Palácio da Independência. Assim como foi daí, desse palácio no Rossio, em Lisboa, onde se crê que se juntaram todos os puderam nessa madrugada histórica, antes de seguirem para o Paço de-capitular a governação assumida por estrangeira que estava entregue ao considerado traidor Miguel de Vasconcelos e à duquesa de Mântua, sobrinha de Filipe III de Portugal ou Filipe IV de Espanha.

Após tais acontecimentos foi o primeiro embaixador português dirigido à Grã-Bretanha. Onde conseguiu, com a ajuda da sua excelente equipe, um grande feito diplomático internacional para a altura que foi o de esse país, através da assinatura do seu rei Carlos I de Inglaterra, reconhecer Portugal como um Estado soberano9 , contra a poderosa e temida Espanha de então. Tanto mais que havia a consciência que isso podia agravar mais as grandes turbulências internas, jogos para conquista e mudança de poder, que já aí assolavam e que perigavam a corte britânica.

Como morreu cedo, em Dezembro de 1644, no cerco de Elvas10 em pleno combate como bom lutador que era. Apenas teve a infelicidade de não ver pelos seus próprios olhos afastado o perigo do reino de Portugal ser novamente conquistado pela dominação filipina, perigo real por estar a decorrer ainda a Guerra da Restauração entre as duas facções. A vitória portuguesa e patriota só aconteceu em 13 de Fevereiro de 1668.

Dados genealógicos [editar]

D. Antão de Almada ((10º senhor dos Lagares d' El-Rei) (5º senhor de Pombalinho (Soure). Morreu a 17 de Dezembro de 1644, sepultado no convento de S. Francisco de Elvas11 .

Filho de D. Lourenço Soares de Almada (6º Conde de Avranches) (9º senhor dos Lagares d´El-Rei) (4º senhor de Pombalinho) e de D. Francisca de Távora.

Sobrinho neto do jesuíta Prof. Dr. D. André de Almada, governador e reformador da Universidade de Coimbra, de quem foi um dos herdeiros.

Casou com (sua prima) D. Isabel da Silva, filha de D. Lucas de Portugal (comendador de Fronteira e do prazo de Alvarinha12 ), e de D. Antónia da Silva (filha de D. Antão Soares de Almada e D. Vicência de Castro). Está sepultada na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa13 .

Dessas uniões nasceram 18 filhos:

  • D. Lourenço de Almada, que morreu na costa de França no naufrágio da Armada, em 1627, com 2214 anos, sob o comando de D. Manuel de Meneses.
  • D. Luís de Almada, 11º senhor dos Lagares d' El-Rei, 6º senhor de Pombalinho, casado com D. Ana de Vilhena e D. Luísa de Menezes.
  • D. André de Almada, religioso na Ordem de Cristo em Tomar15 .
  • D. Francisco de Almada, capitão da infantaria nos Exércitos do Alentejo. Em 1644 foi feito prisioneiro na batalha do Montijo. Esteve numa embaixada a Inglaterra16 . Depois, seguindo as pisadas do seu tio-avô, foi sacerdote jesuíta (padre da Companhia de Jesus) trabalhando como professor de Prima de Teologia na Universidade de Coimbra. Morreu em Roma, como assistente da sua Província, no ano de 168317 .
  • D. Manuel de Almada. Morreu em criança.
  • D. Álvaro de Almada. Morreu em criança.
  • D. Fernando de Almada. Morreu em criança.
  • D. Antónia da Silva casada com Tristão da Cunha Ribeiro, senhor do morgado de Paio Pires e das Cachoeiras, filho de Luís da Cunha, senhor do dito morgado, e de D. Joana de Meneses, senhora do morgado das Cachoeiras.
  • D. Luísa Maria da Silva, dama da rainha D. Luísa, casada com D. Diogo de Almeida, 2.º comendador de Santa Maria de Mesquitela, de S. Salvador de Ribas de Basto e das Duas Igrejas, filho de D. Francisco de Almeida, comendador das mesmas comendas, governador e capitão general de Mazagão e de Ceuta.
  • D. Catarina de Távora casada com António de Eça de Castro.
  • D. Vicente de Almada. Morreu em criança.
  • D. Lucas de Almada. Morreu em criança.
  • D. João de Almada. Morreu em criança.
  • D. Francisca da Silva. Morreu em criança.
  • D. Maria da Silva. Morreu em criança.
  • D. Vicência de Castro. Morreu em criança.
  • D. Joana da Silva. Morreu em criança.
  • D. Ana da Silva, freira

Bibliografia [editar]

  • D. Luís de Menezes, Conde da Ericeira, “História de Portugal Restaurado", Lisboa, 1751-1759
  • D. António Caetano de Sousa, "História genealógica da Casa Real Portuguesa”, Atlântida, Coimbra, 1946-1955
  • atribuído ao Padre Nicolau Maia de Azevedo, “Relação de tudo o que se passou na Felice Aclamação do Mui Alto e Poderoso Rei Dom João O Quarto”. Publicação de Roque Ferreira Lobo. Lisboa. 1743-1828.
  • Rocha Martins, “Os grandes vultos da Restauração de Portugal”, Editora da Emprêsa Nacional de Publicações, Lisboa. 1940
  • “Os Restauradores de 1640 e a sua descendência”, Gabinete de Estudos de Publicor - Edições de Artes Gráficas, L.da, Lisboa, 1990
  • direcção Affonso de Dornellas, “Os Restauradores de 1640 e seus actuais representantes”, Archivo do Conselho Nobiliarchico de Portugal, Lisboa, 1925
  • D. Lourenço Vaz de Almada (Conde de Almada). “Relação dos feitos de Dom Antão Dalmada”, Lito nacional, Porto, 1940
  • Ana Maria Homem de Mello, "Oito séculos de Portugal na cultura europeia", Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Lisboa, 1995
  • Jorge Pereira Sampaio e Ana Maria Homem de Mello, “D. Antão de Almada na Restauração”., Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Lisboa, 1995
  • Teresa Ferrer Passos, “A Restauração da Independência em 1640 e D. Antão de Almada”, Universitária Editora, Lisboa, 1999

Referências

  1. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 21
  2. CONJUNTO DOCUMENTAL CARTAS DE PADRÃO, DE TENÇAS, MERCÊS E DOAÇÕES, ESCRITURAS E ALVARÁS, Cota 10
  3. Antão Vaz de Almada, In Infopédia, Porto Editora, Consulta em 2012-05-20]
  4. Conjurados de 1640, geneall (fórum)
  5. Auto do Levantamento e Juramento d' El-Rei Dom João IV
  6. Cronicas e Vidas dos Reys de Portugal ... , por Duarte Nunez do Lião, e autos de Levantamento e Juramentos a El-Rey D. João IV, Tomo II, compilação de D. Rodrigo da Cunha, em Lisboa, na oficina de José de Aquino Bolhões, de 1780, pág. 471
  7. D. Antão de Almada, roglo
  8. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 21
  9. D. Antão de Almada, Personagens Históricas - RevelarLX
  10. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 21
  11. Conde de Almada, Relação dos Feitos de D. Antão Dalmada, 1940, pág.s 70
  12. António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág. 60
  13. Conde de Almada, Relação dos Feitos de D. Antão Dalmada, 1940, pág.s 17-19
  14. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 22
  15. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 22
  16. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 22
  17. D. Francisco de Almada, Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 219

Controvérsia [editar]

Segundo alguns, não terá sido conde de Avranches ou Abranches, tal como tinham sido seus antepassados, apesar de representar a varonia do último que há a certeza de ter usado o respectivo título nobiliárquico.

Ver também [editar]