Arnold J. Toynbee

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Arnold Joseph Toynbee
Nascimento 14 de abril de 1889
Morte 22 de outubro de 1975 (86 anos)
Nacionalidade Reino Unido Britânico
Parentesco Arnold Toynbee (tio)
Cônjuge Rosalind Murray (de 1913 a 1946 (div.)
Filho(s) Antony Toynbee
Philip Toynbee
Lawrence Toynbee
Ocupação Historiador

Arnold Joseph Toynbee, CH (Londres, 14 de abril de 188922 de outubro de 1975) foi um historiador britânico, cuja obra-prima é Um Estudo de História (A Study of History), em que examina, em doze volumes, o processo de nascimento, crescimento e queda das civilizações sob uma perspectiva global. Em Um Estudo de História sugere que a civilização como um todo é a unidade adequada para o estudo da história, não o estado nacional, que ele entende como apenas uma parte de um todo maior.

Esta sua Obra, principalmente do Volume I (Gênesis) ao VI, (Decadência), influenciou a partir do final da década de 1980 a administração das grandes corporações, para as quais se avalia que seus conceitos tenham igual valor. Isto motivou um programa conhecido como "Visão de Empresa", onde se determina a "Visão" (para que existe e onde quer chegar a empresa), reforça-se a "Cultura" organizacional, e a "Motivação" (Spirit of winning), os três parâmetros presentes em todas as civilizações que se tornaram hegemônicas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Toynbee nasceu numa família de intelectuais. Seu tio homônimo foi um importante reformador social no século XIX, a quem se deve um importante trabalho sobre a Revolução Industrial. Outro tio, De Paget, era filólogo e autor de uma biografia de Dante Alighieri. Quando estudante, Toynbee freqüentava a biblioteca desse tio e tomou gosto pela leitura e pela pesquisa.

Educado em Oxford, serviu na diplomacia britânica durante as duas guerras mundiais e foi delegado na conferência de Paz de Paris (1919), ao final da I Guerra Mundial).

Foi professor de grego e história na Universidade de Londres (1919-1955) e diretor de ensino no Instituto Real de Assuntos Internacionais (1952-1955).

Intelectual devotado e inventivo, Toynbee produziu trabalhos sobre os mais variados temas históricos. Mas seu sucesso no mundo acadêmico se deve a sua monumental obra, Um Estudo de História (A Study of History), em doze volumes, que escreveu entre os anos de 1934 a 1961.

Numa época em que a grande maioria dos intelectuais militava na esquerda e o pensamento marxista era dominante, Toynbee teve a coragem de navegar contra a maré e foi alvo de discriminação e críticas.

Ao se aposentar em 1955, viajou pelo mundo e deixou registrada suas impressões de viagem no livro Uma jornada ao redor do mundo (A journey around the world), de 1958. Sobre cada país que visitou faz observações originais e intrigantes. Sobre o Brasil, disse que era the melting pot of civilizations, comentário de duplo sentido, pois melting pot tanto pode significar o recipiente onde se prepara uma mistura como uma grande confusão.

Um estudo de história[editar | editar código-fonte]

Um Estudo de História, obra em 12 volumes, afora a introdução, é uma investigação sobre o nascimento, desenvolvimento e queda de civilizações. Para Toynbee, todo este processo obedece a um padrão comum, independentemente da época ou do lugar onde a história se passa. Há uma razão para a existência de culturas e civilizações, aplicável a todas elas.

Os problemas históricos são enfocados a partir de grupos culturais que se sobrepõem às nacionalidades. Toynbee disseca a história de 26 civilizações para concluir que são mais bem sucedidas as que conseguem responder com mais eficiência aos desafios de diversas naturezas que lhe são colocados.

Sobre o declínio e o fim das civilizações, afirmava que suas causas primárias eram sempre intrínsecas, nascidas no seio das próprias civilizações, ainda que a causa imediata seja externa, como uma invasão estrangeira ou um desastre natural. Segundo Toynbee, civilizações morrem de suicídio, não de assassinato.

As conclusões que extrai do exame de civilizações passadas, Toynbee projeta para as civilizações existentes ao final da Segunda Guerra Mundial - ocidental cristã, oriental marxista, sino-japonesa, islâmica e hindu, cada uma diferenciada das demais por seus valores.- e daí chega a uma nova conclusão: a de que a civilização ocidental cristã é a única ainda viva mas em crise e possivelmente já no seu declínio.

Apesar da grande aceitação da obra, Toynbee foi criticado por fazer generalizações arbitrárias, cometer erros fatuais e enfatizar em demasia a força da religião.

Não existe uma edição dos doze volumes de Um Estudo de História em língua portuguesa, apenas uma edição resumida editada pela Martins Fontes pela última vez em 1987, ainda assim uma obra alentada de quase 600 páginas.

Plano da obra[editar | editar código-fonte]

Introdução (volume I) - A gênesis das civilizações (II) – O crescimento das civilizações(III) – O colapso das civilizações (IV) – A desintegração das civilizações (V) – Estados Universais (VI) – Igrejas universais (VII) – Idades heróicas (VIII) – Contatos entre as civilizações no espaço (IX) – Contatos entre as civilizações no tempo (X) Ritmos das histórias das civilizações (XI) – As perspectivas da civilização ocidental (v. XII) – A inspiração dos historiadores (XIII)

Cristianismo contra islamismo[editar | editar código-fonte]

Em outras obras de Toynbee, que não Um Estudo de História, vamos encontrar uma afirmação que é premonitória do que está acontecendo no século XXI.

Em Civilização e Julgamento e o Mundo e o Ocidente, da década de 1950, Toynbee previu que a verdadeira guerra no próximo século não seria entre capitalistas e comunistas mas entre cristãos e muçulmanos.

Teve também a intuição de que a União Soviética não sobreviveria até o século XXI, pois lhes faltava religião e uma mais forte para sustentar sua ideologia e, afirmava Toynbee, a história demonstra que a fé, a crença na alma e em poderes superiores é essencial para manter coesa uma civilização.

O tempo provou que Toynbee tinha razão ao enfatizar a força das religiões.

Mapa das civilizações, segundo Samuel P. Huntington.

vermelho escuro: Civilização chinesa
vermelho: Civilização japonesa
laranja: Civilização hindu
amarelo: Civilização budista
verde: Civilização islâmica
azul escuro: Civilização ocidental
roxo: Civilização latinoamericana
azul claro: Civilização ortodoxa
marrom: Civilização subsaariana
cinza: antigas colônias do Reino Unido
turquesa: Turquia
azul: Israel
marrom claro: Etiópia
verde claro: Haiti

Livros em português[editar | editar código-fonte]

Poucas obras de Toynbee foram traduzidas para o português. Editada recentemente (2003), temos Atrocidades Turcas na Armênia, em parceria com Lord Bryce. Antes desta, temos A Humanidade e a Mãe Terra, de 1979, e a já citada edição resumida de Um Estudo de História, de 1987." Escolha a Vida, Editora Record, Daisaku Ikeda e Arnold Toynbee. Outras obras mais antigas só são encontradas eventualmente em bibliotecas.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PERKINS, John - Confissões de um Assassino Econômico (ed. Cultrix, 2004)
  • Arnold Toynbee, um estudo de história, em Educaterra
  • Arnold Joseph Toynbee, em Spartacus
  • MARTINS FILHO, IVES GANDRA DA SILVA - O Exercício da Cidadania e os Valores Familiares e Sociais, em Portal da Família
  • Arnold J. Toynbee, em Answers.com
  • BARROS, José D'Assunção Arnold Toynbee e a história comparada das civilizações, em Biblios, 23, n°1, 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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