Batalha de Simancas
| Batalha de Simancas | |||
|---|---|---|---|
| Reconquista | |||
| Data | 939 | ||
| Local | Simancas, Valladolid 41° 36′ N 4° 49′ O |
||
| Resultado | Vitória Cristã | ||
| Combatentes | |||
|
|||
| Comandantes | |||
|
|||
| Forças | |||
|
|||
| Baixas | |||
|
|||
A Batalha de Simancas foi um confronto bélico entre as tropas de uma coligação cristã encabeçada pelo rei de Leão, Ramiro II, e as do califa Abd al-Rahman III junto aos muros da cidade de Simancas, no que se decidiu o domínio sobre as terras do Douro pelos reinos cristãos do norte, em 939.
Índice |
[editar] Antecedentes
Em 937, o rei Ramiro II de Leão agiu em apoio de Aboyaia (também conhecido como Abu Yahya), rei de Saragoça, a quem o califa acusava de traidor e culpável principal do desastre de Osma, ocorrido 3 anos antes. O cronista Sampiro abrevia assim os fatos:
| Ramiro reunindo o seu exército marchou para Saragoça. Então o rei dos sarracenos, Aboyaia, someteu-se ao grande rei Ramiro e pôs toda a sua terra sob a soberania do nosso rei. Enganando Abdarrahmão, o seu soberano, entregou-se com todos os seus domínios ao rei católico. E o nosso rei, como era forte e poderoso, submeteu os castelos de Aboyaia, que se sublevaram, e entregou-lhos regressando para Leão com grande triunfo. |
Sampiro omite que o rei leonês deixou guarnições navarras nestes castelos, pois Ramiro contou com o concurso e aliança do rei de Pamplona.
Depois da perda da estratégica Saragoça, a reação de Abderramão III foi cercar e conquistar Calatayud, Abderramão conquistou um atrás outro todos os castelos da zona. Ao chegar às portas de Saragoça, Abu Yahya capitulou, ação que o califa aproveitou para o empregar numa ofensiva contra Navarra que concluiu na capitulação da rainha Toda, que se declarou vassala do califa.
O califa omíada concebeu então um projeto gigantesco para acabar com o reino leonês, ao que denominou gazat al-kudra, Campanha do Supremo Poder ou da Onipotência. O omíada reuniu um grande exército alentado pela chamada a jihad. Desde a saída de Córdova dispôs que todos os dias fosse entonada na mesquita maior a oração da campanha, não com senso deprecatório, senão como antecipado agradecimento do que devia ser um sucesso incontrovertível.
O califa formou, com a ajuda do governador muçulmano de Saragoça (Abu Yahya) um grande exército de cerca de 100.000 homens, formado por recrutas de Al-Andalus, militares profissionais, tribos Berberes, soldados das províncias militarizadas (yunds), contingentes das Marcas e um bom número de voluntários. Bem armada e apetrechada, esta heterogênea massa de combatentes empreendeu a marcha no final de junho de 939. Deixando Toledo, o exército atravessou o Sistema Central por Guadarrama (porto de Tablada), internando-se a seguir na "Terra de ninguém", -politicamente falando- situada a sul do Douro. Após saquearem e destruir os lugares que encontravam no seu caminho (Olmedo, Íscar, Alcazarén), os contingentes do califa acamparam perto do rio Cega e instalaram-se no Castelo de Portillo em princípios de agosto.
Entretanto, o rei leonês Ramiro II conseguiu reunir, além da as suas próprias tropas, as dos condes Fernão Gonzalez e Ansur Fernandez, as do reino de Navarra de Garcia I, bem como a tropas galegas e asturianas.
[editar] Batalha
A batalha, que aconteceu na margem direita do rio Pisuerga, a nordeste de Simancas, foi muito violenta e prolongou-se durante vários dias. As crônicas cristãs contam que se apareceu São Milhão. E além disso, segundo contam as crônicas, tanto árabes quanto cristãs, houve um eclipse do sol uns dias antes da batalha:
| Encontrando-se o exército perto de Simancas, houve um espantoso eclipse de sol, que no meio do dia cobriu a terra de uma amareleza obscura e encheu de terror os o nossos e os infiéis, que também não haviam visto na sua vida coisa semelhante. Dois dias passaram sem uns nem outros fazer movimento algum |
O combate durou algumas jornadas decidindo-se do lado dos cristãos que fizeram fugir as tropas muçulmanas que não puderam tomar a fortificação de Simancas. Abu Yahya foi apresado ao término da contenda.
Depois da batalha de Simancas aconteceu outro desastre para os muçulmanos em terras sorianas, no que se denomina a jornada de Alhándega ou do Barranco. Os muçulmanos, que na sua retirada de Simancas arrasaram a zona do rio Aza no seu caminho para Atienza, em essa jornada sofreram uma emboscada num barranco, onde foram derrotados e postos em fuga, conseguindo os cristãos uma grande pilhagem.
| …e na retirada o inimigo os empurrou para um profundo barranco, que deu nome ao encontro (Alhándega), do qual não puderam escapar, despenhando-se muitos e pisoteando-se de puro amontoamento: o califa que se viu forçado a entrar ali com eles, conseguiu passar com os seus soldados, abandonando o seu real e o seu conteúdo, do qual se apoderou o inimigo… |
[editar] Consequências
Como consequência da batalha, a linha de repovoação do reino de Leão avançou até o rio Tormes, transbordando o limite do rio Douro. Porém, embora Abd al-Rahman III não voltou a dirigir pessoalmente os seus exércitos em combate, estes continuaram fazendo incursões para além dos limites cristãos.
[editar] Bibliografia
- Chalmeta Gendrón, Pedro (1976), Simancas y Alhándega, (revista Hispania pags. 359-446). ISBN ISSN 0018-2141
- Ibn Hayyân. Muqtabis V, Crónica del Califa Abderrahmân III an-Nâsir entre 912 y 942, ed. e trad. de Mª Jesús Viguera e Federico Corriente. Anubar, Saragoça, 1981. ISBN 84-7013-185-0
- Martínez Díez, Gonzalo (2004), El Condado de Castilla. ISBN ISBN 84-9718-275-8
- Pérez de Urbel, Justo (1974), El Condado de Castilla. Los 300 años en que se hizo Castilla. ISBN ISBN 84-7301-005-1
- Rodríguez Fernández, Justiniano (1998), Ramiro II, rey de León. ISBN ISBN 84-89915-01-6
Referências
- Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Batalla de Simancas», especificamente desta versão.