Companhia União Fabril

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Padrão do centenário da C.U.F

Companhia União Fabril é uma empresa portuguesa do setor químico.


História[editar | editar código-fonte]

A origem do Grupo CUF remonta a 1865, data em que lhe foi concedido o alvará de licenciamento para a produção de sabões, produção de estearina (velas de estearina) e óleos vegetais. A CUF realiza elevados investimentos na indústria dos adubos.

Na década de trinta, a CUF tem fábricas em Lisboa, Barreiro, Alferrarede, Soure, Canas de Senhorim e Mirandela e emprega, então, 16 mil pessoas. As fábricas do Barreiro iniciaram a sua produção em 1908, com uma unidade de extracção de azoto. Algumas datas importantes na longa história desta empresa no decorrer dos anos da década de 1940 a 1960 incluem:

  • 1948, fundação da U.F.A (União Fabril do Azoto).
  • 1949, inauguração da colónia de férias da C.U.F, em Almoçageme, concelho de Sintra.
  • 1965, fábricas de sulfato de sódio Zinebe no Lavradio, Barreiro.

A Companhia União Fabril tornou-se então num gigantesco conglomerado empresarial, com forte presença na indústria ligeira e pesada, banca e seguros, bem como noutros serviços, de tal modo diversificado que era comparável aos tradicionais zaibatsu e chaebol japoneses e coreanos. Detinha ainda um clube desportivo, o Grupo Desportivo da CUF, que competia nas principais divisões nacionais, incluindo o mais alto patamar do futebol português, e levava o nome da empresa a todo o país.

A CUF em 1974[editar | editar código-fonte]

No início de 1974, antes da Revolução dos Cravos a 25 de Abril desse ano e sua posterior nacionalização, a CUF era um conglomerado que detinha as seguintes empresas[1] [2] [3] [4] :

Banca e Investimentos Financeiros[editar | editar código-fonte]

  • Banco Totta & Açores (1970)
  • Banco Totta – Standart de Angola (1966)
  • Banco Standart Totta de Moçambique (1966)
  • SOGESTIL – Sociedade de Gestão de Títulos
  • SOGEFI – Sociedade de Gestão e Financiamento (1964)
  • Sociedade Geral
  • International Factors Portugal (1965)
  • COBRIMPE – Cobranças, Organização e Assistência a Empresas (1972)

Indústria de Construção[editar | editar código-fonte]

  • EMACO – Empresa de Gestão e Construções (1964)
  • REALIMO – Estudos e Realizações Imobiliárias (1969)
  • FUNDUS – Administração e Participações Financeiras
  • SAEMA – Empreendimentos Financeiros e Comerciais (1964)
  • IMOBUR

Seguros e Resseguros[editar | editar código-fonte]

  • Companhias de Seguros Império – Sagres – Universal

Engenharia, Organização e Consulta[editar | editar código-fonte]

  • ENI – Electricidade Naval e Industrial (1969)
  • FRINIL – Frio Naval e Industrial (1971)
  • Empresa Geral de Fomento, planeamento e coordenação de empresas (1947)
  • NORMA – Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento de Empresas (1963)
  • PENTA – Publicidade (1970)
  • PROFABRIL – Centro de Projectos (ex. centro de projectos C.U.F.)

Sector Químico[editar | editar código-fonte]

  • Interacid, Inc. (1971)
  • Companhia Portuguesa do Cobre (1943)
  • U.F.A. – União Fabril do Azoto (1948)
  • Lusofane (1962)
  • PREVINIL – Empresa Preparadora de Compostos Vinílicos (1969)
  • Microfabril – Sociedade Industrial de Bioquímica (1961)
  • VECOM – Sociedade de Limpezas Químicas e Protecções Especiais (1969)

Sector Têxtil[editar | editar código-fonte]

  • PROTEXTIL – promoção da indústria têxtil (1963)
  • SITENOR – Sociedade de Indústrias Têxteis do Norte (1962)
  • IPETEX – Sociedade de Indústrias Pesadas Têxteis (1965)
  • CICOMO – Companhia Industrial de Cordoarias de Moçambique (1966)
  • Companhia Têxtil do Punguè (1959)
  • SIGA – Sociedade Industrial de Grossarias de Angola (1951)
  • FISIPE – Fibras Sintéticas de Portugal (1973)

Sector de Higiene e Alimentação[editar | editar código-fonte]

  • COMPAL – Companhia de Conservas Alimentares (adquirida em 1963)
  • UNICLAR – Internacional de Cosmética (1971)
  • UNISOL – Sociedade de Distribuição e Exportação (1967)
  • SONADEL – Sociedade Nacional de Detergentes (1956)
  • FLORAL – Sociedade de Perfumaria e Produtos Químicos (1937)
  • INDUVE – Industrias Angolanas de Óleos Vegetais (1957)
  • PROALIMENTAR – Companhia de Produtos Alimentares do Centro (1968)
  • SICEL – Sociedade Industrial de Cereais (1963)
  • SOVENA – Sociedade Vendedora de Glicerinas (1956)
  • SOVENCOR – Sociedade Distribuidora de Óleos e Sabões nos Açores (1964)
  • SAPOMAR – Sociedade Madeirense de Sabões (1966)
  • SUPA – Companhia Portuguesa de Supermercados: Pão de Açúcar (1969)
  • GERTAL – Companhia Geral de Restaurantes e Alimentação (1973)
  • Restaurantes: Alvalade, Varanda do Chanceler, e Alfredo´s (Alvor)

Sector Metalo-Mecânico[editar | editar código-fonte]

  • MOMPOR – Companhia Portuguesa de Montagens Industriais (1972)
  • EQUIMETAL – Empresa Fabril de Equipamentos Metálicos (1973)
  • FERUNI – Sociedade de Fundição (1969)

Sector Eléctrico[editar | editar código-fonte]

  • JOMAR – cabos eléctricos e telefónicos (adquirida em 1972)
  • EFACEC – Empresa Fabril de Máquinas Eléctricas (1948)

Industrias Petroquímicas[editar | editar código-fonte]

  • PETROSUL – Sociedade Portuguesa de Refinação de Petróleos (em associação com a SONAP) 1972
  • Companhia Nacional de Petroquímica (1972)
  • Sociedade Portuguesa de Petroquímica (em associação com a SACOR) 1957

Minas[editar | editar código-fonte]

  • Sociedade Mineira de Santiago (1966)
  • ECA – Empresa do Cobre de Angola (1944)
  • Pirites Alentejanas (1973)

Indústria do Papel[editar | editar código-fonte]

  • Celuloses do Guadiana (1956)
  • CELBI – Celulose Beira Industrial (em associação com a Billerud) 1967

Tabaco[editar | editar código-fonte]

  • A TABAQUEIRA (1927)

Estaleiros Navais[editar | editar código-fonte]

  • LISNAVE – Estaleiros Navais de Lisboa (1961)
  • NAVALIS – Sociedade de Construção e Reparação Naval (1957)
  • REPROPEL – Sociedade de Reparação de Hélices Lda. (1971)
  • GASLIMPO – Sociedade de Gasgasificação de Navios (1967)
  • SETENAVE – Estaleiros Navais de Setúbal (1971)
  • Estaleiros Navais de Viana do Castelo (1945)
  • PROMARINHA – Gabinete de Estudos e Projectos (1969)
  • H. Parry & Son

Navegação[editar | editar código-fonte]

  • Companhia Nacional de Navegação (1956)
  • Companhia Moçambicana de Navegação (1971)
  • Empresa Africana de Cargas e Descargas (1970)
  • NAVANG – Companhia de Navegação Angola (1970)
  • NAVETUR – Agências de Turismo e Transportes de Angola (1971)
  • NAVETUR – Agências de Turismo e Transportes de Moçambique (1969)
  • NAVEMAR – Agência de Navegação Marítima e Aérea (1970)
  • NORTEMAR - Agência Marítima do Norte Lda. (1971)
  • SAMAR – Sociedade de Agências Marítimas (1970)
  • SOCARMAR – Sociedade de Cargas e Descargas Marítimas (1969)
  • SONATRA – Sociedade Nacional de Tráfego (1953)
  • SOPONATA – Sociedade Portuguesa de Navios-Tanques (1947)
  • Suprema Compañía Naviera S.A. (Panamá)
  • TRANSFRIO – Sociedade Marítima de Transportes Frigoríficos (1964)
  • TRANSNAVI – Sociedade Portuguesa de Navios Cisternas (1967)
  • TRANSMINEIRA (1970)

Hotelaria e Turismo[editar | editar código-fonte]

  • HOTAL – Sociedade de Indústria Hoteleira do Sul de Portugal (1962)
  • SALVOR – Sociedade de Investimento Hoteleiro (1963)

Aluguer de Veículos[editar | editar código-fonte]

  • EUROCAR – Companhia Nacional de Aluguer de Automóveis (1965)
  • SARMENTAUTO - Automóveis de Turismo, Lda. (adquirida em 1973)

Empresas Diversas[editar | editar código-fonte]

  • Companhia Animatógrafica dos Restauradores, (Cinema Éden) 1941
  • ISU – Estabelecimentos de Saúde e Assistência (1971)
  • INTERCUF - Brasil (1973)
  • UNIFA – União Fabril Farmacêutica (1951)
  • TINCO – Sociedade Fabril de Tintas de Construção (em associação com a ICI) 1958
  • Editora Arcádia, publicação de livro (1957)
  • Blanchard Portuguesa (1974)
  • DCI - Desenvolvimento e Comércio Internacional (1974)
  • Companhia da Ilha do Príncipe
  • Empresa António Silva Gouvêa
  • SOCAJÚ
  • COMFABRIL – Companhia Fabril e Comercial do Ultramar
  • CPIN – Companhia Portuguesa de Industrias Nucleares (parceria com várias empresas)

Depois do 25 de Abril de 1974[editar | editar código-fonte]

Após a sua nacionalização por ordem dos governos que se seguiram à revolução do 25 de Abril de 1974, a CUF ficou desmembrada e enfraquecida. Muitos profissionais especializados, equipas de gestão e outros quadros superiores viram-se obrigados a abandonar o país, incluindo elementos da família fundadora da empresa.

Após um longo processo, elementos da família Mello conseguiram reerguer o grupo, que apesar de ter um peso considerável na economia portuguesa actual, está longe da grandiosidade do passado. Actualmente a CUF é uma holding pertencente ao Grupo José de Mello e detém participações em várias empresas do sector químico, detendo também uma posição de 3% no capital do Banco Comercial Português (BCP), o maior grupo financeiro privado português.


Unidade fabril

Empresas relacionadas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "The CUF Group", CUF - Publicity Dep. July 1969
  2. "O Grupo CUF", Departamento de Publicidade CUF, 1974
  3. Maria Belmira Martins, "Sociedades e Grupos em Portugal", Editorial Estampa, 1973
  4. Miguel Figueira de Faria "Manuel de Mello", Edições Inapa, 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]