Companhia Cinematográfica Vera Cruz
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A Companhia Cinematográfica Vera Cruz foi o mais importante estúdio cinematográfico brasileiro da década de 1950, tinha sido fundada em São Bernardo do Campo pelo produtor italiano Franco Zampari e pelo industrial Francisco Matarazzo Sobrinho em 4 de novembro de 1949.
Alimentada por empresários paulistas, a Vera Cruz existiu durante quatro anos e realizou 22 filmes de longa-metragem, marcando época no cinema brasileiro, considerada o primeiro estúdio em moldes profissionais do país.
Seus estúdios de mais de 100.000 m² ocuparam o que antes era uma granja da Família Matarazzo e receberam material técnico de vanguarda, bem como profissionais do exterior. Todo investimento se refletiu em prêmios internacionais, como o filme O cangaceiro, premiado no Festival de Cannes. Foi na Vera Cruz que surgiu uma das mais importantes personalidades do cinema brasileiro: Amácio Mazzaropi, indiscutível campeão de bilheteria até a década de 1970.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial e da ditadura do Estado Novo, em 1945, São Paulo vive um momento de efervescência cultural. Revistas de divulgação artística, conferências, seminários e exposições agitam a vida paulista.
No final dos anos 40, são inaugurados o Museu de Arte Moderna e o MASP - Museu de Arte de São Paulo. Na mesma época, Franco Zampari, empresário de origem italiana, monta uma companhia teatral de alto nível, o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Cresce o interesse pelo cinema. Intelectuais fundam cineclubes e movimentam grupos de debates.
"Do planalto abençoado para as telas do mundo" era o slogan da companhia, dando mostras de sua ambição: atingir padrões internacionais. Os primeiros anos da Vera Cruz foram, contudo, caóticos.
"Produção Brasileira de Padrão Internacional." Com este lema, a Vera Cruz se propõe a realizar um cinema brasileiro em bases industriais. A primeira produção da Vera Cruz é o filme Caiçara dirigido por Adolfo Celi.
"Caiçara" é todo filmado em Ilhabela, litoral de São Paulo, para onde foram deslocados o elenco, a equipe técnica e os pesados equipamentos de filmagem. O lançamento de "Caiçara" é feito com grande publicidade. A protagonista foi Eliane Lage.
O sonho brasileiro de uma indústria de cinema dura poucos anos. Em 1954, a Companhia Vera Cruz entra em declínio. Entre os motivos de sua decadência está a ausência de um sistema próprio de distribuição. Os distribuidores e os exibidores ficavam com mais de 60% da arrecadação. Havia ainda a dificuldade de colocar o filme brasileiro no competitivo mercado internacional.
A Vera Cruz é prejudicada também pela concorrência desigual com os filmes estrangeiros no Brasil. O preço dos ingressos das salas de cinema era tabelado. A inflação diminuía o valor real do ingresso e fazia cair a arrecadação dos filmes. Para os filmes estrangeiros norte-americanos, o governo brasileiro pagava a diferença entre o câmbio do dólar oficial e do paralelo.
Apesar de só ter durado alguns anos, a Vera Cruz formou uma geração de cineastas e profissionais de cinema. A qualidade técnica e artística de seus filmes marcou uma época e mostrou a viabilidade do cinema brasileiro.
Michael Stoll, um dos técnicos de som, fundou mais tarde o estúdio paulista Álamo, em 1972.
[editar] Lista de filmes da Vera Cruz
- Painel - 1950 - documentário dirigido por Lima Barreto
- Santuário - 1950 - documentário dirigido por Lima Barreto
- Caiçara - 1950 - drama dirigido por Adolfo Celi
- Ângela - 1951 - drama dirigido por Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne
- Terra é sempre terra - 1951 - drama dirigido por Tom Payne
- Apassionata - 1952 - drama dirigido por Fernando de Barros
- Veneno - 1952 - drama dirigido por Gianni Pons
- Tico-tico no Fubá - 1952 - drama biográfico dirigido por Adolfo Celi
- Sai da frente - 1952 - comédia dirigida por Abílio Pereira de Almeida
- Nadando em dinheiro - 1952 - comédia dirigida por Abílio Pereira de Almeida e Carlos Thiré
- Sinhá Moça - 1953 - drama dirigido por Tom Payne
- A família Lero-lero - 1953 - comédia dirigida por Alberto Pieralise e Gustavo Nonnemberg
- O cangaceiro - 1953 - drama dirigido por Lima Barreto
- Uma pulga na balança - 1953 - drama dirigido por Luciano Salce
- Esquina da ilusão - 1953 - comédia dirigida por Ruggero Jacobbi
- Luz apagada - 1953 - drama dirigido por Carlos Thiré
- É proibido beijar - 1954 - comédia dirigida por Ugo Lombardi
- Na Senda do Crime - 1954 - policial dirigido por Flaminio Bollini Cerri
- Candinho - 1954 - comédia dirigido por Abílio Pereira de Almeida
- Floradas na Serra - 1954 - drama dirigido por Luciano Salce
- São Paulo em festa - 1954 - documentário dirigido por Lima Barreto
- Ravina - 1958 - drama dirigido por Rubem Biáfora
- Macumba na Alta - 1958 - comédia dirigida por Maria Basaglia.
[editar] Créditos
AVENTURAS NA HISTÓRIA. São Paulo: Editora Abril, 2003-, mensal. Ed. 76, Hollywood brasileira. p. 44-47.