Construção ciclópica

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Castro
Castro. Vista interior

Construção ciclópica, ou apenas ciclópico ou ciclópeo, é o nome que se dá ao tipo de edificação que se faz com grandes pedras sem que haja, entretanto, uso de argamassa ou cimento para fixá-las. São monumentos em geral pelágicos, embora possam ser classificados como tal construções assim feitas por outros povos.

Diferem dos megalíticos por possuírem certo aparelho que pode ser mais ou menos poligonal e semi-esquadrado ou bem ciclópico, propriamente dito; não se dá assim com os megálitos.

Denominação[editar | editar código-fonte]

O termo deriva do grego kyklopikós (de Ciclope)[1] e porque se atribuía aos pelágios as antigas construções gregas de Micenas e Tirinto, embora possam ter origem oriental ou, como no caso das construções ibéricas, também os fenícios.

Exemplos de ciclópeos[editar | editar código-fonte]

A este gênero de construção pertencem os seguintes monumentos:

  • Muralhas ciclópeas - verdadeiros muros defensivos de antigas cidades, como são os restos das primitivas muralhas de Tarragona, Ibrós (Jaén), Numância e Santa María de Huerta (Sória).
  • Castros da Galiza e citanias na Estremadura e Portugal, ou ruínas de antigos povos em recintos fortificados com fossos e parapeitos de perímetro mais ou menos circular em montículos que nem sempre datam de épocas pré-históricas.
  • Talaiots das Baleares, edifícios em pedra em formato cônico incompleto, quase maciços, com alguma rampa rudimentar no exterior e com uma pequena câmara interior a que se acessa por uma pequena entrada e um estreito corredor.
  • Navetas, ou naviformes de Minorca, construções de estrutura similar aos talaiots, mas com uma câmara interna mais ampla e aparência externa de uma embarcação (nave) invertida - de onde advém impropriamente o nome, uma vez que possuem formato mais semelhante ao de uma ferradura.
  • Nuragos da Sardenha, edificios dessa ilha, parecidos com o talaiots baleares, embora de formato mais cônico e por vezes semielipsoidal.
  • Tumbas de cúpula (de falsa abóboda cupuliforme), câmaras sepulcrais formadas por séries de pedras horizontais e em círculo, salientes umas sobre as outras até constituir uma espécie de cúpula algo cônica, soterradas e precedidas de uma galeria coberta, como a famosa de Micenas, conhecida por Tesouro de Atreus. A este último tipo correspondem poucos monumentos da Andaluzia, Estremadura (Espanha) e Portugal, como as tumbas de Los Millares (Almeria) e com mais propriedade ainda a necrópole de Carmona (Sevilha), o dólmen da Granja de Toniñuelo em Jerez de los Caballeros (Badajoz), etc. Neles se distingue a falsa cúpula montada sobre construções megalíticas, unindo-se a um mesmo tempo ambos os sistemas de edificação primitivas.

Na América do Norte a civilização extinta Anasazi ou antigos índios pueblos em suas casas construídas em penhascos, usava a arquitetura ciclópea, nos atuais territórios dos estados norte-americanos do Colorado, Novo México, Arizona e outros.

No antigo Peru se encontram abundantes restos de construções ciclópicas, como as muralhas de Cuzco e os monumentos funerários turriformes ora quadradas, ora redondas ou ligeiramente cônicas, chamados chulpas. Destes e outros sepulcros em formato de dólmens se conservam um bom número nas imediações do Lago Titicaca.

Referências

  1. FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Novo Dicionário Aurélio, Nova Fronteira, São Paulo