Correio do Povo

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Correio do Povo
Correio do Povo
Razão social Empresa Jornalística Caldas Júnior Ltda.
Periodicidade Diária
Formato Tabloide
Fundador(es) Caldas Júnior
Presidente Veríssimo de Jesus
Diretor Telmo Flor
Fundação 1º de outubro de 1895
31 de agosto de 1986 (relançamento)
Slogan O jornal que vai direto ao ponto
Sede Porto Alegre, RS
Página oficial correiodopovo.com.br

O Correio do Povo é um jornal impresso brasileiro em formato tabloide pertencente à Rede Record[1] [2] com circulação no estado do Rio Grande do Sul fundado a 1º de outubro de 1895 por Caldas Júnior. Foi o jornal de mais longa publicação em Porto Alegre, circulando por 89 anos ininterruptamente, até 1984, reiniciando sua publicação em 1986.

História[editar | editar código-fonte]

Início: o róseo[editar | editar código-fonte]

Com apenas 26 anos de idade, Caldas Júnior revolucionou a imprensa riograndense, ao fundar um jornal que, segundo declarou no editorial de seu primeiro número: Este jornal vai ser feito para toda a massa, não para determinados indivíduos de uma facção.

Como assinala o historiador Nestor Ericksen, na época a imprensa gaúcha caracterizava-se pelas fortes tendências políticas, influindo diretamente na opinião pública local, de acordo com os interesses partidários. Havia jornais pró-maragatos e pró-pica-paus, alcunhas pelas quais eram conhecidos os adeptos dos principais partidos políticos gaúchos ao final do século XIX.

Os maragatos identificavam-se pelo uso de um lenço vermelho em volta do pescoço, os chimangos, pelo uso de lenço branco. Caldas Júnior, para mostrar que o Correio estava equidistante das duas correntes, imprimiu seu jornal num papel de tom rosado, daí ter sido conhecido, nos seus primeiros tempos, como o róseo.

A primeira edição do Correio do Povo saiu com quatro páginas e 2 mil exemplares. Pouco mais de três anos depois, já eram 4,5 mil exemplares. Desde então, o Correio passou a ostentar no cabeçalho os seguintes dizeres: O jornal de maior circulação e tiragem do Rio Grande do Sul.

O Correio foi inovador na profissionalização dos jornalistas, passando a contar com quadro próprio e não, como ocorria em outros jornais da época, com colaboradores que tinham outra fonte de renda. Também deu ênfase aos aspectos tecnológicos: por exemplo, teve quatro impressoras num período de quinze anos, também teve a primeira impressora rotativa do Rio Grande do Sul, em 1910, quando atingiu uma circulação de 10 mil exemplares.

Breno Caldas[editar | editar código-fonte]

Correio do Povo: sucessão de manchetes sobre a Revolução de 1930.

Com a morte prematura do fundador, em 1913, sua viúva Dolores Alcaraz Caldas assumiu o controle e o jornal passou por dificuldades econômicas, que só cessaram em 1935, quando a direção da Companhia Jornalística Caldas Júnior foi assumida por seu filho, Breno Alcaraz Caldas, nela permanecendo por mais de cinquenta anos.

Em 1946, o jornal deixou as instalações alugadas que ocupava na Rua dos Andradas, instalando-se no então edifício Hudson, na atual rua Caldas Júnior. A via, que se chamava Paissandu, ganhara o nome do fundador do Correio, que ostenta até hoje, dois anos antes, por decreto do prefeito Antônio Brochado da Rocha. O antigo Hudson é o mesmo prédio que ainda hoje abriga as redações do Correio do Povo e da Rádio Guaíba .

Nas décadas de 50 e 60 a liderança do Correio se consolidou. Breno Caldas fundou, ainda, outros jornais, Folha da Tarde(1936), Folha de Manhã (1969), além da Rádio Guaíba e da TV Guaíba.

Em 20 de setembro de 1972, o Correio sentiu a repressão da censura imposta à imprensa pelo regime militar. Ao publicar uma reportagem sobre pronunciamentos de parlamentares contra a censura, apesar de advertido a não fazê-lo, Breno Caldas viu toda a edição daquele dia ser apreendida pela Polícia Federal.

Quando o comandante da operação determinou que a edição apreendida fosse transportada nos caminhões do próprio jornal para a sede da Polícia Federal, Breno Caldas interveio pessoalmente proibindo que os caminhões fossem usados para essa finalidade, o que obrigou os policiais a requisitarem caçambas que trabalhavam no cais do porto, ali perto.

Ainda na década de 1980, a proclamada imparcialidade foi posta à prova, quando o jornalista Flávio Alcaraz Gomes, sobrinho de Breno Caldas e diretor da Rádio Guaíba cometeu um homicídio, fato que teve repercussão nacional. Por ordens expressas de Breno Caldas, a cobertura do crime pelo Correio foi a mais ampla possível, nada ficando a dever a realizada por outros órgãos de imprensa.

Jornal literário[editar | editar código-fonte]

Exemplares do Caderno de Sábado, na década de 70 (foto: Luiz Moraes).

Desde seu primeiro número, o Correio se apresenta não só como um órgão comercial, mas também literário. Na última página, um folhetim ao gosto da época, de autoria de Oliveira Bello. E em sua primeira página, os Rabiscos de Tenório, pseudônimo que ocultava o fundador, Caldas Júnior. Nos números seguintes, Emile Zola e Machado de Assis se faziam tão presentes como os literatos do estado.

A partir de 1899, o jornal institui uma seção chamada Poetas do Sul, na qual colaboram os nomes mais importantes da literatura gaúcha do final do século XIX: Apolinário Porto Alegre, Damasceno Vieira, Mário Totta, Múcio Teixeira e Zeferino Brasil, entre outros.

À seção "Poetas do Sul", seguiu-se Literatura e Páginas Literárias, desembocando no suplemento Caderno de Sábado, que começou a circular no dia 30 de setembro de 1967 e transformou-se em "Letras & Livros" em 8 de agosto de 1981.

Zeferino Brasil, Sérgio de Gouvea, Paulo de Gouvea, Carlos Reverbel, Oswaldo Goidanich (Goida), P.F.Gastal e Sérgio Faraco se sucederam na direção das seções e suplementos literários do Correio.

Em 4 de fevereiro de 1934, Mário Quintana estreia no Correio, com o poema Madrugada. Mas Quintana somente passou a ser colaborador constante do jornal ao lançar seu Caderno H na edição de 18 de junho de 1953. Com algumas interrupções, esteve presente em suas páginas até à sua morte, em 5 de maio de 1994.

Uma nova fase[editar | editar código-fonte]

Edifício Hudson, sede do Correio do Povo.

A partir de 1979, a Companhia Jornalística Caldas Júnior começou a enfrentar dificuldades, por conta da elevada dívida assumida para a instalação da TV Guaíba. Foi um período em que as portas de novos financiamentos se fecharam no Brasil, devido à primeira crise internacional do petróleo, e a inflação recrudesceu.

Em 16 de junho de 1984, o Correio deixou de circular, somente retornando em 31 de agosto de 1986, já sob o controle do empresário Renato Bastos Ribeiro.

Em 26 de maio de 1987, passou a ser um tabloide e experimentou novas inovações tecnológicas.

Em março de 2007, o Correio do Povo passou a fazer parte da Central Record de Comunicação conglomerado de mídia controlado pelo empresário Edir Macedo, juntamente com outras empresas do grupo, a extinta TV Guaíba e as rádios Guaíba AM e FM, bem como o Edifício Hudson, no centro de Porto Alegre, onde funciona a redação do jornal..

Segundo pesquisa do IVC de novembro de 2006, o Correio do Povo é o segundo jornal gaúcho em tiragem e o 8º brasileiro, com 154 mil exemplares aos domingos.

Cadernos[editar | editar código-fonte]

  • Arte e Agenda - caderno de variedades, cultura, literatura, agenda cultural, coluna social, programação de TV e resumo de novelas. Publicado diariamente, exceto sábado.
  • Correio do Povo Rural - informações sobre o mundo agropecuário gaúcho. Publicado aos domingos.
  • Vitrine - caderno sobre moda. Publicado aos domingos.
  • Carros e Motos - caderno sobre automobilismo e motos, as últimas tendências do assunto, testes e artigos. Publicado às quintas-feiras.
  • Plano de Carreira - Publicado às terças-feiras.
  • Classificados do Correio do Povo- caderno que traz ofertas de veículos,imóveis e diversos.Publicado às quartas e sábados

Colunistas[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre (4a. ed.). Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS), 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]