Don Giovanni

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Don Giovanni
(personagem-título)
Idioma original Italiano
Compositor Wolfgang Amadeus Mozart
Libretista Lorenzo Da Ponte
Tipo do enredo Drama cômico
Número de atos 2
Número de cenas 5
Ano de estreia 1787
Local de estreia Praga

Don Giovanni (K. 527; título completo em italiano: Il dissoluto punito, ossia il Don Giovanni, lit. O Libertino Punido, ou Don Giovanni) é uma ópera em dois atos com música do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart e libreto do autor italiano Lorenzo Da Ponte. Sua primeira apresentação foi realizada em Praga, no Teatro di Praga, especializado em ópera italiana (atualmente chamado de Teatro dos Nobres), em 29 de outubro de 1787.[1] O libreto de Da Ponte foi classificado, assim como muitos outros da época, como um dramma giocoso, termo que descrevia uma obra que continha um misto de ação cômica e séria. Mozart classificou a obra em seu catálogo como uma "opera buffa". Embora por vezes seja ainda hoje em dia classificada como cômica, ela apresenta características de comédia, melodrama e até mesmo elementos sobrenaturais.

A obra, que tem um tempo de duração de aproximadamente duas horas e 45 minutos, é considerada uma das obras-primas da história das óperas. Seu tema, além de ter sido presente na obra de autores como Mozart e Da Ponte, também esteve presente em obras de outras figuras de extrema relevância na história cultural europeia, como E.T.A. Hoffmann e Søren Kierkegaard.

Na medida em que constitui uma obra pertencente aos clássicos do repertório operístico, consta em décima posição na lista das óperas mais executadas em todo o mundo compilada pelo banco de dados online Operabase.[2] Seu tema também inspirou diversos escritores e filósofos.

O barítono Francisco d'Andrade como Don Giovanni cantando a ária "Finch'han dal vino…". Pintura de Max Slevogt.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Don Giovanni (um nobre que seduz as donzelas prometendo casamento, mas as abandona) barítono
Leporello (servo de Don Giovanni) baixo
Comendador (pai de Donna Anna, que acabou assassinado por Don Giovanni tentando defender a filha) baixo
Donna Anna (filha do Comendador, no começo da ópera estava sendo seduzida por Don Giovanni, mas o pai ao defendê-la acaba morrendo) soprano lírico-dramático
Don Ottavio (noivo de Donna Anna) tenor
Donna Elvira nobre seduzida e abandonada por Don Giovanni soprano
Zerlina (jovem, bela e inocente camponesa seduzida por Don Giovanni) soprano
Masetto (noivo de Zerlina) barítono

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Ato I[editar | editar código-fonte]

O barítonoFrancisco d'Andrade como Don Giovanni. Pintura de Max Slevogt.

Exterior da casa de Dona Ana.

Don Giovanni está lá dentro, mascarado e tentando seduzi-la .

Esperando fora e queixando-se das durezas do seu trabalho, está o criado de Don Giovanni, Leporello.

Aparece Don Giovanni, que sai apressadamente da casa de Dona Ana, que vem atrás dele tentando descobrir a identidade do mascarado sedutor.

Seu velho pai, o Comendador, sai também de dentro e bate-se com Don Giovanni; no duelo, o Comendador é morto. Don Giovanni e Leporello fogem: Ana e seu noivo Don Otávio encontram o cadáver do Comendador.

Dona Ana faz Don Otávio jurar que vingará a morte do ancião.

Don Giovanni e Leporello estão na rua quando aparece uma mulher a cantar canção sobre o amante que a abandonou. Don Giovanni determina-se "consolá-la", mas ao acercar-se descobre que é Dona Elvira, de Burgos, aquela que abandonou.

Escapa dali e deixa a Leporello o cruel trabalho de obrigar Elvira a escutar a lista das conquistas de Don Giovanni.

Numa aldeia próxima

Dois camponeses, Masetto e Zerlina, vão casar-se. Chega Don Giovanni e encarrega Leporello de encontrar Masetto, enquanto ele tenta deslumbrar Zerlina com o seu aristocrático encanto. Don Giovanni está a ponto de declarar-se a Zerlina, quando aparece Elvira que a adverte.

Entram Ana e Otávio e os quatro discutem. Elvira diz que Don Giovanni é um malandro, enquanto Don Giovanni diz que ela está louca. Dona Ana reconhece Don Giovanni pela voz e di-lo a Otávio.

Don Giovanni tem intenção de convidar os aldeãos para uma festa e aumentar a sua lista de conquistas.

Nessa altura entra Masetto, ofendido com sua noiva, Zerlina. Mas Zerlina consegue que se reconcilie com ela. Os desejos de vingança de Masetto mostram-se ante o convite para a festa.

Otávio, Ana e Elvira, mascarados, pensam ir à festa atrapalhar Don Giovanni.

No baile toca-se à vez: um minueto (para os senhores), uma contradança (para os aldeãos) e uma dança alemã (que Leporello insiste em que Masetto dance ele).

Don Giovanni tenta de novo conquistar Zerlina e quando ela grita, Leporello diz que o causador foi ele, mas a verdade é reposta por Otávio, Ana e Elvira, que tiram as máscaras.

Ato II[editar | editar código-fonte]

Óperas de Wolfgang Amadeus Mozart
Wolfgang-amadeus-mozart 1.jpg

Die Schuldigkeit des Ersten Gebots (1767)
Apollo et Hyacinthus (1767)
Bastien und Bastienne (1768)
La finta semplice (1769)
Mitridate, ré di Ponto (1770)
La Betulia liberata (1770)
Ascanio in Alba (1771)
Il sogno di Scipione (1772)
Lucio Silla (1772)
La finta giardiniera (1775)
Il re pastore (1775)
Zaide (1780)
Idomeneo, ré di Creta (1781)
O Rapto do Serralho (1782)
L'oca del Cairo (1783)
Lo sposo deluso (1784)
O Empresário Teatral (1786)
As Bodas de Fígaro (1786)
Don Giovanni (1787)
Così fan tutte (1790)
A Flauta Mágica (1791)
A Clemência de Tito (1791)

Don Giovanni muda de objectivo: sua presa é uma criada de Dona Elvira.

E para atingir seu propósito, troca de traje com Leporello.

Prepara agora outra cruel burla a Elvira, cantando debaixo da sua varanda uma apaixonada serenata, em que diz que a ama; quando se cala, Elvira recebe Leporello disfarçado de Don Giovanni e quando volta a estar só, começa a cantar para a criada, acompanhado de bandolim.

Chega Masetto com uns amigos, com o propósito de matar Don Giovanni. Mas este na obscuridade faz-se passar por Leporello, afugenta seus amigos e dá-lhe uma grande tareia.

Chega depois Zerlina e consola Masetto.

Elvira e o disfarçado Leporello encontram-se com Zerlina e Masetto e de seguida com Dona Ana e Otávio; pensando que Leporello é Don Giovanni, os quatro ameaçam-no, mas, para surpresa deles, Elvira defende-o.

Leporello é obrigado a identificar-se.

Otávio apregoa seu amor por Dona Ana e Elvira lamenta ter sido atraiçoada.

No cemitério, para onde haviam fugido, Don Giovanni e Leporello contemplam a estátua do Comendador.

Ouve-se de repente uma voz “do outro mundo”, a da estátua, que recrimina a conduta de Don Giovanni e promete vingança.

Leporello fica aterrorizado; mas Don Giovanni, impávido e audaz, convida a estátua a cear com ele nessa noite. E o convite é aceite. Dona Ana roga ao seu prometido Otávio, que compreenda sua dor pela morte do pai e concorde em adiar a boda. Está Don Giovanni ceando alegremente em sua casa, enquanto uns músicos e algumas mulheres amenizam o ambiente.

Aparece Elvira suplicando a Don Giovanni que mude de vida, mas este responde com arrogância: “Vivam as mulheres, viva o bom vinho, sustento da glória e da humanidade!” Quando sai, Elvira dá um espantoso grito por algo que viu lá fora.

E o mesmo sucede com Leporello quando sai a ver o que se passa: é a estátua do Comendador, disposta a cumprir o convite que lhe fez Don Giovanni.

O Comendador entra e diz a Don Giovanni que se arrependa, sem consegui-lo; então dá-lhe a mão e arrasta-o consigo até às chamas do inferno, enquanto se ouve um invisível coro de demónios.

Entram no castelo Dona Elvira, Dona Ana, Don Otávio, Zerlina e Masetto, todos com a ideia de vingança, mas Leporello diz-lhes que o Comendador se antecipou.

Todos agora decidem o seu futuro.

Elvira irá para um convento; Dona Ana guardará um ano de luto, antes de se casar com Don Otávio: Zerlina e Masetto celebram as bodas e Leporello procurará um novo amo.

Todos, com alegria, dizem ao público que aprendam a lição com o destino de Don Giovanni: “A morte dos pérfidos é sempre igual à sua vida.”

Orquestração[editar | editar código-fonte]

Árias Famosas[editar | editar código-fonte]

Ato I[editar | editar código-fonte]

  • "Notte e giorno faticar…" - Leporello
  • "Là ci darem la mano…" - Don Giovanni & Zerlina
  • "Ah! chi mi dice mai…" - Donna Elvira
  • "Madamina, il catalogo è questo…" - Leporello
  • "Ah, fuggi il traditor…" - Donna Elvira
  • "Ho capito, signor, si…" - Masetto
  • "Fin ch'han dal vino…" - Don Giovanni
  • "Batti, batti, o bel Masetto…" - Zerlina
  • "Dalla sua pace…" - Don Ottavio
  • "Don Ottavio…Or sai chi l'onore…" - Donna Anna

Ato II[editar | editar código-fonte]

  • "Deh, vieni alla finestra" - Don Giovanni
  • "Meta di voi qua vadano" - Don Giovanni
  • "Vedrai, carino" - Zerlina
  • "Ah, pieta! Signori miei!" - Leporello
  • "Il mio tesoro" - Don Ottavio
  • "In quali…Mi tradi quell'alma ingrata" - Donna Elvira
  • "Don Giovanni, a cena teco m'invitasti" - Don Giovanni, Leporello & Commendatore
  • "Troppo mi…Non mi dir" - Donna Anna

Referências

  1. O teatro é mencionado como 'Teatro di Praga' no libreto da estreia da obra, em 1787 (Deutsch 1965, 302–303); a respeito do nome atual do teatro, ver "The Estates Theatre", no site oficial do Teatro Nacional de Praga.
  2. Opera Statistics Operabase. Visitado em 13-8-2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]