Trompa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde janeiro de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Trompa
Informações
Classificação
Classificação Hornbostel-Sachs 423.232
Aerofone com válvulas.
Instrumentos relacionados
Tuba,
Trombone,
Trompete,
Flugelhorn,
Saxotrompa,
Eufônio.
O instrumento com seu estojo.

A trompa é um instrumento de sopro da família dos metais, muito importante na orquestra sinfónica moderna. Consiste num tubo metálico de 3,7 metros de comprimento, ligeiramente cônico, com um bocal numa das extremidades e uma campânula (ou pavilhão) na outra, enrolado várias vezes sobre si mesmo como uma mangueira, e munido de três, quatro ou até cinco chaves, de acordo com o modelo e marca. O trompista prime as chaves com a mão esquerda e, com a mão direita dentro da campânula, consegue controlar a afinação, timbre e mesmo ajudar à pega do próprio instrumento. É um instrumento interessante de tocar, mas não há nada como estudar para conseguir: o trompista não só tem que ter um ouvido afinadíssimo e saber solfejar com precisão, como também tem que ter uma coordenação motora perfeita para controlar os músculos das mãos direita, esquerda e a própria respiração.

O timbre da trompa é o mais rico em harmônicos, assemelhando-se muito à voz humana. A mão dentro da campana permite uma enorme variedade de timbres.

Trompas aparecem nas 10 últimas sinfonias de Haydn e Mozart, em todas as 9 de Beethoven, nas 4 de Schumann, nas 4 de Brahms, nas 6 de Tchaikovsky, nas 9 completas de Mahler. A partitura da Segunda Sinfonia de Mahler exige dez trompas.

História[editar | editar código-fonte]

A história da trompa começa há milhares de anos, quando o homem aprendeu a usar chifres de animais como instrumento. Quando se passou a forjar metais, o instrumento deixou de ser feito de chifre, passando ao metal. O tubo ganhou extensão, ficando enrolado para ser mais compacto.

Na idade média, a trompa de caça (corno di caccia) era usada pelos caçadores como uma forma de comunicação e sinalização dentro florestas. O instrumento não passava de um tubo metálico enrolado, com um pavilhão numa extremidade e o bocal na outra. Mais tarde, descobriu-se por acaso que, ao por a mão obstruindo parcialmente a campana, todos os sons baixavam de meio tom, ampliando a gama de sons possíveis a trompa na época (que por não possuir chaves ou pistos, tinha os sons limitados à série harmônica de sua fundamental.

Bach e Handel incluíram corni di caccia nas partituras dos seus concertos.

No século XIX o engenheiro alemão chamado Heinrich Stoetzel (1780-1844) teve a idéia de adicionar válvulas que modificavam o caminho percorrido pelo ar dentro do instrumento, alterando a nota emitida. Documento datado de 6 de Dezembro de 1814, Stoetzel solicita ao rei da Prússia, Frederico Guilherme III, permissão para o uso da trompa a válvula nas bandas militares dos regimentos da corte. Essa mudança demorou a ser acatada pelos compositores, que preferiam a trompa de caça, de som mais puro. A trompa moderna é capaz tocar todas as notas da escala cromática dentro de sua extensão.

Instrumentos da família da trompa têm sido encontrados por arqueólogos. Os judeus ainda hoje usam o shofar, um chifre de carneiro oco e com um orifício a servir de bocal, que eles usam nas ocasiões solenes, como para anunciar o Yom Kippur ou o Rosh Hashana (ano novo judaico), e cujo som tem um significado religioso para os hebreus. As palavras que traduzem "trompa" em outras línguas, como corno (em italiano e espanhol), cor (em francês), horn (em inglês e alemão), hoorn (em holandês), significam "chifre" nas respectivas línguas.

Características Gerais[editar | editar código-fonte]

A trompa é o segundo instrumento mais agudo da família dos metais. É afinada em Fá ou Sib ou uma combinação dos dois. Em alguns lugares, existe a tradição de que o aprendiz de trompa deve usar a trompa simples em Fá, enquanto outros preferem a trompa em Sib. A trompa em Fá é mais usada do que a trompa em Sib, especialmente em bandas escolares. Comparada com os outros metais da orquestra, tem um bocal muito diferente, mas tem a maior extensão útil, aproximadamente 4 oitavas, dependendo do trompista. Para se produzirem diferentes notas numa trompa, deve-se fazer muitas coisas — as 4 mais importantes são: apertar as válvulas, aplicar a tensão labial apropriada, soprar e colocar a mão no pavilhão. Mais tensão labial e alta velocidade do ar produz as notas agudas. Menos tensão labial e baixa velocidade do ar produz notas graves. A mão direita, normalmente colocada dentro do pavilhão numa posição de "ponteiros de relógio às 3 horas", consegue abaixar a afinação em até um semitom na extensão do instrumento, dependendo de quão mais fundo o trompista a põe. A trompa toca numa porção mais aguda da série harmônica, em relação à maioria dos instrumentos de metal. A forma cônica do seu tubo (em oposição à forma cilíndrica do trompete e do trombone) é a responsável principal pelo seu timbre característico, descrito freqüentemente como "doce". Hoje, a música para trompa é tipicamente escrita em Fá e soa uma 5ª justa abaixo. As limitações de extensão do instrumento são primariamente governadas pelas combinações disponíveis das válvulas para as 4 primeiras oitavas da série harmônica e, depois destas, pela habilidade do executante em controlar a afinação através do suprimento de ar e da embocadura. As extensões escritas típicas para a trompa começam ou no Fá#1 imediatamente abaixo da clave de Fá ou no Dó1.

A extensão padrão, que começa desde o Fá# grave, é baseada nas características da trompa simples em Fá. Entretanto, existe uma enorme quantidade de música escrita além dessa extensão, assumindo que os trompistas estejam usando a trompa dupla em Fá/Sib. Esse é o instrumento padrão usado nas orquestras e suas combinações de válvulas permitem a produção de toda a escala cromática. Embora a tessitura mais aguda do repertório trompístico raramente exceda ao Dó5 (que soa Fá4), trompistas habilidosos podem alcançar sons mais agudos.

É também importante notar que muitas peças, desde o Barroco até o Romantismo, são escritas em afinações diferentes de Fá. Esta prática começou nos tempos antigos da trompa lisa (sem válvulas), quando o compositor queria indicar a afinação que a trompa deveria ter (trompa em Ré, trompa em Mi, etc.) e a parte era escrita como se estivesse em Dó. Essas diversas afinações eram conseguidas através da mudança dos "corpos de substituição", que possibilitavam o aumento ou diminuição do comprimento do tubo. Um trompista com um instrumento moderno deve executar a correta transposição. Por exemplo, um Dó escrito para trompa em Ré deve ser transposto uma terça menor abaixo e tocado como um Lá na trompa em Fá.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]