Saltério (instrumento musical)

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saltério
saltério medieval
Informações
Classificação Hornbostel-Sachs
Instrumentos relacionados
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Clavicórdio
Saltério

O saltério (do grego ψαλτήριο psaltêrion "instrumento musical de cordas; espécie de harpa"; de ψαλμός "canto"(como se vê, por exemplo, nos famosos salmos); pelo latim psalterium,ìi "cítara, lira") é um instrumento de cordas geralmente pulsadas ou beliscadas, como a harpa. Sua origem remonta pelo menos a 300 a.C., quando era utilizado para acompanhamento dos salmos.

O saltério medieval (século XII) compõe-se de uma caixa de ressonância triangular ou trapezoidal munida de sete a dez cordas que se beliscam - daí a sua denominação que designava, na Grécia Antiga, todos os instrumentos tocados com os dedos e não com o plectro.

Sobre a caixa de ressonância se estendem sete a dez cordas fixadas por cavilhas. Normalmente a caixa se apresenta em forma trapezoidal, com duas ordens de cordas em correspondência dos lados oblíquos - cordas suficientemente distanciadas para serem beliscadas com os dedos ou percutidas com plectros ou com uma varinha metálica ou de madeira, para criar uma melodia ou um acompanhamento rítmico. Já o saltério de arco é em geral de forma triangular, as cordas são muito mais próximas e sobre o mesmo plano. O arco é semelhante ao utilizado nos demais instrumento musicais.

No caso do saltério ibérico, as cordas podiam ser pulsadas com os dedos ou percutidas com martelos.

Existem muitas variantes desse instrumento, que, por ser suficientemente pequeno para ser portátil, era (e ainda é, em algumas regiões da Europa) muito usado também para acompanhar o canto.

Reprodução de um saltério medieval.

A partir da segunda metade do século XIV as cordas passaram a ser percutidas com pequenos martelos, e o instrumento era pousado sobre uma mesa. Na mesma época apareceu o eschiquier - um saltério munido de teclado, e as teclas acionavam pequenos martelos. Mencionado por Guillaume de Machaut antes de 1377, o eschiquier foi muito difundido na França, na Inglaterra e na Espanha até o século XVI e parece ser o mais antigo antepassado do piano. A partir do século XV, uma grande variedade de instrumentos derivados do saltério de cordas percutidas espalhou-se pela Europa sob a denominação de tympanon (muitas vezes tomado como termo genérico), doucemère, doucemelle, doulcimer, cymbalum, etc. Em alguns, utili­zavam-se varetas com a extremidade em forma de colher com as quais se percutiam as cordas; outros eram dotados de teclado.[1]

No século XVIII, o saltério despertou o interesse de compositores como Vivaldi (Giustino, 1729),[2] Niccolò Jommelli (1714-1774) (Sinfonia em sol M para saltério, violinos e baixo-contínuo),[3] entre outros, mas praticamente desapareceu do cenário antes da virada do século.

A difusão do instrumento na Península Ibérica é ilustrada por obras portuguesas e espanholas para saltério, tanto na música erudita como na música popular, tanto em peças religiosas como operísticas, de compositores como Francisco António de Almeida (Te Deum, Venerandum tuum verum), Antonio Teixeira (As guerras do alecrim e manjerona, 1737: aria Não posso, ó Sevadilha), Antonio Soler (Ciego y Lazarillo, 1762) e Blas de Laserna (Los amantes chasqueados, 1779).[4]

Referências

  1. Educação Musical - Instrumentos. Piano
  2. Continuo con Salterio, por Karl-Heinz Schickhaus. Hackbrett.at, 16 de outubro de 2008. (em inglês)
  3. Festival Internacional de Músiques de Torroella de Montgrí, 2008. (em catalão)
  4. Uma tablatura para saltério do século XIX, por Rogério Budasz. Departamento de Artes da UFPR. Revista Eletrônica de Musicologia. Vol. 1.1. Setembro de 1996.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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