Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento

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Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento
Para-sar.gif
Brasão PARA-SAR
País  Brasil
Corporação Força Aérea Brasileira
Subordinação Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR)
Missão Operações Especiais
Sigla PARA-SAR (EAS CG)
Criação 1963
Aniversários 20 de novembro
Sede
Guarnição Campo Grande -  Mato Grosso do Sul
Endereço Avenida Duque de Caxias, 2905
Internet Página do PARA-SAR

O EAS - Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, mais conhecido como PARA-SAR ('PARA' de paraquedistas, 'SAR' do inglês Search and Rescue, "Busca e Salvamento"), é um esquadrão paraquedista de Operações Especiais e Busca e Resgate da Força Aérea Brasileira, baseado na Base Aérea de Campo Grande, Mato Grosso do Sul e é comandado por um Coronel de Infantaria.

SAR é uma doutrina utilizada mundialmente pelas Forças Armadas e diversas unidades especiais. O Brasil possui sete equipes SAR, que integram as unidades helitransportadas da FAB, Manaus (AM), Recife (PE), Pirassununga (SP), Santa Maria (RS), Natal (RN) e Belém (PA), todas doutrinadas pelo PARA-SAR.

O esquadrão não possui aviões ou helicópteros, o grupo é transportado por outros esquadrões aos locais onde precisa agir.

O PARA-SAR tem por finalidade a instrução das equipes de resgate da Força Aérea Brasileira e a realização de missões de Operações Especiais e Busca e Salvamento.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A história do esquadrão está estritamente ligada à história do paraquedismo na Força Aérea Brasileira. Iniciou-se em 1943, na antiga Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, na cidade do Rio de Janeiro, com Achile Garcia Charles Astor, franco-argelino que pertencera à Legião Estrangeira Francesa, instrutor de ginástica acrobática para os Cadetes do Ar, e introdutor do paraquedismo civil no Brasil. Charles Astor contava com a colaboração de um grupo de militares da FAB, porém com formação civil de paraquedismo. Foi ele quem semeou a ideia de utilizar o paraquedista nas operações de salvamento, ideia que não foi aceita de início, pois na época, o paraquedismo era pouco difundido e o material disponível era escasso e apresentava pouca qualidade. O esporte foi ganhando novos adeptos e atraindo a atenção dos cadetes.

Nessa época, o então Sargento Gil Lessa, que viria a ser o primeiro comandante do PARA-SAR, em 1963, já como Capitão de Infantaria, foi o primeiro militar brasileiro a saltar de uma aeronave militar em voo fazendo uso de um paraquedas, em 1943.[carece de fontes?]

Nessa mesma época, na Segunda Guerra Mundial, se desenvolvia na Europa e no Pacífico, o aprimoramento das técnicas aeroterrestres e das atividades de Busca e Salvamento. Surge a partir daí a necessidade da formação de uma tropa organizada e especializada nesse tipo de atividade.

Em vista da utilização mundial do paraquedismo na segurança e na prevenção de acidentes aeronáuticos, a DR - Diretoria de Rotas Aéreas (atual DECEA - Departamento de Controle do Espaço Aéreo) iniciou estudos para a criação de um segmento com essa responsabilidade na Força Aérea, de uma maneira direta, a criação do PARA-SAR.

Em dezembro de 1945, inicia-se a formação dos pioneiros paraquedistas militares do Exército Brasileiro nos EUA, esta iniciativa fez surgir no Brasil a Escola de Paraquedistas, atual Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil, do Exército. Em 1949, teve início o primeiro Curso Básico Paraquedista no Brasil, todos militares do Exército, e em 1959, forma-se a primeira turma de paraquedistas militares da Aeronáutica, composta por três oficiais e cinco sargentos. Assim, por iniciativa de tal diretoria, um grupo de voluntários, se reuniu nas instalações da antiga Escola de Aviação Militar, e passou a atuar em acidentes e em diversas situações especiais.

Em 2 de Setembro de 1963, foi criada a 1ª Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, com sede na antiga Escola de Aeronáutica, concebida pelo Comando Aeronáutico Terrestre. O nome PARA-SAR, apesar de ter nascido bem antes da própria esquadrilha, nunca chegou a ser o nome oficial da unidade, sendo porém, a designação mais antiga e tradicional do paraquedista operacional em missões especiais da Força Aérea.

Em 20 de Novembro de 1973, a esquadrilha passou a constituir o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, ainda sediado no Rio de Janeiro e com a incumbência de realizar o adestramento das equipes de resgate dos esquadrões de helicópteros da FAB, e o cumprimento de diversas missões especiais.

Em toda a sua história, o PARA-SAR atuou em diversas passagens importantes do Brasil, como na caça, captura e repressão aos terroristas de esquerda nas décadas de 60 e 70, na libertação de reféns e neutralização do sequestrador do Varig Electra II em São Paulo, em 1972, ações de busca e salvamento nas grandes enchentes de Santa Catarina em 2008, e acidentes aéreos como o da GOL em 2006 e do Air France em 2009.

Para o ano de 2011, a sede operacional do esquadrão será transferida para a Base Aérea de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, devido a posição estratégica da cidade de Campo Grande, poderá atuar com ainda maior rapidez em todo o território nacional.[2]

Formação Operacional[editar | editar código-fonte]

O ingresso no esquadrão é voluntário, para membros ativos da FAB, Praças de qualquer arma ou quadro, e Oficiais de Infantaria.

Em 1982, teve início o primeiro Curso Operacional PARA-SAR, visando o preparo completo de seus integrantes para o cumprimento de missões de Busca e Salvamento, abrangendo os conhecimentos técnico-operacionais necessários à atuação nos diferentes cenários do território brasileiro. O curso era estruturado em módulos, sendo cada módulo um estágio específico: Salto Livre; Sobrivência no Mar; Máquinas, Motores e Comunicações; Operações na Selva; Tiro de Combate; e outros mais. Devido aos intervalos entre os estágios, Levava por vezes até cinco anos para concluir a formação operacional, buscando reduzir esse tempo, surge em 1994 o chamado "mochilão", fazendo os estágios acontecerem em sequência ininterrupta, reduzindo para um ano a duração do curso. Neste mesmo ano teve início o primeiro Curso de Paraquedista Militar da Aeronáutica, ministrado pelo PARA-SAR nas instalações da Academia da Força Aérea durante suas fases básica e técnica, tendo sido mantido ativo até 1999.

Hoje a formação operacional do efetivo é realizada através de cursos ministrados pelo próprio PARA-SAR e demais Forças Armadas, e abrange os níveis de operacionalidade em Operações Especiais e de Busca e Salvamento. A formação prevê o Curso de Comandos (CCOM) da FAB, ministrado pela própria unidade e que habilita os concludentes a todas as missões do Esquadrão, como Ações de Comandos, SAR/CSAR, Guerra Irregular, Operações Contra Forças Irregulares, Reconhecimento Especial, Contraterrorismo, Operações Psicológicas e de Inteligência. Entretanto, o militar só completa sua formação operacional concluindo também os seguintes cursos, também ministrados pelo PARA-SAR: Salto Livre Militar, Mestre de Salto Precursor, Mestre de Salto Livre e Mergulho Autônomo, bem como o de Paraquedista Militar, ministrado pelo Exército Brasileiro.

O Esquadrão também ministra o Curso de Busca e Salvamento (SAR) que prepara Oficiais e Praças para o exercício das missões de SAR/CSAR das unidades de helicóptero da FAB e demais Forças.

Atualmente, são ministrados pelo esquadrão (para Oficiais, Sargentos e Cabos) os seguintes cursos:

Busca e Salvamento (SAR)[editar | editar código-fonte]

Símbolo do SAR.

O curso tem por objetivo a formação dos integrantes das equipes de resgate da FAB, que atuam a partir da plataforma de asas rotativas, e é aberto também para outras Forças Armadas, Polícias Militares e Federais e Corpos de Bombeiros. Abrange, dentre outras, as disciplinas de: acesso a aeronaves; combate a incêndio; máquinas, motores e equipamentos rádio; mergulho livre; operações helitransportadas; orientação e busca terrestre; sobrevivência no mar; sobrevivência na selva; técnicas de CSAR; montanhismo; teoria de busca e resgate; e capacitação em socorro pré-hospitalar militar.

Mergulho Autônomo[editar | editar código-fonte]

Habilita a realizar o mergulho a ar (autônomo e dependente).

Utilizado com vista à recuperação de carga ou peças de aeronaves acidentadas e submersas.

Técnicas Aeroterrestres (Mestre de Salto Precursor)[editar | editar código-fonte]

Símbolo dos Mestre de Salto e Precursor Paraquedista.

Habilita Oficiais e Sargentos a exercerem as funções de Mestre de Salto e Precursor Paraquedista, a realizar lançamento de pessoal e material leve de uma aeronave militar, na vertical de um ponto de lançamento materializado no solo (letra código) ou na luz verde; inspeção de pessoal e aeronaves; dobragem, inspeção e preparação de paraquedas para salto semi-automático; e calcular e efetuar o lançamento de uma equipe de paraquedistas após identificar a intensidade e a direção do vento, sem ponto materializado no solo (lançamento precursor).

Também é ministrado um reconhecimento técnico pormenorizado dos procedimentos inerentes as funções do mestre de salto, em todas as aeronaves de transporte de tropas da FAB.

Salto Livre Militar[editar | editar código-fonte]

Símbolo dos realizantes do Salto Livre Militar.

Habilita paraquedistas a realizar salto livre operacional, a pequena ou grande altitude, equipados com mochila e armamento, visando seu emprego em operações militares especiais.

Mestre de Salto Livre Militar[editar | editar código-fonte]

Habilita a realizar o lançamento livre, organizar aeronave para o salto e organizar uma equipe terra. São ministradas noções de meteorologia e leitura de documentos meteorológicos; técnicas de trabalho relativo de velame; precisão no alvo; técnicas avançadas de navegação; e técnicas de queda livre.

COMANDOS[editar | editar código-fonte]

Símbolo do Comando.

Conhecido como PARA-COMANDOS, é um misto de Curso de Ações de Comandos e de Forças Especiais da FAB, que reúne também técnicas de SAR e CSAR (Combat Search and Rescue - Busca e Resgate em Combate). Para alcançar o nível de operacional em Operações Especiais, é necessário a conclusão deste.

Pastor[editar | editar código-fonte]

Símbolo do Pastor.

Título conquistado pelo militar que alcança o nível operacional completo, obtendo êxito em todos os degraus constituídos pelos diversos cursos. É conferido ao militar um número e ele será incluído na Ordem dos Pastores.

O título se deve a exemplo das características que o cão pastor alemão tem, ou seja, todas as qualidades que um militar de Operações Especiais deve ter: adestrado, amigo, leal, vigilante e, se necessário, agressivo.

CSAR[editar | editar código-fonte]

O PARA-SAR também participa das instruções do Curso de Resgate em Combate, no Módulo Evasor (CRC-ME), que tem o objetivo de preparar todos os aeronavegantes para uma eventual evasão em território hostil. O curso em geral visa preparar o planejamento de resgate de pilotos e tripulantes envolvidos num acidente aéreo em área hostil. O esquadrão é responsável pelas instruções de navegação terrestre, transposição de obstáculos, armadilhas, eliminação de vestígios, transposição de cursos d'água, camuflagem, obtenção de água e alimentos, sinalização e balizamento de aeronaves.

Instrução para os Cadetes da Aeronáutica[editar | editar código-fonte]

O PARA-SAR é responsável por algumas das instruções aos Cadetes da Academia da Força Aérea, em Pirassununga: Estágios de Operações Especiais, Mergulho Livre e Montanhismo para os Cadetes Infantes; Estágio de Operações Helitransportadas para Cadetes Infantes e Intendentes; Estágio de Ressuprimento Aéreo para Cadetes Intendentes e Estágios de Salto de Emergência, Sobrevivência no Mar e Sobrevivência na Selva para os três cursos, e a colaboração no Exercício de Evasão para os três cursos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]