Estádio dos Barreiros

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Estádio dos Barreiros
Estadio dos Barreiros Funchal Madeira.jpg
Características
Local Funchal
Gramado Relva (105 x 68)
Capacidade 9.177
Construção
Data 27 de Abri de 1953
Inauguração
Data 5 de Maio de 1957
Último Jogo
Recordes
Partida com mais público Marítimo vs Olhanense
Outras informações
Remodelado 2009
Proprietário CS Marítimo
Mandante CS Marítimo
Maquete vista Norte

O Estádio dos Barreiros localiza-se na zona oeste da cidade do Funchal, na Ilha da Madeira. É o local onde joga o Club Sport Marítimo. Foi inaugurado a 5 de Maio de 1957 e pode contar com 9.177 espectadores.

Lugar mítico do futebol madeirense, o estádio foi propriedade da Região Autónoma da Madeira até 2009, estando a ser alvo de reconstrução, já nas mãos do Club Sport Marítimo para que este possa ter um espaço condigno para actuar. Tal medida foi decidida em reunião de Conselho do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira a 13 de Setembro de 2007.[1]

A história do Estádio dos Barreiros inicia-se em 1923, ano em que o Clube Desportivo Nacional tomou posse de cerca de 18.000 m² de terrenos no Sitio dos Barreiros para a construção de um recinto pelado onde se praticava futebol, em concorrência com o campo Almirante Reis, no centro do Funchal.[2]

As obras tiveram início em 1925.

Em 26 de Junho de 1927, o campo de futebol foi inaugurado, com a presença do Vitória Futebol Clube de Setúbal.

Consistia num terreno de terra batida com as dimensões regulamentares para a pratica de futebol (não havia qualquer pista de atletismo), e uma orientação quase perpendicular ao recinto actual (Poente-Nascente). Incluía umas pequenas bancadas localizadas a Poente e outras a Sul. Este Campo desenvolvia-se de forma paralela à Rua Dr. Pita e ocupava os terrenos (em cerca de 5.000 m²) da actual Rua dos Barreiros, que na altura não existia, bem como parte do terreno do actual Estádio na sua parte Norte junto à Rua Dr. Pita (com cerca de 13.000 m²).

Então, dos cerca de 30.899 m² do actual Estádio, apenas 13.000 m² foram, nessa altura, ocupados pelo campo (Stadium) dos Barreiros, nos poucos anos em esteve na posse do Clube Desportivo Nacional.

Apesar da inauguração ter ocorrido em 1927, as obras só ficaram concluídas em 1930 e com custos muito elevados para a altura (848 contos).

É nesta altura que o Club Sport Marítimo, mais interessado no investimento no (seu) campo Almirante Reis, chega a não participar em competições regionais, destacadas para o campo dos Barreiros.

Pouco demorou até que o acumular os problemas financeiros por parte do Clube Desportivo Nacional viessem à tona. Os custos das obras - por pagar - e as despesas com a manutenção e gestão do espaço não encontraram cobertura, não tendo sido possível reunir esforços a partir de qualquer grupo de sócios e simpatizantes daquele clube, no sentido de salvar o respectivo património.

Assim, apenas três anos depois da conclusão das obras, Diogo Freitas, gerente comercial e consorte e António Pereira Camacho, construtor civil e consorte, empreiteiros, em consequência do não pagamento de dívidas, arremataram judicialmente no dia 4 de Março de 1933, o prédio denominado Stadium dos Barreiros ou Campo dos Barreiros, perante o Tribunal Judicial do Funchal com autos de execução requeridos contra o Clube Desportivo Nacional, distribuídos ao então Escrivão do quarto ofício, António Fernandes Camacho, tendo ficado proprietários plenos do prédio que se compunha de cerca de dezoito mil metros quadrados (18.000 m²), descritos pelos números 27.319, 75.320 e 27.321 do Livro B (matriz predial, artigo 37).[3]

Termina aí, logo em 1933, ou seja dez anos após ter tomado posse do terreno, a curta relação do Clube Desportivo Nacional com o Campo dos Barreiros.

Ultrapassada a breve fase nacionalista, e após aquela arrematação, um grupo de personalidades, constituído por figuras ilustres da Madeira - incluindo os novos proprietários (empreiteiros) - decidiram manter o Campo em actividade suportando as despesas de manutenção.

Criou-se, então, uma Comissão de Manutenção ou de Exploração do espaço, constituída por um extenso grupo de personalidades e empresas do Funchal, na defesa de um espaço da Cidade e para o Desporto.

Mas, em 1938, também aquele grupo viu infrutífera a sua acção, tendo pedido à então Junta Geral do Funchal que nele realizasse os melhoramentos necessários (in Notícia Histórica, no mesmo Boletim) devido ao mau estado de conservação do campo. Há relatos de jogos transferidos para outros locais devido ao lamaçal em ficava o campo quando chovia.

No mês de Março de 1938, a Junta Geral do Funchal deliberou fazer o estudo das obras necessárias para a construção de um Estádio digno desse nome e da Cidade e nomeou uma comissão para se encarregar desse estudo. Em Fevereiro de 1939 o estudo foi entregue à Junta Geral do Funchal e o ante-projecto foi aprovado. As obras previstas foram orçadas em 1.400 contos e o campo ficaria com uma lotação de 10.600 espectadores.

Na sequência deste estudo, e, diz-se, por influência do Vice-Presidente da Junta Geral Autónoma do Distrito, o Eng. António Egídio Henriques de Araújo, que era ao mesmo tempo membro da lista de accionistas (personalidades) da referida Comissão que assegurou a manutenção (funcionamento) do Campo após 1933, e segundo outorgante, em representação da Junta Geral do Funchal na escritura de 24 de Fevereiro de 1939, os senhores Diogo Freitas e consorte e António Pereira Camacho e consorte, legítimos proprietários do prédio “Stadium dos Barreiros” prometeram à Junta Geral do Funchal a cedência gratuita, ou doação de todo o prédio (de dezoito mil metros quadrados), subordinado às seguintes condições:[4]

a) pagamento a António Pereira Camacho a importância de 35.000$00; b) 2.300$00 por contribuição predial; c) Livre-trânsito para os elementos da comissão de manutenção ou exploração do campo; d) o uso do referido prédio principalmente para o exercício da educação física dos alunos dos estabelecimentos de ensino da Região, sem quaisquer indicações imediatas que não a de realização oportuna das obras necessárias ou convenientes à mesma e aplicação exclusiva e permanente do bem à prática desportiva.

Nessa altura, recorde-se, existia um campo de futebol, sem pista de atletismo, num terreno de 18.000 m².

Algumas referências registam que a cedência do campo é feita pelos accionistas ou associados (da Comissão de Exploração) mas a escritura pública de 24 de Fevereiro de 1939 apenas refere que é concretizada pelos dois empreiteiros. Pelo que tudo aponta para que a “dívida” pendente devido às obras efectuadas (até 1930) a mando do Clube Desportivo Nacional, tenha sido efectivamente saldada por esse grupo que também se encarregou (aí sem sucesso a curto prazo) da manutenção do espaço. Motivados pelo facto de entenderem ser aquele espaço, destinado ao desporto, uma mais-valia para a Cidade do Funchal que merecia aquela intervenção.

Após a tomada de posse dos referidos 18.000m2, a Junta Geral do Funchal encarregou um arquitecto para elaborar o projecto dum recinto de Jogos, o que não chegou a concretizar-se, devido ao reconhecimento de que a área disponível nos Barreiros (o terreno recebido) não era suficiente para construir o Estádio pretendido.

A solução do problema foi então entregue à Câmara Municipal do Funchal, que, em 1947 nomeou uma comissão com a finalidade de encontrar um novo local. Esta comissão depois de ter visitado diversos terrenos (Quintas Pavão e Bianchi, Pombal, Almirante Reis e Ilhéus), chegou à conclusão que o sitio apropriado era mesmo o dos Barreiros, na zona do antigo campo, sendo, no entanto necessário expropriar mais cerca de 20.000 m² para o lado poente, permitindo a criação de novos acessos viários e que o novo Estádio pudesse servir outros desportos além do futebol, nomeadamente, o Atletismo.

Em 23 de Março de 1949 deliberou a Junta Geral, encarregar o arquitecto António Couto Martins para elaborar o projecto de ampliação do Campo dos Barreiros. Para este propósito o Estado Português comparticipou com 1.000 contos, em 21 de Março de 1951 através do Comissariado do Desemprego.[5]

Mais tarde, em 1952, o projecto foi rectificado pelo mesmo arquitecto e pelo Eng. Félix do Amaral.

Na sequência da aprovação do projecto a Câmara Municipal do Funchal, sob o patrocínio da Junta Geral do Funchal, procedeu entre 30 de Setembro de 1952 e 19 de Janeiro de 1953 a diversas expropriações, totalizando cerca de 20.000m2, em que os expropriados declararam, no termo de expropriação com força de escritura pública, que aceitavam e se davam satisfeitos com as quantias recebidas, cedendo livre e espontaneamente para todo o sempre à Junta Geral do Funchal, todo o domínio, direito e posse ou acção que à mesma tinham e possuíam. A maior parte do terreno então expropriado pertencia a uma empresa (“The Ocean Island Fruits Company limited”) com cerca de 15.800 m².

O concurso público foi realizado no dia 25 de Março de 1953, sendo a obra sido adjudicada ao construtor João Augusto de Sousa.

Em 27 de Abril do mesmo ano iniciaram-se as obras, tendo sido o Governador do Distrito, capitão-de-mar-e-guerra Camacho de Freitas a dar a primeira “enxadada”.

A recepção definitiva da obra foi concretizada a 18 de Fevereiro de 1956.

A área ocupada pelo Estádio era de 26.600 m². A área do parque de estacionamento era de 1.800m2, e a lotação de cerca de 17.000 lugares, o relvado tinha as dimensões de 107x70 m, o atletismo dispunha de apenas 4 pistas e o custo total da obra atingiu os 12.000 contos. Isto para além do custo das expropriações que atingiu os 2.300 contos, aproximadamente. A comparticipação do Estado ascendeu a pouco mais de 1.300 contos.

No dia 5 de Maio de 1957, realizou-se, às 15.30 horas, a inauguração do actual Estádio dos Barreiros, presidida pelo então Ministro das Obras Públicas o Eng. Arantes de Oliveira. A inauguração, com 12 mil espectadores presentes, teve uma receita de bilheteira de cerca de 254 contos.

Desde então, muitas pequenas obras foram efectuadas no Estádio, para o adaptar, às necessidades dos nossos dias, mas que o alteraram radicalmente. Destacamos a introdução das 8 pistas de Atletismo, o corte da Bancada Lateral Norte, a alteração dos bares a sul e nas laterais, a alteração da tribuna, a construção de cabines de imprensa, a construção de um ginásio, o desvio do campo relvado do centro do Estádio, a redução da área do recinto de jogo, a reconversão do peão em zona de bancadas e a colocação de cadeiras plásticas individuais, para os espectadores.

Com a entrada no novo milénio e com as equipas madeirenses a ascenderem ao topo do futebol português, incluindo participações em provas da UEFA, tornou-se evidente a necessidade de intervenção profunda no espaço.

A reversão da propriedade (cerca de metade da área actualmente ocupada pelo Estádio) era uma possibilidade caso o espaço deixasse de cumprir as funções para as quais fora doado. Como refere a escritura de 1937. Um risco que "obrigava" o Governo Regional a fazer, ali, de imediato, um grande investimento.

Tendo o Clube Desportivo Nacional já beneficiado de fortes apoios públicos em investimentos para o efeito (na Choupana) e estando programado, para o Clube Sport Marítimo, um apoio semelhante, este Clube foi a entidade óbvia, encontrada para o estabelecimento de um acordo público-privado, para concretizar as necessárias obras.

Neste sentido, com a necessária justificação de interesse público desportivo, preparou-se a cedência do espaço ao Clube Sport Marítimo para este ali construir o seu Estádio, garantindo as condicionantes básicas (manutenção e uso do Estádio como tal e uso desportivo exclusivo) aplicáveis apenas aos 18.000m2 doados em 1938 (menos de metade da área, actualmente disponível).

Assim se salvaguardaram, num único processo, as duas situações: as obras, incontornáveis, no Estádio dos Barreiros e as necessidades desportivas do maior Clube Regional.

Maquete

O Club Sport Marítimo desencadeou um concurso público baseado num projecto base que inclui, como todos os novos espaços europeus deste tipo, zonas para (futuras) estruturas “comerciais” como era apanágio (inscrito no Programa) do Governo Regional, desde a primeira hora, quando se disponibilizou para a concessão do apoio público necessário.

O Governo Regional da Madeira determinou a capacidade máxima (adaptando-a à realidade regional), em 9.000 espectadores. O projecto salvaguarda as condicionantes da UEFA para ali ocorrerem os eventos da sua jurisdição, incluindo questões de segurança, comodidade, acessos e estacionamentos. O que foi confirmado pelo observador da Liga Portuguesa de Futebol Profissional em Agosto de 2009 numa sua visita à Região.

O projecto base garante, também, o necessário ambiente desportivo (bancadas em todo o redor do campo relvado e o mais próximo possível deste) e, dessa forma, distribuindo mais os espectadores, assegura um menor desenvolvimento das bancadas em altura e a redução do respectivo impacto volumétrico. Na zona da actual Central, desenvolve-se até apenas 1 piso acima da cota da estrada, em oposição a um projecto alternativo (que um dos empreiteiros apresentou a concurso) onde a cota subiria a mais de 15 (quinze) metros.

Garantidas as condições determinadas no acto de cedência de 1937 (realização de obras, manutenção e disponibilidade do Estádio como tal) aplicáveis a cerca de metade da área actual, o projecto reserva, também, espaços para actividades complementares (comerciais) que permitirão assegurar a rentabilização futura da estrutura, de forma inédita na Região.

Maquete vista Poente

O Projecto Base desenvolvido pelo Club Sport Marítimo e colocado a concurso com admissão de variantes permite fasear a obra, considerando e separando (temporal e financeiramente) a componente desportiva (recinto de jogos) e conexa (bancadas, balneários, apoios ao espectáculo) da restante parte, comercial (que pode ser posteriormente concretizada e financiada da forma e na altura que for possível, à medida que se encontram parceiros investidores).

Ao definir a verba a financiar, em 31,5 milhões de euros, o Governo Regional assegurou desde já, ao Clube a possibilidade de avançar de imediato com a construção da componente desportiva prevista no Projecto Base (ver maquete), sem necessidade de mais verbas. Apesar do preço base ter sido definido em 46,5 milhões, a qualidade do terreno de implantação da bancada nascente permitiu que a melhor proposta para a construção se fixasse abaixo deste valor. A propostas mais cara atingiu os 51 milhões (este empreiteiro apresentou um projecto alternativo ao colocado a concurso com volume de construção mínima, limitado à componente desportiva).

A obra está a decorrer desde Agosto de 2009 prevendo-se a respectiva inauguração a tempo do centenário do Clube Sport Marítimo, em 2010. Iniciou-se na zona da bancada nascente, permitindo que decorram, sem problemas, os jogos caseiros da Época 2009/2010 da Liga Sagres. O relvado sofreu uma aproximação à bancada poente em cerca de 7 metros.

Por dificuldades administrativo-burocráticas, a obra foi suspensa em Outubro de 2010, até que aqueles problemas sejam resolvidos, o que estará para breve. Entretanto, perante o avanço do processo, algumas vozes se têm levantado contra o mesmo. Nomeadamente um partido político que por motivos políticos, conjugado com o presidente do clube rival, o Nacional da Madeira, que, tendo optado por um Estádio mal localizado e sem capacidade comercial, vê-se na contingência de ter de combater a opção do Governo Regional ao impor, ao Marítimo, através do programa de governo sufragado pela população e traduzido no contrato-programa estabelecido, essa característica (ESTÁDIO COMERCIAL) que escape à dependência futura de fundos públicos. Uma exigência óbvia e absolutamente normal em qualquer construção do tipo em qualquer local do Mundo.

Tudo aponta para que a primeira fase de construção do Estádio esteja concluída em 2015.

Referências

  1. Funchal, Diário de Notícias "O Governo Regional da Madeira propôs ao CS Marítimo prescindir do prometido Estádio para a zona da Praia Formosa e, ao que foi possível apurar, os responsáveis do clube terão aceite a nova/velha ideia de fazer dos 'Barreiros' um novo e moderno espaço desportivo(…)"
  2. Separata do Boletim Distrital nº 5 de Maio de 1957, da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal
  3. Escritura pública de 24 de Fevereiro de 1939
  4. Idem
  5. Notícia Histórica no mesmo Boletim