Golpes de Estado na Venezuela

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Golpes de Estado na Venezuela têm ocorrido quase desde a fundação da República, durante a história da Venezuela, em várias ocasiões utilizou de rebeliões, motins ou revoluções civis ou militares para derrubar e instalar governos, ou para mudar sua forma e direção, seja pela força ou intimidação, e até mesmo tentando usar métodos pseudo-legais; gradualmente com a consolidação de um sistema democrático no país, cada vez menos recorreu-se a esta prática.

A primeira insurreição ocorrida na Venezuela foi registrada em 1835 contra o governo de José María Vargas pelo Congresso conservador e de José Antonio Páez, o último foi produzido em 11 de abril de 2002 que causou a breve derrubada de Hugo Chávez e a instalação de um governo de facto de Pedro Carmona.

Revolución de las Reformas (1835)[editar | editar código-fonte]

Rebelião ocorrida na Venezuela em 7 de junho de 1835 e 1836, contra o governo de José María Vargas, o Congresso conservador e o poder de José Antonio Páez. Foi protagonizada por Santiago Mariño, Diego Ibarra, Pedro Briceño Méndez, José Laurencio Silva, José María Melo, Luis Perú de Lacroix e Pedro Carujo,, todos os heróis patrióticos da Independência.

Revolución de Marzo (1858)[editar | editar código-fonte]

A Revolución de Marzo (Revolução de Março) conduzida por Julián Castro em março de 1858, é a primeira rebelião contra uma autoridade constituída que foi bem sucedida na história da República da Venezuela. Seu principal líder, Castro, gozava da plena confiança do Presidente José Tadeo Monagas. No geral, o movimento revolucionário teve como principais causas os abusos políticos e os males sociais acumulados durante a década que governaram o país, os irmãos José Tadeo Monagas e José Gregorio Monagas (1848-1858), período também conhecido na historiografia venezuelana como a "oligarquia liberal".

Revolución Liberal Restauradora (1899)[editar | editar código-fonte]

Em 23 de maio de 1899 começou na Colômbia uma invasão da Venezuela liderada por Cipriano Castro, que visava derrubar o governo do presidente Ignacio Andrade. Esta campanha militar conhecida como a Revolução Liberal Restauradora, Revolução Restauradora ou a "invasão dos anos 60" representou a primeira participação em massa dos andinos na política nacional e o fim da hegemonia do liberalismo Amarillo.

Golpe de Estado de 1908[editar | editar código-fonte]

O golpe de Estado de 19 de dezembro de 1908, foi um movimento liderado pelo General Juan Vicente Gómez na Venezuela, segundo o qual, na ausência do presidente Cipriano Castro, este toma o poder e institui um regime ditatorial, seja diretamente sendo eleito presidente pelo Congresso ou indiretamente através de governos civis fantoches que lhe obedeciam. Argumentando uma conspiração para assassiná-lo, Gomez deu o golpe em dezembro de 1908, levando uma ditadura brutal até sua morte em 1935.

Golpe de Estado de outubro de 1945[editar | editar código-fonte]

Conhecido por seus partidários como a “Revolução de Outubro”, foi um golpe de Estado na Venezuela contra o governo do presidente Isaías Medina Angarita, conduzido por uma coalizão das forças armadas e do partido político Ação Democrática, levou à chegada ao poder de Rómulo Betancourt. Um dos aspectos mais controversos que cercam os acontecimentos de 1945, foi o título de "Revolução" denominado pelos membros da Ação Democrática, que não foi mais que um golpe militar-cívico, que teve como principais líderes Rómulo Betancourt e Marcos Pérez Jiménez.

Golpe de Estado de 1948[editar | editar código-fonte]

O golpe de 24 de novembro de 1948 foi um levante militar e político contra o presidente venezuelano democraticamente eleito Rómulo Gallegos, que foi derrubado e forçado ao exílio, em seu lugar foi instalada uma junta militar encabeçada por Carlos Delgado Chalbaud, e também integrada pelos tenentes-coronéis Marcos Pérez Jiménez e Luis Felipe Llovera Páez; a junta militar após o assassinato em 1950 de Chalbaud, nomeou Germán Suárez Flamerich, que governaria até o desconhecimento dos resultados das eleições de 1952, por Pérez Jiménez que que sendo parte da junta declarou-se vencedor da eleição e iniciou uma ditadura que seria derrubada em 1958.

Golpe de Estado de janeiro de 1958[editar | editar código-fonte]

O golpe de Estado de 23 de janeiro de 1958, também conhecido como Junta Civil-Militar de Governo de 1958 ou a derrubada do general Marcos Pérez Jiménez foi um acontecimento histórico ocorrido na Venezuela, por meio do qual pôs fim a ditadura do general Marcos Perez Jimenez, que foi forçado a deixar o país rumo a República Dominicana a bordo do avião presidencial "La Vaca Sagrada". Perez Jimenez estava ocupando o cargo de presidente da Venezuela desde o início dos anos 50, com o fim de seu regime começou o processo democrático na Venezuela, não bem antes dessa data o país já tinha tido algumas curtas experiências ou ensaios democráticos em 1947.

El Carupanazo (maio de 1962)[editar | editar código-fonte]

El Carupanazo foi uma insurreição militar em Carúpano contra o presidente Rómulo Betancourt. El Carupanazo explodiu à meia-noite de 4 de maio de 1962 em Carúpano (Estado de Sucre), a cargo do Batalhão de Infantaria da Marinha nº 3 e do Destacamento 77º da Guarda Nacional. Os rebeldes, comandados pelo capitão de corveta Jesús Teodoro Molina Villegas, o major Pedro Vegas Castejón e o tenente Héctor Fleming Mendoza, se levantaram contra o governo nacional, ocupando as ruas e edifícios da cidade, o aeroporto e a Rádio Carúpano que emitiu um manifesto em nome do Movimento de Recuperação Democrático. Diante desses fatos, Betancourt suspendeu as garantias e acusou o PCV e o MIR de estarem envolvidos na insurreição e emitiu um decreto suspendendo o funcionamento de ambos os partidos em todo o país.

El Porteñazo (junho de 1962)[editar | editar código-fonte]

El Porteñazo ou Insurreição de Puerto Cabello foi uma revolta na base naval de Puerto Cabello. Ao contrário do "Carupanazo", o "Porteñazo" representava uma conspiração civil-militar de magnitude muito maior, tanto pelas forças envolvidas, a intensidade da luta e as terríveis consequências do saldo de mortos e feridos. No alvorecer do dia 2 de junho de 1962, ocorrre uma revolta na base naval de Puerto Cabello (Carabobo Edo), liderada pelo capitão de mar e guerra Manuel Ponte Rodríguez, o capitão de fragata Pedro Medina Silva e o capitão de corveta Víctor Hugo Morales. Finalmente, em 3 de junho, o Ministério do Interior anunciou que desde o amanhecer, as forças armadas leais ao governo haviam posto um fim à rebelião que deixou mais de 400 mortos e 700 feridos. Três dias depois, após terem sido capturados os líderes do levante, caiu o último reduto dos insurgentes, o Forte Solano. Posteriormente, por suspeita de envolvimento nos acontecimentos do "Porteñazo" de políticos ligados ao Partido Comunista da Venezuela deu início a uma profunda política de “limpeza” das Forças Armadas de oficiais ligados ou suspeitos de serem simpáticos à esquerda.

Golpe de Estado de fevereiro de 1992[editar | editar código-fonte]

Em 4 de fevereiro de 1992, um grupo de soldados executou uma tentativa de golpe na Venezuela contra o presidente constitucional Carlos Andres Perez. A tentativa fracassou em alcançar os seus objetivos e os rebeldes se renderam. Entre os oficiais que comandaram essa manobra estavam basicamente quatro tenentes-coroneis do Exército: Hugo Chávez [1] , Francisco Arias Cárdenas, Yoel Acosta Chirinos e Jesús Urdaneta.

Este evento transformou radicalmente a vida política venezuelana, introduzindo novos atores no cenário: dos quatro protagonistas, o primeiro é presidente desde 1999[1] ; no entanto, Arias também se aventurou na política, foi eleito governador do estado de Zulia, foi candidato presidencial em 2000 - competindo com os seus próprio ex-companheiro Hugo Chavez, Acosta manteve um perfil baixo e Urdaneta tornou-se um crítico das políticas realizadas pelo governo Chávez.

Todos os participantes desta ação foram levados para a prisão pelo golpe, sendo sua causa posteriormente rejeitada, e postos em liberdade dois anos mais tarde, durante a presidência de Rafael Caldera.[1]

Golpe de Estado de novembro de 1992[editar | editar código-fonte]

Em 27 de novembro de 1992, é realizado um frustrado golpe na Venezuela contra o governo do presidente Carlos Andres Perez, apenas nove meses depois de outra tentativa em fevereiro desse ano. Nesta ocasião, participaram do golpe civis e militares. Os maiores nomes dessa tentativa foram Hernán Grüber Odremán, Luis Enrique Cabrera Aguirre, Francisco Visconti Osorio, e os partidos políticos Bandera Roja e Tercer Camino.

Golpe de Estado de abril de 2002[editar | editar código-fonte]

O Golpe de Estado de 11 de abril de 2002, foi uma tentativa de derrubar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que foi preso em 12 de abril de 2002 e inicialmente levado para o Forte Tiuna, localizado no sul de Caracas. Nesse mesmo dia, o empresário Pedro Carmona autodeclarou-se como presidente interino. Seu primeiro ato oficial foi a dissolução do Parlamento (Assembleia Nacional), do Supremo Tribunal de Justiça, do Conselho Nacional Eleitoral, a remoção de todos os governadores, prefeitos e vereadores, do Procurador-Geral, da Controladoria e Ouvidoria, bem como a eliminação das 48 leis habilitantes então em vigor, e uma pequena alteração à Constituição, restaurando o nome de "República da Venezuela", tendo removido o título de "Bolivariana".[2]

A partir desta data, milhares de partidários de Chávez vieram a protestar em frente ao Palácio de Miraflores e da brigada de pára-quedistas em Maracay. [2] O general Raúl Isaías Baduel (que em janeiro de 2012 foi preso pelo governo, segundo ele por se opor a Chavez) se opôs ao governo de Carmona, e passou a buscar ativamente uma forma de restaurar Chávez ao poder.

Em 14 de abril de 2002, Chávez foi libertado da prisão militar na ilha de Orchila e foi reintegrado como presidente constitucional da Venezuela.[2]

Lista de Golpes de estado[editar | editar código-fonte]

Golpe de estado Data Dirigido por Governo de
Revolución de las Reformas 7 de junho de 1835 - 1836 Santiago Mariño, Diego Ibarra, Pedro Briceño Méndez, José Laurencio Silva, José María Melo, Luis Perú de Lacroix e Pedro Carujo José Antonio Páez
Revolución de Marzo março de 1858 Julián Castro José Tadeo Monagas
Revolución Liberal Restauradora 23 de maio de 1899 Cipriano Castro Ignacio Andrade
Golpe de estado de 1908 19 de dezembro de 1908 Juan Vicente Gómez, parte das Forças Armadas da Venezuela Cipriano Castro
Golpe de estado de 1945 18 de outubro de 1945 Rómulo Betancourt, Marcos Pérez Jiménez, Ação Democrática, parte das Forças Armadas da Venezuela Isaías Medina Angarita
Golpe de estado de 1948 24 de novembro de 1948 Marcos Pérez Jiménez, Carlos Delgado Chalbaud, Luis Felipe Llovera Páez, parte das Forças Armadas da Venezuela Rómulo Gallegos
Golpe de estado de 1958 23 de janeiro de 1958 Junta Patriótica, Forças Armadas da Venezuela, Fabricio Ojeda, Wolfgang Larrazábal, Partido Comunista da Venezuela, URD, Ação Democrática Marcos Pérez Jiménez
El Carupanazo 4 de maio de 1962 Batalhão de Infantaria da Marinha No. 3, Destacamento No. 77 da Guarda Nacional, capitão de corveta Jesús Teodoro Molina Villegas, Major Pedro Vegas Castejón, Tenente Héctor Fleming Mendoza Rómulo Betancourt
El Porteñazo 2 de junho de 1962 Capitão Manuel Ponte Rodríguez, Capitão de fragata Pedro Medina Silva, Capitão de corveta Víctor Hugo Morales Rómulo Betancourt
Golpe de estado de fevereiro de 1992 4 de fevereiro de 1992 Coronéis do exército: Hugo Chávez, Francisco Arias Cárdenas, Yoel Acosta Chirinos e Jesús Urdaneta. Carlos Andrés Pérez
Golpe de estado de novembro de 1992 27 de novembro de 1992 Hernán Grüber Odremán, Luis Enrique Cabrera Aguirre, Francisco Visconti Osorio, Bandera Roja e Tercer Camino Carlos Andrés Pérez
Golpe de estado de 2002 11 de abril de 2002- 13 de abril de 2002 Pedro Carmona Estanga, parte das Forças Armadas da Venezuela, Fedecámaras, Confederación de Trabajadores de Venezuela (CTV), mais de 400 pessoas assinaram o Decreto Carmona incluindo Manuel Rosales, Henrique Salas Feo, o Cardeal Ignacio Velasco, Miguel Angel Capriles, entre outros[2] . Hugo Chávez

Referências