Jequitibá-rosa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaJequitibá-rosa
Jequitibá de Santa Rita do Passa Quatro, SP, o maior jequitibá do Brasil

Jequitibá de Santa Rita do Passa Quatro, SP, o maior jequitibá do Brasil
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Plantae
Filo: Tracheophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ericales
Família: Lecythidaceae
Género: Cariniana
Espécie: C. legalis
Nome binomial
Cariniana legalis
(Mart.) Kuntze 1898
Sinónimos
Cariniana brasiliensis Casar.

Couratari legalis Mart. 1837

O jequitibá-rosa (Cariniana legalis (Mart.) Kuntze), árvore emergente brasileira da família Lecythidaceae, é a árvore-símbolo dos estados de São Paulo e do Espírito Santo. Seu porte e beleza fizeram com que seu nome fosse dado a cidades, ruas e palácios.

No Espírito Santo tem data comemorativa, o dia 21 de setembro (Lei 6.146, ES, de 08-02-2000). O Projeto Jequitibá-Rosa, da Associação Ecológica Força Verde, esteve à procura da maior árvore dessa espécie no Espírito Santo. Acabou encontrando um jequitibá-rosa gigantesco, em Alto Bérgamo, município de João Neiva. Medições comparativas indicam claramente que esta é a maior árvore da Mata Atlântica brasileira, medindo 11,85 metros de circunferência.

Existe alguma confusão a respeito do nome vulgar dessa espécie, que, dependendo da região do Brasil, pode referir-se a qualquer uma das espécies de jequitibás.

É a espécie tipo do gênero Cariniana, descrita como Cariniana brasiliensis por Casaretto, em 1842, no Rio de Janeiro. No entanto, foi descrita pela primeira vez por von Martius em 1837 como Couratari legalis. A revisão de gêneros botânicos feita por Kuntze em 1898 a renomeou como Cariniana legalis.1

Sinonímia: congolo-de-porco, estopa, jequitibá-de-agulheiro, jequitibá-branco, jequitibá-cedro, jequitibá-grande, jequitibá-vermelho, pau-carga, pau-caixão, sapucaia-de-apito.

Características morfológicas[editar | editar código-fonte]

Jequitibá-rosa no Jardim Botânico de São Paulo.

É considerada a maior árvore nativa do Brasil, porque pode atingir até 50 metros de altura e um tronco com diâmetro de até sete metros2 .

Suas folhas membranáceas medem até 4 x 7 cm. As flores, pequenas, que surgem de dezembro a fevereiro, são de cor creme.

O fruto é um pixídio lenhoso, cuja abertura espontânea, em agosto-setembro, libera as pequenas sementes de dispersão eólia. Um quilograma contém cerca de 22 mil sementes, que germinam em ambiente semi-sombreado, emergindo o broto entre 12 e 20 dias.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

Originalmente encontrada no centro e sudeste do país (estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul), e também em Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco, na Mata Atlântica, tanto na pluvial quanto na latifoliada semidecidual, sempre em solos férteis. Talvez ocorra também na Colômbia e na Venezuela.

O maior e mais antigo espécime vivo do jequitibá-rosa se encontra no Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, SP, e possui aproximadamente 3.032 anos de idade, estando entre os seres mais antigos do planeta, e a mais velha árvore do Brasil 3 4 . Sua altura é 40 m e seu diâmetro 3 m5 . O Parque Estadual de Vassununga preserva grande número de jequitibás.

Outro espécime importante fica no Parque Estadual dos Três Picos, RJ, e tem cerca de 1.000 anos.6

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Semidecídua, heliófita, aparece em dispersão irregular e descontínua: por exemplo, no Parque Estadual Vassununga aparece na forma de um grupo.

Ocupa o estrato superior da floresta primária densa, na qual é maior sua ocorrência.

No Parque Florestal do Rio Doce, em Minas Gerais, há exemplares tão grandes quanto ao de Santa Rita de Passa Quatro.

A ameaça à espécie, que cresce em terras férteis, vem da expansão agrícola e urbana7 .

Usos[editar | editar código-fonte]

Suas sementes são muito apreciadas por macacos.

É planta medicinal, sua casca é usada em extrato fluido.8

A madeira, leve, é usada na construção civil apenas em obras internas, e na fabricação de móveis, pois é pouco resistente ao ataque de xilófagos.

Ornamental e de porte monumental, pode ser usada no paisagismo de parques, praças e áreas rurais.

Tolera a luz, por isso pode ser usada na revegetação de áreas desmatadas. O que tem sido feito para preservá-los.

Referências

Veja também[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Lorenzi, Harri, Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol 1, 4a. edição, Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. ISBN 85-86714-16-X