Junyo Maru (navio)

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O Junyō Maru (順陽丸?) ou Zyunyo Maru foi um cargueiro japonês, afundado em 18 de setembro de 1944 pelo submarino britânico HMS Tradewind, causando a morte de mais de 5 500 pessoas[1] , evento considerado como uma das maiores tragédias no mar.

O Navio[editar | editar código-fonte]

Construído em 1913, nos estaleiros da Robert Duncan Co., em Glasgow, tinha 123 metros de comprimento por 16 metros de largura, com calado de 27,2 metros e 5 065 toneladas de deslocamento. Seus motores alcançavam a potência de 475 hp (345 Kw).

Após passar pelas mãos de proprietários ingleses e americanos, em 1926, com o nome de Sureway, foi vendido a proprietários japoneses, e renomeado Junyo Maru. Em 1938, foi adquirido pelo governo japonês, e novamente teve seu nome alterado, dessa vez, para Zyunyo Maru[2] , embora fosse mais conhecido pelo seu nome anterior.

Sobrevindo a Segunda Guerra Mundial, o governo deslocou o navio para o Sudeste Asiático, a fim de tomar parte nos comboios de suprimentos militares, bem como no transporte de trabalhadores escravos através da Indonésia e da Indochina. No decorrer da guerra, acabou sendo utilizado para transporte de prisioneiros de guerra capturados naquela região, muitos dos quais eram enviados à Birmânia, para a construção de ferrovias japonesas naquele país.

A fim de transportar e acomodar mais e mais prisioneiros, foram construídos pavimentos extras de bambu, subdivididos em jaulas do mesmo material. Os espaços abertos do convés também foram aproveitados para acomodar os presos. Tal tipo de navio era o que se denominava de Hell´s Ships (Navios do Inferno), pela extrema insalubridade a bordo e pela brutalidade da tripulação para com os prisioneiros. Na ocasião, o navio já se transformara em “um balde de ferrugem ambulante”[3] .

O afundamento[editar | editar código-fonte]

Em 16 de setembro de 1944, zarpou de Batavia, com destino a Padang, na costa oeste de Sumatra, escoltado por dois outros navios e carregando 6 342 pessoas, dentre as quais 1 377 prisioneiros de guerra holandeses, 64 britânicos e australianos, 8 americanos e 500 indonésios[4] . Também a bordo, estavam 4 200 trabalhadores escravos javaneses (denominados “Romushas”), os quais estavam sendo levados para a construção de uma linha férrea de 220 Km na Ilha de Sumatra.

Empilhados nos imundos porões como sardinha em lata, muitos deles em pé, sabiam que dispunham de muito pouca chance de escapar em caso de emergência, sobretudo pelo fato que a maioria dos “Hell´s Ships” japoneses não ostentavam qualquer marca ou insígnia que os identificassem como navios de transporte de prisioneiros.

Às 16 horas de 18 setembro de 1944, quando se deslocava pela costa oeste de Sumatra, já no Oceano Índico, foi atingido por dois torpedos disparados, a cerca de 1 800 metros, pelo submarino britânico da classe Triton, HMS Tradewind, comandado pelo tenente Stephen Maydon[3] , que havia partido de sua base em Trincomalee, no Sri Lanka, em 8 de setembro.

Perdas humanas[editar | editar código-fonte]

Perderam a vida no naufrágio 5 620 homens, quase todos prisioneiros. Os 723 presos que sobreviveram foram resgatados por barcos japoneses na madrugada do dia seguinte, e levados para campos de trabalhos forçados, dos quais, apenas 96 sobreviveram à guerra. Dos 100 cidadãos holandeses que sobreviveram ao naufrágio, dez morreram na construção da ferrovia[3] .

Muito já se debatou sobre as consequências trágicas - do ponto de vista aliado - nos afundamentos dos Hell´s Ships. No entanto, é certo que alguns destes naufrágios foram realizadas com o pleno conhecimento de que os navios transportavam prisioneiros de guerra. O código naval japonês tinha sido decifrado, de modo que os Aliados sabiam que os comboios transportavam de tudo (tropas, prisioneiros, suprimentos, material bélico etc). Os comandantes de submarinos tinham ordens para atacar os comboios, e não um navio específico, e o problema surgia porque não havia nenhuma maneira de saber em quais dos navios do comboio estavam os prisioneiros de guerra.

A posição do naufrágio é Mukomuko, Sumatra. 2° 53′ S 101° 11′ E

Referências

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]