Lluís Companys

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
123º Presidente da Generalitat de Catalunha Catalunha
Mandato 1 de janeiro de 1934
a 15 de outubro de 1940
Antecessor(a) Francesc Macià
Sucessor(a) Josep Irla
Sucessor(a) Vicente Iranzo Enguita
Dados pessoais
Partido Esquerda Republicana da Catalunha

Lluís Companys i Jover (Tarrós, Lérida, 21 de junho de 1882Barcelona, 15 de outubro de 1940) foi um político e advogado catalão, de ideologia catalanista e republicano, líder de Esquerda Republicana da Catalunha e presidente da Generalitat da Catalunha desde 1934, durante a Guerra Civil Espanhola e no exílio francês até o seu fuzilamento pelas autoridades franquistas.

Exiliado após a Guerra Civil, foi capturado por um agente da polícia franquista que colaborava com a Gestapo.[1] Foi extraditado à Espanha, torturado, submetido a uma farsa de Conselho de Guerra e fuzilado.[2]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Filho dos camponeses proprietários Josep Companys e Maria Lluïsa de Jover. Licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona, Companys participou já desde novo na vida política da Catalunha. Em 1906, por causa do incêndio por militares das redações das revistas catalanistas Cu-Cut! e La veu de Catalunya, participou na criação de Solidaritat Catalana. Posteriormente afiliou-se à efêmera Unió Federal Nacionalista Republicana, de cuja seção juvenil foi presidente. Prova desta intensa atividade juvenil é que foi detido quinze vezes, sendo qualificado após a Semana Trágica de Barcelona de 1909 como "indivíduo perigoso" nos relatórios policiais.

Com Francesc Layret, Companys representou a ala esquerdista-operária do Partit Republicà Català (Partido Republicano Catalão), em cuja representação conseguiu a ata de vereador de Barcelona em 1917. Em novembro de 1920 foi detido junto a Salvador Seguí, Marti Barrera, Josep Viadiu entre outros sindicalistas e deportado ao castelo da Mola em Maó (ilhas Baleares), após o qual é assassinado Layret quando se dispunha a assumir a sua defesa. Apesar da sua deportação, nas eleições legislativas de dezembro de 1920 Companys foi eleito deputado por Sabadell no lugar que devia ocupar o falecido Layret, conseguindo a imunidade parlamentar o que o livrará do cárcere.

Foi um dos fundadores da Unió de Rabassaires em 1922, para a que trabalhou como advogado e diretor da revista La Terra durante os anos da ditadura de Miguel Primo de Rivera.

Novamente detido, não pôde assistir à Conferência de Esquerdas celebrada entre 12 e 19 de março de 1931 da qual nasceu Esquerda Republicana da Catalunha, mas foi eleito membro da executiva do partido em nome do Partit Republicà Català. Graças aos seus vínculos com o mundo do trabalho e do sindicalismo, Companys deu um maior prestígio a Esquerra na opinião pública de esquerdas, pois até então era considerado um partido progressista pequeno burguês.

Segunda República[editar | editar código-fonte]

Nas eleições municipais de 12 de abril de 1931 é eleito vereador do Município de Barcelona por Esquerda Republicana da Catalunha. A 14 de abril acedeu, com Amadeu Aragay, Lluhí i Vallesà e outros à varanda do Município e proclamou a República na Catalunha, depondo o prefeito acidental Antonio Martínez Domingo.

A 16 de abril de 1931 foi designado governador civil de Barcelona, cargo que ocupou até o mês de maio em que foi substituído por Carlos Esplá.

A 28 de junho de 1931, por ocasião das Eleições gerais espanholas de 1931, foi eleito deputado por Barcelona. Exercerá a chefia nas Cortes espanholas do grupo parlamentar de Esquerra, promovendo a aprovação do Estatuto de autonomia da Catalunha, com o maior nível possível de autogoverno, a agilização dos traspassos de competências e a legislação agrária.

A 20 de novembro de 1932, por ocasião das eleições ao Parlamento da Catalunha de 1932, foi eleito deputado do Parlamento da Catalunha por Sabadell. Posteriormente, a 19 de dezembro de 1932, foi eleito primeiro presidente do Parlamento. Companys compatibilizou as atas de deputado nas Cortes espanholas e no Parlamento da Catalunha que presidiu até meados de 1933, quando o abandonou para integrar-se ao governo da República, o último presidido por Manuel Azaña durante a primeira legislatura republicana. Entre junho e novembro de 1933 ocupou o cargo de Ministro da Marinha. Ao mesmo tempo, continuando com a sua afeição aos trabalhos na imprensa escrita que iniciara na sua juventude, de novembro de 1931 até janeiro de 1934 dirigiu La Humanitat, o órgão oficial de ERC.

Após a morte de Francesc Macià, a 1 de janeiro de 1934 foi eleito Presidente da Generalitat da Catalunha pelo Parlamento catalão. Durante 1934 impulsionou a polêmica Lei de Contratos de Cultivo da Catalunha, que o enfrentou com os grandes proprietários e com o Governo central.

Após a entrada no governo da República da Confederação Espanhola de Direitas Autônomas (CEDA) e ao ser convocada a greve revolucionária de Outono em todo o país, a 6 de outubro de 1934 proclamou o "Estado Catalão" dentro da República Federal Espanhola desde a varanda da Generalitat. Após a intervenção militar dirigida pelo comandante-em-chefe da quarta divisão orgânica, o general Batet, Companys foi detido com o governo catalão em pleno e encarcerado no buque Uruguay, fundeado no porto de Barcelona. Suspendido o Estatuto de autonomia da Catalunha foi transladado para Madrid, onde foi julgado e condenado por rebelião a 6 de junho de 1935 pelo Tribunal de Garantias Constitucionais, por dez votos a favor e oito contra, junto a todo o Governo catalão, a trinta anos de reclusão maior e inabilitação absoluta. Posteriormente foi transladado para o Penal de El Puerto de Santa Maria (Cádis).

Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Liberto em 1936 após a vitória da Frente Popular, em previsão de um possível golpe militar nomeou o capitão Frederic Escofet como Comissário Geral de Orde Pública da Catalunha.

Após o insucesso do golpe de Estado do 18 de julho em Barcelona, Companys decidiu deixar partir pelo porto de Barcelona em barcos estrangeiros umas cinco mil pessoas suspeitosas de pouca simpatia com a II República cuja segurança não podia garantir[3] no clima de rebordamento pela grande quantidade de assassinatos que ocorreram na retaguarda nos dias posteriores.

Durante toda a guerra encabeçou o Governo da Catalunha visando manter a unidade entre os partidos e sindicatos que o apoiavam. Contudo, isto foi muito difícil pelas tensões entre comunistas e socialistas agrupados no Partido Socialista Unificado da Catalunha e anarquistas da Confederação Nacional do Trabalho, apoiados estes últimos pelo POUM. A partir de outubro de 1937 travaram-se os seus confrontos com o Governo republicano de Juan Negrín, instalado em Barcelona, e em abril de 1938, após a ocupação de Lérida, escreveu uma amarga carta ao presidente do Governo espanhol, queixando-se das arbitrariedades que estava cometendo e da marginação que sofria o Governo catalão.

Exílio[editar | editar código-fonte]

Após a ocupação da Catalunha pelas tropas franquistas, a 5 de fevereiro de 1939 exilou-se em Perpinhã (França), deslocando-se depois para Paris para trabalhar na representação no exílio da Generalitat (Consell Nacional de Catalunya). Quis terminar os seus dias em La Baule-les-Pins (Loire-Atlantique) mantendo-se na França a pesar do perigo que corria numa tentativa por não perder o contato com o seu filho Lluís Companys i Micó (1911–1956), que padecia de uma grave doença mental. Este filho fora fruto do seu primeiro matrimônio. Foi ali que foi arrestado por agentes alemães da Gestapo a 13 de agosto e extraditado em 29 de agosto de 1940.

A entrega ao governo franquista foi realizada através da fronteira de Irún. Trasladado para a Direção Geral de Seguridade em Madrid, permaneceu ali até a 3 de outubro de 1940, sendo torturado.[2] Daí foi enviado para o castelo de Montjuic, que servia de prisão. Ali foi julgado em conselho de guerra a 14 de outubro. Como fora julgado em rebeldia em aplicação retroativa da Lei de Responsabilidades Políticas por um tribunal especial de Barcelona, somente foi julgado e sentenciado por "Adesão à rebelião militar", numa única jornada por um tribunal militar sumaríssimo sem garantias. Após um juízo que durou umas poucas horas, foi sentenciado a falecer fuzilado. O ditador Franco deu o "ciente",[2] pelo qual o fuzilamento ocorreu à alba do dia seguinte, 15 de outubro de 1940, no fosso de Santa Eulália do castelo de Montjuic. Não quis que lhe fosse posta uma venda nos olhos e faleceu dizendo:[4]

Cquote1.svg Assassineu un home honrat. Per Catalunya!
(Assassinais um homem honrado. Pela Catalunha!)
Cquote2.svg
Cquote1.svg Tornarem a sofrir, tornarem a vencer!!!!!
(Voltaremos a sofrer, voltaremos a vencer!)
Cquote2.svg

Posterioridade[editar | editar código-fonte]

O Estádio Olímpico de Montjuic em Barcelona leva o seu nome. Neste estádio foram celebradas as provas de atletismo dos Jogos Olímpicos de verão de Barcelona em 1992.

Bibliografia e filmografia[editar | editar código-fonte]

  • ALQUÉZAR, Ramón. Esquerra Republicana de Catalunya: 70 anys d'història (1931–2001). Barcelona: Coluna, 2002. 408 p. ISBN 978-84-664-0172-2.
  • BENET, Josep. Lluís Companys, presidente de Catalunya fuzilado. Barcelona: Península, 2005. 220 p. ISBN 978-84-8307-707-8.
  • FORN, Josep María. Companys, proceso a Cataluña, 1979.

Referências

  1. O caçador de vermelhos, El País, edição de 28-09-2008. (Consultado em 14-04-2010).
  2. a b c Lluís Companys, 70 anos de um assassínio contra Catalunya, Público, 15 de outubro de 2010.
  3. (Benet 2005:345)
  4. (Companys, proces a Catalunya 1979)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]