Luís Pereira de Sousa
Luís Pereira de Sousa é um profissional da comunicação portuguesa, que desde 1960 desenvolve intensa actividade na rádio, cinema, televisão e jornais nacionais e estrangeiros.
Ao longo de 40 anos de carreira, sempre defendeu a importância do descomprometimento total e incondicional do jornalista frente aos poderes políticos, económicos, religiosos e outros.
É famoso pelos programas televisivos que apresentou na RTP.
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[editar] Biografia
[editar] Infância
Luís Pereira de Sousa nasceu no início dos anos 40 na Casa de Saúde da Boavista, no Porto, local onde sua mãe, residente em Lamego, se vira obrigada a deslocar–se para dar à luz um casal de gémeos. Esta era professora primária, natural de Lamego, e seu pai, um oficial de finanças, era natural de Olhão.
Pouco tempo depois, a família foi viver para a Parede e, mais tarde, Sassoeiros, locais onde a mãe desempenhou a função de professora. Acabaram por se fixar em Carcavelos, junto ao mar, elemento preponderante nos gostos da família.
O facto de o seu pai, um estudioso da matemática e de economia e finanças, ter cegado quando terminava um curso superior, obrigou Luís Pereira de Sousa, tal como sua irmã, ainda no período escolar, a lerem–lhe sobre várias matérias, durante algumas horas diárias. Esse exercício forneceu–lhe uma experiência que iria determinar a sua vida profissional, em paralelo com o desejo de vir a ser jornalista.
[editar] Primeiros passos no jornalismo
Aos 19 anos produziu e apresentou, no inicio dos anos 60, um programa de rádio com informação e divulgação do Concelho de Cascais, denominado "Cascais Entre o Mar e a Serra", no Clube Radiofónico de Portugal, patrocinado pela Farmácia Cordeiro.
Como repórter desportivo, ingressou nas Produções Lança Moreira, que produziam o programa Golo, no Rádio Clube Português e colaborou em vários programas dos Emissores Associados de Lisboa, tais como "Clipper Musical" e "Ouvindo as Estrelas", na Rádio Renascença.
Acabaria por ser convidado para ser locutor do Rádio Clube Português, completando a sua actividade na altura com locuções nos principais jornais de actualidades cinematográficas. Entre estes, contavam-se "Rivus Pathe Magazine", da Telecine Moro e "Visor" de Perdigão Queiroga. Esta experiência permitir-lhe-ia anos mais tarde vir a ser realizador, redactor e locutor do "Jornal de Actualidades Cinematográficas", do Instituto Português de Cinema.
[editar] Colaborações com rádios estrangeiras
Pelas limitações na prática do jornalismo de então, desenvolveu uma intensa actividade como correspondente de várias estações portuguesas de África e do estrangeiro, actividade que lhe permitiu satisfazer o seu desejo de informar sem as restrições que em Portugal se impunham. Colaborou com a Emissora Católica de Angola, no programa "Luanda 64,65,66", com o Rádio Clube de Moçambique e com a South Africa Broadcasting (SABC), em representação das quais, fez reportagens em África, América e por toda a Europa. Em África, escreveu um conjunto de histórias sobre a guerra. Percorreu Moçambique e arquivou momentos que uma, vez escritos, não puderam ser publicados, dada a sensibilidade das autoridades ao problema ultramarino.
Iniciou também intensa actividade na imprensa, nos jornais Notícias e Noite e Dia, assim como uma colaboração eventual em inúmeras revistas de actualidades.
[editar] Repórter do 25 de Abril
Colaborou com estas estações até ao 25 de Abril de 74, momento que lhe proporcionou efectuar a partir do quartel do Carmo, em Lisboa, uma reportagem em directo para a SABC sobre a rendição do governo deposto. Este trabalho atribuiria a esta estação o destaque de primeira fora de Portugal a dar a notícia e a cobrir detalhadamente a revolução dos cravos. Foi um dos dois únicos jornalistas a acompanhar Salgueiro Maia na sua entrada no quartel do Carmo.
[editar] O processo por abuso da liberdade de imprensa
Após o 25 de Abril, dado que as condições se deterioraram para profissionais da comunicação que desenvolviam uma actividade livre ou ligada a instituições que se deslocaram política e fisicamente de Portugal, tentou penetrar nas estações que até aí lhe eram vedadas por razões políticas. Assim, em momentos conturbados, passou a apresentar o programa “Actualidades”, análise política semanal ilustrada, onde procurou mostrar as contradições entre a realidade e o discurso político. Apresentou ainda “Domingo Fantástico”, um exercício de fantasia, em parceria com o conhecido sonoplasta angolano José Maria de Almeida. Ambos os programas eram transmitidos na antiga Emissora Nacional, que entretanto se passara a chamar RDP.
Ao fim de alguns meses, o primeiro programa terminou por claras incompatibilidades com a direcção de Programas. O segundo foi suspenso, na sequência de um processo judicial sobre "abuso da liberdade de imprensa", imposto também pela direcção de programas, após ter sido transmitida uma entrevista feita com o escritor Luís Pacheco, na qual este fazia referências humorísticas ao Presidente da República General Ramalho Eanes. Este foi o primeiro processo por violação da liberdade de imprensa a dar entrada nos tribunais após a revolução. O julgamento de feições rocambolescas decorreu no máximo sigilo. O réu apresentou–se sem advogado, afirmando nada ter para se desculpar. As testemunhas eram o próprio escritor Luís Pacheco, que fugiria do Tribunal da Boa Hora a meio da audiência e Manuel Granjeio Crespo um irrequieto realizador de cinema e político anarquista, paraplégico, recém-candidato presidencial, conhecido como o "General rodinhas", que não conseguiu subir até à sala onde decorria o julgamento.
O juiz, após considerar o caso verdadeiramente kafkiano, absolveu o réu e elogiou–o pela peça, que considerou exemplar em termos de criatividade e imaginação.
Entretanto, o ministério público e direcção de programas recorreram para a instância superior. Por não terem sido cumpridas as formalidades na defesa desorganizada do réu, este acabou por ser condenado a 6 meses de cadeia remíveis em multa, que acabou por pagar. Por outro lado, o próprio General Ramalho Eanes faria chegar ao jornalista condenado a certeza de que em nada se sentia ofendido e, mais ainda, que apreciara a discutida peça radiofónica.
[editar] A era da RTP
Na eminência de ter que sair do país por falta de trabalho, à ultima hora, foi convidado por Edmundo Pedro, presidente da RTP, para ingressar na estação de televisão pública. Dias depois, não tendo ainda legalizada a sua situação na estação, apresentava aí já o Telejornal, programa diário dedicado à difusão noticiosa, assim como o Frente a Frente, um programa de debate político, efectuando reportagens quase diariamente.
No decorrer das frequentes alterações devidas as flutuações políticas, foi afastado para ser substituído nesse lugar pelos director e sub-director de então, José Eduardo Moniz e Adriano Cerqueira.
Entretanto, foi convidado pela Panorâmica 35 a apresentar, com Herman José, um programa feito em inúmeros locais do país, denominado Desporto de vida, onde se procurava mostrar como é importante a prática do esforço físico.
O primeiro programa ligeiro com a presença de público que apresentou foi Retrato de Família, ao lado de Ana Maria Lucas.
Após um interregno, inicia a coordenação e apresentação do Magazine 7, um espaço de actualidades aos sábados à tarde, que alcançou considerável êxito pelo estilo inovador na abordagem de assuntos pouco comuns.
Nesta fase, foi considerado pela imprensa o jornalista português mais popular.
Uma vez extinto o programa, por alteração da grelha, Luís Pereira de Sousa viria a permanecer durante cerca de um ano nas locuções e reportagem, até que Maria Elisa o convidou para criar uma animação nas manhãs de Domingo, em parceria com Maria João Metello. O Bom dia Domingo foi o primeiro programa dedicado aos jovens adoptado por toda a família. Em directo do Lumiar, marcou uma nova fase na RTP, deixando recordações para muitos portugueses, hoje com mais de 40 anos.
A este êxito, seguiram–se muitas outras experiências televisivas na RTP e no cinema, onde viria a regressar aos documentários, assim como à rádio, com programas no Rádio Clube Português, que passara a chamar-se Rádio Comercial. Nessa estação, dá início aos programas Ora Ora, Manhã Manhã e Clube da Manhã, programações matinais, a partir das 7 horas, num horário pouco explorado até então, onde misturava informação, humor e música.
No final dos anos 70, é convidado a participar como criativo na maior e mais dispendiosa campanha publicitária até essa data realizada em Portugal, dedicada aos CTT. Concorreram as mais destacadas agências nacionais. A campanha por si desenhada foi a vencedora e a sua frase “Código postal meio caminho andado” tornou–se muito conhecida e de grande permanência em Portugal.
Nos anos seguintes, produziu, com a 8ª Arte, programas como Coleccionando, onde revelava os mais inesperados coleccionadores e apontava as razões culturais e outras, subjacentes à sua paixão; Nunca é tarde, um espaço dedicado à terceira idade, com inúmeros colaboradores especialistas; Um certo sorriso, a narração de histórias devidamente documentadas e ilustradas que procuravam dar que pensar e que sorrir. Na maioria dos casos as personagens observadas eram pessoas simples, que, pela coragem valor, arte ou dedicação se tornavam exemplos de vida.
Luís Pereira de Sousa abraçou, pelas condições impostas pela RTP, uma linha de actuação em produções de índole necessariamente popular e na maioria dos casos em programas directos e no exterior, onde as condições não seriam as ideais. Apesar do êxito que ao mesmo tempo obtinham, foi alvo de insistentes criticas nos principais jornais e revistas. Levado mais uma vez ao afastamento das lides jornalísticas, apenas nos finais de 1990 voltou à grande reportagem, abandonando a participação nos programas de índole popular por vontade própria, em virtude de se sentir farto de os fazer. Permaneceu no departamento de grande reportagem da RTP até este ser extinto.
[editar] Da RTP à actualidade
Rescindiu contrato então com a nova RTP e passou a dar voz a produções da TV Cabo, ao mesmo tempo que editou o Jornal Luso Press, distribuído em França e Inglaterra.
Actualmente colabora em rádios de Boston e da Nova Jérsia, nos EUA e mantém colaborações com vários jornais, entre as quais se conta uma crónica semanal no Jornal da Costa do Sol.
Vive em Cascais, na Aldeia de Juso, perto do Guincho. As suas férias são, desde há mais de uma dezena de anos, passadas a velejar no Áries, o seu barco à vela, que tem respondido ao apelo de liberdade, de desafio e de paz, factores que têm norteado a sua vida.
Em 2011, voltou à RTP, com uma participação no programa humorístico Último a Sair, interpretando um repórter de serviço.[1]
[editar] Programas televisivos
[editar] Bom dia Domingo
Programa semanal emitido pela RTP, no fim dos anos 70. De cariz juvenil, foi o primeiro programa dedicado à faixa etária mais jovem a ser adoptado por pessoas de todas as idades.
[editar] Magazine 7
Programa semanal emitido pela RTP, no fim dos anos 70, aos Sábados à tarde. Abordava temas da actualidade pouco comuns para época, com um estilo diferente, tendo com isso alcançado um sucesso assinalável.
[editar] Retrato de Família
Programa transmitido pela RTP, com público. O apresentador era acompanhado por Ana Maria Lucas. Os temas eram tão variados como entrevistar em directo o jovem que na véspera assaltara um avião da TAP, ou revelar um jovem aspirante a cantor como Rui Veloso, ou ainda em directo descobrir 3 jovens irmãos, que em pequenos haviam fugido de Angola e haviam sido entregues a famílias desconhecias, reencontrando-se e conhecendo-se durante a emissão.
[editar] Coleccionando
Programa semanal emitido pela RTP, no fim dos anos 70. O apresentador revelava coleccionadores de objectos inesperados, tais como ementas de restaurantes ou conchas, apontando razões culturais e outras, que explicavam a paixão por estes.
[editar] Nunca é tarde
Programa semanal emitido pela RTP, no fim dos anos 70. Tratava-se de um espaço dedicado à terceira idade, com a colaboração de diversos especialistas.
[editar] Um certo sorriso
Programa semanal emitido pela RTP, no fim dos anos 70. Consistia na narração de histórias, que procuravam fazer sorrir e dar que pensar. A maior parte das personagens observadas eram pessoas simples, que se tornavam exemplos de vida, pela sua coragem, valor, arte ou dedicação.
[editar] Zig Zag
Programa semanal transmitido pela RTP na primeira metade dos anos 80, nas tardes de Domingo. Diversos convidados demonstravam habilidades nas suas respectivas artes e ofícios. A rubrica dedicada aos jogos de computador do ZX Spectrum tornou-se muito popular, na época.
[editar] Já cá canta
Programa semanal transmitido pela RTP na primeira metade dos anos 80. Diversos convidados demonstravam capacidades musicais. A letra do genérico apresentava progressivamente o seu título: Já; já está; já cá está, já cá canta; já cá canta; já cá está, já cá canta!
[editar] Estúdio 4
Programa diário transmitido pela RTP em 1988, ao fim da tarde. Convidados eram entrevistados sobre assuntos sérios e ligeiros da sociedade portuguesa. Era dado destaque e particular atenção aos convidados anónimos que contavam histórias das suas vidas ou expunham questões surpreendentes para a maioria da população. O programa decorria com o apresentador, suas acompanhantes e os convidados sentados em sofás, havendo um grupo de dança permanente e uma pequena banda musical.
[editar] Jogos de Verão
Programa semanal transmitido pela RTP em 1989, nas tardes de Sábado, durante o Verão. A acção decorria em praias espalhadas por Portugal, recebendo o apresentador concorrentes que tinham que jogar diversos jogos desportivos, como, por exemplo, a corrida dentro de um saco.
[editar] Showbiz
Programa semanal transmitido pela RTP no início dos anos 90. Apresentava diversas rubricas da área dos espectáculos, com um relevo especial para a música.
[editar] Festa na feira
Programa semanal da RTP transmitido a partir da Feira Popular de Lisboa, em 1990. Era preenchido essencialmente por um concurso à escala nacional. Tomando tendo como base os jogos recreativos da feira tradicional portuguesa, numa reprodução do cenógrafo Jorge Rocha, vieram de todo o País delegações compostas por equipas de homens e mulheres hábeis nas mais variadas modalidades físicas, como rapidez, força, destreza. Assim, cortavam toros de lenha, carregavam sacos de farinha, jogavam nas setas no arremesso, ou agarravam um porco. O objectivo era mostrar as capacidades das gentes ligadas aos misteres dos campos e o espírito de equipa, ao mesmo tempo que se divulgavam hábitos e tradições regionais.
[editar] Clube da manhã
Programa diário transmitido pela RTP em 1992, durante as manhãs, de segunda-feira a sexta-feira. Cada programa acolhia um convidado, que era entrevistado e trazia consigo um novo talento musical apadrinhado por si, que no fim do programa mostrava as suas qualidades, sendo submetido a uma votação. Roberto Leal foi um dos convidados.
[editar] Onda de Verão
Programa semanal transmitido pela RTP em 1993, nas tardes de Sábado, durante o Verão. A acção decorria em praias espalhadas por Portugal, recebendo o apresentador concorrentes que tinham que jogar diversos jogos desportivos, apelando aos valores ecológicos, ao cuidado a ter em tempo de Verão e à alegria da população jovem em férias. Foi eleita a Miss Praia e desenvolveram–se concursos como os de tatuagem, construções na areia, procura do tesouro, mergulho de dezenas de mergulhadores que durante o programa procuravam mostrar como seria possível não poluir as praias, etc.
[editar] Ligações externas
- "O fio da navalha" , o blogue de Luís Pereira de Sousa.
- Entrevista a Luís Pereira de Sousa em 2011
